O fenômeno de audiência encerrou sua décima edição (record mundial), desta vez com registros que variaram de 70 a 120 milhões de telefonemas de todo o país. O chamado reality show é o programa de maior audiência da TV brasileira de todos os tempos.

Urros, gritos, comunidades na internet, comemorações e até festas para saudar o grande vencedor. Pouco importa quem seja o desconhecido que em semanas passou a ser a personagem mais popular do Brasil. Afinal, que país é esse heim!?

O atual vencedor do BBB fez declarações preconceituosas e revelou toda a sua ignorância quando afirmou que só quem pega AIDS é homossexual. Com sua cara de troglodita, o ex-lutador de luta livre virou o queridinho da opinião pública.

Eliminado na quarta edição, o tal Dourado foi detido em 2005 numa festa Rave, no Recreio dos Bandeirantes, com entorpecentes. Francamente, o que dizer de um cidadão como esse? Pior é quem vota nele.

Com uns 8 anos, ele tinha aulas comigo de caratê. Daí começou a fazer judô, e ficou. Depois fez kempô, vale-tudo e jiu-jítsu. O normal é as pessoas evoluírem. Marcelo tem mostrado integridade e resgatado valores, o que abriu os olhos dos brasileiros. Estou aprendendo muito com ele — declarou orgulhoso o senhor Marco Antônio, pai do sujeito, exibindo o currículo brilhante do filho.

A decisão do BBB bateu o record mundial, com 151 milhões de participações via telefone e internet. Um faturamento estrondoso para o Sistema Globo e as operadores de telefonia. Cretinice maior só a do “apresentador”, que ensaia uns textos elaborados entre uma aparição e outra. Ele se acha… Socorro!

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É sempre complicado tratar de assuntos que dizem respeito a determinadas instituições, ainda mais a Igreja Católica. Volta e meia surgem denúncias do envolvimento de padres com pedofilia, com tivemos tempos atrás nos EUA e, recentemente, na Irlanda e outros países europeus.

A meu ver esse tipo de desvio comportamental tem tudo para prosperar numa instituição que mantêm seus dogmas intocados ao longo de séculos, enquanto a realidade muda de ano em ano. Basta ver o comportamento de determinados padres nitidamente homossexuais, que não podem assumir sua opção sexual.

A justificativa para o celibato de um sacerdote ou de uma freira da Igreja Católica Apostólica Romana é que eles devem abdicar da família e se dedicar exclusivamente ao rebanho, os fiéis. Mas o que está por trás disso é o temor que um pároco casado se afaste ou faleça e sua família reivindique as terras da Santa Madre Igreja. Isso se justificava nos tempos do feudalismo, quando a Igreja era a maior proprietária de terras da Europa.

O romance (depois filme) “O Nome da Rosa”, de Humberto Eco, mostrou que já naquela época o celibato, a clausura, a noção de pecado e o segredo mantidos pela Igreja não só eram um atraso, como estimulavam uma vida sexual clandestina, cheia de taras e outras práticas sexuais agressivas.

O grande problema dos dogmas da Igreja católica e de todas as religiões é a noção básica de que é a subjetividade (pensamento) que determina a existência física do ser humano. Só assim podem explicar a existência de Deus, jamais comprovada cientificamente.

O celibato da Igreja católica priva padres e freiras do que há de mais sublime na existência do homem: o prazer carnal (Crescei e multiplicai). No entanto, como se trata de uma manifestação natural do ser humano, o desejo e o prazer reprimido podem se transformar em perversões.

Ora, todo mundo sabe que em qualquer vilarejo ou cidade do Ocidente o padre é uma referência, portanto, sua voz está cheia de autoridade. Esta autoridade pode ser exercida de diversas formas, inclusive para estabelecer relações sexuais autoritárias, encobertas com mulheres, homens e até crianças.

As denúncias que envolvem membros da Igreja Católica com pedofilia e maus tratos a crianças e mulheres podem até ser requentadas ou direcionadas a desgastar o Papa Bento XVI, por conta de grupos oposicionistas internos. Mas não deixam dúvidas de que é preciso varrer os dogmas e o conservadorismo extremo que os sustenta em pleno século XXI. E isso é o que Bento XVI e sua turma menos querem.

