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Legítimos representantes da “base aliada” garantem a governabilidade petista

Em 2006 veio a reeleição de Lula, que apesar dos problemas que enfrentou sempre teve carisma pessoal. No segundo governo, o PT partiu para aprofundar uma política econômica mais abrangente. Seus pilares: aumentar a renda e o consumo interno. O salário mínimo passou a ser reajustado acima da inflação – ainda que bem abaixo do que prevê a Lei – e abriu-se uma ampla rede de crediário popular para consumo de bens duráveis, como eletrodomésticos e até automóveis.

Esta política ampliou o consumo interno, a produção e o emprego, ainda que precário e na faixa até dois salários mínimos. No entanto, levou o brasileiro ao endividamento e o setor financeiro a ter lucros como nunca. Hoje cerca de 56 milhões de brasileiros estão endividados, grande parte com dívidas não saldadas há mais de três meses. Mas a receita deu fôlego à economia e ao mercado interno.

Com o apoio de Lula, em plena crise econômica mundial, Dilma foi eleita em 2010. Quadro da burocracia de Estado, Dilma aprofundou o afastamento do PT dos movimentos sociais. As reformas Agrária e Urbana, tímidas nos anos Lula, simplesmente desapareceram por completo. O governo ampliou as relações com o agronegócio e deu isenções fiscais a todos os grandes setores da economia monopolizada. O BNDES virou a mãe dos grandes empresários, sobretudo das grandes multinacionais brasileiras, incluindo Eike Batista.

Os megaeventos (Copa e Olimpíadas) tornaram-se programas de governo, mas a maior parte das obras de infraestrutura prometida ficou pelo caminho. Novos e antigos programas sociais, como o Prouni e o Minha Casa Minha Vida foram incentivados, beneficiando os donos das faculdades privadas e as grandes empreiteiras.

Em 2013 um setor da juventude da classe média irrompeu em manifestações nas ruas, que cresceram ainda mais depois da repressão policial. Um dos motes foi a crise dos transportes, mas, em geral, o que movia os manifestantes era de exigência de serviços públicos de qualidade e o fim da corrupção deslavada.

Em doze anos de governo o PT não apresentou um programa para a melhoria efetiva dos transportes públicos de massas, tampouco projetos consistentes para uma mudança radical na Educação e na Saúde públicas.

Nos estados os governadores responderam às manifestações com repressão generalizada. A mídia cobrou endurecimento e ordem. Dilma esboçou uma resposta tímida, acenando com reforma política e algumas medidas que não se confirmaram. As mobilizações perderam fôlego, mas as respostas que o governo aventou não passaram de promessas.

Do final de 2013 para cá a inflação voltou a crescer, as vendas caíram porque os salários permanecem baixos e o crédito bancário foi reduzido, graças ao aumento da inadimplência do consumidor. O esforço de ampliação da infraestrutura do país ficou aquém das necessidades na área da energia e até de abastecimento de água. O resultado é que Dilma chega às eleições presidenciais de 2014 com cerca de 40% de rejeição do eleitorado.

Ao contrário do que afirmam os reacionários mais empedernidos, em suas colunas de jornais e revistas, rádio e TV, o PT de hoje não ameaça em nada a ordem capitalista vigente. Seus dirigentes não têm o menor prurido em manter alianças com os representantes das velhas oligarquias para garantir a governabilidade.

O mais grave é que a cada novo escândalo (Petrobras e IBGE) os nomes de alguns petistas começam a aparecer entre as personagens envolvidas. Ou seja, a corrupção e o uso da máquina pública deixaram de ser políticas dos aliados e passaram a ser fontes de enriquecimento ilícito e desmandos também de petistas.

As estruturas fundamentais do domínio dos grandes monopólios e das oligarquias permaneceram intocadas nos doze anos do PT. O que restou de esquerda no PT está expresso na atual campanha de reeleição de Dilma Rousseff: difamação e calúnias, ao pior estilo stalinista, contra a ex-petista Marina Silva.

Ainda há muita confusão para determinar com maior precisão o que é, como age e o que quer o Partido dos Trabalhadores. Não me refiro ao PT fundado em 1980, a partir da primeira onda de mobilizações sindicais que deu origem à Anistia e ao retorno de centenas de exilados políticos ao país. Prefiro analisar o PT de hoje, de três mandatos presidenciais e 12 anos a frente do governo.

É certo que nada nasce, cresce e morre sem um fio condutor e uma justificativa. O PT que eu vi nascer, lá pelos idos dos anos 80, era um partido que fundiu o que sobrou das organizações de esquerda que combateram o regime militar, sindicalistas das greves que precederam ao final da ditadura e setores da Igreja Católica adeptos da teologia da libertação.

