A maioria dos analistas da esquerda concorda que há uma contraofensiva política-ideológica da direita, uma onda conservadora no Brasil e no mundo. No entanto, diante deste cenário de dificuldade, os partidos de centro-esquerda e da esquerda brasileira optaram por marchar separados nas eleições presidenciais de 2018, depois de uma fragorosa derrota nas eleições municipais de 2016.

Há quem veja uma ofensiva neofascista no Brasil, fenômeno que considero exagerado. A candidatura Bolsonaro expressa uma pequena parcela ultraconservadora da sociedade, agregando uma massa de desesperançados ao seu redor, não necessariamente ganhos para um projeto fascista.

O que preocupa mais é o crescimento e a ocupação do território por grupos de milicianos e traficantes, segmentos que se movem pelo poder das armas e a exploração de uma gama enorme de serviços não prestados pelo Estado brasileiro. Essa gente finca raízes nos subterrâneos e já influencia a vida política nos três poderes.

Parte da base petista que ainda se considera de esquerda aderiu a uma espécie de messianismo cego. Atua como se o golpe de 2016 fosse contra o PT, quando o golpe foi desferido contra os interesses, os direitos e conquistas dos trabalhadores e do povo desde a redemocratização do país. O PT era apenas a bola da vez, debilitado que estava pelas alianças e a política econômica que adotou no segundo governo Dilma.

A resistência ao golpe, para essa galera, passa por Lula. Ocorre que Lula, em sua já conhecida postura conciliatória, se entregou à Justiça e articula uma saída política pela via eleitoral, fortalecendo esse personalismo, o que atravancou a possibilidade de um acordo mais amplo em torno de uma candidatura comum do campo do centro-esquerda/esquerda.

Lamentavelmente a esmagadora maioria da militância e dos intelectuais de esquerda continua subordinada ao petismo e ao lulismo. Há os que preferem se render a teses deterministas, que tiram do baú para justificar sua passividade. Se é verdade que o Brasil é uma das maiores economias do Planeta e um país urbano, também é verdade que temos um dos maiores abismos econômicos e sociais do mundo, o que nos distancia em muito das principais nações ditas de “primeiro mundo”.

Não há projeto e nem programa de centro-esquerda – ou reformista – que dê conta de amenizar essa situação, agravada com o golpe de 1964, que sepultou as reformas de base de João Goulart. É sempre bom lembrar que as medidas progressivas adotadas pelos governos petistas, ainda que tenham aliviado momentaneamente as feridas profundas de parte da classe trabalhadora, sequer arranharam o abismo que separa a minoria abastada da grande massa da sociedade brasileira.

Isso é grave, porque o PT tampouco esboçou uma crítica e autocrítica de seus 14 anos de governo. Mais grave ainda porque essa turma continua se referenciando nas mesmas ferramentas dos anos 80 e 90 para intervir na realidade: os sindicatos e centrais sindicais (CUT/CPB/CSP Conlutas) e movimentos de juventude a partir da Ubes/UNE e no campo (MST).

Ainda que não tenham surgido novas ferramentas pujantes (com raras exceções, como o MTST), as antigas estão esvaziadas e não sustentam mais a base social de massa que deu força à ascensão do PT. E isso atinge também os setores minoritários da esquerda, como as correntes internas do PSOL e o PSTU, que insistem na mesma direção e não produziram nada de novo nos últimos anos, indo a reboque de políticas identitárias sectárias e de difícil diálogo com o grosso da sociedade.

É sempre bom lembrar: não se deve confundir projeto de transformação revolucionária com política sectária ou utopia. O marxismo oferece um arcabouço fundamental para análise e intervenção transformadora na sociedade. O desafio da esquerda é utilizá-lo nas condições em que vivemos no século XXI.

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O primeiro debate eleitoral televisivo, promovido pela Rede Bandeirantes, deu o tom da abertura oficial do processo eleitoral 2018. Aqui traço algumas considerações sobre as possibilidades dos principais candidatos, levando em conta os prós e contras de cada candidatura. São apenas tópicos para ajudar a entender o comportamento de cada um no início da campanha eleitoral.

