O envolvimento de deputados e governadores das mais diversas legendas com o empresário Carlinhos Cachoeira se tornou apenas a ponta do iceberg de um esquema que não é novo nos bastidores da vida política nacional. O fincanciamento irregular de campanhas eleitorais, que sacramenta o toma-lá-dá-cá. Neste caso a empresa usada na lavanderia de recursos parece ser a Delta Construções.

Nesta esculhambação que se chama Brasil mesmo qualquer leigo no assunto pode desconfiar do crescimento vertiginoso da Delta. As obras mal feitas e inacabadas dos conjuntos Nova Sepetiba I e II são o cartão-de-visita da empresa, contratada durante o governo Garotinho (talvez seja por isso que Anthony Matheus esteja tão quieto). Entre seguir com Garotinho e abraçar Cabralzinho, a cúpula da Delta não teve dúvidas e pulou no colo do novo governador. Até porque o partido é o mesmo e pertence à base aliada ao governo Lula.

De 2006 para cá inúmeras são as obras em que Delta aparece, ora sozinha ora em consórcio com outras empreiteiras. O portfólio da Delta inclui obras de vulto, como o Engenhão, abandonado no meio do caminho. Mas a empresa continuou vencendo licitações no Rio, no Estado e na capital. Foi preciso uma tragédia envolvendo familiares e amigos de Fernando Cavendish para que a opinião pública tomasse conhecimento do grau de intimidade entre o presidente da Delta e o governador Cabral.

Carlinhos Cachoeira já havia sido personagem de outro escândalo em 2004, quando Waldomiro Diniz (ex-presidente da Loterj no governo Garotinho e então lotado na Casa Civil de José Dirceu) e Cachoeira apareceram em gravação num diálogo profícuo, negociando propina num dos contratos da Loterj. Ambos foram condenados a anos de cadeia, recorreram e seus crimes permanecem impunes.

Mas por que uma empresa que sequer pertence ao clube seleto das seis maiores empreiteiras do país é a maior beneficiária nas obras do PAC? Talvez para não chamar tanta atenção, caso as obras caíssem em maioria no colo das grandes. Digno de menção é a afirmação – não desmentida – de que José Dirceu teria sido consultor da Delta por dois anos. Coincidência ou não, Dirceu quase nem menciona o tema em seu blog, que tem diversos artigos postados diariamente.

Cachoeira, homem forte da economia Goiás, aparece agora como íntimo do grupo que comanda a Delta na Região Centro-Oeste do país. O senador Demóstenes (doutor), o governador Perillo e os deputados envolvidos só revelam o quanto Cachoeira determinava a política naquele estado e na Região. Seus tentáculos se estendem aos governos do DF e de Tocantins. A Delta tem obras e interesses também nesses estados, aliás, é uma empresa que só realiza obras públicas.

O esquema conhecido é tão simplesmente de lavagem de dinheiro e financiamento de campanhas. A grana sai dos cofres públicos, ou seja, dos impostos que pagamos. A arrecadação é feita por uma empresa, favorecida em contratos bilionários de execução de obras para governos em todo o país, repassada e lavada pela contravenção comandada pelo senhor Cachoeira, que distribui os recursos para a eleição e a manutenção da vida boa de políticos no Legislativo e Executivo em todas as esferas. Uma roda-viva onde uma mão suja a outra.

O afastamento de Fernando Cavendish, até que a apuração das denúncias seja concluída, é apenas uma jogada de marketing. Estranho mesmo é como uma empresa do porte da Delta se retira do consórcio que executa as obras milionárias do Maracanã e da Transcarioca. Qual o motivo para essa decisão? Aguardemos os próximos capítulos.

De 2 a 21 de maio estarei na Europa para uma visita a passeio. Espero conhecer lugares e pessoas interessantes por onde passar. Aproveitarei para fazer o que sei: escrever e retratar aqui o que se passa no velho continente, hoje mergulhado numa crise. Aos que gostam deste espaço será uma boa oportunidade de acompanhar as impressões de um jornalista brasileiro sobre algumas capitais européias. Também pretendo enviar flashes para o Programa BOCA LIVRE (2ª a 6ª feira, das 13h às 14h, na Rádio Tropical 830AM) enquanto estiver viajando. Você também pode ouvir o BOCA LIVRE, ao vivo, pelo portal http://www.tropical830am.com.br .

De florestal não tem nada, ao contrário, se examinado por qualquer leigo o Novo Código é um troféu para o latifúndio e o agro-negócio. Aprovado na Câmara dos Deputados com mudanças do que passou no Senado Federal, que já não era grande coisa, o tal Código Florestal é uma afronta ao meio-ambiente.

