Faz tempo que apesar de depositar meu voto na urna em candidatos majoritários do PT (muito mais por falta de alternativas), tenho alertado para as posições conciliadoras desse partido e, sobretudo, de suas lideranças nacionais. Não faço isso para defender qualquer outra legenda, porque não estou ligado a nenhuma delas.

A ruptura institucional que levou Temer e caterva ao comando do Planalto serviu para deixar claras as intenções das classes dominantes e seus porta-vozes. Não há projeto de país, não há propósito de oferecer uma alternativa sólida para as futuras gerações, integrar os que estão à margem ou reduzir a distância entre os mais ricos e os mais pobres.

Ao contrário, a cada dia que passa o governo jeca de “mercado”, fruto de uma aliança do grande capital com as oligarquias regionais/baixo clero, empurra a sociedade brasileira para o abismo. Isso não parece novidade para ninguém e até os analistas mais conservadores já perceberam o desastre que este governo representa.

O que salta aos olhos dos mais atentos é a postura da cúpula do Partido dos Trabalhadores. Diante do escândalo da Petrobras, da corrupção deslavada das grandes empreiteiras e das práticas hediondas dos grandes frigoríficos, como responde o grupo dirigente deste partido?

Na tentativa de justificar a política que implantou nos 13 anos de seus governos, a direção do PT (com Lula na cabeça) sai em defesa dos “campeões nacionais” e dos “players internacionais”, representados por esses grupos econômicos.

O que se pode concluir da política que o PT faz hoje, para combater o governo Temer? No momento em que o partido teria que apresentar uma crítica e uma autocrítica de sua conduta, pelo menos para retomar o leme da luta popular, se presta ao papel de defensor do que há de mais nefasto do grande capital.

Isso tem consequências sérias na luta política. É sabido que Lula se prepara para concorrer à Presidência em 2018, o que é legítimo. O que se pergunta é: que política o PT e Lula pretendem para um próximo governo? A mesma dos governos anteriores? Seremos obrigados a ouvir a desculpa de que “não se governa sem alianças”, quando o problema não são as alianças, mas quais alianças, em torno do que e com quem? Vamos ver mais uma vez ministérios e empresas estatais dirigidas por velhas raposas, por indicação de corruptos?

Ora, em vez de Reforma Agrária vamos voltar a distribuir cestas básicas nos acampamentos de sem-terra e prestigiar o Agronegócio? Em vez de casas populares em regime de mutirão, com apoio material e técnico do governo, vamos retomar a construção de blocos de apartamentos do “Minha Casa Minha Vida” nas periferias, para agradar as grandes empreiteiras? Em vez de transparência na gestão da Petrobras, com a participação ativa dos petroleiros, vamos manter os cargos em confiança, indicados pelos partidos da “base aliada”? Em vez de debater um programa e metas a partir das organizações populares vamos centrar a luta política na figura de um candidato?

Não sejamos ingênuos. O Partido dos Trabalhadores nunca se propôs a ser um partido de ruptura com a ordem estabelecida, a não ser pequenos grupos em seu interior sem qualquer expressão popular.

Hoje, após 13 anos de governos, é possível afirmar que se trata de um partido social-democrata, portanto, uma agremiação política disposta apenas a pequenas reformas dentro do capitalismo, um partido de centro.

Não escrevo isso para ofender ou desmerecer quem quer que seja. A política não se faz pela cor das bandeiras, por discursos, pelos gritos de guerra ou palavras de ordem, mas pela prática, pelas medidas que se toma, pelas propostas que se apresenta e pelas alianças que se faz.

Portanto, cabe aos setores organizados, à juventude, os intelectuais e lideranças populares de esquerda se preparar para o embate político de 2018. Não que isso seja a prioridade do momento, até porque a esquerda socialista terá que trabalhar nas ruas e nas lutas contra o governo Temer, em aliança com o PT. Mas isso significa, desde já, levantar propostas concretas, dentro do possível num processo eleitoral.

Uma delas é exigir, seja qual for o candidato e o governo que saia das urnas de 2018, o compromisso de anular as medidas promovidas pelo governo Temer. Outra é retomar o debate das propostas populares para os grandes problemas nacionais: Reforma Agrária, Reforma Urbana, Reforma Tributária, Reforma do Ensino, Reforma das Telecomunicações.

