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A situação do presídio de Pedrinhas, em São Luiz do Maranhão, é o retrato do descaso de governantes com a população carcerária. Só em 2013 foram 59 mortes registradas, a maioria por brigas entre facções criminosas, que comandam a vida da penitenciária.

Recentemente novas denuncias deram conta que esposas, irmãs e até mães de presidiários são estupradas pelos chefes das facções (Anjos da Morte, Primeiro Comando do Maranhão (PCM) e Bonde dos 40), quando das visitas aos parentes detidos em Pedrinhas.

O escândalo tomou contornos internacionais, com a condenação do governo brasileiro pela OEA. O Brasil tem a quinta maior população carcerária do Planeta, nas piores condições possíveis, já detectadas pelo governo e reconhecidas pelo próprio Ministro da Justiça. A situação vergonhosa das casas de detenção se estende às casas de recuperação de menores infratores, que se tornam verdadeiros vestibulares do crime.

As denúncias de parentes e de setores do Judiciário sobre a calamidade em Pedrinhas acontecem desde o início do ano e só agora a governadora do Maranhão, dona Roseana Sarney, assumiu o estado de calamidade.

O desprezo com que autoridades governamentais tratam o sistema prisional e os presidiários faz com que as cadeias se assemelhem em tudo a verdadeiros campos de concentração. No caso de Pedrinhas parece que o governo do Maranhão enxerga as disputas internas entre facções criminosas como uma espécie de “solução final”, a exemplo do que fizeram os nazis ao final da II Guerra. É a pena de morte consentida e estimulada.

Ao deixar a penitenciária entregue às lutas entre grupos criminosos, o Estado economiza e abandona de vez sua responsabilidade, que deveria ser ressocializar os presos. Os que de lá conseguirem sair certamente vão barbarizar ainda mais a vida da população maranhense, que já não é lá essas coisas. Aos que acenam com a pena de morte como solução, fica evidente que ela já existe e é patrocinada pelo Estado, só não foi oficializada.

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Se eu fosse cristão, aproveitaria a onda de Natal e iria me confessar. Meus erros talvez não sejam tão grandes para um ateu (que nas horas vagas leva fé e apela para as crenças afro-brasileiras), mas podem ter um significado mais grave para os que creem em Deus.

Diria ao padre, na sacristia, que nunca rezei, a não ser no Cantinho Feliz, pré-escolar que freqüentei lá no bairro, em que as professoras colocavam as crianças para orar no final da tarde. Certamente, por isso, ainda lembro da Ave Maria e do Pai Nosso.

Diria também que procurei ser fiel às mulheres com que vivi e me relacionei, com exceção de algumas escapadas virtuais das quais me arrependo, que não deixam de ser infidelidades, dependendo do grau e da intenção.

Diria que nunca cobicei dinheiro, cargos e poder, porque são coisas que sempre associei a exploração, ambição e – perdoem os que pensam o contrário – mediocridade.

Diria que militei muitos anos por profundas transformações na sociedade, movido pela teoria marxista, pelo entusiasmo na força dos homens, embora isso tenha me custado muitas horas em reuniões intermináveis e algumas frustrações. Diria que, apesar dos exageros e equívocos que cometi, sigo acreditando na contradição como o motor das mudanças que ainda estão por vir.

Diria que escolhi para torcer um clube de uma estrela solitária, de preto e branco, de oito ou oitenta, ao qual sou fiel desde que me conheço por gente e que está bem de acordo com minha forma apaixonada de interpretar a vida.

Diria que me tornei jornalista por acreditar que poderia exercer a profissão com total independência, o que ainda não é possível. Diria que sigo no jornalismo porque não sei se sou capaz de fazer outra coisa, a não ser escrever e comentar, e porque insisto em chamar atenção para questões que estão por ser enfrentadas neste nosso Brasil.

Diria que não sou homem chegado a muitas farras e bebedeiras, mas me contento com bons papos com amigos e umas caipirinhas.