Tratava-se de um partido sem um programa claro, que defendia alguns princípios, mas inequivocamente era a organização partidária de esquerda mais democrática e de luta que existia então. O velho PCB já se consumia em crise, que levou ao racha prestista e suas derivantes, e mais tarde à formação do atual PPS. O PT ocupou o espaço à esquerda e cresceu com base social nos movimentos populares do campo e da cidade, notadamente a CUT e o MST.

Em 1988 o PT venceu as eleições para as prefeituras de São Paulo e Fortaleza, primeiras experiências do “modo petista de governar”. O Orçamento Participativo foi uma delas, que mais se expressou na administração petista de Porto Alegre.

A guinada à direita começou a ocorrer no VII Encontro Nacional, quando o PT passou a defender como estratégia política “o desenvolvimento econômico com distribuição de renda”. Essa tese, perfeitamente aceitável dentro do sistema capitalista e defendida pela posição majoritária (Lula e Zé Dirceu), selaria o destino do PT para as próximas décadas.

Ainda assim, restou ao PT dos anos 90 um verniz de esquerda, com militantes e muitos dirigentes ligados aos movimentos sindical e popular. A campanha de Lula em 1989 foi um marco desta primeira fase do PT, quando o partido se colocava num campo de enfrentamento com os poderosos e seus interesses elitistas.

A queda do Muro de Berlim e o fim da URSS no final dos anos 80 e início dos anos 90 afetaram não apenas os partidos comunistas e suas variantes no mundo e no Brasil. Os PCs relutaram e ainda relutam em fazer uma autocrítica mais profunda sobre seus dogmas e os graves equívocos de sua política, mas o PT, menos ligado às tradições do movimento comunista internacional, tratou de corrigir o leme de sua política, dando uma guinada de 180 graus para a direita.

As campanhas eleitorais militantes, baseadas no esforço coletivo, na colaboração espontânea e na simpatia popular, deram lugar a máquinas de campanha, com contribuições empresariais e marqueteiros. Os comícios com chamadas de luta foram substituídos por showmícios, com muitos artistas e slogans vazios. O conteúdo radical deu lugar à forma palatável e o PT cresceu nos anos 90 elegendo prefeitos, governadores e parlamentares.

Em 2002 Lula finalmente é eleito. Mas o Lula que assume o governo é outro bem diferente da campanha de 1989. Antes da posse ele assina a Carta aos Brasileiros – apelidada de Carta aos Banqueiros – em que jura manter os compromissos já firmados nos governos do PSDB, entre eles o superávit primário, honrar o pagamento da dívida pública, etc. Logo, o governo Lula fecha acordos com o PMDB, maior partido das oligarquias regionais, para obter maioria no Congresso Nacional.

Em vez de reformas populares, o governo petista implementa as reformas Previdenciária e Administrativa, retirando benefícios e piorando as exigências para a aposentadoria dos servidores  públicos.

A opção da cúpula petista pela “governabilidade” levou o partido a correr sérios riscos. O escândalo do mensalão revelou o preço a pagar para manter a aliança com o que se chamou de “base aliada” no Congresso Nacional. Para ampliar o apoio popular ao governo, o PT ampliou os programas sociais que nasceram no governo FHC, criando o Bolsa Família, que atingiu 40 milhões de brasileiros.

Para aproximar o grande empresariado do governo, Lula abriu o caixa do BNDES e usou os fundos de pensão das grandes estatais como parceiros para a formação de consórcios de acionistas na aquisição de empresas e grandes investimentos.

A falta de apetite em confrontar os interesses dos poderosos levou ao debate se o PT fazia um governo neoliberal, social-democrata ou social liberal (um misto dos dois primeiros).

As recentes declarações de um praça da PM do Rio ao Ministério Público, preso na operação “Amigos S.A.”, confirmam o que já se sabia ou se desconfiava: a PM do Rio funciona como uma pirâmide. Nela os praças achacam os cidadãos e repassam parte do bolo aos oficiais. Por usa vez, os oficiais de cada batalhão repassam parcela da arrecadação mensal ao comando da corporação.

De acordo com o depoimento do PM, em sistema de delação premiada, cada batalhão era obrigado a repassar R$ 15.000,00 mensalmente ao Comando Maior da corporação. Ainda segundo o soldado, ele próprio fazia depósitos semanais na conta de um oficial do seu batalhão, em valores que variavam de R$ 7.500,00 a R$ 13 mil. Boa parte do dinheiro arrecadado, de acordo com o depoente, vinha de extorsão a traficantes, porque as cédulas tinham forte cheiro de maconha. Outra parte vinha de moto-taxistas e motoristas de vans.

O soldado informou ainda que os oficiais de seu batalhão são donos de uma distribuidora de botijões de gás e que os praças eram incentivados a fazer fiscalização nos depósitos da concorrência. A propina podia ser recolhida em espécie, mas também podia ser paga em mercadorias, como caixas de cerveja.