Nada é fruto do acaso ou de atitudes isoladas. Tão pouco a situação assustadora do atraso cultural a que chegamos no Brasil. A leitura é como uma hábito que se adquire. Na medida em que não há bibliotecas ou que o livro é relativamente caro, o estímulo à leitura é cada vez menor. Aqui podemos pegar um trem ou um metrô e passar a viagem inteira sem ver alguém sequer folheando um jornal, que dirá um livro.

A leitura não é parte do cotidiano das pessoas. Mas quando o assunto é televisão todos têm opinião. Passa-se horas a frente da TV em novelas repetitivas e banais, com personagens fúteis e modelos que são dublês de atores e atrizes. O pior é saber que já estamos na décima e mais bem sucedida edição do BBB, com dezenas de milhões de telefonemas para eliminar fulano ou cicrano. A cada “paredão” a eliminação de alguma personagem é comemorada com gritaria, urros e até fogos. Tem gente fazendo até comunidade no orkut a favor de fulano ou beltrano na Casa da Globo.

A ignorância é uma condição que pode ser superada, bastando para isso que quem ignora um fato ou algo tenha curiosidade e os meios para sair dela. O analfabetismo – ainda que funcional – também pode ser superado pelo esforço, mesmo que tardio, de educadores e alunos. Mas o que espanta mesmo é o atraso de milhões, de gerações inteiras que foram “educadas” pela tela da TV, pelo que chamamos de mídia.

Esse verdadeiro exército idiotizado da maioria absorve, passivo, os absurdos que lhe são impingidos “democraticamente” pela programação de cadeias de TV. Ao ponto de assistirmos a uma mobilização nacional para o julgamento de uma casal bestializado (provavelmente educado pela mesma mídia) que se envolveu diretamente no assassinato de uma criança.

Nas ruas o que se discute é se tal ou qual personagem do BBB deve ou não ser eliminado. E as pessoas levam a sério a personalidade e as atitudes de cada um dos idiotas que acham o máximo ficar três meses dentro de uma casa só para  aparecer na TV.

Realmente é assustadora a condição de atraso de nosso povo. Para ela vários fatores colaboraram, mas dois, ao meu ver, são os principais: a destruição do ensino público de qualidade (acordos MEC-USAID) e a formação do Sistema Globo (monopólio da mídia que dita comportamentos). Ambos são os frutos mais podres da ditadura militar. Portanto, superar esses dois obstáculos é condição vital para a libertação da escravidão do atraso, do obscurantismo medieval e da absoluta falta de parâmetros de boa parte de nosso povo.

Muito comum neste caso da disputa pelos royalties do petróleo ouvir aquele velho argumento: “primeiro a gente une forças com todo mundo na luta pelos royalties, depois a gente cobra a aplicação daqueles recursos”.

Tudo pra justificar a participação na manifestação chapa branca, promovida pelo governador Sérgio Cabral e prefeitos, com direito a ponto facultativo e tudo para o funcionalismo estadual e em algumas cidades do Rio. Algumas prefeituras garantiram ônibus para o deslocamento de pessoas ao Centro do Rio.

Na verdade esses senhores estão devendo uma boa e consistente explicação sobre o uso dos quase 8 bilhões de royalties que o Estado e os municípios recebem todos os anos. É certo que, ao arrepio do Lei, o ex-governador bolinha negociou a dívida do Estado com a União, usando parte dos recursos dos royalties. Mas e o que sobrou, como é aplicado pelo estado e os municípios?

Você sabia que além da Capital, Niterói e Caxias outras 17 cidades do Estado recebem mais de 10 milhões de royalties por ano? Cidades como Carapebus, Casimiro de Abreu, Búzios, Angra dos Reis, Guapimirim, Paraty, Magé, Mangaratiba, Marica e Silva Jardim estão entre as que arrecadam em torno de 40 milhões por ano com os royalties?

O que os senhores prefeitos destes municípios têm feito com essa grana toda? No mínimo, pelo número de habitantes e o tamanho essas cidades deveriam estar um brinco, exemplo de qualidade de vida para suas respectivas populações.

