Chegamos à metade do ano de 2017, com um ano de governo Temer e a confusão política continua. Difícil encontrar uma saída para os descaminhos do país, conduzido aos trancos e barrancos por uma organização criminosa que se aboletou no Planalto.

Os empresários da FIESP e os líderes de grandes grupos empresariais, todos beneficiados por dinheiro público e envolvidos em escândalos, tratam de procurar salvar suas peles, na base da delação premiada. Por enquanto só estão implicados os donos das grandes empreiteiras e da J&F, mas pelo andar da carruagem vai sobrar para muita gente. Banqueiros e industriais ainda estão calados.

O PMDB segue mais sujo que pau de galinheiro e alguns ratos ou raposas mais espertas já pulam do navio de Temer, como Renan Calheiros. O barco das reformas da Previdência e trabalhista está fazendo água, em meio a uma crise econômica e política que não dá sinais de ceder.

É bem verdade que o PMDB nunca se fez de rogado quando o assunto é eleição. Mesmo que não tenha candidato em 2018 certamente estará no próximo governo, seja do PT, do PSDB ou da PQP. Enquanto houver uma porta de ministério aberta, um orçamento gordo para gastar e alguns cargos para ocupar em direções de empresas estatais o PMDB estará no governo.

Já os tucanos se meteram num grande enrosco. Seu Presidente e ex-candidato foi flagrado em conversas pouco republicanas e agora corre para qualquer canto em busca de socorro e troca de apoio. Mas parece sem força até mesmo no PSDB, dividido entre caciques que não têm muitos índios por trás. Na falta de coisa melhor, pode ser até que o partido embarque numa candidatura do aventureiro João Dólar, com o apoio do governador de São Paulo.

Na extrema direita cresce o nome de outro outsider da política, o ex-oficial das Forças Armadas, Jair Bolsonaro. No entanto, apesar de toda a encenação como porta-voz dos saudosos da ditadura militar, Bolsonaro não tem cintura e cabeça para enfrentar um debate político de maior fôlego. Seu forte é gritaria e bravatas. Assim cativa seu eleitorado e mantém sua vaga e as de seus filhos no Legislativo.

Já o PT se prepara para mais uma candidatura Lula. Parece que não existe mesmo Plano B, no máximo um governo com mais programas sociais. Líder em todas as pesquisas, Luis Inácio já inicia conversas de bastidores para montar a nova “base aliada” de um possível governo a partir de 2018. E nessas conversas a mesma arenga: “é preciso ter maioria no Congresso para governar”.

Será? O que os últimos anos têm demonstrado é que é preciso ter as ruas para governar.

A crise é tão profunda que atinge todos os poderes. O Legislativo e o Executivo já estavam na vitrine, mas o Judiciário também entrou na dança do esculacho popular. Gilmar Mendes encabeça a lista dos mais desacreditados do país e continua fazendo das suas. Quer por que quer arrumar um jeito de inocentar a quadrilha, batendo de frente com o Procurador-Geral e o relator da Lava Jato no STF. As investidas desta dupla retiraram os holofotes da República de Curitiba, o que causa ciúmes e ameaça a parcialidade com que o juiz Moro vem conduzindo as investigações.

Aos que pedem uma intervenção militar parece que essa “solução” não é bem recebida pelas próprias Forças Armadas. O fiasco da ditadura de 1964/1985 deixou os militares mais preocupados com a caserna. Os civis que montaram este circo que resolvam quem vai segurar a lona de pé. O próprio general Villas Boas, comandante do Exército, andou dando declarações contra o uso de tropas no patrulhamento urbano, para desespero dos facistóides de plantão.

Nem mesmo a grande Vênus Platinada dos Marinho parece enxergar uma saída que tenha crédito. Os próprios comentaristas da Rede Globo, que defendem a saída de Temer e a eleição indireta de um boi-de-piranha que toque as reformas trabalhista e previdenciária, foram surpreendidos com a adesão de FHC à convocação de eleições diretas, já. O ex-presidente quer salvar seu partido (que não sai de cima do muro) e tirá-lo da inércia, “antes que um aventureiro lance mão”.

Por outro lado, cresce entre as lideranças mais lúcidas da esquerda e de movimentos populares a necessidade de uma alternativa programática que atenda às aspirações da população do campo e da cidade. Algumas iniciativas e conversas preliminares aparecem no noticiário. Nada contra, muito ao contrário.

É evidente que qualquer que seja o programa socialista para o próximo período precisa do crivo da participação popular. E esse debate tem que ganhar as ruas, as praças, as escolas, o chão das fábricas. Fora disso será apenas mais uma declaração de intenções.

Do ponto de vista das forças populares o mais importante é manter a mobilização nas ruas e nas redes sociais, criando uma espécie de vigilância permanente sobre os atores políticos e suas movimentações. Essa brasa tem que ser mantida sempre acesa, pronta a se transformar em chamas sempre que preciso. É na luta de classes que as crises são decididas. E não dá mais para ignorar a vontade popular.