Ouço e leio diversos comentários de jornalistas e analistas de plantão, alegando que a prisão do senador Delcídio do Amaral, que vem a ser líder do governo na câmara alta, se deu por conta de um “flagrante” ou em função de “crime inafiançável”.

Ora, pelo que entendo a fita gravada de uma conversa, por mais que possa agravar a situação de Delcídio, não é um flagrante. De acordo com o dicionário Aurélio Online, acessível a qualquer pessoa, flagrante significa “na ocasião em que (o ato) se perpetra” ou ato “praticado na própria ocasião em que se é surpreendido”.

Crime inafiançável também é uma forçação de barra, uma interpretação de que um grupo de quatro ou mais pessoas formavam e agiam como uma organização criminosa. No caso, a tentativa de atrapalhar as investigações da Operação lava-jato.

É evidente que a decisão de mandar prender Delcídio do Amaral foi política. E isso ocorreu porque na reunião gravada pelo filho de Nestor Cerveró, Delcídio citou que ele já teria conversado com os ministros Toffoli e Teori, e o vice-presidente Michel Temer teria feito o mesmo com Gilmar Mendes. Coincidentemente todos os magistrados citados são da segunda turma do STF, que confirmou por unanimidade a decisão Zsavaski de deter Delcídio.

Os ministros do STF, na iminência de terem que se explicar em situação constrangedora, decidiram fazer um pacto de autopreservação, atirando o senador às feras. Mais tarde o Senado apenas confirmou a decisão do STF. Santos nem Delcídio nem o banqueiro André Esteves (BTG Pactual) são. Mas pareceram mais inocentes do que se imaginava de homens públicos nos tempos atuais.

Tão grave quanto as articulações reveladas na fita gravada pelo filho de Nestor Cerveró são as afirmações de Delcídio de que já teria entabulado conversas com ministros do STF sobre a situação de Cerveró. Nada vai ser apurado a respeito?

Obs: Aos que repetem que Delcídio é do PT, é preciso lembrar que à época em que ele foi diretor da Petrobras pertencia ao PSDB.

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Este jornalista usa mais uma vez seu tempo para reafirmar que está de saco cheio da mediocridade da mídia empresarial brasileira. Passei as últimas semanas fora do país e prestei atenção ao que se discute nas TVs e nos jornais de Portugal, Espanha e França.

Em Portugal a RTP (pública) e os principais jornais deram destaque à crise política, já que o atual governo de direita não obteve maioria nas eleições e a esquerda, encabeçada pelo PS, deve formar novo governo com apoio dos comunistas, verdes e do Bloco de Esquerda. Foram horas a fio, entrevistando e debatendo com representantes das distintas tendências políticas, os destinos do país.

Na Espanha confesso que não tive muito tempo para prestar atenção no noticiário da TV e nos jornais. Na França, diante dos atentados em Paris, a programação televisiva era preenchida pelos debates sobre os acontecimentos e seus desdobramentos.

É lamentável que praticamente todos tenham embarcado no discurso da “união nacional”, “guerra contra o terrorismo” e “estado de emergência”, fixando-se muito mais nos aspectos técnicos da cassada aos terroristas do que nos motivos que provocaram os atentados. Mas ainda assim, houve quem levantasse o questionamento se vale a pena abrir mão da liberdade conquistada na sociedade francesa em nome da “segurança de Estado”.

Quando cheguei ao Brasil, no final de semana passado (21/11), levei aquele choque costumeiro de quem se afasta um pouco do nosso quintal e retorna desavisado. Continua a novela Eduardo Cunha, que não sai e não se deixa sair da presidência da Câmara, agora justificando sua fortuna a partir da venda de carne bovina para países da África.

Também continua a novela Operação lava-jato, com alguns coleguinhas boçais insistindo na necessidade de provar vínculos de Lula ou de algum de seus familiares (quem sabe até o cachorro do ex-presidente…) com doleiros e gente que operava desmandos e favorecimentos ilícitos na Petrobras.