E o que dizer de Cabo Frio, Macaé, Quissamã, Rio das Ostras e São João da Barra, que levantam por ano mais de 100 milhões com a grana do petróleo!? Certamente deveriam estar entre as dez mais em qualidade de vida do país…

O caso de Campos dos Goytacazes é curioso. Disputado politicamente a ferro e fogo por oligarquias regionais e grupos políticos locais, com denúncias de lado a lado, o maior município do Estado tem uma população de 432 mil habitantes e recebe em torno de um bilhão de reais de royalties/ano. Muito dinheiro, pouca realização para uma cidade que deveria ser exemplo de progresso para sua população pobre, que em sua maioria vive sob as botas dos fazendeiros da cana de açúcar e das oligarquias da região, que ostentam riqueza.

Não vou censurar os que, em nome de uma causa nobre – combate ao absurdo da Emenda Ibsen -, participarem do Ato Público. Melhor seria que entidades idôneas (OAB, ABI, MST e outras organizações democráticas e populares) promovessem uma manifestação em defesa dos royalties para o Rio e da transparência em sua utilização. O problema do Rio e das cidades que recebem royalties não é de falta de dinheiro, mas quem administra os cofres públicos e que destinação é dada a tanto dinheiro arrecadado.

Na disputa pelos royalties do petróleo muita coisa nebulosa está envolvida. Desde que a Petrobras iniciou a prospecção de petróleo em alto-mar que os estados cuja costa estão diretamente ligados às bacias produtoras recebem uma compensação, em função de danos ambientais causados pela atividade que é, sabidamente, poluidora.

Daí porque ser mais do que justo que os estados produtores recebam e redistribuam os recursos dos royalties para os municípios mais próximos das bacias produtoras. A emenda Ibsen Pinheiro é de um federalismo mais do que injusto e tem que ser derrotada.

Por outro lado fico pensando com meus botões: quanto será que o Governo do Estado do Rio e as prefeituras das cidades mais beneficiadas pelos royalties já faturaram nestes anos todos (desde 1990)? Se você for a cidades como Rio das Ostras, Casemiro de Abreu, Campos e tantas outras incluídas entre as que mais recebem recursos do petróleo, deve imaginar que vai encontrar municípios com elevado padrão de qualidade de vida. No entanto, o que se vê? Nada, absolutamente nada que justifique rios de dinheiro que entra no caixa desses municípios todos os anos.

O Governador do Rio resolveu apelar e jogar para a platéia. Com suas lágrimas de crocodilo disse a estudantes da PUC que o Estado vai quebrar, que não haverá Olimpíadas e nem Copa do Mundo. Afirma que paga a previdência dos aposentados do Estado com esse recurso. Pergunta que não quer calar: onde estão os recursos gordos do Rio Previdência, que saíram durante décadas dos contracheques dos servidores do Estado? 

Cabral está convocando o povo a participar de uma manifestação pública no dia 17/3, com direito a ponto facultativo para servidores públicos e tudo. Eu iria com a maior disposição a uma manifestação dessas, ainda que convocada pelo governador e prefeitos, com uma única condição: que eles fizessem uma prestação de contas do quanto arrecadaram e com o que gastaram os recursos dos royalties que receberam anualmente.

Caso contrário, ficarei com a sensação daquele escravo que se uniu ao seu senhor contra um outro senhor que ameaça sua propriedade. Dei meu sangue por ele e depois que venci a guerra continuei como escravo.

Muitas são as homenagens prestadas no 8 de março, Dia Internacional da Mulher. No entanto, a própria condição da mulher é que determina o nível de avanço ou de atraso de uma sociedade. No Brasil ainda estamos muito aquém de uma situação de igualdade entre homens e mulheres, em todos os aspectos.

Apesar de ser maioria (51% da população) a mulher brasileira tem menor peso no mercado de trabalho, ocupa sempre postos em setores com menor remuneração (serviços), não chega a 20% no Poder Legislativo e nos cargos de comando, seja no poder público ou em empresas privadas.

A qualificação da mulher brasileira é maior porque ela tem em média mais anos de escolaridade que o homem, mas quando se trata de disputar vagas no mercado de trabalho a discriminação é evidente: em média uma mulher recebe em torno de 20% a 30% a menos do salário de um homem que ocupa a mesma função. Isso vai se refletir mais tarde, na aposentadoria, quando a mulher também vai receber benefícios menores.

