É a primeira vez que ouço falar de um advogado que pretende provar a culpa de seu cliente. Olha que eu já vi de tudo neste Brasil de meu Deus, mas assim já é demais. Se contar essa em Portugal vão dizer que é piada de “brasilairo”.

O que dizer do doutor Ricardo Cabral, contratado pela torcida Gaviões da Fiel, que apresenta um menor de idade como culpado pela morte de um adolescente boliviano na partida entre Corinthians e São José?

Ora, se o advogado em questão trabalha para a torcida do Corinthians, como pode trabalhar também para o menor que se apresenta como responsável pelo lançamento do sinalizador no estádio de Oruro?

De acordo com o tio e advogado da família do garoto morto, o doutor Jorge Ustarez, os 12 torcedores do Corinthians permanecem presos na Bolívia porque sequer comprovaram residência e trabalho fixo no Brasil. Ele considera antiético o conselheiro da embaixada brasileira ter procurado pessoalmente o juiz do caso para tentar influenciá-lo.

É de intrigar a importância dada aos torcedores corinthianos presos pela chancelaria brasileira. Existem mais de 50 brasileiros presos na Bolívia na cidade de Santa Cruz de La Sierra, mas a embaixada do Brasil não se dispôs a assumir a defesa deles como fez no caso dos torcedores. Será que terão que declarar amor ao “timão” para serem defendidos também?

O pior de tudo é que somos obrigados a ouvir e concordar com a afirmação de Ustarez: “Vivemos outra realidade na Bolívia. Não temos torcida financiada por clubes, que pode viajar por vários outros estados e países”.

Toda esta chacota revela que existem muitos interesses por trás desse “bando de loucos”. O Corínthians é hoje o clube queridinho da Rede Globo, detentora das transmissões de futebol em todo o país. Uma punição mais severa pode representar um prejuízo na arrecadação do clube e de anúncios para a emissora. Não por acaso a Globo conseguiu uma entrevista exclusiva com o rapaz, exibida no Fantástico. Aliás, que entrevista café com leite, heim…

Espera-se que as pressões diplomáticas e os interesses econômicos não se sobreponham à Justiça. Como bem questionou a promotora do caso, em Oruro, se o jovem confessou o crime por que ele não se apresenta na Bolívia? Pelo simples fato de que lá ele seria preso.

Quem me dera ser blogueiro badalado pela mídia internacional… Receberia prêmios, grana de agências internacionais, teria acessos na internet de milhares de pessoas não identificadas, viajaria pelo mundo como paladino da justiça, liberdade e da democracia. Com a maior cara dura diria que as manifestações de repúdio contra mim fazem parte da democracia que eu quero para todos.

Ora, ao pé da letra blogueiro eu também sou e acho até que todo mundo tem o direito de dizer e escrever o que pensa. Mas também faz parte da disputa pela liberdade de expressão prestar contas de quem financia seu trabalho. Meu blog é totalmente independente e posso provar que nada recebo por isso. Não teria vergonha de receber remuneração por um trabalho e prestar contas de qualquer publicidade ou financiamento.

Já a blogueira do Geração Y está devendo esse e outros esclarecimentos. Sua história de perseguição e repressão em Cuba permanece um tanto nebulosa, como fica evidente na entrevista que concedeu ao colega Salim Lamrani. Não que o regime cubano seja as mil maravilhas, mas na ocasião a blogueira perdeu a oportunidade de provar – inclusive mostrando as fotos que diz ter – que de fato foi espancada por agentes do governo de Havana.

A mesma mídia brasileira que badala a passagem da blogueira cubana pelo país, pouco ou quase nenhum espaço dá à perseguição sofrida por Julian Assange, do portal Whikleaks, que divulga documentos embaraçosos para governantes, grandes empresas e as relações suspeitas da própria blogueira.

Sem dúvida a blogueira cubana, cuja audiência em Cuba é bem fraca, faz parte de um novo estilo de agente imperialista. Mantém a calma, sorriso no rosto e tem respostas na ponta da língua para tudo e todos. É sabido que as agências de inteligência sempre lançaram mão de “jornalistas” para mascarar seus quadros, mas agora apelaram para o tal de “blogueiro”.

Enquanto ela desfila seu deslumbramento artificial com a democracia no Brasil, eu fico aqui pensando com os meus botões: por que será que dão tanta importância a essa figurinha? E digo isso inclusive a certos grupos de esquerda, que promovem manifestações por toda parte por onde ela passa. Estão dando mais mídia a tal blogueira. Melhor serviço prestariam se dedicassem seu tempo a organizar o povo para lutar pelo socialismo que dizem defender.