 

Jair Bolsonaro

Quem acredita que Bolsonaro será desidratado com a campanha do PSDB/Centrão/DEM e do PT, pode estar redondamente enganado. Além de carregar a imagem de incorruptível e respeitado por sua origem militar, Bolsonaro encarna o candidato dos desesperançados e está na boca do eleitorado que gosta de um salvador da pátria, independente do que pensa, diz, a que partido pertence e mesmo se é de direita ou esquerda. Essa parcela do eleitorado não quer saber de tempo de TV/Rádio e nem de debates. Essas questões não pesam na hora da decisão de grande parte do eleitor brasileiro.

 

Ciro Gomes

Depois de levar rasteira de Alckmin, que fechou com o Centrão e o DEM, e do PT, que neutralizou o possível apoio do PSB a Ciro, o candidato centrista do PDT parte para o contra-ataque. E o faz com muita desenvoltura, anunciando que vai conseguir o perdão das dívidas dos mais de 60 milhões de brasileiros, hoje pendurados no SPC. Compra de votos ou não, a proposta de Ciro é realizável, porque os bancos querem receber e os devedores querem limpar seus nomes. O governo pode perfeitamente entrar como fiador de acordos favoráveis aos dois lados. Se conseguir explicar sua proposta, Ciro pode ganhar a confiança e o voto de grande parcela desses devedores e sonhar em chegar ao segundo turno.

 

Geraldo Alckmin

O que pode ser um fator fundamental em sua campanha – ter mais de 50% de campanha no rádio e na TV – também pode se tornar um problema. De acordo com o regulamento eleitoral, o próprio candidato terá que usar 70% desse tempo com sua própria imagem e palavras. Como já deu para perceber, Alckmin (conhecido como picolé de chuchu) é um candidato sem qualquer apelo, sem carisma, sem sal e sem cheiro. Além disso, seu nome e os partidos que o cercam estão fortemente associados ao governo Temer, odiado pela esmagadora maioria dos brasileiros. A favor do candidato preferido da burguesia está a capilaridade de sua campanha, com mais de 50% dos prefeitos, grande quantidade de vereadores e candidatos em todos os cantos do país.

 

Marina Silva

Sua Rede está fragilizada e seu discurso manso, oscilando entre posições conservadoras (nos costumes) e progressistas (meio ambiente), não consegue empolgar ninguém. Só terá sobrevivência nessas eleições se reciclar seu projeto e sua postura em meio ao tiroteio da polarização política atual, o que dificilmente acontecerá.

 

Fernando Haddad

Candidato sem qualquer carisma e sem brilho, Haddad terá que encarnar a missão de porta-voz de Lula para tentar atrair os votos do eleitorado do ex-presidente. O fato de contar com o apoio formal do PSB no Nordeste não o livra de disputar o eleitorado nordestino com Ciro Gomes. Contra o candidato do centro-esquerda pesam a imagem desgastada do seu partido e o pouco tempo de campanha, que terá para se tornar mais conhecido e obter a confiança do eleitorado lulista. Difícil crer em propostas renovadoras do programa de campanha do PT, depois de três governos e meio de experiência política.

 

Guilherme Boulos

O candidato da esquerda tem boa desenvoltura em debates e entrevistas, mas isso não tem grande repercussão entre a massa do eleitorado, apenas entre os iniciados na política. Terá como missão introduzir e defender temas e propostas que o confrontarão com os candidatos de centro e da direita (os 50 tons de Temer). E, se tiver habilidade, mostrar os limites do projeto do PT. Seu terreno para crescer está nas novas gerações e em parte da classe média progressista, segmentos que não têm qualquer vínculo histórico com o PT ou que já se decepcionaram com os governos petistas.

Na política não há santos e nem pecadores, há objetivos a serem alcançados. Uma das questões que caracteriza a política são as alianças, vistas muitas vezes como pecados. Como não tenho formação religiosa judaico-cristã não encaro as alianças eleitorais como coisas abjetas, sujas, a serem descartadas.

Ao contrário, em muitas ocasiões da vida fazemos alianças, desde aquelas mais sólidas, como no casamento (que pode gerar frutos), até as mais frágeis e de fôlego curto, como numa “ficada”.

