Kadafi, Mubarak ou qualquer que seja o nome e o país, nenhum dos atuais governantes deve resistir por muito tempo, diante da onda de rebeliões populares que varre o Norte da África e o Oriente Médio. Impossível manter uma estrutura de poder anacrônica, incompatível com as demandas mais elementares por democracia e melhores condições de vida dos povos. Aliás, essa é a tendência natural das coisas na sociedade contemporânea.

Os levantes populares são protagonizados por uma juventude que se sente oprimida e sem perspectiva de vida e trabalho em seus países. A existência de canais de comunicação diretos, como a internet, criou as condições para que amplos setores da sociedade travassem contato com outras realidades e pudessem criar redes de discussão e mobilização.

O fim de ditaduras de décadas no mundo árabe, em sua maioria incentivadas e sustentadas pelos EUA em nome da “democracia”, prova o anacronismo das formas de poder presas à realidade das últimas décadas do século passado. Via de regra, todos os ditadores possuem contas gordas em bancos suíços e outros paraísos fiscais, a custa da miséria de seus respectivos povos.

Na Líbia, Kadafi chega ao cúmulo de mandar bombardear civis e seu filho mais velho dá ultimatos ao povo pela TV. Justo ele, que outrora foi um crítico mordaz do imperialismo norte-americano, e nos últimos anos se rendeu à Nova Ordem Mundial, aproximando-se de governos de direita, como o de Berlusconi, na Itália.

É bem provável que a maioria dessas rebeliões populares não resulte em governos de esquerda, com participação popular, democracia direta e transparência. O mais plausível é que elas sejam canalizadas para as conversas palacianas e transições que assegurem os interesses dos grandes grupos empresariais e as tradicionais oligarquias. Até porque não basta ir às ruas protestar, é preciso metas e organização para alcançá-las, o que parece passar ao longe dessas rebeliões populares.

O modelito burguês ocidental, que propõe a alternância de governo pelos partidos políticos, também dá demonstrações evidentes de falência, esgotamento e desinteresse. Até porque não responde à ansiedade por mais autonomia e participação direta.

As rebeliões populares no Norte da África e Oriente Médio anunciam que a humanidade não atura mais os tempos de opressão e cinismo de déspotas, que usurpam o poder em benefício de uns poucos. Daqui pra frente, os povos não suportarão mais os privilégios, a ausência de direitos, a repressão contra as mulheres, o atraso imposto em nome de costumes que não se justificam a não ser para reprimir a maioria.

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Amor, sentimento libertário e desprovido de ambição, era odiado por Egoísmo, seu primo pobre de espírito, mas rico em posses. Tantas posses tinha que escolheu para sua esposa Possessividade. Daquela união nasceram Ciúme e Solidão.

Ciúme se alimentava de Desconfiança e Insegurança e tinha como seu assessor direto Baixa Estima. Sua diversão predileta consistia em atormentar e separar casais enamorados. Esperto, Ciúme se aproveitava dos deslizes cometidos aqui e acolá pelos homens e mulheres mais apaixonados para lançar seu veneno poderoso, quase sempre mortal.

Exaustos e derrotados os casais separados por Ciúme, Egoísmo e Possessividade eram levados a crer que fizeram um bom negócio. Quase sempre os três se faziam passar por Amor para minar as relações entre os apaixonados.

Desiludidos, os casais esqueciam todos os momentos felizes que tiveram, as qualidades do outro e passavam a enxergar somente defeitos e problemas. Muitos de seus amigos, às vezes até os mais próximos, como Intriga e Inveja, apoiavam a decisão com entusiasmo.

Como um guerreiro a exibir seus troféus de batalha, Ciúme entregava as cabeças dos casais que destruía aos pais, orgulhosos. Feliz com a infelicidade alheia, partia então para uma nova missão. Depois que conseguia seu intento, Ciúme deixava a cargo de sua irmã, Solidão, a tarefa de reinar soberana por um bom tempo.