Se o esquema delatado for confirmado, fica evidente que o aparelho de Estado está sendo usado para interesses privados totalmente irregulares. E também que a banda boa da PM não tem como enfrentar a podridão que contaminou a corporação, justamente porque o mau exemplo vem de cima.

No filme Tropa de Elite II o esquema de arrecadação de propinas pela PM era batizado de “empresa”. Daí o desinteresse das autoridades em combater e acabar com as atividades ilícitas, inclusive o tráfico varejista de drogas nas favelas, fonte de achaque e arrecadação conhecida como “arrego”. Agora, a partir do depoimento do soldado do Batalhão de Bangu, a sociedade brasileira fica sabendo que o esquema empresarial que envolve a PM do Rio nada mais é do que uma pirâmide.

Faltam três semanas para o primeiro turno das eleições de 2014. Até agora a campanha eleitoral se limita a apresentação dos candidatos como os mais preparados a governar e à tentativa de desqualificação dos adversários. No entanto, não há uma preocupação mais clara em debater o que representam as candidaturas, suas alianças e objetivos. É essa singela contribuição que pretendo dar ao leitor neste texto.

A eleição presidencial caminhava morna até que Marina Silva foi levada a assumir a candidatura, no lugar do falecido Eduardo Campos. O ex-governador de Pernambuco tinha pretensões mais modestas nestas eleições e um arco de alianças mais conservador, sobretudo com aproximações com o PSDB, em São Paulo. O surgimento da candidatura de Marina alterou por completo o cenário eleitoral.

A tentativa de inviabilizar a candidatura de Marina foi articulada pelo Planalto, quando o TSE negou o pedido de registro da Rede Sustentabilidade, alguns meses antes das eleições. O governo sabia que a única candidatura que poderia ameaçar os planos de continuidade petista seria a de Marina, seja pelos 20 milhões de votos que conquistou em 2010 seja pelo desgaste de Dilma.

Afinal, o que representam e o que propõem as três candidaturas mais cotadas nas pesquisas eleitorais?

Dilma Rousseff – Seu projeto é a continuidade de uma aliança firmada logo no início do governo Lula. Ela reúne o PT, porta-voz de quadros social-democratas oriundos da esquerda e da burocracia sindical, com as principais oligarquias regionais, em sua maioria abrigadas na legenda do PMDB e de partidos sem maior expressão nacional, a chamada “base aliada”.

Os governos de Lula e Dilma representaram a afirmação desta aliança: o Executivo nas mãos do PT e o Congresso Nacional nas mãos das oligarquias. Assim, o PT deu ênfase aos programas assistenciais (o Bolsa Família, o Prouni, o crédito de massas, Minha Casa Minha Vida, etc), sem tocar nos interesses da base de sustentação de seus aliados.

Por isso, em 12 anos de governos petistas, não houve qualquer restrição aos lucros astronômicos dos bancos, reforma agrária, reforma urbana, democratização da mídia (Rádio e TV), revisão da Lei de Anistia, avanços na educação de base (ensino fundamental e médio), auditoria da Dívida Pública, reforma política, reforma tributária, democratização da gestão pública e mais recursos para os serviços públicos de saúde e educação.

O PT admite a ampla participação do capital internacional na gestão de setores estratégios, como os aeroportos, portos e o petróleo. Para isso, lança mão dos fundos de pensão em sociedade com consórcios empresariais e recursos do BNDES, também amplamente liberados a grupos de capital nacional com maior expressão (notadamente as empreiteiras).

O objetivo do PT é ampliar os programas assistenciais, como via de expandir sua base eleitoral e seguir sustentando a aliança com as oligarquias regionais. A cúpula do PT trabalha com a lógica de que a “governabilidade” no Brasil só é possível em acordo com os setores representados pela “base aliada”, que controlam o legislativo e governos estaduais. Ao mesmo tempo que isso facilita os planos eleitorais do PT, torna seus governos cada vez mais reféns do fisiologismo e de escândalos, que são a marca dos seus aliados.

Aécio Neves – Seu projeto está baseado nas teses das classes dominantes mais antenadas com o modelo capitalista contemporâneo, o neoliberalismo. Quem regula as relações econômicas, políticas e sociais na sociedade é o “Deus Mercado”, ou seja, quanto menos Estado melhor. Foi o que fez o ex-presidente FHC durante seus dois mandatos. A estabilidade da moeda e o controle da inflação (Plano Real) foram medidas adotadas por FHC para criar um ambiente confiável aos negócios dos investidores internacionais, nada mais do que isso.

Como o PT não mexeu na essência da política econômica iniciada pelo PSDB, o discurso oposicionista de Aécio e dos tucanos foi esvaziado, resvalando para um apelo moralista contra a corrupção, como se os governos de FHC tivessem sido o exemplo de transparência e correção.

