Bueiros com molas. Foi esta a novidade sugerida pela concessionária Light para acalmar os ânimos dos cariocas no mês de julho. Antes a concessionária Barcas S.A. foi elogiada em documento por autoridades paulistas pela sua eficiência. Faleceu o ex-presidente Itamar Franco e mais uma vez uma figura patética da política nacional foi alçada ao papel de santo por parte da grande mídia. As fusões e aquisições de empresas, recheadas de marmelada chancelada pelo BNDES e o CADE, rondaram as portas do Carrefour e da Webjet. A primeira, do senhor Abílio Diniz, seria adquirida por um grupo francês e a segunda acabou sob as asas da Gol. Gol contra a economia popular, já que Gol e TAM, as duas maiores do setor aéreo, passarão a concentrar 85% dos vôos domésticos.

Agosto, mês do desgosto (dizem), trouxe à tona o escândalo do desvio de verbas das prefeituras de Nova Friburgo (R$10 milhões) e Teresópolis (R$ 7 milhões) para obras de recuperação das cidades devastadas pelas trombas d´água de janeiro. O Comitê Olímpico resolveu dar uma mãozinha ao Medina e inaugurou o Centro de Lazer dos atletas olímpicos. Só que as Olimpíadas são só em 2016 e o senhor Nuzman queimou R$ 37 milhões para entregar o espaço de bandeja para o Rock in Rio por três edições. Tudo com dinheiro público, é claro. Jurema é o nome da viação do ônibus interceptado por PMs em plena Presidente Vargas. Seqüestrado por bandidos, o coletivo foi crivejado de balas, o que foi classificado pelo vice-governador como uma operação “satisfatória”, com alguns poucos baleados. Haja competência… Por falar em polícia, foi também em agosto que PMs doBatalhão de São Gonçalo assassinaram a juíza que não dava moleza para eles. Em mais uma demonstração de seu caráter, o secretário de Transportes, Júlio Lopes, responsabilizou o motorneiro Nelson pelo incidente que matou seis pessoas – inclusive o próprio Nelson – no bonde de Santa Teresa. No início do ano um turista francês despencou dos arcos da Lapa, prenúncio da tragédia que aconteceria meses depois.

Ao anunciar em setembro uma intervenção do Detro nos bondes de Santa Teresa, Cabralzinho prometeu tudo novo. Fez convênio com a Carris de Lisboa e o que se sabe é que os bondes só voltarão a circular em meados de 2014, perto da Copa do Mundo. A intenção é clara: injetar dinheiro público nas obras e privatizar o sistema. Nada original. A violência que seria combatida no Morro do Alemão, com o fim do domínio armado do tráfico varejista de drogas na comunidade, mudou de lado e vestiu farda. Várias denúncias de moradores contra policiais e a tropa do exército que ocupam a favela dão conta que a “libertação” não seria total e que o Estado capitalista brasileiro continua tratar a pobreza como caso de polícia.

Em outubro caiu o comandante Mário Sérgio, que estava a frente da PM do Rio. Em seu lugar assumiu Erir Ribeiro, homem de ficha limpa. Em audiência pública em dia de semana e em horário comercial, a Agetransp deu seu aval ao estudo encomendado por Barcas S.A., cujo objetivo é provar a necessidade de aumento escandaloso das passagens para R$ 4,70. O Estado não aceitou, mas topou financiar a jogada com dinheiro público, cobrindo a diferença que o passageiro não pagar. Já os moradores da Vila Autódromo descobriram que vão ter mesmo que sair da frente das obras do Parque Olímpico. O grupo que vencer a concorrência leva todo o terreno e não vai querer favela no caminho dos seus negócios. Orlando Silva, então ministro dos Esportes, levou cartão vermelho com os convênios de sua pasta com ONGs ligadas ao seu partido. Esquema conhecido de todos, para financiamento de campanhas. Também em outubro um vereador do Rio denunciou a doação de material dos bondes de Santa Teresa – tombado pelo Patrimônio Histórico – doado como sucata a uma ONG, cuja presidente de honra é a esposa do Governador. Tudo em casa… Foi também neste mês que a FIFA anunciou as cidades-sede da Copa de 2014. Vamos financiar verdadeiros elefantes brancos, que receberão dois ou três jogos da competição. Depois devem ser entregues à iniciativa privada, como será o Maracanã.