Felizmente Amor, o grande adversário da família, sempre voltava e se impunha. Amor, com seus filhos Carinho, Desejo e Verdade, continua povoando o mundo e unindo mais e mais homens e mulheres, perdoando seus erros e abençoando seus sentimentos mais puros.

Até hoje os que confundem Amor com Egoísmo, Possessividade e Ciúme só colhem Solidão. Insistem em buscar alguém com mais afinidades, sem saber que, com isso, estão apenas massageando seu ego, porque amar o diferente é a verdadeira prova de amor. Fazem de uma dúvida uma suspeição e de uma suspeição a certeza de que estão sendo traídos. Em vez de buscar a essência do Amor, perdem-se na loucura da sua Possessividade.

Já os que abrem seu coração com sinceridade e sem esperar nada em troca, apesar de também sofrerem, sabem que o único caminho para a superação de qualquer decepção é sempre Amor, mais Amor.

* Este texto é dedicado a dois meninos e a uma menininha simpática, para que não repitam os erros que seus pais cometeram e ouçam sempre a voz do Amor.

A Operação Guilhotina, desencadeada pela Polícia Federal, prendeu algumas dezenas de policiais civis e militares, inclusive o ex-braço direito do chefe da Polícia Civil do Rio, Allan Turnowski. A Guilhotina passou justamente quando o pedido de CPI das Armas foi aprovado na Assembléia Legislativa. Coincidência?

O fato é que a Polícia do Rio é um ninho de cobras. Isso não acontece por acaso. Os salários dos policiais são baixos, o treinamento é uma ficção, a exigência de formação para ingresso é de segundo grau e os descaminhos acumulados nas últimas décadas são notórios.

Para evitar uma debandada ou uma rebelião, os governantes liberam o “bico”, atividades extras que garantem um acréscimo ao orçamento mensal do policial. Os mais gulosos se aproveitam da carta branca que têm para fazer girar a máquina do “arrego”, extorquindo marginais ou vendendo armas apreendidas, como indicam as gravações interceptadas no Morro do Alemão. Rambo e outros “heróis” da mídia, na verdade eram apenas quadrilheiros disfarçados.

Encontramos policiais ligados ao jogo do bicho, fazendo segurança de contraventores, em grupos de extermínio, vendendo armas a traficantes, trabalhando como jagunços e matadores profissionais, organizando milícias, ou seja, em tudo que deveriam combater.

A reação de Turnowski é típica do duelista que cai atirando. Sabe que pode morrer, mas quer levar o outro consigo. Por isso decretou intervenção na Draco, órgão conduzido por Cláudio Ferraz, que goza de boa reputação e que foi peça chave na prisão de centenas de denunciados na CPI das Milícias. Ferraz não nega que tenha colaborado com a Polícia Federal nas investigações da Operação Guilhotina.

Há uma relação promíscua entre governantes e policiais. Os governos usam politicamente a polícia para operações que dão ibope na mídia, em troca fazem vista grossa para todo tipo de desmando cometido por policiais, inclusive o abuso de autoridade, a prática da tortura e o assassinato de inocentes.

Por isso, a limpeza da polícia está longe do fim. Deve começar pelo afastamento dos corruptos e assassinos. Não se sabe se vai sobrar muita gente… Mais adiante a exigência de formação superior e de salários dignos poderá ajudar na formação de uma polícia estritamente técnica, capaz de desvendar crimes, em vez de acobertá-los ou colaborar com eles.

Logo que o Rio foi anunciado como cidade olímpica e uma das sedes da Copa de 2014, vários episódios colocaram à nu o despreparo e o improviso que cercam a atuação das autoridades governamentais na cidade e no Estado.

Depois da inaceitável morte de mais 800 pessoas na Região Serrana, agora a nova tragédia envolve as Escolas de Samba. Em mais um show de improviso e descaso, um incêndio consumiu em horas o barracão de três grandes agremiações, a menos de um mês do desfile.