Na base da sociedade a situação da mulher é ainda mais dramática. A esmagadora maioria dos serviços domésticos remunerados (faxina, cozinha, arrumação, etc) é executada por mulheres, que recebem até um salário mínimo. Já a mulher “do lar”, aquela que não trabalha fora para tomar conta dos filhos e da casa, não tem qualquer direito reconhecido, sequer um benefício de aposentadoria.

No plano da legislação criminal o que há de mais avançado é a Lei Maria da Penha, que pune os homens que agridem mulheres. Ainda assim, o receio de vingança e de desfazer a própria família faz com que muitas desistam de levar adiante as denúncias e processos contra maridos, ex-maridos, namorados e ex-namorados covardes. O “crime passional em defesa da honra” ainda é uma tese aceita por grande parte da sociedade.

Outro aspecto vergonhoso é o assédio sexual contra a mulher trabalhadora. Tradicionalmente tolerado contra as empregadas domésticas, essa praga se espalhou para as fábricas, repartições e escritórios, onde chefes abusam de seus poderes e assediam de forma direta ou indireta a trabalhadoras e funcionárias.

No Dia Internacional da Mulher, é sempre bom lembrar que a desigualdade de gênero é uma expressão do atraso de uma sociedade. No Brasil os trabalhadores ainda sofrem muito com a exploração do trabalho, expressão maior que evidencia a violência da sociedade capitalista. No caso da mulher trabalhadora e dona de casa essa exploração é ainda mais brutal.

Quando Estácio de Sá decidiu fundar a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro há 445 anos, entre os morros Cara de Cão e da Urca, devia estar maravilhado com o que via. O Rio é mesmo uma cidade lindíssima, que reúne praias, matas, lagoas, cachoeiras, planícies e montanhas. Não existe sensação igual a de ver a cidade de cima do nosso Corcovado, ainda mais sob a imagem do Cristo Redentor.

E não é apenas a badalada região da Zona Sul e da Barra da Tijuca que reservam cenários bonitos. A Serra do Mendanha, a Floresta da Tijuca, o Alto da Boavista, a Quinta da Boa Vista, Santa Teresa, além dos recantos pouco divulgados da Zona Oeste, da Leopoldina e da Zona Auxiliar. Tudo compõe com harmonia um local privilegiado pela Natureza.

Por usa vez o carioca é um cidadão diferente. A mistura de origens as mais diversas, o fato de termos uma cidade portuária e aberta, do Rio ter sido capital do País, enfim, esse monte de coisas dá à nossa cidade ares cosmopolitas e faz do carioca um cidadão do mundo, menos afeito a preconceitos e mais atento às novidades.

Ocorre que para estragar a nossa festa somos infelicitados cotidianamente por uma elite escrota e parasitária. Uma nova geração mais perigosa dela se concentra na Barra da Tijuca, que em breve poderá se transformar em outra cidade. Uma cidade de ladrões é bem verdade, cujo símbolo máximo seria aquela imitação barata de Estátua da Liberdade, na entrada de um shopping center. Ali poderia bem que poderia ser instalada a Prefeitura da Barra…

Na política o Rio se encontra em franca decadência. A fusão com o antigo Estado do Rio e o crescimento de máfias penduradas nos poderes públicos e distribuídas pelas regiões mais pobres da cidade, fazem da nossa Câmara de Vereadores e da Prefeitura instituições dominadas por interesses privados e figuras intragáveis.

A cidade está loteada, seja por grupos de traficantes varejistas, seja por milícias de policiais e ex-policiais, seja por grupos empresariais e seus negócios. O poder público age conforme interesses previamente acordados com essas máfias. Vale tudo para faturar, da disputa por quiosques na orla marítima até o Carnaval. Os espaços públicos estão entregues a sede de lucros de empresas privadas.

Resta ao Carioca usufruir das belezas naturais da cidade, quando não lhe é cerceado o direito de chegar até elas gratuitamente, como no caso do Pão-de-Açúcar e do Corcovado. Sobram as praias e montanhas. Até quando? Esperamos que eles não venham com mais idéias brilhantes e loteiem também o que resta dos poucos passeios gratuitos que ainda restam ao carioca.