É exatamente porque não há iguais que somos levados a fazer alianças a todo momento, a partir das nossas escolhas. As alianças, obviamente, só são possíveis entre diferentes, mas com metas imediatas semelhantes.

Aos que precisam ocultar seus objetivos interessa manter alianças e pactos no escuro, longe dos olhos da sociedade, em forma de troca de favores. Já os que nada têm a ocultar podem e devem fazer alianças às claras, tornando evidente o que estão cedendo e o que estão recebendo.

Se as alianças políticas não são feitas às claras, é porque boas coisas não trarão à sociedade, sobretudo aos trabalhadores e ao povo.

Obviamente, há alianças e alianças.

Vejamos como isso se aplica no processo eleitoral deste ano. O candidato Alckmin, que representa o que há de mais genuíno no projeto neoliberal (menos Estado, mais cortes de orçamento, etc), fez aliança – ainda que velada – com o MDB de Temer, com o DEM e com os partidos do chamado “Centrão”.

Alckmin, se eleito for, pretende tocar as reformas neoliberais logo no começo do governo, nos primeiros seis meses. Partido que vive em função do “mercado”, o PSDB sonha com isso faz tempo e espera a oportunidade para fazê-lo. Já o MDB de Temer precisa de um fiador para a sua sobrevivência, oferecendo sua base de deputados e senadores no Congresso Nacional, em troca de um congelamento dos processos e escândalos envolvendo a sua cúpula.

Já o DEM quer manter seu quinhão de poder, sonhando em manter a Presidência da Câmara dos Deputados, de onde poderá obter vantagens do Executivo. E o Centrão? Bem, o Centrão vive de cargos e verbas públicas, o que Alckmin pode oferecer em abundância se chegar à Presidência. O suficiente para levar os parlamentares do Centrão a aprovar o que os tucanos quiserem.

Mas por que, sendo de direita (mesmo não admitindo) a candidatura Alckmin não se coligou com Jair Bolsonaro? Porque a experiência histórica (com Jânio Quadros e Fernando Collor) demonstrou que é preciso governos estáveis, com força no Congresso, para conduzir a política que interessa ao grande capital, sem riscos que representem graves turbulências. Melhor, então, isolar Bolsonaro e suas bravatas.

E o PT?

O PT também fez e faz alianças. Fez aliança com o MDB para eleger Lula e Dilma, dando sustentação aos dois enquanto foi interessante. Em troca o MDB recebeu muitos ministérios e fatias importantes da gestão de empresas estatais e órgãos públicos.

Como legítimo representante do centro-esquerda, o PT acalanta o objetivo de fazer do Brasil um país com uma sociedade inclusiva, com um mercado interno pujante, grandes empresas fortes e expressão política internacional.

Nessas eleições, depois de apunhalado pelo MDB, o PT reedita uma espécie de Frente Brasil Popular (com o PCdoB), sem partidos à sua esquerda e sem a certeza de que terá apoio do PSB em diversos estados. Mas não rejeita “pontes” com alguns emedebistas importantes, como Renan Calheiros, Eunício Oliveira, que poderão representar uma recomposição mais adiante.

Para o PSB o acordo de “neutralidade eleitoral” com o PT foi uma boa, na medida em que evita atritos entre suas diversas alas e ainda recebe o apoio a alguns de seus candidatos a governador, notadamente no Nordeste. Para o PT a aliança com o PSB serve para retirar o apoio daquele partido a Ciro Gomes (PDT), sobretudo no Nordeste.

Mas por que o PT não fez alianças nem com Ciro Gomes? Porque Ciro é uma liderança forte, preparada e emergente, capaz de ameaçar Lula como figura de proa entre o eleitorado de centro-esquerda, que o PDT disputa com o PT desde que os dois foram fundados.

E por que o PT também não se aliou ao PSOL? Porque o PSOL não se dispõe (pelo menos é o que anuncia) a cumprir um programa limitado a pequenas reformas, que não mexam nos interesses econômicos das classes dominantes brasileiras, como fez e pretende continuar fazendo o PT.