Diria que tenho muita dificuldade em me relacionar com meus quatro irmãos, cada qual com suas qualidades e defeitos, como eu, mas um tanto atritados uns com os outros, para desespero de nossa mãe.

Diria que minha porção afro-descendente se manifesta, desde menino, na paixão pelo samba, particularmente pelo ritmo da bateria, que me acostumei a ouvir nas noites de ensaios dos blocos, da janela do apartamento de meus pais, em Santa Teresa.

Diria que me tornei dependente da internet, ferramenta que utilizo todos os dias para trabalhar, mas que procurei ajuda e que acredito estar mais tranqüilo.

Diria ainda que estou bastante preocupado com meus filhos, desatentos aos estudos, bombardeados que são todos os dias – como os jovens das novas gerações – por um monte de bobagens, grifes, geringonças tecnológicas, drogas lícitas e ilícitas, promessas vãs de um mundo dominado pelo Deus Mercado.

Diria também que ando cabreiro com a saúde, que toda semana prometo fazer aqueles exames de praxe, mas relaxo no final do dia para ter direito a um sono mais ou menos tranqüilo.

Diria que estou em falta com minha amada, que me atura numa fase complicada da vida e, de quebra, ainda tolera minhas falhas e grosserias. Diria que espero que ela compreenda que os homens são apenas meninos que cresceram, usam calças compridas e teimam em fazer pequenas travessuras, muitas vezes só para chamar a atenção e serem repreendidos por suas mulheres.

Diria que apesar das falhas e possíveis decepções que causei, ainda tenho forças do fundo do coração e desejo para amá-la, porque os erros que cometo são delitos que não merecem ser punidos com a pena de morte.

Finalmente, diria ao padre que só tenho como recorrer a ele para ouvir minhas confissões e meus pecados, porque não tenho mais meu querido e velho pai (quanta falta faz…), sempre atento e disposto a ouvir e dar conselhos sábios ao seu filho.

Enfim, diria na sacristia que estou pronto a cumprir minha sentença com resignação e que, embora não tenha Deus no coração, imagino que a pena não deva ser maior que a de muitos cristãos que freqüentam a missa regularmente. A todos espero que me perdoem, porque o ano de 2013, definitivamente, não foi lá dos melhores.

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Vai ficar para História do futebol brasileiro: no dia 16 de dezembro de 2013 o STJD rebaixou a Portuguesa e manteve o Fluminense na Série A, invertendo os resultados conquistados dentro de campo. Com base num julgamento que se deu ao pé da letra, numa posição estritamente legalista, o Tribunal se apegou ao Regulamento para mudar o resultado do Campeonato.

Mas qual Regulamento? Aquele mesmo que foi rasgado por este mesmo Tribunal no julgamento do jogo Atlético PR e Vasco? A situação foi tão cretina que a pretensa indiferença do Fluminense foi desmascarada pelo fato do Departamento Jurídico do clube estar presente e interferir diretamente no julgamento, apresentando parte da defesa do “Regulamento”. Ou seja, o discursinho tolo de que o Fluminense nada tem a ver com o caso foi por água abaixo.

A Lei é passível de interpretação, não fosse isso não haveria necessidade de Tribunal e julgamento. Seria o caso apenas de aplicar a Lei. Um Tribunal tão duro com a frágil Portuguesa (5 X 0 a favor da punição) não agiu da mesma maneira em situações semelhantes com atletas de outros clubes, inclusive o poderoso Fluminense, em 2010.

Diga-se de passagem, o jogo em questão – Portuguesa e Grêmio – não teve qualquer interferência na situação do Fluminense na tabela, clube que se beneficiou do resultado do tapetão. Então por que se descolou esse casuísmo? Talvez pelo fato da Unimed, patrocinadora do Fluminense, ser também patrocinadora da CBF, com um contrato de seis anos, curiosamente assinado em junho deste ano, em meio àquela onda de protestos.