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Interessante a polêmica gerada a partir da Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal, que levantou fraudes na fiscalização do Ministério da Agricultura na fiscalização de 21 grandes frigoríficos brasileiros. De início provocou indignação generalizada na sociedade, por força das manchetes espalhafatosas da mídia e pelo fato de se tratar de um alimento de primeira necessidade.

Logo veio a reação do setor do agronegócio, que acionou seus porta-vozes no governo Temer para colocar panos quentes, como o próprio ministro da Agricultura, Blairo Maggi. E agora a reação dos mercados consumidores, como a Coréia do Sul, China e a União Europeia, que anunciam a suspensão da compra de carne dos frigoríficos envolvidos.

Uma ramificação do escândalo atinge, em cheio, o novo ministro da Justiça do governo Temer, Osmar Serraglio (PMDB/PR), que teria ligação direta com o chefe da fiscalização no seu estado, um dos implicados no esquema, e andou pedindo favores para aliviar a situação de um frigorífico local. Serraglio é um dos beneficiários de doação de campanha eleitoral da JBS, em 2014 (R$ 200 mil).

Há detalhes que precisam ser esclarecidos por especialistas, como as substâncias que teriam sido utilizadas pelos frigoríficos denunciados para disfarçar o prazo de validade da carne. Nem eu, nem qualquer leigo e nem a Polícia Federal temos a obrigação de conhecer detalhes técnicos a respeito. Mas o que deve ser destacado é que a operação vem sendo preparada há dois anos, a partir de denúncias feitas por servidores do próprio Ministério da Agricultura.

Os arautos da política dos “grandes campeões nacionais”, muito em voga durante o governo Lula, se mostram preocupados. Não sem razão, porque a disputa por mercados internacionais é parte fundamental da briga entre grandes grupos econômicos. É evidente que o escândalo da Carne Fraca abala a imagem dessas empresas, que exportam para inúmeros países.

No entanto, é possível afirmar que os produtos brasileiros exportados para mercados mais exigentes sofrem uma fiscalização mais efetiva quando chegam a outros países. Na verdade, a carne que está sob suspeita atinge em maior proporção o mercado interno e vai para a mesa do brasileiro.

No rastro do escândalo da Carne Fraca deveria aparecer uma série de problemas envolvendo os grandes frigoríficos no Brasil. Um deles é a forma como subordinam os pequenos produtores a regras de intensa exploração, outro é o uso de hormônios na produção de animais, além dos preços rebaixados que pagam pelo produto e tudo mais que se soma nesta cadeia de horrores.

O nacionalismo travestido de esquerda gerou deformações no movimento dos trabalhadores, como a tal “burguesia nacional” que teria contradições com o capital internacional (antigo PCB). Esta tese se comprovou falsa, quando a burguesia brasileira aceitou ser sócia minoritária do grande capital, na aliança que gerou a ditadura militar.

O governo Lula apostou em grandes grupos econômicos, que formam oligopólios no Brasil, para disputar os mercados internacionais. Não estava errado, em se tratando de um projeto que jamais pretendeu questionar a estrutura desigual e oligopolizada da economia brasileira.

Mas foi só a crise econômica internacional impor dificuldades aos negócios desta gente para ela mandar o PT às favas. Afinal, grandes empreiteiras e frigoríficos sempre doaram para os caixas 1 e 2 de campanhas eleitorais do PT, PMDB, PSDB, DEM, PP, indistintamente. Essa gente só tem interesse em seus negócios, nunca teve pátria ou preocupação social alguma.

Em vez de se incomodar com as consequências da Operação Carne Fraca para os “campeões nacionais” e a economia capitalista no Brasil, parte da esquerda brasileira deveria estar atenta à necessidade de quebrar a oligopolização do setor, que impõe uma produção a custo baixíssimo, de produtos de qualidade questionável e um processo que só pode ser avalizado por uma burocracia corrupta, subordinada a grupos políticos atrasados, como os que mandam no Brasil de Michel Temer.

Para que servem os meios de comunicação? Informar, analisar, promover o debate a partir de fatos e acontecimentos de interesse geral da sociedade. Se não for para isso, que papel social esses canais podem cumprir?