Foi em novembro que o deputado Marcelo Freixo anunciou uma viagem para dar um tempo e reorganizar sua segurança pessoal. Houve quem criticasse e até zombasse do fato, mas ninguém  coloca a mão no fogo pela polícia do Rio. Em mais uma incursão policial, desta vez na favela de Antares, o repórter cinematográfico da TV Bandeirantes, Gelson Domingos, foi morto numa troca de tiros com traficantes varejistas. O episódio colocou em questão o papel do jornalista em frentes de conflito armado e ficou provado que o colete que Gelson usava não era adequado para enfrentar balas de grosso calibre. Em São Paulo o reitor da USP firmou convênio com a polícia para o patrulhamento do campus da Universidade na Capital. Resultado: autoritarismo, prisões arbitrárias e revolta de parte do estudantado. O reitor, figurinha carimbada e detestada na faculdade de Direito (de onde saiu) foi empossado pelo governador Chuchu, apesar de ser o menos votado da lista tríplice. No Rio, Cabralzinho, Lindberg e Garotinho deram as mãos contra a “injustiça” e marcharam unidos pela Rio Branco. Estão preocupados em perder a fatia gorda dos recursos dos royalties do petróleo, mas nenhum deles se dignou a prestar contas do que fizeram, fazem ou pretendem fazer com a grana. A prisão do traficante varejista NEM, na Rocinha, foi mais um episódio que expôs a lama que cobre a polícia do Rio. Ficou a nítida impressão de que havia gente negociando a saída de Nem do país, em troca de um bom dinheiro.

Em dezembro uma barca da linha Rio-Niterói bateu por duas vezes no píer da Praça XV. Mais de 60 feridos e aquele festival de irresponsabilidade e incompetência pela concessionária Barcas S.A. Julinho das concessionárias logo se apressou a declarar que o grupo que controla as barcas deveria ser substituído por outro mais competente, ao estilo da Supervia (trens). Vê-se que ele é do ramo… Por trás disso, é claro, um xaveco para que a CCR – controladora da Ponte Rio Niterói e da Via Dutra (entre outras) seja a futura administradora das barcas. Em Natal, Dilma anunciava a nova política do seu governo para o transporte aéreo: privatização dos aeroportos, a começar pelo que ela inaugurou, na capital potiguar, erguido com dinheiro público. Fernando Pimentel, braço-direito e mineiro de Dilma, foi a bola da vez do ministério. Pego no caso da consultoria P21, Pimentel limitou-se a justificar que trabalhou como consultor quando já estava fora do governo. E ganhou só meio milhão de reais da Federação das Indústrias de MG. Quanta competência! O Santos foi um vice comportado do imbatível Barcelona, que despachou o peixe dentro e fora de campo. Nosso futebol retranqueiro e corrupto não deu nem para a saída… Por fim o colega Amaury Ribeiro Jr – tido como maluco e ligado a um esquema irregular de investigações com arapongas – aterrorizou o ninho tucano, ao lançar o seu best-seler “A Privataria tucana”. Coisas muito cabeludas publicadas no livro comprovam a ligação de Serra e sua família com lavagem de dinheiro das privatizações de empresas estatais no governo FHC. Já vendeu 110 mil exemplares e a grande mídia quietinha. Pra fechar com chave de ouro o ano, o “Imperador” Adriano, que futebol não joga faz tempo, se meteu em mais uma trapalhada. Um das três moças que o acompanhavam foi baleada dentro do seu carro. História sempre mal contada…