Quando acompanho na mídia a polêmica em torno dos dez anos de governos do PT lembro daquela historinha do “roto falando do esfarrapado”. O PT se deu ao trabalho de elaborar uma cartilha em que compara as duas administrações Lula e a metade do mandato de Dilma com os dois governos de Fernando Henrique Cardoso, do PSDB.

Ora, como bem ponderou um amigo, é a mesma coisa que chutar cachorro morto. É fazer do balanço dos dez anos petistas um exercício de mediocridade. Como se comparar com governos que nada fizeram de positivo para o país? É como tirar doce da boca de recém-nascido.

Por sua vez, Aécio Neves decidiu dar o troco ao PT no senado, trombeteando as administrações petistas. As 13 mazelas que o tucano atribuiu ao PT cabem perfeitamente numa avaliação dos oito anos de FHC. E talvez muitas outras que ele omitiu.

Tão inútil e estéril é este bate-boca quanto falso. PT e PSDB chamam para si um embate político, como se fossem dois pólos opostos. Com FHC e Lula a reforma agrária e a reforma urbana não avançaram; com FHC e Lula o agronegócio prosperou e continuou recebendo subsídios do governo; se FHC privatizou setores estratégicos da economia, Lula nada fez para voltar atrás nas decisões de seu antecessor; com FHC imperava no Congresso o “Centrão” e com Lula e Dilma a “base aliada”; com FHC e Lula as Organizações Globo seguiram determinando a política de comunicação de massa no país.

A diferença do PT para o PSDB não está em algo que fuja à lógica do mercado e da receita capitalista. O PT teve o mérito de expandir o mercado interno, oferecendo crédito fácil para dezenas de milhões de brasileiros. Mas isso não se choca em nada com os interesses das grandes empresas monopolistas que seguem mandando no país. Tanto é verdade que hoje as campanhas eleitorais do PT e de seus aliados são financiadas por banqueiros, empreiteiros e um monte de gente graúda que antes torcia a cara para o PT.

Bem melhor do que se comparar ao roto período tucano de FHC seria uma comparação dos avanços econômicos e das conquistas sociais dos dez anos de PT com outros governos reformistas da América Latina neste mesmo período. Esta comparação certamente seria de envergonhar qualquer petista honesto.

Fatos reveladores ocorreram durante as transmissões dos desfiles de Escolas de Samba do Grupo Especial do Rio deste ano. No domingo, a Inocentes da Baixada, primeira a desfilar, não teve sua passagem registrada ao vivo pelas câmeras da TV Globo. Já na segunda, a primeira escola a passar pelo Sambódromo, a São Clemente, contou com cobertura para o Brasil e o mundo. A Globo encurtou o Jornal Nacional, a novela e o BBB para colocar a São Clemente ao vivo na telinha.

Coincidência (int) Não, a escola da Zona Sul trazia como enredo “Horário nobre”, para relembrar as telenovelas da TV Globo. Na frente do desfile a São Clemente trazia um distintivo da Globo, o que é proibido pelo regulamento da Liga Independente das Escolas de Samba. Antes da apuração do resultado, algumas agremiações entraram com representação junto à LIESA pela perda de pontos da São Clemente, o que estranhamente foi rejeitado pela direção da Liga.

Estes pequenos detalhes mostram como as Organizações Globo se transformaram no mais poderoso grupo econômico do país, com ramificações além do setor de comunicações e com forte influência política. Aliás, o modelo do Brasil foi copiado em outros países vizinhos e hoje está em questionamento na Venezuela, Argentina, Equador e Bolívia. Só que aqui, diferentemente da América Latina, não há qualquer movimentação no sentido de restringir a atuação do monopólio privado da comunicação de massas.

O resultado disso é que num país de 8 e meio milhão de metros quadrados, com uma enorme diversidade cultural, temos um único grupo privado que comanda o entretenimento, a informação, o esporte e a cultura. Não cabe aqui retomar a história da Globo como grupo que cresceu e se beneficiou durante a ditadura militar, já contada em livros e estudos. Cabe agora enfrentar essa cadeia de pensamento único, que mexe com questões de interesse nacional. É bom lembrar que canais de TV e de Rádio são concessões do Estado.