Com o PSDB e o seu “centrão” (coligação de partidos que deram sustentação aos governos FHC), o Brasil experimentou o desemprego alto e as privatizações de setores estratégicos da economia, como a prospecção de minérios, a telefonia e a energia elétrica, entregues a grupos multinacionais. O objetivo de Aécio é a retomada deste projeto, em nome dos interesses do capital estrangeiro e seus aliados no Brasil.

Marina Silva – Em torno de Marina abrigaram-se setores desiludidos com a esquerda tradicional (Deus Estado), quadros que se desgarraram do PSDB (Deus Mercado) e setores do empresariado, que já perceberam ser impossível avançar sem alterar o jogo político do toma-lá-dá-cá, das velhas oligarquias.

Por abrigar essa gama de setores de origens distintas, o projeto de Marina ainda está em construção e é contraditório. Se eleita, Marina deverá fazer um governo em permanente disputa interna. A grande burguesia já percebeu isso e trata de colocá-la constantemente em teste, questionando a todo momento suas propostas. É o que faz de maneira mais ostensiva a grande mídia (Globo e Folha SP), chantageando Marina pela direita.

Beto Albuquerque (vice de Marina) e outros setores mais pragmáticos da política sinalizam a possibilidade de negociações com os partidos que não são da coligação, mas até que ponto podem evoluir essas conversas são outros quinhentos. De qualquer forma, isso também será alvo de discussões e decisões após as eleições, se a candidata vencer.

Já o PT procura explorar essas contradições para extrair dividendos eleitorais, com ataques pessoais e difundindo boatos, visando demonstrar que Marina não teria compromisso com a continuidade dos programas assistenciais do governo Dilma e nem com os direitos e interesses dos trabalhadores.

Seja como for, a candidatura Marina quebra a falsa polarização PT X PSDB e levanta a possibilidade de um governo com alguns avanços no campo social e político, que não fique refém das oligarquias e abra novos horizontes para a sociedade brasileira. No entanto, os rumos de um hipotético governo de Marina terão que ser disputados.

Candidaturas da esquerda socialista – Das demais candidaturas cabe ainda uma breve análise das quatro que estão no campo da esquerda socialista. Com exceções aqui e acolá, essas candidaturas e partidos (PSOL, PSTU, PCB e PCO) demonstram falta de base social mais consistente. Como têm dificuldade de compreender a realidade popular e a psicologia de massas, esses partidos e não traduzem seus projetos em esperança e expectativas concretas de mudança, o que impede seu crescimento no campo eleitoral.

Alguns, como o PCO e o PSTU, preferem se autoproclamar como os salvadores da pátria e desenvolveram a cultura de encarar as eleições como meio de propaganda de suas propostas. Suas campanhas tendem a ser a negação de tudo e pouco apresentam de plataformas que dialogam com o povo. O PCB ainda ensaia o debate de propostas, mas carrega nas tintas na propaganda do socialismo e do poder popular de maneira abstrata, o que torna sua participação pouco compreensível para o eleitor médio.

Já o PSOL parece se apequenar a cada eleição. Com Heloísa Helena o partido ensaiou um repúdio à velha política e ofereceu uma alternativa político-eleitoral mais forte. Hoje, com uma candidatura fragilizada, dilui seu programa numa colcha de retalhos que vai da auditoria da dívida pública, passando pelas reivindicações dos LGBT até a defesa do aborto. O PSOL parece desorientado, prisioneiro de grupos sectários e, como as demais candidaturas da esquerda, não deve alcançar nem 1% dos votos.

Reprise de cinema

17/09/2014

A prisão de oficiais e praças da PM do Rio, entre eles o terceiro homem da hierarquia da corporação, dá um aperitivo do esquema da “empresa” que funciona em paralelo à estrutura oficial da Polícia Militar. Um paralelo relativo, já que toda a operação se desenvolvia em horário de serviço, envolvendo o efetivo, carros e armamento do Estado.

Em qualquer país em que as instituições tenham algum grau de transparência e seriedade, a cúpula da Segurança Pública do Estado já teria caído. Mas no Brasil e no Rio, em especial, o descrédito institucional chegou ao ponto do secretário de segurança ser considerado um homem sério, quando sequer o comandante da PM foi exonerado.

Será possível que alguém, em sã consciência, acredite que ninguém da cúpula da Segurança soubesse da situação do coronel Alexandre Fontenelle? Ninguém desconfiava do apartamento do coronel, no Leme, avaliado em R$ 1,5 milhão?

Apesar de investigado desde 2012, Fontenelle foi promovido a Comandante do COE, tendo sob sua responsabilidade o BOPE e outras forças especiais de repressão. A desculpa é que qualquer obstrução à promoção poderia atrapalhar as investigações sigilosas. Pode ser…

A ironia do destino é que, em 2009, Fontenelle e outros oficiais da PM entraram na Justiça para tentar impedir a distribuição e exibição do filme Tropa de Elite, considerada pelo grupo como ofensiva à corporação.