Infelizmente, no Brasil e no mundo, os compromissos financeiros dos proprietários dos canais da mídia empresarial, que sobrevivem de concessões públicas, acabam por falar mais alto. Em pleno Dia Nacional de Lutas contra as reformas trabalhista e previdenciária (15/3/2017), só o que essas empresas conseguem mostrar são os transtornos das paralisações, sobretudo as dos transportes coletivos. Como se transtornos nos transportes e no trânsito não fossem parte do dia a dia da população nas principais capitais brasileira.

O discurso, surrado e modorrento, apela para o senso comum: “O direito de ir e vir do cidadão está sendo desrespeitado”, repetem os âncoras de Rádios e TVs. O envergonhado Ricardo Boechat, que sabe muito bem o que representam essas reformas e os estragos que elas poderão causar aos “cidadãos”, caso sejam aprovadas pelo Congresso Nacional, não perde a oportunidade para atacar os servidores públicos e de estatais.

A tentativa é jogar a população contra os setores mais organizados da sociedade, uma atitude leviana e perigosa. Ora, senhor Boechat, como jornalista não vejo o grupo o qual o senhor representa dar vez ou voz a inúmeras organizações da sociedade civil, que se colocam abertamente contra e apresentam argumentos sólidos sobre as reformas do governo. Onde está o direito ao contraditório, beabá do jornalismo?

Qual deveria ser o papel de um apresentador de rádio e TV que se confessa “ignorante” ou “confuso” sobre o assunto, pelo menos durante as manhãs em que comanda o noticiário da Band News? Promover o debate sobre o tema, dando espaço igual para os que têm argumentos a favor e contra essas reformas.

É fácil dar uma de paladino da indignação do “trabalhador” e da “dona de casa”, pretensamente prejudicados pelas manifestações promovidas por um punhado de servidores públicos. Difícil é contrariar a vontade dos donos de emissoras de Rádio e TV, cada vez mais agraciados com verbas públicas da propaganda oficial do governo Temer. Ou será que existe argumento mais convincente que esse para justificar uma abordagem tão antiprofissional nos principais canais da mídia empresarial brasileira?

Vamos parar com essa demagogia! Basta observar os dados da tabelinha abaixo, elaborada pelo site O Cafezinho a partir das informações da Secretaria de Comunicação do governo federal, para entender como a banda toca na mídia empresarial brasileira.

Nenhum texto alternativo automático disponível.

*O autor deste artigo foi comentarista do Programa Boca Livre durante 17 anos, primeiro na Rádio Bandeirantes AM, depois na Rádio Tropical AM do Rio de Janeiro.

1 – Você já viveu o suficiente para saber que não vai ficar rico de trabalhar e nem precisa mais de elogios de chefes para tocar sua vida profissional, ainda que isso seja sempre bom. Relaxe,  faça sempre o seu melhor, mas encerre suas atividades quando tirar o pé do seu local de trabalho.

2 – Evite comer bobagens e tomar todas, porque seu organismo já não está em condições de enfrentar grandes desafios. Além disso, lembre-se que é na meia-idade que as principais ameaças à saúde do homem podem atacar de forma inesperada (ataque cardíaco, AVC, câncer de próstata, etc).

3 – Faça exercícios o suficiente para o gasto. Nada de exageros, de querer parecer garotão, saradão, ou achar que pode vencer competições esportivas. Caminhada num ritmo adequado e umas pedaladas podem ajudar. Não esqueça os exames de sangue e de próstata periodicamente.

4 – Na sua idade o sexo é quase sempre bom ou muito bom. Você já sabe controlar a ansiedade, sabe que sexo exige cumplicidade, que ela também tem que gozar (de preferência mais que você) e você só tem um tiro. Portanto, muita preliminar, massagem e tudo que puder proporcionar à sua namorada, esposa ou parceira.

5 – Dê preferência às mulheres maduras. Elas estão buscando homens mais seguros de si, que saibam o que querem. Você não está imune às tentações de mulheres mais jovens, mas tenha sempre em mente que, em geral, elas te enxergam como um troféu, um petisco, e não como algo sério. E isso pode ser uma roubada.