É evidente que não interessa aos patrocinadores e a rede de TV que é dona dos direitos de transmissão do Campeonato Brasileiro a queda de dois grandes clubes de uma mesma praça, no caso, o Rio.

Aos que insistem em esgrimir argumentos jurídicos que justificam a decisão do STJD, digo que Justiça não tem a ver necessariamente com leis. As leis são instrumentos que a sociedade tem para que Justiça seja feita. Justiça é o que é justo, correto, à luz do que é razoável para a sociedade. Mas o que um Tribunal de caráter normativo, portanto, questionável pode entender de Justiça?

O que toda a sociedade brasileira entende – com exceção de uma parcela míope da torcida tricolor – é que a Portuguesa conquistou sua permanência na Série A dentro de campo e o Fluminense foi rebaixado por seus próprios deméritos desportivos.

Não se pode decretar a pena de morte num caso em que se verifica um pequeno delito. Até porque este mesmo Tribunal certamente vai se deparar com casos semelhantes no futuro e terá que agir com o mesmo rigor para todos, sejam quais forem os interesses em questão. Caso contrário, se desmoralizará de vez.

Quando tudo indicava que não teríamos mais viradas de mesa no futebol brasileiro, eis que um cidadão (Paulo Schmitt) aparece em tom solene para apresentar denúncia contra Flamengo e Portuguesa, que teriam escalado jogadores em condições irregularidades nas partidas contra Cruzeiro e Grêmio, respectivamente.

O Flamengo pode entrar de gaiato, apenas como moeda de troca num julgamento que só tem por objetivo rebaixar a Portuguesa e manter o Fluminense na primeira divisão. Se ficar sem os pontos, o Fla não perderá absolutamente nada, mas vão dar a entender que a Justiça Desportiva pune todos por igual.

Alguns pretensos defensores das regras acenam com o “regulamento”, para justificar a manobra no tapetão. Nenhum deles lembrou do regulamento quando o Flu foi “convidado” para retornar à Série A do Campeonato Brasileiro, quando deveria disputar a Série B. Também não houve regulamento para justificar a permanência de outros grandes quando não havia interesse que eles caíssem.

O mesmo regulamento foi rasgado pelo STJD em ação movida pelo Vasco, já que não havia segurança no Estádio de Joinville e o jogo com o Atlético PR ficou interrompido por uma hora e quinze minutos, o que fere as normas do Campeonato.

Estranho é que o Cruzeiro, que escalou um goleiro contra o Vasco que não estava inscrito, não sofreu qualquer ameaça de perder pontos. Levou uma multa de R$ 10 mil e estamos conversados. Isso só comprova que existem outras punições, ainda mais no caso de um clube que escalou um jogador por dez minutos num jogo sem qualquer valor para a definição do Campeonato Brasileiro.

Outro fato estranho é que o advogado que defendeu a Portuguesa no Tribunal, um tal de Osvaldo Sestário, não teria informado o clube corretamente sobre a pena de seu jogador. Sestário é uma espécie de advogado de plantão indicado pela CBF para atuar no STJD e, de acordo com o blogdopaulinho e Lauro Jardim (Revista Veja), aceita defender todas as causas e receber honorários em troca de descontos de recursos de publicidade a que os clubes teriam direito, na exposição de placas de seus patrocinadores.

A Lusa caiu no conto do Sestário e o futebol brasileiro pode produzir mais uma marmelada.

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Tá certo que as nossas “autoridades” não são responsáveis pelo volume de água que cai do céu. Mas em que cidade elas vivem? Será que o nome Rio de Janeiro não sugere nada? Não houve ponto do Rio e Grande Rio em que as chuvas de 11 de dezembro não tenham causado estragos. O pior ficou com a Zona Norte e a Baixada, mas o Centro e outros lugares também sofreram.

