Leio nos jornais e assisto nos noticiários de TV denúncias de que policiais estão extorquindo pessoas, algumas em situação irregular e outras somente por falta de conhecimento de seus mínimos direitos. Os casos agora dão até manchetes.

O estranhamento de parte da mídia em relação à atividade propinesca é tão somente um cinismo descarado. Só aparece agora por conta dos R$ 1 mil que teriam sido pagos a policiais militares pelo pai do sujeito que atropelou e matou o filho de Cissa Guimarães.

Propina é tão antiga quanto a mais velha das profissões. Todo mundo sabe que existe, às vezes usa do expediente, mas a sociedade tolera. Policiais são useiros e vezeiros em cobrar propina, pela via do abuso de autoridade. Alguns para simples complemento de renda, a maioria para cumprir as metas do Batalhão.

Faz alguns poucos anos a deputada Cidinha Campos, em pronunciamento na Assembléia Legislativa do Rio, questionou se alguém desconhecia o fato de que os comandantes dos batalhões da PM seriam indicados e que, em troca, repassariam cerca de R$ 150 mil por mês aos seus padrinhos.

A coisa passou como mais um destempero de Cidinha, mas nem o Comando da PM, nem a Secretaria de Segurança foram a público desmentir. Então…

Quem sabe com casos de maior repercussão a sociedade possa conhecer e desbaratar esse esquema milionário? Talvez o Ministério Público possa tomar as denúncias que saem na imprensa para iniciar um processo de investigação.

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Os dados da Secretaria de Segurança do Rio indicam que apenas 6 policiais militares foram mortos em combate no ano de 2009. Outros 56 foram mortos fora do horário de expediente. Já o número de vítimas de operações policiais dentro e fora das comunidades de favelas continua elevado (431 de janeiro a maio de 2010 e 665 em todo o ano de 2009). O que isso quer dizer?

Na sexta, 16 de julho, o menino Wesley, de apenas 11 anos, foi morto por um tiro de fuzil dentro da sala de aula, num CIEP em Costa Barros. Naquele momento ocorria mais uma incursão policial do 9º Batalhão da PM, comandado pelo Coronel Príncipe, tendo como alvo o morro da Pedreira. Na mesma operação outras seis pessoas foram mortas pela polícia.

No dia 19 pela manhã um tenente da PM é encontrado morto dentro de seu carro, em Jacarepaguá, depois de uma noitada. Foram mais de 20 disparos que vitimaram o policial e sua acompanhante.

Os números são no mínimo intrigantes. Por que os baleados pela polícia, apesar de socorridos pela própria PM, sempre chegam mortos aos hospitais? Por que com tantos tiroteios e confrontos diretos somente seis policiais foram mortos no trabalho em 2009? Por que o número de policiais que morrem fora do expediente é tão grande? Não deveria ser o contrário?

Como não há uma explicação oficial para esses dados intrigantes, vou arriscar alguns palpites:

1)      Por mais letais que sejam as armas (fuzis) usadas pela polícia, algo ocorre durante o trajeto das viaturas policiais que conduzem os feridos até os hospitais. Essas operações geralmente não contam com o apoio de ambulâncias e serviços médicos especializados.

2)      Os policiais que têm conduta duvidosa se sentem protegidos pela legislação, muitas vezes rendendo os meliantes ou suspeitos e os executando, sempre utilizando os Autos de Resistência, prática que existe desde a ditadura militar. Não há obrigação de divulgação pública do laudo cadavérico dos mortos.

3)      Como muitos policiais desonestos estão envolvidos com todo tipo de crimes por fora da corporação, muitos acabam sendo alvos e vítimas de queima de arquivo.

Conclusão óbvia: estamos precisando de outra polícia, totalmente civil, que admita apenas quadros de nível superior, que fundamente seu trabalho na investigação e com salários dignos. Ah! E que os inquéritos contra policiais saiam do âmbito da própria polícia e venham para a justiça comum.

Alguém em sã consciência pode acreditar que um milionário participaria da execução de uma mulher que pede pensão para um filho bastardo? Ainda é cedo para afirmar, mas começo a acreditar que tem mais caroço debaixo do angu da morte de Eliza Samudio.

Senão, vejamos: 

1)      O tal sítio de Bruno é conhecido na região pelas festas regadas a sexo, drogas e outras coisas;

2)      Destas festas participam jogadores de futebol, garotas de programa, artistas e etc, segundo declarações diversas;

3)      Quem fornece as drogas em quantidade suficiente e as garotas de programa?

4)      Sabe-se que o tal Macarrão, braço direito de Bruno, é um verdadeiro manda-chuva no local;

5)      Outro fato que não é ignorado é que o índice de homicídios na região é tão elevado quanto os de pontos mais perigosos do Rio, uma evidência de que a coisa parece mais séria do que se apresenta.

Estranho também a forma como o delegado grosseirão interveio no caso, passando a dirigir todas as ações e proferindo veredictos. Não há corpo, mas já existe um crime, um mandante e um executante, o tal “Bola”, figurinha carimbada e arquivo vivo da polícia de Minas.

Menos do que os detalhes e os requintes de crueldade da possível execução de Eliza, o que chama a atenção é que se forem puxados outros fios desta meada pode-se chegar a muito mais gente envolvida nessa verdadeira trama de tráfico e venda de drogas e prostituição, envolvendo jogadores e pessoas graúdas da sociedade.

Uma hipótese bem provável é que Eliza soubesse de muito mais coisas e que Bruno e seus amiguinhos se sentissem ameaçados caso a moça resolvesse colocar a boca no trombone. Será que uma pensão em dinheiro seria motivo para um assassinato?