Ano das águas, muita água… Assim foi 2011. Começou no Brasil com o festival de irresponsabilidades junto com trombas d´água, que destruíram parte de Teresópolis e Nova Friburgo, em janeiro. Na esteira vieram os escândalos com dinheiro público, liberado para socorrer as vítimas da catástrofe que ceifou mais de 900 vidas. Até agora pouca coisa foi reconstruída e os dois prefeitos perderam os mandatos. No Japão, depois da tempestade, empresário pediu desculpas, político perdeu mandato e a encrenca foi pesada. No Brasil ninguém foi preso…

Em fevereiro teve apagão no Nordeste e aquelas explicações fajutas do ministro Lambão. Um incêndio consumiu parte da Cidade do Samba e como prevenção e manutenção são duas palavras vazias no Brasil, ninguém viu a Brigada de Incêncio. Também no mês dois as rebeliões no mundo árabe cresceram e tornaram inevitável a derrocada de governos e governantes retrógrados e ditatoriais, alguns apoiados ostensivamente por Israel e os EUA, os arautos da democracia.

Veio março e com ele o Carnaval de 2011, com aquela mesmice que parece ópera no Sambódromo e a hipocrisia da Globo, que faz campanha contra os mijões, mas não dispensa um anúncio de cerveja patrocinando o Carnaval. Os blocos de rua cada vez mais lotados e a Prefeitura anunciando menos agremiações para 2012, medida no mínimo questionável, já que quantos mais blocos menos concentração de foliões. Obama baixou no nosso terreiro e daqui deu a ordem para bombardear a Líbia. O negão queria fazer discurso na Cinelândia, mas em cima da hora alguém de bom sendo avisou que não seria uma boa idéia. Pra fechar com chave de ouro o mês, Cabralzinho liberou a concessionária da barca da madrugada.

Abril veio com as explosões de bueiros da Light, deixando parte da população em pânico.  Depois o massacre na escola de Realengo, que demonstrou a falta de servidores (inclusive vigias) nos estabelecimentos públicos de ensino. O massacre de verdade é do próprio ensino público, jogado às traças pelos governantes que choraram lágrimas de crocodilo. As milícias continuaram atuantes, como ficou evidente no episódio da prisão de Falcon, o soldado herói da “tomada” do Alemão. Ele recebeu visitas ilustres na cadeia. Batom na cueca…

Com maio chegou a onda de denúncias da Revista Veja contra os ministros de Dilma. Fácil, é só clicar nos nomes das figuras do ministério no Google e verificar que muitos deles estão mais sujos do que pau-de-galinheiro. É a base aliada… O primeiro foi Jobim, que pediu para sair ao criticar colegas de governo. Depois veio Pallocci, o consultor de empresas. Sob o nome suspeito de Projeto, a consultoria do ex-ministro de Lula e até então ministro de Dilma abocanhou contratos com grandes firmas, como a N. Odebrecht, Amil e W. Torres. Pallocci perdeu o ministério, mas a consultoria deve continuar a toda.

Em junho a bombeirada do Rio perdeu a paciência e ocupou o quartel central da corporação. Reclamavam do minguado vencimento bruto, de pouco mais de 1 mil reais. Foram tratados como vândalos e marginais por Cabralzinho e parte da mídia. Mas o pior ainda estava por vir: o alcaide Eduardo Paes formalizou a entrega da Zona Portuária a um grupo de empresas (OAS, Odebrecht e Carioca Engenharia). Já Serginho, em pleno inferno astral, foi flagrado pegando carona no helicóptero do dono da Delta, a empreiteira com uma das maiores contas junto ao Governo estadual. Coisa feia, heim…

Foi João Saldanha que profeticamente alertou sobre os males do cabeça-de-área no futebol brasileiro. E hoje somos obrigados a assistir uma aula de futebol, como reconheceu Neymar, após a goleada do Barcelona sobre o Santos. O que faz o Barcelona? Fica com a bola, toca a bola, enfim, joga bola.