6 – Nada de estresse com os filhos. Eles hoje querem tudo da forma que acham que é a melhor e na mesma hora. Eles que esperem um pouco. Faça somente o que puder e dentro do seu tempo. Nada de ceder a chantagens emocionais do tipo “é isso agora ou não é nada”.

7 – Conversar é bom demais, principalmente com amigos(as). Converse sobre tudo, você já tem bagagem e vivência suficiente para ter suas próprias opiniões, sem deixar de ficar atento a outras, é claro. Se gostar de uma cervejinha para acompanhar o papo, bom. Se preferir um vinho ou uma caipirinha, melhor ainda.

8 – Para quem gosta de debater política o momento exige muita paciência. Tem gente que nasceu ontem e acha que já entende de tudo. Em sua maioria são superficiais em suas análises e resumem a realidade a uma leitura binária: bons x maus; petralhas x coxinhas.

9 – Defenda as causas que achar fundamentais, mas com argumentos sólidos, sem personificar suas críticas. Assim mesmo não perca a linha e nunca, mas nunca mesmo, apele para palavrões e agressões. Sua firmeza advém da calma dos que sabem do que estão falando ou mesmo dos que não têm vergonha de reconhecer seus equívocos.

10 – Mantenha sua casa minimamente em ordem. Você pode receber a visita de amigos, levar sua amada, ser surpreendido pelos filhos. Nada de roupa suja acumulada pelos cantos e cozinha com louça para lavar. Geladeira com o suficiente para o dia a dia. Banheiro em condições de uso para você e suas visitas.

11 – Quando estiver se sentindo só, pegue o carro e saia para dar uma volta. Sem carro? Vá a um cinema, convide um(a) amigo(a) para conversar fiado. Caminhar na beira da praia ou num parque é bom para tudo: espairecer e exercitar os músculos. Um bom filme em casa também ajuda.

12 – Retome a possibilidade da paixão por uma mulher, por seus filhos, pelos hobbies que você sempre quis cultivar e até pelo seu clube de futebol. São momentos de raro prazer e até decepção, mas que precisam ser vividos com toda a intensidade. Nada melhor que experimenta-los na meia idade.

13 – Viaje de preferência acompanhado. Um passeio a uma cidade do interior ou a uma praia podem ser verdadeiras aventuras a dois, mesmo que o outro seja um velho amigo. Se puder viajar com alguém mais chegado, como sua namorada ou esposa ou seu filho, melhor.

14 – Cuidado com as armadilhas da interatividade digital. Se conhecer alguém que lhe pareça interessante, não perca tempo e tente convence-la a um papo presencial. Pode dar tudo certo ou tudo errado. Não se iluda com as maravilhas da internet, o mundo real é aquele que você enfrenta todos os dias, no qual as pessoas não podem esconder seus problemas e suas virtudes.

15 – Faça planos factíveis, nada de coisas mirabolantes como construir aquela casa dos sonhos ou viajar por 10 países em 20 dias. Vá no seu ritmo, um passo de cada vez. Se precisar repensar ou mudar de planos não se sinta frustrado, a vida é uma construção cotidiana.

16 – Não perca seu tempo com mágoas, ódio e rancores. São sentimentos que só machucam quem os cultiva. Use o que puder para se livrar deles: uma carta, um e-mail, um post ou mesmo um papo franco. Não deixe nada disso pesar na sua consciência, procure estar sempre leve e em paz consigo mesmo.

17 – Ambicione só o que você sabe que pode e precisa ter. Nada de consumir por consumir, se endividar ou acumular bens que raramente serão usados. Nada de carrões do ano e outras babaquices.

18 – Prefira as coisas (roupas, lugares, etc) confortáveis e práticas, deixe de lado as formalidades dos que precisam se afirmar pela embalagem, porque você só precisa de conteúdo. Também não convém ser desleixado…

19 – Lembre-se, você já foi bonito ou bonitinho. Hoje você está mais para charmoso ou gostoso. Nada de se achar porque você não está em condições disso. Chegue devagar, nada de investidas radicais e empreitadas arriscadas em ambientes desconhecidos.

20 – Se você encontrar uma mulher bacana trate-a bem, com paciência e carinho. Mas, se por acaso for alarme falso, vá adiante, siga em frente que a probabilidade de encontrar quem você deseja é grande nesta fase da vida.

 

*de Thomas Craveiro