Não custa repetir que todo ano estamos sujeitos a tempestades de verão, que a cidade está impermeabilizada pelo excesso de concreto e asfalto, que não existem sistemas de drenagem eficientes nas principais vias de acesso (Av. Brasil, Via Dutra, Linha Vermelha). Tão pouco existe um esquema de escoamento natural das águas que rolam das montanhas que cercam o Rio.

Seria chover no molhado lembrar que o nome Baixada expressa uma porção de território que está abaixo do nível do mar ou, como define o Dicionário Michaelis, “Depressão de terreno junto de uma lomba; planície entre montanhas”. A falta de planejamento, saneamento urbano e outras questões elementares, submete os moradores da região ao vexame de ver suas residências alagadas a cada verão e a perda de seus pertences, adquiridos com muito sacrifício por gente pobre e trabalhadora.

O prefeito do Rio se orgulha e faz questão de freqüentar aquele centro de prevenção todo modernoso, que volta e meia aparece em suas entrevistas. E daí? Sua tecnologia para prever chuvas e montar esquemas de emergência é apenas um cenário, uma espécie de grande videogame, enquanto aqui fora a realidade é outra bem diferente.

O fracasso da cidade privatizada se evidencia em apenas dois pontos: a reforma do Maracanã, que custou cerca de R$ 1 bi aos cofres públicos e que foi entregue a grupos privados, se mostrou superficial e não atacou o velho problema da enchente do Rio de mesmo nome, que corre ao largo do estádio. Novamente o carioca assistiu ao alagamento, que paralisou o trânsito da região.

Já a badalada Via Binário do Porto, inaugurada há apenas dois meses como alternativa para o trânsito na zona portuária, também encheu de água. Só agora o contribuinte fica sabendo que não há como fazer o sistema de drenagem da nova via sem derrubar por completo o viaduto da Perimetral. Então a Prefeitura e o consórcio Porto Novo inauguraram uma obra incompleta?

É deprimente ouvir as recomendações do Prefeito a essa altura do campeonato, sugerindo que as pessoas fiquem em casa ou procurem abrigos. Ficar em casa quer dizer perder o dia de trabalho ou até correr o risco de perder o emprego. Procurar abrigo aonde, se nas comunidades em que existem as tais áreas de risco (mais de 300) não há um esquema preparado para acolher as pessoas?

Sugestão: em vez de usarem o tapetão para mais uma virada de mesa do futebol brasileiro, que tal Vasco e Fluminense rebaixarem Prefeitos do Grande Rio e o Governador para a Série B e deixarem a pobre Portuguesa e o Atlético PR em paz? Garanto que todas as torcidas do Rio apoiariam…

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As cenas de luta livre entre torcidas organizadas do Atlético PR e Vasco, no estádio de Joinville (SC), são o culminar de um esquema criminoso que é incentivado no Brasil, unificando dirigentes de clubes, de federações, governantes e gangues, que se escondem por trás da paixão pelo futebol.

No início do ano, irresponsáveis que estavam na torcida do Corinthians em Oruru, na Bolívia, dispararam um sinalizador, que atingiu e matou um rapaz de 14 anos. Ficaram alguns meses detidos e, sob pressões de dirigentes do clube, da CBF e até de políticos brasileiros, foram libertados. Semanas depois, alguns deles voltaram a se envolver em briga, no estádio Mané Garrincha, em Brasília. Todos estão soltos.

Outras cenas de violência entre gangues organizadas se repetiriam no desenrolar do Campeonato Brasileiro 2013. São Paulo, Corinthians, Vasco, Atlético PR, Cruzeiro e outros clubes foram punidos ao longo da competição, mas nada disso evitou a violência das gangues que vivem do futebol. Até a festa de comemoração do campeonato do Cruzeiro, fora do Mineirão, após o jogo com o Bahia, foi suspensa por conta de briga entre as próprias gangues de torcidas do clube.