Diante do absurdo do mar de lama da Samarco (Vale), um noticiário tímido para um dos maiores desastres ambientais, provocado nos últimos anos por uma empresa privada. Algo da proporção do desastre de Chernobyl, na antiga URSS. A exceção fica com o CQC, da Band.

Em que pesem os méritos das investigações da Operação Lava-jato ela produz mais lama para a luta política do que o rompimento da barragem da Samarco-Vale, em Mariana (MG). Agora prenderam o petista/tucano Delcídio e o banqueiro que defende a “meritocracia”, dono do Pactual. Sem falar no tal Bumlai, pecuarista metido em arrecadação de recursos para o PT.

Parece mesmo mais importante atacar o governo pelo jornalismo rastaquera, ao estilo mexericos da candinha, do que discutir os destinos do país. Enquanto coleguinhas globais se esmeram em achar vínculos de corrupção entre Lula/Dilma e Operação Lava-Jato, o Congresso Nacional aprova as maiores barbaridades e o senhor Levy segue impondo uma política de recessão brutal, levando o país ao caos.

E tudo ficou ainda pior com a indisfarçável alegria de apresentadores e jornalistas de telejornais, anunciando e comentando a derrota do candidato governista à Presidência da Argentina, para o empresário neoliberal Mauricio Macri, prefeito de Buenos Aires.

Ao menos lá, assim que os patrões do conservador La Nación publicaram um editorial pedindo o fim da política de “vingança”, que nos últimos anos colocou na cadeia centenas de torturadores e seus mandantes durante a ditadura militar argentina, os colegas tiveram a dignidade de repudiar a posição oficial do jornal para o qual trabalham. Será que um dia veremos isso por aqui?

O terrorismo é um método de luta política que jamais obteve êxito, perpetrado por grupos que preferem a chamada ação direta ao trabalho paciente de convencimento e organização social de massas. Quando me preparava para deixar Madri em direção a Paris, na noite de 13 de novembro, soube da chacina que custou mais de 120 vidas e centenas de feridos na capital francesa.

Os recentes atentados contra alvos civis em Paris, assumidos pelo chamado Estado Islâmico, só podem ser rechaçados e condenados. Eles são muito mais brutais do que os que foram cometidos pelo ETA e pelo IRA até os anos 90, porque aquelas organizações nacionalistas tinham como alvos de suas ações militares as tropas do exército e da polícia espanhola e britânica, relacionadas com a opressão dos povos basco e irlandês.

Assim mesmo, tanto o ETA quanto o IRA foram derrotados e desmantelados, provando que seu método de ação através de atentados é totalmente ineficaz. A religião sempre foi usada como cortina de fumaça para encobrir os verdadeiros objetivos econômicos e expansionistas.

Foi assim na América Latina, quando espanhóis e portugueses exterminaram os nativos sob o pretexto de convertê-los ao catolicismo. O mesmo argumento foi usado para a colonização dos povos da África por outras potências europeias. O judaísmo foi apenas um bode expiatório na Alemanha nazista, pano de fundo para ocultar o objetivo de submeter a humanidade aos interesses de grandes grupos privados germânicos, que financiaram a máquina de guerra de Hitler.

Agora a religião serve de pretexto para justificar as barbaridades praticadas contra os povos do Oriente Médio e Norte da África, assim como combustível para grupos sectários como o ISIS.

O Estado Islâmico produz outro tipo de prática: o terrorismo de massas. Isso já ocorre no Oriente Médio e na Ásia Ocidental faz anos, com a explosão de bombas em alvos civis, como praças e feiras, como o ocorrido recentemente no Líbano, com 50 mortos. É sabido que o EI é alimentado pela família real saudita, sem o que não conseguiria sustentar homens armados e todo o aparato bélico que possui par combater na Síria e no Iraque.