Em verdade a “empresa” de Fontenelle e seus comandados funcionava como uma milícia, fazendo acordos e recebendo propinas de comerciantes, donos de vans e até empresas de ônibus, justamente para não exercerem a função de agentes da lei.

Apesar de militarizada, a Polícia brasileira não tem a mesma solidez na formação e treinamento de soldados e oficiais que as Forças Armadas. É uma espécie de capatazia do Estado, subordinado aos interesses das classes dominantes. Faz o trabalho sujo, o primeiro combate e está na linha de frente de patrulhamento nas ruas.

Não faz muito tempo uma investigação desbaratou outra quadrilha que atuava no Batalhão de Caxias, envolvendo grande parte dos efetivos daquela unidade.

O crescimento das milícias, que já dominam 368 comunidades em 36 cidades do Estado do Rio, foi consentido e incentivado por governantes, como uma forma de combater o avanço do tráfico de drogas. Agora, fora de controle, este esquema disputa com grupos de traficantes varejistas de drogas o controle de grande parte do território do Rio, sobretudo em áreas esquecidas pelo Estado.

A desmilitarização da PM, com a limpeza rigorosa de seus quadros, sua unificação com a polícia civil e a formação de uma polícia técnica e investigativa, com pessoal qualificado, bem treinado e bem remunerado, é um acerto de contas necessário da sociedade brasileira com seu passado e seu presente.

Já tratei deste assunto aqui no blog, mas parece que em vez de arrefecer a campanha de calúnias, boatos e injúrias contra Marina Silva e sua candidatura só aumenta. Ela parece obedecer a uma determinação política por parte do comando da campanha de Dilma e da cúpula do PT, que pretende atacar a imagem de Marina, sempre associada à defesa de causas populares e do ambientalismo, como um novo filhote do Demo.

Petistas assumidos e enrustidos não se propõem a fazer uma crítica política ao programa ou à propostas de Marina Silva. Optaram por fazer caricaturas e dar eco a manchetes e declarações para constranger a adversária, visando ressaltar suas contradições. E nesse jogo não importa se a fonte é a grande mídia ou é um blog dos sócios do governo Dilma.

Entre tantas sandices e bobagens que vem sendo reproduzidas podem-se destacar algumas:

  • Marina é apoiada pelos banqueiros – Os três candidatos mais cotados receberam doações de bancos e instituições financeiras, mas a que mais recebeu foi Dilma, como tem acontecido com os candidatos do PT nas últimas eleições;
  • Marina é apoiada pelo Clube Militar – Atribuiu-se a tal preferência dos militares da reserva à Marina por conta de uma nota de um oficial, desmentida depois pelo Presidente da instituição;
  • Marina é contraditória – Até agora a candidata do PSB/Rede foi a única dos três mais cotados a divulgar um Programa de Governo. Pode-se gostar ou não do que está escrito, mas é com base nele que se pode fazer a crítica;
  • Marina é contra o casamento gay e a legalização do aborto – Por convicções religiosas Marina Silva já expressou suas opiniões pessoais sobre estes temas, mas como candidata suas posições são de respeito aos direitos e garantias previstas na Constituição;
  • Marina defende a independência do Banco Central – Durante os governos Lula o Presidente do Banco Central foi o tucano e banqueiro (Bank of Boston) Henrique Meirelles. Dilma combate a idéia de Marina, mas diz que defende a autonomia do BC. Em seu governo os bancos privados tiveram as mais altas taxas de lucros de todos os tempos, graças aos elevados juros oficiais (Selic) e aos praticados no mercado brasileiro;
  • Marina mudaria o modelo de exploração do Pré-Sal – A afirmação usada na campanha de Dilma é atribuída à candidata Marina, mas foi divulgada pela Folha SP numa reunião em que Walter Feldman teria dito isso a um grupo de empresários. A matéria não diz onde, quando e com quem Feldman teria se reunido e nem colheu uma declaração do próprio Feldman.
  • O último boato espalhado pela campanha de Dilma sobre Marina diz respeito a possíveis mudanças na legislação trabalhista. Mas a própria Marina afirmou que este é um assunto delicado e que não pretende retirar nenhum direito dos trabalhadores.

Enfim, a campanha eleitoral do PT se transformou num ventilador, atirando lama para todo lado. O debate político sobre os principais problemas do país (dívida pública, transportes, educação, saúde, violência e segurança pública, saneamento básico, moradia popular, etc) foi abandonado. O mais lamentável é que isso se dá por iniciativa de gente que diz ter compromisso com o país e com o povo brasileiro.