Nada do que os catalães e mais alguns estrangeiros fazem – Messi entre eles – é coisa do outro mundo. Como lembrou o ex-jogador e atual treinador do Barça, eles fazem o que os brasileiros faziam. Claro que tudo isso com muito treino, posicionamento tático e uma filosofia de jogo que pressupõe que a melhor forma de ganhar é ficar o maior tempo possível com a bola nos pés.

Afinal, como ficam os nossos treinadores e dirigentes, para quem não é preciso jogar bonito? Será que algum deles tem coragem de admitir que estava errado? Na verdade a filosofia do jogo feio e vencedor caiu por terra, era só uma desculpa para justificar o futebol da grana, do mercado, da preservação de empregos e dos empresários da bola.

O Santos levou de quatro, mas poderia ser qualquer outro time brasileiro, com ou sem Neymar e Ganso. João também dizia que todos os dias os dirigentes se reúnem para encontrar uma forma de acabar com o futebol brasileiro, mas não conseguem. Acho que ele estava com razão até a eliminação da seleção brasileira de 1982, pela Itália, na Copa da Espanha.

Dali em diante passou a imperar a filosofia do quanto mais retrancado melhor. Os cabeças-de-área do futebol força tomaram conta e os botinudos passaram a ser prestigiados. Hoje os grandes clubes jogam com dois ou três defensores, dois ou três cabeças na cobertura da defesa, dois alas fracos, um “diferenciado” para armar o jogo e um ou dois na frente. Cada jogo é uma chatice, um festival de passes errados e de faltas cometidas dos dois lados.

O resultado é o que se vê até na seleção brasileira: futebol feio e resultados pífios. Mas o problema continua fora de campo também, com clubes deficitários, uma cartolagem desonesta e mesquinha e dirigentes de federações e da CBF que estão vendidos para patrocinadores e emissoras de TV.

O Barcelona não deu só de quatro no Santos dentro de campo, é um clube com 180 mil sócios. Assim como os demais grandes clubes de outros países da Europa, ele se sustenta da paixão dos seus torcedores, a quem trata com dignidade e respeito. Não se arrasta de pires na mão atrás de patrocinadores para enfeiar sua camisa e das verbas minguadas da TV.

É João, parece que eles conseguiram… Quem sabe esse vexame em Tóquio contribua para retomarmos o fio da meada do futebol que encantou o mundo?

Menos negócio e mais futebol, menos ganância e mais arte, menos grana e mais vida. Isso também se aplica ao futebol, uma das manifestações esportivas e culturais mais importantes do Brasil e do mundo.

Nos últimos anos ganhou importância no cenário político brasileiro a figura do “consultor”, a partir da prestação de serviços de consultoria, é claro. O termo é vago e não define nada. Por isso mesmo, se aplica a qualquer circunstância, inclusive no “modo petista de governar”.

Depois que deixou o Governo Lula, com o escândalo do Mensalão, o ex-ministro José Dirceu passou a prestar consultoria para empresas. Há quem diga que Dirceu, na verdade, faria representação de grandes grupos econômicos no Brasil. Pouco se sabe a respeito, mas ele mesmo reconhece suas funções de assessoramento de empresas privadas.

Outro que enveredou pelo mesmo caminho, no entanto, sem ter abandonado a vida pública, é o ex-ministro e ex-deputado Antônio Pallocci. Defenestrado do Governo Lula por conta da casa dos lobistas de Brasília, na qual rolavam festas regadas a prostitutas e negociatas, Pallocci reincidiu e foi flagrado prestando consultoria a empresas em pleno exercício de seu mandado parlamentar. Saiu do governo Dilma, mas não abandonou a consultoria.

Agora aparece o ministro Fernando Pimentel, o queridinho da Dilma. Pimentel saiu da Prefeitura de Belo Horizonte em 2008, elegendo seu sucessor numa chapa com o PSB. Quinze dias depois sua empresa de consultoria já assinava um contrato de R$ 500 milhões com a Federação das Indústrias de MG.