No entanto, como o governo da Arábia Saudita é o maior aliado dos EUA no Oriente Médio – junto com o governo de Israel – o governo estadonidense prefere centrar fogo contra o governo de Assad, na Síria. Nos últimos anos o EI conseguiu montar uma rede de colaboradores na Europa, a partir do recrutamento de grupos de jovens de origem árabe que se instalaram no velho continente.

Os governos francês e inglês, lacaios que são dos EUA desde o final da segunda grande guerra, embarcaram na aventura norte-americana no Oriente Médio, tanto na campanha do Afeganistão quanto na do Iraque, para derrubar Sadam Hussein. Da mesma forma na derrubada de Kadafi, na Líbia. Só que as consequências de suas ações políticas e militares têm muito mais repercussões concretas na própria Europa, como se verifica de um tempo para cá.

Agora resta ao patético François Hollande fazer discursos, prestar homenagens, convocar um minuto de silêncio, cantar a Marselhesa e toda a pirotecnia publicitária para justificar slogans como “união nacional”, “estado de guerra”, afirmar que “o estado de direito vencerá o terrorismo” e outras baboseiras.

As medidas adotadas vão todas no sentido de restringir as liberdades dos cidadãos franceses, sob o pretexto de combater o terror: aumento do efetivo policial e militar nas ruas, revistas em todos os estabelecimentos públicos e privados, ampliação para três meses do “estado de emergência”, etc. No campo internacional a proposta do governo francês é de uma união de todas as forças para destruir o ISIS.

Em véspera de eleições regionais a direita francesa tenta tirar partido dos atentados e radicaliza. Os republicanos, do ex-primeiro-ministro Sarkozi, querem o fechamento de mesquitas, prisão dos franceses que vão ao Oriente Médio e retornam ao país, etc. Os fascistóides da Frente Nacional, da senhora Marine Le Pen, exigem medidas para restringir cada vez mais a chegada de refugiados ao país. A situação chega a tal ponto que nos últimos dias quase não se vê árabes e franceses de origem árabe nas ruas de Paris.

Assim como Bin Laden e seus comandados, hoje o ISIS é o terrorismo de encomenda para a direita. Ele justifica o aumento dos gastos militares, a restrição das liberdades individuais (podendo atingir o direito de organização, manifestação e de greve), o crescimento do racismo e a escalada internacional dos bombardeiros e intervenções das grandes potências. E ainda reforça as ações do governo norte-americano no terreno internacional e de Israel, que massacra o povo palestino.

Não é tão simples entender os problemas de um país em alguns poucos dias, mas a Espanha é daquelas nações que vão empurrando seus conflitos com a barriga, deixando para depois o que não podia fazer na hora em que eles surgiram.

Com a união dos reinos de Aragão e Castela, as demais regiões da antiga península ibérica foram submetidas aos castelhanos, que acabaram por se impor e dar o tom da economia e da política. Isso inclui o auge do período colonial espanhol.

No século XX, com o surgimento de um forte movimento operário e popular em toda a Espanha, o fascismo elegeu o país como balão de ensaio para suas primeiras experiências de intervenção militar. Com o silêncio e o consentimento dos governos inglês e francês, Francisco Franco contou com o apoio bélico e de tropas alemãs e italianas para massacrar os republicanos de esquerda e instaurar um regime fascista, sob o aplauso da monarquia e do clero.

Isso intensificou ainda mais a rivalidade entre Madrid e as demais províncias, como a Catalunha e o País Basco, asfixiadas econômica, política e culturalmente. Inúmeras vezes os catalães e os bascos levantaram a bandeira da independência, sob as mais diversas argumentações. O que parecia acomodado ressurgiu recentemente com força nas ruas de Barcelona, com manifestações multitudinárias pela independência.