Os desmatadores agora não vão precisar reflorestar as margens dos rios com mais de 10 metros de largura. Não há qualquer exigência de tornar públicos – via internet – os dados da propriedade rural inscrita no Cadastro Ambiental Rural (CAR). Está liberada a criação de camarão em áreas próximas a manguezais, que também não são considerados áreas de preservação ambiental.

O plantio e a criação de gado estão liberados e mantidos nas encostas de propriedades onde essa prática já existe. Depois de cinco anos os bancos também poderão financiar os donos de propriedades rurais que não estiverem inscritas no CAR. Pelos levantamentos do próprio governo federal as medidas vão representar um avanço preocupante do desmatamento em todo o país.

Aprovado por folgada maioria na Câmara, inclusive com os votos de grande parte do PMDB e de parte das bancadas de partidos do governo Dilma, o Novo Código (do desmatamento) Florestal é um retrato do atraso das classes dominantes brasileiras.

São elas, as velhas oligarquias, que continuam mandando no Congresso Nacional, expressando todo o deboche com que tratam assuntos da maior gravidade para o país e o Planeta. Pensam o mundo sem qualquer preocupação de médio e longo prazo. Vivem do imediatismo de sua arrogância.

Diante da decisão da Câmara a única saída que cabe em defesa do bom senso é o veto deste Projeto pela Presidente da República. E mais: se faz urgente que a Presidência encaminhe ao Congresso um Projeto que garanta a preservação do meio-ambiente para as futuras gerações. Isso passa, necessariamente, por uma Reforma Agrária que retire das mãos dessa gente o poder que ela tem: as terras griladas e roubadas da Nação.

Delta é sinônimo de Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e PAC é sinônimo de obras de grande vulto país a fora, realizadas pelos governos Lula e Dilma. Muitas destas obras ainda estão inacabadas e já sob suspeição do Tribunal de Contas da União. A Delta Construções surgiu pequena, lá pelos idos de 1960, em Pernambuco. Nos anos 70 sofreu uma reformulação. Em 1999 chegou ao Rio pelas mãos do então governador, Anthony Garotinho. De repente, num passe de mágica, cresceu e se multiplicou de maneira assustadora no Governo Lula.

O nome Delta aparece em todos os cantos e canteiros de obras do país. São oito anos prestando serviços aos governos do PT, com 300 contratos em 23 estados, dando um salto de 1.417% de crescimento nos recursos que amealhou junto aos cofres da União. Só em 2011 foram R$ 884 milhões. A empresa vem diversificando suas atividades, como acontece no Distrito Federal, onde tem 70% dos contratos da coleta de lixo.

Mas a Delta também não dispensa uma obra nos governos do PMDB. No Estado do Rio de Janeiro a Delta cresceu 533% só no governo Sérgio Cabral. Em 2007 abocanhou R$67 milhões, número que pulou para R$555 milhões em 2010. Em 2011 a mesma Delta levou R$358 milhões da administração estadual e em 2012 já tem R$138 milhões empenhados pelo Estado, sem contar as obras do Maracanã. Cerca de 20% desses ganhos são em obras sem licitação.

A Prefeitura do Rio também é generosa com a Delta. Entre 2008 e 2011 foram R$420 milhões em obras, sendo R$182 milhões somente na gestão Eduardo Paes.

Agora fica cada vez mais evidente que o grupo de Carlos Cachoeira tem ligações íntimas com a Delta na Região Centro-Oeste. Não por acaso as doações de campanha registrados em 2010 indicam que a empresa foi generosa tanto com o PT quanto com o PMDB, para os quais doou R$ 2,3 milhões.

Como se vê, o consórcio Delta/PT/PMDB é uma sociedade sólida, com ramificações em todo o país. Seu capital é constituído por verbas públicas e os dividendos da empresa são distribuídos aos seus sócios no poder público, na União e nos estados. Daí a preocupação da Presidente Dilma com a CPI do Cachoeira. A lama pode respingar em muita gente…

Em março deste ano tomei um susto quando abri a conta de luz de casa: R$ 96,00 para alguém que mora sozinho!? Até setembro do ano passado a conta não superava os R$ 20,00. De lá pra cá só fez aumentar.

Como? Será que estou gastando tanto assim? Será conseqüência da instalação do ar-condicionado? Será que está havendo alguma fuga ou perda de energia na residência? Fiz a reclamação e a Light enviou um técnico para conferir a medição do mês. O sujeito apareceu e, dias depois, recebi um comunicado confirmando a medição.