Os números alarmantes da violência no Brasil têm como sócios a ignorância e a indigência cultural. São cerca de 55 mil assassinatos por ano, 43 mil mortes no trânsito/estradas, enfim, um festival de cadáveres e sangue que mancha o país. Isso para não falar de outras causas de mortes estúpidas e evitáveis, como a falta de saneamento básico, epidemias, etc.

Por sua vez, os dados do Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) só animam a governantes desonestos, que preferem ver avanços medíocres, abaixo da meta em grande parte dos estados brasileiros, tomando como máxima a nota 10.

A ausência de educação, no sentido mais amplo do que ela representa (convívio familiar + escola), restringe também o horizonte cultural e de progresso de gerações. Se antes os artistas populares eram produto do meio, das favelas e cortiços, expressavam com simplicidade e tocavam a alma do povo através de sua arte, hoje o que temos?

O predomínio do funk, a proliferação de DJs e outros palpiteiros só expressam o estágio de barbárie intelectual em que nos encontramos. As telenovelas, que chegaram a levar para a telinha clássicos da literatura e obras de grandes escritores, estão dominadas por um festival de tolices nacionais e importadas, com enredos infantis e personagens tão banais e fantasiosos que beiram a idiotice.

O mesmo fenômeno ocorreu no terreno do esporte. O ambiente rural e urbano de um país continental permitia, até a década de 70, a prática desportiva em grandes espaços e pequenos, campos de terra batida ou pátios de escolas. Dali, com base no improviso e superando toda sorte de adversidades, saíam gerações de grandes craques que, se não eram letrados, expressavam com naturalidade a força de um futebol ofensivo, bem jogado, voltado para fazer gols.

Os 7×1 da Alemanha na Copa fizeram a casa cair, mas ainda assim os donos do negócio futebol no Brasil não querem mexer em nada, para não verem ameaçados seus próprios interesses mesquinhos. Ou seja, os germânicos e espanhóis aprenderam conosco como jogar, mas nós não aprendemos com eles como organizar e valorizar o futebol.

No caso dos esportes olímpicos, enquanto os poucos atletas e treinadores da luta olímpica e greco-romana penam para obter incentivos, a Prefeitura do Rio e a Globo apostam no MMA e no UFC Combate, espetáculos que se assemelham a rinhas de galos e que deveriam ser banidas, pelo grau de agressividade e estupidez das lutas. Ou seja, os mesmos que se mostram “indignados” com a violência, lucram com a boçalidade de algo que sequer é reconhecido como esporte.

Com pouquíssimo incentivo do governo as modalidades olímpicas conseguem projetar bons atletas no Brasil. Mas num país de 200 milhões de habitantes, com carências básicas como moradia, saneamento básico, educação e saúde de qualidade, transporte digno e tantas outras, a única saída são projetos de massificação, de cunho nacional, com forte participação do Estado.

O maior e mais importante deles é o da Escola Pública em tempo integral. Trata-se de prover o básico para qualquer ser humano se desenvolver com dignidade. A escola tem que ser tratada como um templo sagrado, com estrutura de ponta, salas modernas e arejadas, turmas com número limitado de alunos, professores bem remunerados e constantemente reciclados, biblioteca, instrumentos musicais, auditório, computadores, quadra de esportes, piscina olímpica, cozinha, refeitório e ginásio. Enfim, precisamos transformar as escolas em locais que elevem a auto-estima de alunos e professores.

Neste ambiente saudável certamente nossas crianças e jovens vão poder crescer como seres bem formados e informados, com horizontes abertos para o futuro, antenados com a realidade e prontos a responder aos desafios que nossa sociedade exige.

Qualquer governo com o mínimo de compromisso com nosso povo tem esta dívida a saldar. Não podemos mais esperar, não há mais tempo. Caso contrário, seguiremos lamentando a violência cotidiana, muitas vezes provocada pela falta de civilidade em resolver problemas banais pela via do diálogo. A solução conservadora exige mais sangue, com a redução da idade penal para 16 anos, mais repressão e cadeias.

Um exemplo simples que me emocionou dia desses foi a apresentação da Orquestra Jovem Simon Bolívar, da Venezuela, sob a regência do também jovem e vibrante Gustavo Dudamel. São todos rapazes e moças que levam a música em altíssimo nível às platéias mais exigentes do mundo. Isso só pode ser resultado do incentivo à educação e à cultura. Lembro que o nosso Villa-Lobos já regeu um coro de milhares de pessoas em São Januário, provando que é possível obter excelentes resultados com iniciativas simples.

Os bancos foram os principais financiadores da campanha de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), com doações que somam R$ 10,5 milhões, segundo a prestação de contas dos candidatos que disputaram o segundo turno da eleição presidencial, enviada à Justiça Eleitoral ontem, último dia do prazo legal.