É inconcebível que o padrão cultural das telenovelas continue sendo irradiado para todo o Brasil, a partir de uma estética da Zona Sul do Rio e da Avenida Paulista, ditando linguagem, comportamento e costumes de uma classe média alta. É absurdo que os entrevistados e comentaristas de plantão da TV Globo e da Globo News sejam, via de regra, indivíduos ligados às elites, em debates que mais parecem concursos de conservadorismo.

É um abuso que todas as competições de futebol do país estejam nas mãos das Organizações Globo e seus patrocinadores, com os jogos virando parte da grade de transmissões da TV Globo em horários totalmente incompatíveis para o torcedor. O resultado são partidas começando às 22 horas nos dias de semana e transmissões com estádios vazios.

É vergonhoso que o principal espetáculo cultural produzido no país tenha exclusividade de uma emissora privada, que fatura horrores com patrocinadores e revende as imagens para mais de 200 países.

Na Inglaterra, França, Espanha, Itália, Portugal e Alemanha e tantos outros países a política de comunicação de massas é alvo de grande debate na sociedade. Em alguns países a legislação exige um controle social dos meios de comunicação. Nestes países cabe às redes públicas o papel de maior destaque nos setores de informação, cultura, entretenimento e esporte, o que não impede as demais emissoras de exercer concorrência e captar anunciantes.

O gigantismo das Organizações Globo não constitui apenas uma anomalia, mas uma ameaça aos interesses do país como nação soberana. Chegou a hora de colocar o dedo na ferida também aqui no Brasil e da sociedade discutir uma reformulação total da legislação do setor de comunicação de massas.

Essa nova política deve reservar aos canais de TV públicos o direito exclusivo de alcance de suas transmissões a todo o território nacional, a limitação do alcance dos canais privados a espaços regionais, a abertura de canais de Rádio e TV para as organizações populares, a exclusividade de transmissão de competições nacionais esportivas e de grandes eventos culturais, como os desfiles de escolas de samba e outros, para as emissoras públicas. É preciso também formar conselhos de ouvintes e telespectadores, para que a sociedade exija qualidade, equidade e equilíbrio de opiniões nas grades de programações das emissoras.

Isso nada tem a ver com a censura, que imperou durante a Ditadura Militar. Aliás, quem são as Organizações Globo para falar de censura, visto que apoiaram e se beneficiaram do regime ditatorial no país (int)

Essa é a tarefa atual de maior importância e deve assumir o padrão de campanha popular de rua para chegar ao Congresso Nacional. Trata-se de um objetivo democrático urgente a alcançar, sem o que seguiremos aprisionados à ditadura do monopólio privado da comunicação e seus interesses conservadores.

Aos 45 do segundo tempo finalmente o samba deu as caras na Sapucahy, no segundo dia de desfiles das escolas de samba do Grupo Especial. A Vila Isabel fez a Festa no Arraiá, com um samba bem construído em letra e melodia. O desfile ficou por conta da batida firme de sua grande bateria e do trabalho sempre caprichado da carrancuda Rosa Magalhães. E o resto, como foi (int)

A São Clemente tentou contar a história das novelas no Brasil, mas se limitou a falar das novelas da Globo. As novelas do Rádio, das antigas tvs Tupi, Record e Manchete ficaram de fora. Era o enredo certo para agradar a Rede de TV que é dona do espetáculo. A escola não foi mal, mas ficou na cara a intenção de permanecer no Grupo Especial com o velho puxa-saquismo do patrão. Coisa feia.

A Mangueira ia bem, mesmo com o enredo do Cu do mundo (deve ser assim a tradução de iabá). Nem mesmo o samba fraco atrapalhava o ânimo dos componentes. Até que a grande sacada acabou derrubando a Escola no final do desfile. Com 500 ritmistas divididos em duas baterias que se alternavam na avenida, a Harmonia da Mangueira esqueceu que trazia 4 mil componentes. O Presidente da Escola – que não gosta nem um pouco de aparecer – resolveu comandar pessoalmente a manobra de encaixe da bateria no curral, perdendo alguns minutos. Mais adiante um carro maluco se enganchou numa estrutura do sambódromo. Vaidade demais atrapalha e a manga caiu de madura.

O cavalo manga-larga marchador não podia dar samba mesmo, ainda que a comissão de carnaval da Beija Flor tentasse apresentá-lo num contexto mais geral. O samba, que não era dos piores deste ano, não conseguiu empolgar sequer os componentes da comunidade. De resto o de sempre: disciplina, belas fantasias e alegorias. Um prato cheio para quem gosta de mesmice.