Tornei a ligar para a empresa para buscar mais esclarecimentos e só então recebi a informação de que a partir de setembro de 2011 passou a vigorar uma alteração na Lei que rege a Tarifa Social. Até então os clientes de qualquer classe que consumissem até 80 kWh/mês estavam enquadrados na chamada Tarifa Social, que oferecia descontos para os mais econômicos.

O carioca paga 40% a mais no preço da energia que consome do que um morador de Nova Iorque e três vezes mais do que um cidadão de Montreal, no Canadá. Isso considerando que 80% da energia elétrica no Brasil vêm de hidrelétricas, a fonte mais barata de produção.

Antes da mudança na legislação cerca de 600 mil consumidores eram beneficiados com a tarifa social no Rio. Hoje, este número caiu para menos da metade. Na verdade a energia elétrica no Brasil não é cara porque a produção é baixa, mas porque o sistema foi privatizado.

Mas não venderam a idéia de que a privatização traria mais eficiência, preços e tarifas mais baratas? O que fazem essas empresas concessionárias de energia elétrica? Nada a não ser conduzir a energia produzida pelas hidrelétricas estatais até as ruas e residências de seus consumidores. Um negócio da China? Não, do Brasil!

O aspecto menor das relações íntimas entre o senador Demóstenes Torres e Carlos Cachoeira é o fato de envolver negociações políticas sobre interesses do jogo do bicho. Na verdade, Cachoeira é hoje um mega-empresário do Centro-Oeste, com ramificações nas áreas de construção civil, farmacêutica, comunicações e outras.
 
Pelo que se vê a bancada de Goiás na Câmara e no Senado deve muitos favores (e financiamentos) a Cachoeira que, como qualquer investidor, cobra a conta com juros. Aliás, a intimidade entre Carlinhos e o governador daquele estado também é notória, a julgar pelas conversas entre o empresário e a secretária de Marconi Perillo.
 
Para além do folclore das conversas grampeadas pela Polícia Federal que vêm sendo publicadas nos jornais, o que fica é a certeza de que, assim como nas concorrências fraudulentas no serviço público, grupos mafiosos agem com desenvoltura no Congresso Nacional. Ou será que alguém acredita que só Demóstenes e a bancada goiana têm ligações estreitas com mega-empresários?
 
Enganam-se os que pensam que Cachoeira seria um grosseirão, um bicheiro dos tempos do João Charuto, que só queria ter espaço para seus negócios e pagar propina à polícia para que não o incomodassem. Nas conversas entre o “Doutor” (Demóstenes) e o “Professor” (Cachoeira) fica nítido que o empresário acompanha as pautas e projetos de seu interesse e até que sabe mais do que o seu preposto no Congresso.
 
Vale lembrar que este mesmo Cachoeira já foi alvo das denúncias de pagamento de propina há alguns anos, no escândalo do Mensalão. Não só os negócios de Cachoeira se diversificaram, mas as colorações políticas de seus representantes no Congresso pouco importam: vão do PT, de Rubens Otoni, ao PP de Sandes Júnior (base aliada ao governo), passando pelo PSDB, de Carlos Leréia, até o PTB, de Jovair Arantes.
 
Na verdade, esta Cachoeira pode levar a rios e mares muito mais caudalosos.
Parece que na política como na vida pessoal, todo indivíduo que brada demais em defesa da moral e dos bons costumes, no fundo reprime e disfarça a sua própria condição.

Ainda não há uma definição exata sobre o fenômeno, mas o fato é que ele existe e acomete cada vez mais pessoas. A dependência da Internet pode ser considerada uma epidemia em todo o mundo. Dentro dela cabem os mais diversos tipos de comportamentos e distúrbios que vão surgindo ou se manifestando.

O Cybersexo é o mais comum deles. Os viciados em sexo transpõem seu vício para a Rede Mundial de Computadores e encontram ali um sem fim de oportunidades e tentações: sites de relacionamentos picantes, salas de bate-papo, sexo virtual, etc. A pedofilia é outro ramo que se aproveita da Internet para alimentar seus adeptos das mais diversas formas.

Mas existem também aqueles que estão simplesmente à procura de companhia, seja ela qual for. Teclar com alguém ou com mais de uma pessoa deixa de ser uma possibilidade e se transforma em necessidade, um vício. As Redes Sociais criam a sensação de não se estar só, de rompimento do isolamento. Assim como propicia essa quebra de distâncias, fronteiras e barreiras, a Internet oferece a sensação de que todos estão incluídos, são aceitos. Uma ilusão, evidente.