Em outro contrato Pimentel prestou consultoria no valor de R$ 130 mil para uma empresa de refrigerantes do interior de Pernambuco. Até aí nada de mais, diriam muitos, trata-se de um assunto da vida privada do ministro, como alegou a Presidente. Ocorre que a mesma empresa recebeu isenção fiscal do Estado de Pernambuco, governado pelo aliado de Pimentel e que ajudou a montar a chapa que o sucedeu na Prefeitura de BH.

O problema não fica circunscrito à “ética na política”, como gostavam de bradar petistas históricos. É muito mais cabeludo, porque se trata de gente graúda, de primeiro escalão do PT e com grande influência no Governo. Ou será que alguém acredita que as empresas que os contratam querem apenas orientações técnicas para os seus negócios? O que fazem, na verdade, essas “consultorias”? Algum empresário contrataria Dirceu, Pallocci ou Pimentel pelos belos olhos dos três?

É evidente que são figuras com informações privilegiadas e poder em Brasília e junto aos governos estaduais comandados pela “base aliada”. O nome dessa função não é “consultoria”, é lobbie, ou jogo de influência de bastidores. E quem pratica lobbie é o que?

A privatização dos aeroportos está entre as metas do Governo Dilma. Começa com a construção do novo Aeroporto de Natal, com muito dinheiro público e gestão privada. A grande vilã da História para a mídia é a Infraero, responsável pela infraestrutura aeroportuária. Seus cerca de 11 mil servidores, espalhados pelos 67 aeroportos de todo o país, poderão ou não ser assimilados pelas empresas (inclusive estrangeiras) que devem abocanhar a gestão dos aeroportos brasileiros.

É claro que os empresários do setor – incluindo as próprias empresas aéreas – vão focar seus negócios nos 15 maiores aeroportos. Os outros, que são sustentados pelo lucro desses 15, vão dar prejuízo aos contribuintes. No final desta operação quem vai pagar a conta é o povão, com seus impostos e serviços mais caros.

Com o crédito fácil muita gente passou a viajar de avião, o que entupiu os aeroportos e provou a falta de projeto de expansão para o setor. A solução encontrada pelo Governo Dilma é entregar um dos setores mais sensíveis e de importância estratégica a grupos privados. O pau quebra no lombo da Infraero e seus funcionários, mas a dona ANAC segue incólume.

É bom frisar que a Infraero é responsável pelas operações em terra, banheiros, estacionamentos e outros serviços nos aeroportos brasileiros. Os estacionamentos, por exemplo, já estão quase todos privatizados, cobrando os olhos da cara aos proprietários de veículos. É o caso de mudar a gestão da Infraero, não acabar com ela. Infraero que apesar de ser uma empresa do Governo, não depende de um centavo do Orçamento governamental, é auto-sustentável.

O escândalo das privatizações de aeroportos é tamanho que no caso de Viracopos (Campinas/SP), um dos maiores em transporte de carga, a Infraero pagou R$ 500 milhões por toda a área de seu entorno para uma obra de expansão. No entanto, a obra foi paralisada e o Governo pede somente R$ 597 milhões como lance mínimo para o leilão de privatização. Uma conta generosa…

Para quem anda vibrando com o livro – que ainda não li, mas já recomendo – “A Privataria Tucana”, do colega Amaury Ribeiro Junior, vale observar essa verdadeira farra-do-boi que promete ser a privatização do setor aeroportuário brasileiro em pleno governo petista..

“Nada com um dia depois do outro”, é o ditado popular. Pois é, essa máxima do povão talvez também se aplique a episódios recentes da História da humanidade. O triunfo pós-socialista, cantado e decantado a sete ventos pelos ideólogos da modernidade capitalista, parece que está dando lugar a uma certa “nostalgia” nos que viveram experiências não capitalistas no século XX.