O fogo começou antes das sete da manhã, mas os bombeiros chegaram ao local por volta das sete e meia. Como, se existe um grande quartel no Campo de Santana, próximo à área da Cidade do Samba ? Em meia hora de incêndio, num local repleto de material inflamável, as chamas certamente se alastraram e tornaram o trabalho dos bombeiros muito mais complicado.

E a Brigada de Incêndio ? Ninguém sabe ninguém viu! Isso apesar de um dos diretores da Liesa garantir que ela existe e atuou. O comandante dos Bombeiros afirmou que a Brigada ajudou a retirar as pessoas do local. Que pessoas ? Quantas pessoas havia ali antes das sete da manhã de uma segunda-feira ? Ninguém da tal Brigada de Incêndio foi localizado para falar sobre o ocorrido.

O diretor de Carnaval da União da Ilha confirmou que os equipamentos anti-incêndio não funcionaram, mas o pessoal do abafa prefere desmentir e aguardar o laudo técnico da perícia.

Improviso, despreparo, prejuízo. Quem vai pagar a conta da reconstrução da Cidade do Samba ? Quem vai ser acionado judicialmente pelo acontecido ? Ou será que a responsabilidade é do fogo ? As pessoas que compraram ingressos para assistir ao desfile serão ressarcidas pelo fato de terem que ver um arremedo de desfile, com três agremiações improvisando fantasias e alegorias ?

Nenhuma “autoridade” governamental responde a indagações óbvias como estas. Incêndios em barracões de escolas de samba não são novidade. Mas já que se fala tanto em “indústria do Carnaval”, seria de bom tom cercar as instalações dos barracões de segurança preventiva. Solda, eletricidade e material inflamável nunca deram um bom enredo.

O improviso só é bom no samba propriamente dito, que antigamente era acompanhado na palma da mão e em frases e melodias muito mais ricas do que a ópera bufa em que a Rede Globo transformou o desfile das escolas de samba.

Na madrugada de 2 para 3 de fevereiro seis estados do Nordeste foram atingidos por mais um Apagão, o terceiro da série desde 2009, quando a Região Sudeste ficou às escuras por algumas horas.

Desta vez ao menos os motivos técnicos do problema foram apresentados mais rapidamente, embora o ministro Lobão, o mesmo no cargo desde o governo passado, tenha subestimado a importância do fato.

É bom lembrar que Lobão teve a mesma reação de desdém em 2009. Mais uma prova de que o cargo de ministro das Minas e Energia não pode ficar na mão de gente que não seja do setor. Mas Lobão tem uma costa quente chamada José Sarney, presidente do Senado e fiador do pacto PT/PMDB.

De acordo com o engenheiro e especialista em energia, professor Ildo Sauer (USP), o problema é eminentemente de organização e gestão dos órgãos que deveriam zelar pelo cumprimento das metas do programa brasileiro de energia e fiscalizar as operadoras, notadamente a Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL) e a Operadora Nacional do Sistema (ONS).

Sauer explica que as condições de segurança do sistema brasileiro são boas, com capacidade para isolar e minimizar os problemas decorrentes de falhas em determinada região, como defeitos de equipamentos ou queda de árvores e raios na rede. O problema para ele, não está no aumento do consumo, mas na falta de organização e entrosamento entre os órgãos fiscalizadores.

O professor acrescenta um dado importante a ser considerado na hora da distribuição da energia e no peso da conta de luz: a diferença de valores pagos. Enquanto as grandes empresas pagam as menores tarifas do mundo por cerca de 25% da energia gerada no Brasil, o consumidor residencial e os pequenos comerciantes consomem 75% da energia e pagam as tarifas mais caras do mundo.

Mais uma pérola para o nosso honroso título de país de maior concentração de riqueza no mundo.