As diferenças são tantas que os jornais que circulam nas regiões mais marcadas pelo nacionalismo circulam em castelhano e no dialeto local, que também é falado fluentemente nas ruas e ensinado nas escolas. A rivalidade é tamanha que chega aos estádios, marcadamente entre Real Madri, Barcelona e Atlético de Bilbao.

Este, por incrível que pareça, é o assunto em pauta na Espanha de 2015. Um governo central enfraquecido, derrotado nas principais capitais por candidatos de esquerda, tem que enfrentar nova crise com o nacionalismo catalão. E nem autoridade tem para rechaçar os argumentos dos independentistas.

De resto, o Centro de Madrid reflete o auge da época colonial, com prédios suntuosos, palácios e igrejas majestosas, praças e jardins belíssimos. Como em toda a Europa, a situação econômica para os espanhóis é de sufoco. Tanto assim que a única cadeia de lojas que consegue tirar dinheiro dos madrilenhos e turistas importa quase todos os seus produtos da China, Bangladesh, Turquia e Índia. É uma verdadeira febre a rede irlandesa Primark.

A principal roubada da capital espanhola é o metrô de Madri, porque a máquina indica que você pode adquirir um tíquete para 48 horas e o talão vem até com a hora em que você pagou. No entanto, se você comprar o bilhete de 14 euros no final da tarde de um dia só terá até o final do dia seguinte para usá-lo. Um bilhete individual sai por 5 euros. Um verdadeiro assalto! Se quiser se deslocar use o ônibus urbano, cuja passagem é 1,5 euro. Não por acaso houve mobilização popular e sindical na Porta do Sol, acusando o governo conservador de acabar com o transporte público.

Preparado para deixar Portugal, chego a algumas conclusões óbvias: do antigo império colonial opulento e exuberante, restaram apenas os monumentos, o pequeno e belo território e a simpática população.

Com uma economia das mais frágeis da Europa e sem as riquezas extraídas das antigas colônias, o povo português sofre com as consequências da crise econômica que ronda todo velho continente e a receita da União Europeia. Isso se verifica no congelamento de salários e aposentadorias, nos impostos elevados e nas privatizações, além do desemprego que atinge mais de um milhão de portugueses.

O euro não é uma moeda única, mas uma ferramenta de arrocho sobre os povos dos países com economias menos desenvolvidas da Europa. A moeda “forte” não foi acompanhada de salários igualmente elevados. Isso encareceu o custo de vida na maioria dos países e só favoreceu aos países credores e a banca francesa e alemã.

Depois de 40 anos da Revolução de 25 de Abril, que derrubou o fascismo e o colonialismo, agora os portugueses terão a oportunidade de experimentar um governo formado pelo PS, com apoio do PCP, verdes e Bloco de Esquerda.

O acordo firmado entre os quatro partidos prevê entre outras medidas: imposto sobre as grandes fortunas, baixar o IVA dos pequenos comerciantes, recuperar o salário mínimo até 2019, reajustar os salários dos servidores públicos, estancar os impostos sobre as pensões e aposentadorias, paralisar e rever as privatizações em curso.

Bem que o atual primeiro-ministro da coligação de direita PSD-CDS tentou resistir, mas sem maioria no Congresso seu plano de governo foi rejeitado e o PS já se prepara para apresentar seu projeto. Os partidos de esquerda não devem ter ministérios, mas dar apoio ao novo governo no Congresso.

Nos sete dias que permaneci em Portugal o que mais vi foi turista, em Lisboa e no Porto. Na saída de uma rede de lojas famosa na Europa conversei com uma atendente, que revelou em poucas palavras a realidade da maioria do povo: “Isto aqui não é para nós”, disse quando revelei que estava perplexo diante do custo de vida. Outra funcionária de uma loja de grife também reforçou o que se passa, comentando que nas áreas de turismo o cidadão português não consegue comer.