Exemplo disso é o depoimento de uma aposentada, que aparece na edição de domingo (11 de dezembro de 2011), na reportagem de Vivian Oswald, em O Globo. A matéria faz parte de uma série sobre os vinte anos do fim da União Soviética.

Uma das pessoas entrevistadas pela repórter, uma senhora de 70 anos, diz: “Antes dava para viver bem, viajar, e agora não. Antes todos ganhavam seus apartamentos e agora ninguém tem como comprar seu imóvel”.  A mesma entrevistada, que trabalha para complementar a aposentadoria, relembra uma série de benefícios e aspectos positivos da vida de qualquer cidadão soviético e conclui: “Muitos agora temem o futuro, isso não havia na URSS”.

Outra entrevistada, a funcionária pública Natalia Borisovna, resume bem o sentimento de muitos: “O que adianta ter tudo se não tenho dinheiro para comprar nada (int)”.

Menos suspeito que qualquer outro depoimento é do sérvio Dejan Petkovic, ex-craque de futebol que atuou por diversos clubes brasileiros. Em entrevista ao vivo a Ana Maria Braga, na TV Globo, Pet respondeu da seguinte forma à pergunta “Como era viver num país com tantas dificuldades (int)”:

– Quando eu nasci não tinha dificuldade nenhuma. Era um país maravilhoso. A gente vivia num regime socialista, todo mundo bem, todo mundo tinha trabalho, tinha salário. Os problemas começaram depois dos anos 80.

Sou um crítico dos regimes não-capitalistas do século XX, não por acreditar nas “oportunidades” do nosso sistema, mas pelos equívocos e desvios cometidos no chamado “socialismo real”. 

No entanto é evidente que aquelas sociedades fizeram por seus povos em algumas décadas muito mais do que o capitalismo e os regimes anteriores durante séculos. Por um simples motivo: o ser humano vive em sociedade e se não houver oportunidades iguais para todos só haverá felicidade para uns poucos. O resto viverá sempre da ilusão ou de migalhas.

Uma embarcação que devia estar em manutenção operava a pleno vapor na linha Niterói/Rio. Resultado: dois choques com o píer da Praça XV e 65 feridos oficialmente registrados. Na confusão, gente pisoteada, desespero e falta de estrutura para lidar com uma situação de pânico.

Mais de uma década de privatizações que entregaram todo o sistema de transporte de massa do Rio e Grande Rio a empresas privadas e nada, absolutamente nada melhorou, pelo contrário. A tal Agencia que deveria fiscalizar as concessionárias privadas, em nome dos interesses da população usuária – Agetransp – é apenas e tão somente um encosto para assessores de deputados, com seus cinco conselheiros recebendo salários de secretário de governo.

Agora se descobriu que as fiscalizações da Agetransp só podem ser realizadas com comunicado prévio às empresas, por determinação dos próprios conselheiros da Agência. Afinal, ninguém quer ser pego de surpresa numa dessas visitas, não é mesmo…

E o Julinho das concessionárias ? Por onde anda essa figura patética ? Numa rara entrevista concedida ao Jornal O Globo, Julinho disse que o controle das Barcas S.A. deve mudar, quem sabe para um grupo competente como o que comanda a Super Via (dos trens). Fala sério! O porta-voz das concessionárias e dublê de secretário de transportes agora fala em alugar embarcações para suprir a deficiência do sistema, que qualquer usuário constata em seu dia-a-dia. Advinha quem vai pagar por esse aluguel ?

Quem está na boca para se tornar controlador do sistema de barcas é a CCR, dona da Ponte Rio-Niterói, da Rodovia Presidente Dutra. Caso o negócio se confirme vai ser dona também da Baía de Guanabara.

Decididamente o Governo do Estado do Rio de Janeiro é uma casa-de-mãe-joana. Com raras exceções, os governantes estão andando para a população. A começar pelo governador, mais preocupado em vender o Rio como território para grandes negócios para empresários daqui e do exterior.