Assim, milhões de pessoas estão alterando seu cotidiano, passando horas a fio na frente dos computadores, deixando ou secundarizando suas atividades do mundo real em função das sensações virtuais. Isso ocorre também com muita freqüência no trabalho.

A substituição do real pelo virtual começa sutilmente, como algo que parece agradável. O uso da Internet para fins profissionais ou de estudo e pesquisa se transforma num hábito, até porque os equipamentos básicos baratearam em todo o mundo e é muito comum um PC, um notebook ou um tablet em qualquer casa. Hoje se acessa a internet pelo celular.

Passado um primeiro estágio em que a pessoa começa a dominar as ferramentas do seu computador, surge a condição de explorar todo um universo infindável de possibilidades, antes limitado. Fantasias sexuais, solidão, ansiedade, tudo é possível realizar ou enfrentar virtualmente. O indivíduo tem acesso a tudo e a todos sem necessariamente se identificar.

Por trás da tela qualquer um pode forjar uma personagem e passar a se relacionar com outros que, por sua vez, também podem criar todo um universo próprio para interagir. O casado pode virar solteiro, o obeso se apresenta numa foto em que foi magro, a namorada pode se passar por descompromissada, o idoso pode se dizer jovem, o aliciador de menores pode se afirmar como um empresário de sucesso. Em muitos casos só querem alimentar o universo fantasioso, não lhes interessa passar do virtual para o real.

A interação virtual é a grande chave da febre que a Internet causa à humanidade. Diferente da TV ou do Rádio, que também provocam fenômenos semelhantes ao vício, a Rede Mundial de Computadores permite que o indivíduo experimente a sensação de interferir, concordar, discordar, debater, etc.

É evidente que a ferramenta em si, a Rede Mundial de Computadores, é um avanço enorme para as comunicações e, inclusive, as relações comerciais. Mas com ela aparece a condição ideal para o surgimento de um mundo irreal, calcado somente em fantasias.

É aí que reside o problema. Milhões de pessoas estão completamente presas ao computador. Suas vidas passaram a ser ditadas pela Internet, da diversão à arte, do trabalho ao sexo, das relações profissionais às relações pessoais. O mais grave é quando este mundo ilusório passa a ganhar mais importância que o mundo real.

Casamentos são desfeitos, namoros interrompidos precocemente, profissionais competentes passam a ser dispersos, pessoas trocam o dia pela noite e a madrugada. O descontrole é geral. Esses casos extremos só podem ser classificados como patológicos.

Dependência da Internet? Ou será que esses milhões de dependentes na verdade encontram na Internet a possibilidade de experimentar seus vícios em doses cavalares? O mundo real impõe regras nas quais todos, de uma forma ou de outra, aceitam ou são obrigados a se enquadrar. O mundo virtual não tem limites ou impõe barreiras bem menores. Ali se misturam sonhos, fantasias e realidade.

O tempo dedicado à Internet passou a ser impressionante para os viciados. As atividades corriqueiras, como dormir, estudar, praticar esportes, namorar, ir ao cinema ou teatro, fazer compras ou simplesmente passear com a família passam a ter importância secundária no cotidiano e a pessoa “viaja” no território da virtualidade, sem se dar conta da sua alucinação.

Não se trata de uma sentença, uma condenação da Rede Mundial de Computadores, mas o fato é que ela está provocando os mais diversos efeitos na Humanidade. Alguns, sem dúvida, benéficos, positivos. Outros preocupantes, que precisam ser estudados com maior afinco. Isso nada tem a ver com a pregação de censura.

Os analistas de plantão poderão dizer que as pessoas é que têm suas taras e deformações, projetando-as na Rede. Mas o fato é que grande parte dos sites e redes podem provocar fenômenos prejudiciais à saúde. O mesmo indivíduo que se conecta em rede passa a se isolar da família e dos amigos, na medida em que se limita a ficar plantado na frente de um computador. O estímulo à criatividade é substituído por pratos feitos, oferecidos em belas embalagens. O conhecimento humano é simplificado e reduzido a algumas poucas frases em pequenos parágrafos.

De certa maneira a adição a Internet pode ser apenas uma forma do sujeito descobrir suas demandas reprimidas, sobretudo no campo da sexualidade. Mas se isso não for reconhecido e não servir para uma reflexão autocrítica, certamente agravará a dependência do adicto. E o mais grave é que os donos de domínios e de sites que estão na Internet sabem disso e transformam distúrbios em fonte de lucro. Será que isso também é outra faceta da “ética do mercado” ?