Veio a Grande Rio, eterna candidata a conquistar um Carnaval. Enredo de protesto chapa branca é outra coisa que não convence a ninguém. Havia alas como a Creche para Todos e a Obras Públicas que eram afrontas aos munícipes das cidades fluminenses que recebem os royalties do petróleo, entre elas Caxias. Mas como é Carnaval tudo é possível, inclusive fantasiar a realidade. Cheio de globetes, o tal protesto-lobbie pelo Rio foi comemorado ao final do desfile pela cerebral Susana Vieira, ao dizer que as escolas deveriam trazer mais enredos políticos. Sabe tudo…

O Pará até apareceu legal nas alas da Imperatriz, mas a música não ajudou. Nem o grande Dominguinhos do Estácio conseguiu empolgar com versos do refrão, rimados na primeira do infinitivo. Era um tal de “ar” pra lá e “ar” pra cá, uma tristeza. Até as cores da escola – antes verde e amarelo ouro – viraram verde e branco. Esqueceram de avisar.

Quando eu já não tinha mais esperança de assistir a algo interessante eis que apareceu a Festa no Arraiá, da Vila Isabel e o seu Martinho. O desfile fluiu como uma brincadeira, leve, cadenciada, simpática, como deve ser a apresentação de uma grande escola de samba. Ainda que o enredo seja um tanto saudosista para a realidade do homem do campo do Brasil de hoje, a Vila se destacou pelo que há de mais importante: o samba.

Não faço a menor idéia de qual agremiação será a campeã deste ano. A meu juízo seria a Vila Isabel. O mais importante é colocar as coisas no lugar. O samba é a alma da escola, assim como a bateria é seu coração. Tudo mais em um desfile de escola é decorrência do samba, de preferência a partir de um enredo interessante.

A mercantilização do desfile das escolas de samba pela Globo deu destaque ao aspecto visual, fazendo crescer a importância dos quesitos ligados à plasticidade do espetáculo. Para ter chance de apresentar um desfile rico em fantasias e alegorias as agremiações vão atrás de grandes patrocinadores, esquecendo-se do samba.

Compositores são suplantados por escritórios de sambas enredo, formados por consórcios de oportunistas que são capazes de colocar numa música tudo que o carnavaleiro deseja. A sensibilidade das belas melodias e as letras bem boladas sucumbiram à mediocridade de sambas que ninguém conhece ou quer lembrar. O desfile se tornou uma mesmice, uma ópera bufa.

A cada ano que passa o maior espetáculo da Terra vai se tornando mais modorrento e caricato. Confesso que só consegui assistir ao compacto dos desfiles e foi o suficiente. No primeiro dia do Grupo Especial o que se viu foi imperar a ditadura dos enredos de mercado, encomendados ou comprados.

Nada a dizer de uma tal de Inocentes, que sequer pode honrar seu nome, visto que sua participação no Grupo Especial deste ano foi no mínimo suspeita, depois do espetáculo deprimente que apresentou no Carnaval de 2012. Talvez seja por isso que a agremiação levou uma volta dos supostos patrocinadores coreanos, para um enredo que era uma forçação de barra.

O Salgueiro desfilou a fama. A letra da música – que para mim não é samba – até procura fazer uma crítica aos famosos, mas a melodia é trágica. Salvou-se pela opulência de suas fantasias e alegorias. Muita grana e um cara cantando com um ovo na boca. Será que ninguém percebeu isso ainda (int)

A Unidos da Tijuca, do pop star Paulo Barros, dessa vez ultrapassou todos os limites da indecência, ao receber dinheiro de empresas para apresentar uma Alemanha que não deu samba, como não podia dar. Difícil tirar graça, ginga e ritmo de Thor e companhia.

A envelhecida Mocidade de Padre Miguel expôs sua história ao levar o Rock in Rio, com Medina e tudo, para a Sapucahy. Samba que é bom, nada. Música fraca e letra sofrível para um enredo que não merecia muito mesmo. Nem o samba-rock apareceu.

De samba ainda se viu a União da Ilha do Governador, que homenageou o poetinha Vinícius de Moraes, e a Portela, que cantou Madureira. Por não terem compromisso com patrocinadores os carnavalescos puderam apresentar espetáculos mais leves, com maior espontaneidade dos componentes.