Portugal é um país encantador, por suas belezas, sua história, sua cultura e a quantidade de monumentos que acumulou ao longo de séculos de colonialismo. Seu povo sofrido é simpático, o que me faz pensar que também herdamos coisas boas da antiga metrópole. Os portugueses podem ter e merecem uma vida digna. Esta é mais uma chance e a esquerda não tem o direito de jogar mais esta oportunidade fora.

Depois de um voo atribulado, com atraso na saída do Rio e a consequente perda de conexão em Paris para Lisboa – que custou oito horas de espera no Aeroporto Charles De Gaulle – finalmente cheguei à capital portuguesa. Para fechar com chave de ouro a viagem, a Air France me colocou num ônibus aéreo, cujas poltronas sequer reclinavam, no qual sofri por duas horas.

Na política Portugal está diante de um impasse. Nenhum partido conquistou maioria nas recentes eleições. A atual coligação conservadora PSD- CDS não tem força para impor a formação de um novo governo. O atual governo, que reproduz a política da troika, quer aprovar a continuidade da política de arrocho e de impostos altos para 2016, mas terá que contar com o apoio do parlamento, o que não deve ocorrer.

Na esquerda prosseguem as conversações para um acordo e formação de um programa que assegure uma coligação com os quatro partidos. Os comunistas fincam pé no reajuste imediato do salário-mínimo, de 505 para 600 euros. O Bloco de Esquerda não admite a redução das pensões e nem o aumento de impostos para a população.

No Partido Socialista, a maioria pende para um acordo com o PCP, os verdes e o BE, mas há um setor que prefere o acordo com a direita. As negociações prosseguem e a crise também, com 11% de desemprego aberto (mais de um milhão de portugueses sem emprego) e um déficit fiscal que deve atingir mais de 3%, de acordo com a União Europeia. Aqui também há preocupação com os refugiados da África e oriente Médio, mas com tanto turista pela cidade e o impasse político o assunto foi relegado a segundo plano, pelo menos por enquanto.

Os administradores do falido Banco do Espírito Santo, apesar de processados pelos desfalques milionários, continuam recebendo suas pensões polpudas. O chamado Novo Banco, sob intervenção do governo, pretende deixar na mão centenas de pequenos poupadores, sobretudo das ex-colonias, que tinham suas economias confiadas ao velho banco. Pelo jeito, apesar dos protestos dos chamados “lesionados”, eles vão ter que apelar ao divino Espírito Santo, porque do banco devem levar só um calote.

Mais uma vez posso constatar a diferença gritante de nível entre a TV portuguesa e brasileira. Enquanto em nosso país o noticiário político resvala para comentários parciais de analistas e até jornalistas de plantão, na RTP e outras emissoras comerciais o debate é franco e objetivo. Ninguém está à procura de escândalos para “desmascarar” ninguém. Roubalheira e escândalos de corrupção são tratados como questões de polícia e não de política.  As lideranças partidárias são convidadas a debater, ao vivo, suas ideias e a responder a perguntas de interesse geral da sociedade diante das câmeras.

Lisboa segue linda como sempre, mas com a crise econômica na Europa, tornou-se point turístico. Há uma verdadeira febre, uma peregrinação de gringos de todos os pontos da Europa, que encontram preços mais em conta em Portugal. Para nós, brazucas, restam as pontas de estoque e economizar bastante, porque com o euro a R$ 4,50 o jeito é fazer turismo de mochileiro.

Aliás, o que está ocorrendo em Lisboa é o turistismo, um fenômeno que devora as culturas locais pelo consumismo generalizado dos visitantes. Os lisboetas estão aprendendo a conviver com o turistismo desenfreado e sabem que a presença dos estrangeiros ajuda nos negócios, mas cria o incômodo da perda do seu espaço. Creio que é mais ou menos o que sentem os parisienses, diante do formigueiro humano que visita sua cidade todos os anos. Os lisboetas não perdem a simpatia, já os franceses, impacientes, continuam bufando por qualquer coisa.