Antes do jogo, em Joinville, na madrugada de 6 para 7 de dezembro, houve briga entre torcedores dos dois clubes. Os dirigentes de Vasco e Atlético PR sabiam que não haveria policiamento dentro do estádio. Cabia à direção do Atlético PR, clube mandante da partida, contratar segurança em condições de evitar problemas entre torcidas. Aliás, clube que mandou este jogo fora do Paraná porque estava punido por violência entre torcedores no jogo contra o Coritiba.

Quem assistiu às cenas percebeu que havia três setores da arquibancada isolados, entre as duas torcidas. Do lado do Atlético PR havia somente três seguranças nas arquibancadas e do Vasco apenas quatro, identificados com coletes cor de laranja. É evidente que aquela meia dúzia de pessoas não tinha condições de conter as gangues organizadas. Foi o que se viu: pancadaria generalizada, com quatro gravemente feridos.

A PM deu como desculpa o fato de haver uma recomendação do Ministério Público de Santa Catarina, indicando que a segurança em eventos particulares deve ser feita por empresas privadas. O MP nega que exista a recomendação. É encarado como normal o clube mandante de um jogo pagar para a PM local fazer a segurança dentro dos estádios. Ou seja, rola um outro esquema, misturando poder público e interesses privados.

Está evidente que a CBF, dirigentes e governantes não estão nem aí para o espetáculo do futebol, que motiva a paixão de bilhões de pessoas. Em tempos de Copa do Mundo estão mais preocupados em construir e reformar estádios, de preferência a custo mais elevado possível, com preços superfaturados. A FIFA deve faturar R$ 10 bilhões no Brasil, as grandes empreiteiras vão levar seu quinhão e os políticos também terão sua parte, com o financiamento de campanha por essas mesmas empresas.

Grande beneficiária deste esquemão, que transforma a paixão humana em produto de mercado, a Rede Globo quer se eximir de qualquer responsabilidade. Debate as mazelas do futebol brasileiro como detalhes, como se fosse obra de pequenos grupos de “vândalos”. Em verdade, as gangues organizadas são apenas a ponta do novelo do esquemão do futebol brasileiro: viraram base de apoio de dirigentes e se beneficiam com ingressos, transporte, venda de material e outras benesses.

Os verdadeiros prejudicados deste esquemão são os que não ganham nada e vão aos estádios somente para torcer por seus times. Estes assistem o Estatuto do Torcedor ser rasgado diariamente. Já os jogadores decidiram sair da passividade e lutar por sua dignidade. O movimento Bom Senso F.C. foi o grande saldo da temporada de 2013.

Acabar com o monopólio da transmissão televisiva é a condição fundamental para reduzir a exploração desenfreada do futebol brasileiro. Limpar os clubes, as torcidas organizadas, as federações e a CBF, dirigida pelo senhor Marin (de triste memória dos tempos da ditadura militar) são iniciativas igualmente importantes para que o futebol brasileiro volte a apaixonar o torcedor. Maior exemplo do baixo nível da principal competição do futebol brasileiro foram os jogos das últimas rodadas, nos quais houve inúmeros jogos com placar mínimo e muitos sem gols.

A vida não é feita só de sucessos. Muitas vezes fracassamos em nossos objetivos. No meio do caminho existem sempre obstáculos que precisamos superar. Por isso, não devemos subestimar nada e ninguém.

A derrota não é fruto de detalhes, da sorte ou do azar, mas de um conjunto de erros que se acumulam. Isso se aplica a tudo: no futebol, no amor, no trabalho e no estudo.

Como um clube que não tem um planejamento, não tem um orçamento compatível com o que arrecada, não monta um bom elenco, atrasa pagamentos e troca várias vezes de técnico pode vencer?

Como um aluno que não presta a atenção nas aulas, não faz os deveres de casa e trabalhos, não estuda todos os dias, tem preguiça de ler e tira notas baixas pode passar de ano?

Estudar, antes de tudo, é um ato de humildade. Ninguém nasce sabendo ou conhece tudo. Ninguém pode aprender sem estudar. Ninguém pode ir adiante sem ler e respeitar seus mestres.

