2010 vai chegando ao final. Ano de altos e baixos. Casei apaixonado na praia de Copacabana, cheio de planos no primeiro semestre, e me vi separado na areia no segundo. Na mesma proporção que amei sofri. Quem sabe, com a proteção dos santos, ainda possamos ser felizes…

Meus filhos crescem e vão, aos poucos, formando suas personalidades. Um mais atirado, sabe o que quer e se move por impulsos. Outro, mais tímido como o pai, vai mais devagar e mais atento. Ganhei uma sobrinha linda.

Meu Botafogo até que não decepcionou, venceu finalmente o Campeonato Carioca e poderia ter feito melhor no Brasileiro, não fossem as contusões. A Copa do Mundo, que começou fraquinha com aquele monte de seleções de barangas, até que ficou emocionante nos últimos jogos.

O Rio ganhou a escolha para sediar as Olimpíadas de 2016. Muito ôba-ôba, mas a mesma quadrilha que gerenciou os negócios do PAN 2007 vai comandar o espetáculo, novamente à base de dinheiro público. Qual será o “legado” das Olimpíadas (int)

Lula emplacou Dilma, mas com ela veio o crescimento da bancada empresarial e do agronegócio. Serra perdeu outra vez e toda a turma rançosa da elite brasileira vai esperar mais quatro anos. Melhor seria se usassem o cérebro e não o fígado para fazer política. Os banqueiros do Bradesco e do Itaú já entenderam isso. Lula, o ilusionista, demonstrou que pode comandar melhor que ninguém o leme do Estado burguês.

A crise na Europa continua e quem paga a conta da farra dos bancos e financeiras mais uma vez é o povão. Na nuestra América a mídia elitista continua bombardeando Hugo Chavez e os governos da Bolívia e Equador. Como se vê, uma mídia nada original…

100 anos da Revolta das Chibatas, episódio só comparável à façanha de Palmares e à saga da Coluna Prestes. Pouca comemoração, memória fraca e fatos propositalmente secundarizados na História oficial.

No cinema destaque para “O segredo dos seus olhos”, uma obra-prima de sensibilidade do cinema argentino. Vi duas vezes e vejo de novo se for convidado. Menção honrosa para “Tropa de Elite 2”, filme nacional recordista de bilheteria. Na literatura perdemos Saramago, mas a obra de todo gênio se perpetua.

Descobri que meu santo é Oxaguiã, Guerreiro Branco, e a cada dia aprendi a admirar mais e mais a sabedoria das religiões afro-brasileiras e seus santos da Natureza. Epiê bàbá!!!

Espero um 2011 melhor, em que meu coração possa descansar e a sabedoria dos que me cercam predomine. Vamos em frente, sempre com amor, iluminando as trevas, dando o bom combate e lutando por causas justas. Um feliz 2011 para todos!

O ilusionista

23/12/2010

Nunca antes na história deste país banqueiros, grandes empreiteiros, latifundiários e comerciantes atacadistas lucraram tanto. No entanto, o presidente que encerra seu governo sai nos braços do povo. Sua popularidade chega a ser espantosa. Por que (int).

Lula e o PT apenas abriram as portas do mercado consumidor a uma parte considerável do povo brasileiro. Crédito fácil (mas caro), diluído em muitas prestações. Consumo de massa, bolsa família nas áreas mais miseráveis, inflação relativamente controlada. Não há nada mais genoinamente capitalista que medidas com estas.

Desenvolvimento econômico com distribuição de renda. Este é o binômio sob o qual o PT traçou sua política desde o início da década de 90. Esta definição, por princípio capitalista, foi que permitiu ampliar o “leque de alianças”, formando a chamada base aliada, que vai de pequenos partidos de fachada até o velho PMDB, partido preferencial das oligarquias regionais.

Lula enterrou a tese elitista de que o consumo de massa não pode ser impulsionado no Brasil, sob pena de causar inflação e desabastecimento. Lorotas que não se sustentam, como ficou provado nos últimos anos.

Quem ganhou com a política econômica do Governo Lula foram os grandes capitalistas, sem dúvida. Redes de supermercados, atacadistas, agronegócio, transporte aéreo, grandes cadeias de eletrodomésticos, indústria montadora de automóveis, empreiteiras da construção civil, todos foram premiados. Mas, com sempre, o primo rico de todos é o setor financeiro, que obteve recordes de lucratividade.

O Governo Lula pagou à risca os juros e amortizações da dívida pública, cujos títulos estão em mãos de especuladores e banqueiros nacionais e estrangeiros. Essa chaga que surgiu e cresceu na ditadura militar, se perpetua e permanece aberta, sangrando todo ano um terço do Orçamento Geral da União.

Ao povão restou o gostinho de consumir eletrodomésticos, celulares e outras quinquilharias antes inaccessíveis. Migalhas de um sistema que permanece injusto e altamente concentrador de renda. Muitos vão penar para pagar as prestações, mas se sentem realizados.

Lula é um ilusionista, um mágico a quem o povão admira, talvez porque desconheça que as cartas que ele tirou da manga são apenas aperitivos do banquete das elites.