Geraldo Alckmin (PSDB) recebeu montante idêntico, de R$ 10,5 milhões. Nos dois casos, o principal doador do ramo foi o Itaú, com R$ 3,5 milhões.

Os bancos, como o próprio Lula disse em discurso recente no qual citava os juros altos, nunca ganharam tanto. No ano passado, lucraram R$ 28,3 bilhões, recorde histórico –e só no primeiro semestre deste ano, R$ 22,2 bilhões (43% a mais do que em 2005).

Todo o montante repassado pelos bancos para o comitê de Lula foi transferido entre setembro e outubro –antes do primeiro turno. No caso de Alckmin, consta apenas um repasse feito no segundo turno, de R$ 200 mil, do Banco Alvorada, controlado pelo Bradesco.

Montante ainda maior que o dos bancos foi repassado “internamente” para a campanha de Lula. Segundo o tesoureiro da candidatura, José de Filippi Jr., cerca de R$ 15 milhões foram transferidos à campanha pelos comitês estaduais e distrital por conta do compartilhamento de material gráfico.

Alckmin também recebeu boa parte dos recursos dos comitês espalhados pelo país. No total, foram R$ 8,2 milhões oriundos de diretórios e comitês do PSDB e do PFL. Desse montante, R$ 4,2 milhões saíram dos cofres do Diretório Nacional do partido, e R$ 2,8 milhões do diretório paulista.

O segundo maior ramo de atividade que figura na contabilidade é outro com diversos interesses na relação com o governo, o das empreiteiras, com um montante de R$ 10 milhões repassados ao comitê petista, e R$ 4,8 milhões ao tucano.

A lista de doadores petistas é encabeçada pelo grupo Camargo Corrêa, com R$ 3,5 milhões, e pela Construtora OAS, com R$ 1,6 milhão. A OAS também foi uma das maiores financiadoras dos candidatos do PT à Câmara. Em um único caso, consta transferência de R$ 1 milhão da Carioca Christiani Nielsen Engenharia diretamente para o candidato, ou seja, sem passar pelo comitê. Para Alckmin, a Andrade Gutierrez disponibilizou R$ 1,5 milhão.

O presidente Lula também recolheu R$ 4,5 milhões de mineradoras –R$ 4 milhões de subsidiárias do Grupo Vale do Rio Doce. Alckmin recebeu um pouco menos: R$ 3,7 milhões.

Outros R$ 6,2 milhões declarados por Lula vieram de siderúrgicas, sendo R$ 3,1 milhões do grupo Gerdau, cujo empresário Jorge Gerdau Johanpetter é cotado para virar ministro de Lula. Gerdau também doou R$ 3 milhões para Alckmin.

A análise das empresas que abasteceram a campanha petista inclui um total de R$ 3,6 milhões repassados pelo ramo de bebidas, com destaque para a AmBev: R$ 1,5 milhão. Integram a lista as cervejarias Petropolis, com R$ 750 mil, e a Schincariol, R$ 500 mil. A Recofarma, do sistema Coca-Cola, forneceu R$ 880 mil.

A maior doação feita por uma só empresa a Lula foi da processadora de suco de laranja Cutrale, com dois repasses que somam R$ 4 milhões. A empresa trava disputa jurídica para evitar investigação por cartel –o Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) recusou proposta de pagamento de multa de R$ 100 milhões para evitar a apuração. Para Alckmin, destaca-se o repasse de R$ 2,6 milhões da Ibar Administrações, do Grupo Votorantim.

A campanha de Lula recebeu pelo menos três repasses milionários de pessoas físicas. Os empresários Pedro e Alexandre Grendene (do ramo calçadista) doaram R$ 2 milhões (R$ 1 milhão cada um); Eike Batista, que atua na área de energia, transferiu R$ 1 milhão.

Alckmin recebeu doação de R$ 1 milhão de Antonio José de Almeida Carneiro, dono de uma corretora financeira.

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, doou R$ 2.000, dez vezes o valor dado pela senadora Ideli Salvatti (PT-SC). O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, doou R$ 20 mil. Ricardo Berzoini, ex-chefe da campanha lulista, deu R$ 800. O presidente do Sebrae, Paulo Okamotto, que disse ter pago uma dívida de R$ 29 mil de Lula, doou R$ 400.

 

SILVIO NAVARRO e FÁBIO ZANINI

* Artigo publicado pela Folha de S. Paulo Online (29/11/2006)

Brasília – A campanha da presidenta eleita Dilma Rousseff arrecadou R$ 148,8 milhões, sendo que mais da metade desse valor, R$ 88,39 milhões, vieram de um grupo de 41 empresas que doaram mais de R$ 1 milhão. Os três maiores doadores individuais foram JBS-Friboi (R$ 9 milhões), Camargo Corrêa (R$ 8,5 milhões) e Andrade Gutierrez (R$ 5,1 milhões).