As duas escolas escolheram dois bons sambas em letras e melodias, desenvolvendo seus enredos de forma compreensível a qualquer simples mortal. Por isso mesmo, estão de fora da disputa e da possibilidade de se tornarem campeãs em 2013.

Mais uma vez os carnavaleiros abusaram das luzes, papagaiadas e do direito de esconderem as cores originais das escolas. Até fantasias foram cobertas com iluminação em LED. Qualquer dia, além de carros incendiados, teremos churrasquinho de componente na Avenida.

Os comentaristas da Globo, tirando o Milton Cunha e o Chico Espinosa que são sujeitos cultos, mais uma vez só falaram besteira, ao contrário do desfile das escolas do Grupo A, que este ano teve a participação de Arlindo Cruz e o grande mestre Odilon.

Mérito para as baterias, que com algumas nuances ainda são o ponto alto do espetáculo, levantando as arquibancadas quando passam. Não gosto do excesso de paradinhas e de paradonas. Prefiro os arranjos que acompanham a melodia dos sambas. Mas, no geral, são todas fantásticas.

Vamos aguardar o desfile de segunda-feira para ver se acontece algo diferente.

Só porque o Renan voltou à Presidência do Senado e o Eduardo Alves foi eleito para a Presidência da Câmara e os dois vão comandar o parlamento pelos próximos dois anos? Só porque Calheiros já foi presidente daquela casa e renunciou, acusado de ter suas contas pagas por uma empreiteira e desvio de verba do próprio Senado? Só porque Alves já está em seu 11º mandato e é denunciado por três condutas criminosas pela Procuradoria Geral da República?

Relaxa, pessoal! O Bloco do Congresso Nacional preparou seu desfile de gala em ritmo de Carnaval, aproveitando que tá todo mundo preocupado com fantasias. O baile dos deputados não precisa de máscaras, ninguém se esconde, mas por via das dúvidas a eleição de Rei Momo do Senado e da Rainha do Carnaval da Câmara são pelo voto secreto. Afinal, ninguém quer se incompatibilizar com quem vai reinar nos próximos dois anos.

Na côrte momesca de Brasília só fica de fora quem quer. A Mesa do Senado e da Câmara são fartas e generosas para todos. Inclusive para tucanos de alta plumagem fazerem seus ninhos por lá. Sinceramente, acho uma perda de tempo e uma hipocrisia de articulistas e analistas políticos gastarem teclado, tinta e papel com algo tão óbvio quanto a eleição dessa turma para presidir as duas casas legislativas.

E depois as denúncias contra eles são sempre as mesmas. Alguém diria: “São denúncias requentadas”. Fazer o que? Nenhuma delas é apurada a fundo ou transformada em processo. Quando chegam a tanto ficam mofando no Supremo.

Enquanto isso, o PMDB do Rio elege o líder da bancada do partido na Câmara. Demonstração de força de Serginho Cabral, mas que expõe também os podres do deputado Eduardo Cunha. Ele que esteve a frente da Telerj, depois ficou dois anos comandando a CEHAB nos tempos de Garotinho e virou líder de seu governo na Assembléia Legislativa. Ele que era especialista em embarreirar CPI na ALERJ, virou “evangélico” e debatedor de programa de rádio, com o bordão “O povo merece respeito”.

Investigado por supostas falcatruas que beneficiariam uma empreiteira quando passou pela CEHAB, conseguiu um parecer do TCE que é apontado como falso pela Procuradoria Geral da República, por conter assinaturas de origem duvidosa. Segundo ele, teria sido enganado.

Flagrado em telefonema com o presidente da refinaria de Manguinhos, que está inadimplente com o Estado e por isso não poderia receber combustível, Cunha desconversou alegando que “nada tem a ver” com o fato. Pesa contra o deputado a acusação de intermediar a venda de gasolina de outra empresa para Manguinhos.

Noutro episódio de ousadia, também de sua autoria, o novo líder do PMDB vem fazendo gestões no Congresso Nacional há três anos para que os bancos falidos que receberam grana do PROER (R$ 24 bilhões), dos tempos do Fernando Henrique, deixem de ser devedores e passem a credores da União.

Sem dúvida Eduardo Cunha tem um futuro promissor no Congresso Nacional. Ainda não foi desta vez que chegou aonde queria, mas tem tudo para emplacar na próxima. Afinal, seu currículo é de dar inveja a muita gente que anda por lá há muito mais tempo, mas ainda não chega aos pés da ficha corrida de seu colega de bancada Henrique Eduardo Alves.