Uma aliança que incluísse um partido de esquerda seria uma demonstração prática de autocrítica dos erros que o PT cometeu em seus governos, coisa que seus dirigentes não parecem estar dispostos a fazer. Algo como ocorreu em Portugal, guardadas as devidas proporções, com o governo da “Geringonça” entre PS, Bloco de Esquerda, PCP e Verdes.

Como se vê, as alianças seladas neste processo eleitoral não ameaçam as classes dominantes, que continuam mantendo intactas suas estruturas de poder, entre elas o agronegócio, o sistema financeiro, o monopólio da comunicação, as empresas estatais privatizadas e o pagamento dos juros da dívida pública brasileira, todos com ramificações que perpetuam os negócios das oligarquias regionais.

Jogo jogado

07/08/2018

Em 5 de agosto encerraram suas convenções partidárias, que resultaram na apresentação de chapas à Presidência da República. Estão na disputa 13 candidaturas neste processo eleitoral.

A extrema direita tem em Jair Bolsonaro sua expressão máxima. A direita tem vários candidatos, mas o que reúne mais forças é Geraldo Alckmin, apoiado pelo chamado Centrão e o DEM, com maior número de partidos em sua coligação, mais tempo de propaganda na TV/Rádio e recursos do fundo eleitoral.

Para o centro – expressão vaga e questionável – há duas candidaturas com alguma expressão: Ciro Gomes (PDT) e Marina Silva (Rede). No entanto, por falta de alianças, as duas candidaturas vão enfrentar dificuldades para entrar na disputa com chances de chegar ao segundo turno.

No campo do centro-esquerda foi reeditada a Frente Brasil Popular, com o PT e o PCdoB, mas sem o apoio aberto e declarado do PSB. A esquerda, representada por Guilherme Boulos (Psol), terá que se contentar com a possibilidade de ampliar suas bancadas nas assembleias estaduais, Câmara dos Deputados e Senado Federal.

Esse quadro foi definido pelas manobras de bastidores, tanto do PSDB, que atraiu o Centrão e o DEM, contando com o apoio velado do MDB de Temer e companhia, isolando Bolsonaro, quanto pelo PT, que fechou um acordo para impedir o apoio do PSB a Ciro Gomes.

É evidente que nem Ciro, Marina e Bolsonaro estão fora da disputa. Muito ao contrário. Não é certo que Lula conseguirá repassar sua popularidade e a maior parte dos votos a Fernando Haddad. Também não se sabe, ao certo, o tamanho do estrago sofrido pelo PT em função da Operação Lava-Jato. O eleitorado de Bolsonaro, boa parte formado por pessoas totalmente desiludidas com a política, não parece preocupado com o que pensa e diz seu candidato.

Friamente pode-se constatar que o quadro eleitoral está montado para que a polarização entre PT e PSDB se mantenha nessas eleições, mas não é certo que outras candidaturas estejam fora da disputa e possam superar Alckmin ou Haddad.

Essa polarização de certa forma tranquiliza o “mercado”. Se Alckmin é certeza de um compromisso integral com o sistema financeiro e seus interesses, o PT não tem um projeto avesso ou de confronto com as reformas neoliberais, que aceita realizar em doses homeopáticas, como foi o caso da Previdência, em que Lula fez cortes em 2003 e Dilma em 2013.

Restará aos demais candidatos tentar furar essa polarização, contando com a criatividade nas redes sociais e nos limites de tempo de propaganda que terão no Rádio e na TV.

Há momentos na vida em que é preciso unir forças para não perder o que conquistamos. Na política também é assim. Os graves equívocos cometidos pelos governos do PT, sobretudo o Dilma II, que impôs a legislação que criminaliza as manifestações de rua e entregou o comando da economia a um representante dos banqueiros, levou à sua fragilização e abriu as portas para o golpe de 2016.

O golpe não foi propriamente contra Dilma e o PT, mas essencialmente pelo aprofundamento das medidas antipopulares, contidas no documento “Uma Ponte para o Futuro”. Entre outras medidas estão a terceirização generalizada, a reforma trabalhista, a entrega da Petrobras e a Emenda Constitucional que determinou um teto de investimentos públicos por 20 anos. A Reforma da Previdência encontra-se na fila do Congresso Nacional para ser aprovada.