O setor que teve mais doações milionárias foi o da construção e engenharia: R$ 37,35 milhões. Catorze empresas empresas doaram valores entre R$ 1 milhão e R$ 8,5 milhões. A agroindústria foi o segundo setor que mais teve doações milionárias: cinco empresas foram responsáveis por R$ 18,2 milhões da campanha de Dilma.

Oito empresas da área de metalurgia, siderurgia, mineração e produção de cimento doaram quantias que somaram R$ 12,2 milhões. Já no setor bancário, três instituições fizeram doações que totalizaram R$ 6,5 milhões: Itaú Unibanco (R$ 4 milhões), BTG (R$ 1,5 milhões) e Santander (R$ 1 milhão).

A prestação de contas do comitê financeiro mostra que a campanha de Dilma Rousseff arrecadou R$ 174.5 mil em doações pela internet por meio de cartão de crédito.

Segundo o demonstrativo de gastos da candidata e do comitê, as áreas onde mais se investiu dinheiro foram a produção de programas de rádio, TV e vídeo, publicidade de materiais impressos, publicidade em placas e transporte.

30/11/2010 – 23h13

Débora Zampier

Repórter da Agência Brasil

Edição: Aécio Amado

* Este artigo foi publicado pelo Portal da EBC (Agência Brasileira de Comunicação) em 30 de novembro de 2010, com base na prestação de contas do comitê financeiro de Dilma Rousseff.

Bola nas costas

08/09/2014

bolanascostas

Paulo Roberto Costa (de capacete), ex-diretor da Petrobras, autografa o macacão de Dilma 

A delação premiada para o ex-diretor da Petrobras, Paulo Roberto Costa, rendeu uma semana de depoimentos à Polícia Federal e conteúdo explosivo à Operação Lava-Jato, que pretende esclarecer o paradeiro de R$ 10 bilhões que saíram dos cofres da estatal. O esquema envolve empreiteiras, políticos tradicionais e o doleiro Alberto Youssef, consumindo 3% do valor das obras contratadas pela Petrobras.

O escândalo que virou CPI e estava quase enterrado no Congresso Nacional, agora volta à tona no noticiário. As acusações envolvem dezenas de políticos ligados ao governo Dilma e até o falecido Eduardo Campos, ex-governador de Pernambuco. O indício maior de que a coisa vinha sendo administrada, foi a descoberta de que a direção da Petrobras havia combinado com membros governistas da CPI as perguntas e respostas da tradicional sabatina dos depoentes, entre eles o próprio Paulo Roberto Costa.

Como havia fortes evidências de sua participação direta no esquema de lavagem de dinheiro na estatal, Costa, que imaginava estar livre do xilindró, voltou para a detenção em Curitiba, onde toda a investigação iniciou. Provavelmente alertado de que iria segurar a peteca sozinho, o ex-diretor da Petrobras decidiu entregar o esquema, em troca da redução ou abrandamento da pena.

O pouco que já vazou dos depoimentos de Costa comprova, mais uma vez, que a gestão pública está minada por esquemas de corrupção antigos, envolvendo dirigentes e políticos e passam de governo para governo. As mesmas empreiteiras de sempre estão entre as que seriam responsáveis pelos 3% das obras, distribuídos fora do país aos velhos políticos beneficiários, já citados em outros tantos esquemas.

Não por acaso são estas mesmas empreiteiras que mais financiam campanhas milionárias de presidentes, governadores e parlamentares. E também as mais beneficiadas com obras faraônicas, muitas inexplicáveis, eternamente adiadas e inacabadas.

Para azar de Dilma e do PT o propinoduto da Petrobras deve jorrar de agora em diante em seu ventilador até o final das eleições. E pode respingar também na campanha de Marina Silva. Quem mais se beneficiaria com isso seria Aécio Neves, mas também falta ao candidato tucano credibilidade para falar de corrupção.

Seja quem for eleito presidente terá que encarar a dura tarefa de desbaratar os esquemas e quadrilhas encrustadas no poder há décadas. Caso contrário, continuará refém do antigo centrão, atual base aliada, sempre disposto a engordar as contas milionárias de seus membros. A corrupção grossa no Brasil não é uma opção, mas uma diretriz das velhas oligarquias, e se alimenta da promiscuidade na indicação de dirigentes de estatais e órgãos públicos.

De tudo isso fica mais uma evidência de que não se pode fazer omelete sem quebrar os ovos. O PT preferiu a via do acordo com as oligarquias, em vez de enfrentá-las, em nome de uma tal “governabilidade”. Lula teve dois mandatos para desbaratar as quadrilhas e não quis. Resultado: entubou o escândalo do Mensalão. Dilma teve quatro anos para chutar o balde e acabou levando mais uma bola nas costas.