Com todas as suas limitações e problemas, a escola ainda é o espaço privilegiado para se aprender o conhecimento acumulado pela humanidade ao longo de séculos. É deste conhecimento acumulado que partimos para novos desafios, para criar coisas novas. Este é o desafio de cada nova geração.

A auto-suficiência é irmã gêmea do fracasso. Quem imagina que sabe tudo mais cedo ou mais tarde será obrigado a cair na realidade e encarar a derrota.

Na vida às vezes aprende-se mais com derrotas do que com as conquistas. O importante é sempre tirar lições, ser capaz de fazer avaliações permanentes e, sobretudo, auto-avaliações. É preciso reconhecer os erros para descobrir novos caminhos e superar as dificuldades. Jogar as responsabilidades nos outros apenas estimula nosso orgulho e falta de autocrítica

Os grandes homens não são os que só se realizam nas vitórias, mas os que são capazes de aprender as lições das derrotas para transformá-las em avanços. Da mesma forma acontece com os grandes clubes de futebol.

Hoje vascaínos e tricolores cariocas estão à beira do abismo. Com campanhas pífias assistem seus clubes de coração agonizarem na última rodada do Campeonato Brasileiro 2013. Mesmo que não sejam rebaixados para a Série B, se seus dirigentes não identificarem os erros cometidos e não encontrarem caminhos para superá-los, poderão insistir no erro e agravar ainda mais sua situação em 2014. 

Neste final de ano muitos meninos e meninas estão tristes e decepcionados. Talvez acreditassem que pudessem passar de ano e ficaram surpresos com a reprovação. Não deram atenção aos professores, coordenadores e, sobretudo, aos seus pais durante o ano todo.

Quem sabe possam transformar essa derrota momentânea num aprendizado para o resto de suas vidas? Sempre é tempo de corrigir o rumo de nossas vidas quando ainda somos jovens. Basta tomar atitudes, assumir a responsabilidade e dedicar o tempo a coisas positivas. Não há nada mais bacana que vencer com nossos próprios méritos. Errar é humano, corrigir também.

Black fraude

05/12/2013

O que era para ser um dos pontos altos na relação entre comércio e consumidor, no Brasil se transformou num festival de enganação e fraude. A tradição norte-americana indica que o Black Friday – sexta-feira negra – é a data em que as lojas programam grandes liquidações de seus estoques de produtos, que podem chegar a 80% dos valores originalmente cobrados.

No entanto, no Brasil, que em 2013 realizou sua quarta edição do Black Friday, o que se viu foi a violação de qualquer ética na relação entre grandes lojas e consumidores. Ficou evidente que houve forte remarcação dos preços antes da “liquidação”. Prova disso é que os preços caíram no máximo até 35%.

O site Reclame Aqui, que faz o acompanhamento do Black Friday, recebeu inúmeras denúncias de consumidores nas compras in loco e nas compras pela internet. Mais de 320 estabelecimentos comerciais sofreram reclamações no Procon de São Paulo.

O comportamento desleal de parte das grandes cadeias varejistas no Black Friday só comprova o desrespeito com o consumidor, até mesmo no dia de liquidações. A ausência de fiscalização atuante e de pesadas multas redunda na prática de burla nas relações de consumo, mais uma vez verificada na Black Fraude.

Por essas e outras não se deve dar muito crédito aos que insistem em afirmar que os preços dos produtos no Brasil são inflados pela elevada carga de impostos. O que se verifica aqui é mesmo o salve-se quem puder e a ganância das elevadas taxas de lucro em todas as áreas da economia.  

Os “nem nem”

05/12/2013

Mais de nove milhões e meio de jovens brasileiros entre 15 e 29 anos não estudam nem trabalham. A maioria – 70% – é de mulheres. No caso dos que estão na faixa de 18 a 24 anos os dados são ainda mais alarmantes: 23% não freqüentam escolas e não têm emprego. O que estaria por trás desses números da Síntese de Indicadores Sociais 2013, divulgados recentemente pelo IBGE?