O divisor de águas do processo político eleitoral de 2018, portanto, está inevitavelmente entre os que concordam com as medidas adotadas pelo governo golpista, a serviço do grande capital, e os que não aceitam o golpe e suas consequências para a sociedade brasileira.

Só pode haver um objetivo para as forças de esquerda e centro-esquerda nestas eleições: derrotar os golpistas e revogar todas as medidas adotadas pelo governo Temer, através de um referendo, nas urnas. Todo o mais neste momento torna-se secundário, diante da ameaça do triunfo eleitoral da direita, com Alckmin/Centrão, ou até da extrema direita, via Bolsonaro.

Assim, cabe a essas forças políticas uma atitude responsável e construtiva no sentido de buscar a unidade deste bloco. É evidente que se trata de uma engenharia política complicada, porque as eleições para Presidente estão casadas com eleições para governadores, deputados e senadores, o que faz crescer a importância das disputas estaduais.

Infelizmente, os movimentos que assistimos até aqui vão no sentido contrário. Em nome de uma hegemonia no campo do centro-esquerda, a cúpula do PT acertou um acordo com o PSB, no qual este partido não apresentará candidato à Presidência e, em troca, receberá o apoio do PT para seus candidatos a governador nos estados do Nordeste.

Foi uma forma de enfraquecer Ciro Gomes (PDT), que ficará sem alianças e com pouco tempo de campanha na TV. Ocorre que essa medida pode empurrar Ciro Gomes a uma aliança com Marina Silva (Rede), que também vive um momento de isolamento político, consolidando um campo de centro, cujo eleitorado parece órfão até aqui.

Ao mesmo tempo, o PT insiste com a proposta de inscrever Lula como candidato à Presidência, com um vice de sua confiança. É evidente que a Justiça Eleitoral vai impugnar a candidatura e o vice ungido por Lula ocupará sua vaga, transformando-se numa espécie de seu porta-voz. Assim, espera a cúpula petista, será mais fácil transferir os votos de Lula para seu indicado.

Trata-se de um cálculo arriscado, por alguns motivos: 1) O eleitorado de Lula não é petista, é lulista, portanto, a transferência de votos não é certa e nem automática; 2) Haverá uma chuva de “denúncias” contra qualquer candidato do PT, por parte da grande mídia e pouco tempo para esclarecê-las e neutralizá-las; 3) Há uma grande quantidade de candidatos e uma provável pulverização de votos, o que faz com que qualquer candidatura que obtenha mais de 15% tenha chances reais de ir ao segundo turno; 4) O candidato Bolsonaro (extrema-direita) tem eleitorado cativo e consolidado, o que pode conduzi-lo ao segundo turno, como indicam as pesquisas até aqui; 5) O candidato Alckmin (direita) tratou de cercar-se do Centrão e do DEM, o que lhe assegura muito mais tempo de campanha, mais recursos e mais candidatos proporcionais em sua campanha, devendo crescer.

Dessa forma, o pior cenário para o povo brasileiro é o bloco de esquerda e centro-esquerda nessas eleições se apresentar dividido. A falta de iniciativa do PT no sentido de construir um acordo deste bloco, em torno de uma única candidatura, levará o PDT e o PSOL a manter suas candidaturas, por uma questão de sobrevivência eleitoral. Mesmo que o candidato do PT passe ao segundo turno, sofrerá resistência por parte desses partidos e do eleitorado que os cercam.

Algumas iniciativas tímidas e de última hora estão surgindo, advertindo a todos os partidos da esquerda e centro-esquerda sobre a necessidade de unir forças, já no primeiro turno, em torno de uma candidatura única à Presidência. São importantes, mas precisariam ser impulsionadas com mais força, convocando encontros e difundindo manifestos.

Seria um desastre para o povo brasileiro ter que optar entre um candidato da extrema direita e outro da direita no segundo turno destas eleições. Pior ainda seria aturar um governo neoliberal por mais quatro anos. Isso teria consequências gravíssimas para a grande massa dos brasileiros.