Geralmente a condição para ingressar mais cedo no mercado de trabalho é social, atingindo o setor mais empobrecido da população. Essa graninha do primeiro emprego ajuda a complementar a renda familiar dos mais pobres. No caso das mulheres, a maternidade é um fator agravante para o afastamento da escola e do trabalho e isso está acontecendo em maior freqüência e cada vez mais cedo no Brasil, inclusive na adolescência.

Inúmeros fatores podem estar contribuindo para o crescimento dos “nem nem”, até mesmo o maior número de famílias que recebem bolsas do governo. Se isso se confirmar será mais um motivo de preocupação, porque o pagamento de auxílios como o Bolsa Família tem como contrapartida a exigência de que adolescentes e jovens freqüentem regularmente a escola.

E por falar em escola, o resultado do PISA é outro indicador lamentável. O Brasil ficou em 58ª colocação e continua entre os países com piores desempenhos em leitura, matemática e ciências, dos 65 que participam deste teste internacional. Depois de elogiar os avanços do país na Educação, o ministro Mercadante ainda diz que “o filme é bom, mas a foto não”. Quer um cineasta e fotógrafo pior do que este?

Seja como for, os dados são extremamente preocupantes, porque indicam dificuldades mascaradas sob o crescimento econômico dos últimos anos. Parcela expressiva da juventude está estudando menos, encontrando mais obstáculos para ingressar definitivamente no mercado formal de trabalho e sair do ninho familiar. 

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Estranha a atitude do Presidente do STF, Joaquim Barbosa, no caso do mensalão. Não teve complacência com os réus petistas, mas tem usado rédea frouxa com o delator do esquema, Roberto Jefferson. Será que o fato ter retirado um tumor maligno do pâncreas recentemente justifica que Jefferson permaneça livre? Ou será que os crimes do Presidente do PTB forma de menor importância?

Já a grande mídia está devendo uma postura igualmente mais dura nos casos do escândalo do cartel de empresas no metrô de São Paulo e do helicóptero dos Perrella, que transportava 450 quilos de cocaína. Será que os escândalos do PT são mais importantes e merecem mais destaque que os escândalos envolvendo tucanos e seus aliados? As evidências mostram que, nos dois casos, tem pena de tucano e bico de tucano…

O lado folclórico do mensalão é que ele revela a dureza das cadeias brasileiras. Dureza que, pelo jeito, não se aplica a alguns detentos. E olha que os senhores Genoíno, Dirceu e Delúbio estão cumprindo pena na Papuda, uma das mais conceituadas casas de detenção do país…

Pois é… Ninguém quer ficar de molho e pegar aquela bóia indigesta do cárcere. Para não permanecerem trancafiados os petistas estão arrumando “empregos”. Mas então eles não trabalhavam? Ou eram donos de negócios particulares? E desde quando presidiário recebe oferta de emprego assim?

Dirceu, conhecido lobista de grandes empresas, arrumou uma vaga de gerente de hotel de um colega da base aliada, com salário de R$ 20 mil. Delúbio informou que tem proposta de trabalho da CUT, com salário em torno de R$ 5 mil. Já a família de Genoíno continua numa cruzada, com o apoio do PT, para provar que sua cardiopatia é grave, que precisa ficar em regime domiciliar e receber aquela polpuda aposentadoria da Câmara dos Deputados.  

Uma forma original de cumprir pena. Os condenados petistas do mensalão vão passar o dia todo na rua – ou em casa, no caso de Genoíno – com vencimentos e despesas pagas. Alguém acredita que estarão mesmo comprometidos com um Hotel ou com a CUT? Dirceu e Delúbio serão obrigados apenas a se recostar para dormir nos colchões duros de uma cela da Papuda. Já Genoíno, se tudo der certo, pode se confortar com os cuidados da família.