Talvez seja por isso que exista uma espécie de “operação abafa”, com o objetivo de manter o caso como um problema passional entre Bruno e Eliza. Parece mais conveniente que o crime não saia destes limites.

Brunos e Elizas

08/07/2010

Os dois personagens envolvidos em mais um grande escândalo na sociedade brasileira são emblemáticos.

Bruno, menino de infância pobre e problemática, encontrou a salvação de sua vida no futebol. Excelente goleiro, chegou rapidamente a grandes clubes, com salários infinitamente superiores aos da média dos garotos que com ele conviveram na infância e adolescência.

Eliza, filha de classe média e de pais separados, seguiu um caminho traçado por tantas e tantas meninas que sonham com glamour e conforto, retratado em programinhas medíocres da TV. Participou de filmes pornôs, programas e acabou encontrando o que queria: um pai rico para seu filho e garantir o futuro.

Que exemplos estes personagens dão a meninos e meninas de todo o Brasil? Pra que estudar, começar de baixo, se relacionar com amigos simples e seguir a vida com dignidade? Na falta de uma estrutura familiar mais sólida, de bons amigos e conselhos, Bruno e Eliza seguiram o exemplo que vem de cima.

Basta ganhar fama e dinheiro para fazer o que quiser. Noitadas, orgias, brigas, amizades com marginais, declarações absurdas é a receita para a consolidação do caráter de super-homem. Bruno não é diferente dos filhos e netos de senadores e deputados, só não tem as costas largas. Seria fácil encontrar mais uma dessas moças que saem do interior e vão tentar a sorte grande na capital.

Beleza física, baladas, roupinhas insinuantes, rolés em shoppings, amizades bem relacionadas com jogadores de futebol, programas não recomendáveis, tudo que é preciso para encontrar fisgar o otário perfeito. O “esperto” não resistiu e não fez nem questão de se preservar. Acabou vítima de sua pretensa malandragem.

Como nunca conheceu limites na vida, Bruno decidiu acabar com o problema simplesmente mandando eliminar Eliza. O serviço sujo provavelmente ficou por conta de seus amigos e conselheiros: macarrão, feijão, arroz, malandros, traficantes, etc. O resto parece evidente.

Vida, morte, honra, palavra, amizade, confiança, admiração, amor, certo, errado e outras palavras são apenas parte do vocabulário pobre de grande parte das novas gerações. Não são valores registrados em suas cabecinhas, definidos a partir da presença e do exemplo de familiares ou mesmo de uma educação de qualidade numa escola decente.

Quem sabe com o final trágico de Eliza e o que se espera para Bruno a maioria das meninas e meninos brasileiros lembram de outros ídolos simples? Quem sabe lembram dos homens e mulheres comuns, corretos, honestos, que todos os dias constroem lentamente com seu suor a verdadeira riqueza do nosso país?

A Era Dunga chega ao fim na seleção brasileira. O jogo duro, marcado, a pátria na ponta da chuteira, a concentração e outras papagaiadas se esvaíram com uma simples derrota. Uma derrota típica da empáfia de quem não se deu ao trabalho de conhecer o adversário que enfrentaria.

Até que a seledunga foi melhor no primeiro tempo, com as arrancadas de Robinho, que marcou logo de início. Mas não soube explorar o momento de superioridade na partida e ampliar o marcador. Veio o segundo tempo e só deu Holanda. Nada demais, apenas toque de bola e um meio campo mais presente e clássico. Duas bolas paradas, dois erros da defesa e dois gols.

Felipe Mello, o Dunga dos dias atuais, encarnou com perfeição o que o treinador e ex-jogador queria de seus comandados. Macho pacas, decidiu dar uma pisada no holandês. Aliás, Dunga já dera pistas de que o revide era aceitável, ao desculpar a atitude de Kaká ao ser expulso contra a Costa do Marfim. Que noção esquisita de masculinidade…

Mas a eliminação da seledunga pode ser benéfica para o futebol brasileira. Ficou comprovado que jogar feio não garante conquistas. Será que agora podemos acordar do pesadelo a que fomos condenados desde 1982, quando não ganhamos a Copa da Espanha? De lá pra cá o que prevalece no Brasil é a falsa visão de que jogar bonito é sinônimo de derrota. Esqueceram das seleções de 58, 62 e 70?

Futebol é assunto tão sério no Brasil que deveríamos abrir a caixa-preta da CBF e convocar a CPI do futebol. A prepotência de Ricardo Teixeira é tamanha que contrata Dunga para ser técnico da seleção. Já se fala numa tal “renovação”, mas com aqueles mesmos nomes de sempre, com a condição de se subordinarem ao comando da CBF e agradarem aos patrocinadores. A sisudez e ganância dos homens que comandam o futebol no Brasil estão engessando o futebol-arte brasileiro.

Vixe Maria!

01/07/2010

PMDB e DEM protagonizaram nos últimos anos a disputa pelo concorrido posto de partido mais corrupto do País. Partidos que estão sob comando de fortes oligarquias regionais, acabam sendo fundamentais na definição das eleições presidenciais.

Como conseqüência PT e PSDB precisam de nomes destes dois partidos para montarem suas chapas com candidatos a vice. Os pouquíssimos nomes considerados impolutos que restaram ao velho PMDB são cartas fora do baralho, não têm força no partido. No DEM a situação é crítica: ainda não apareceu candidato a candidato sem ficha suja.

Escolhido como vice de Dilma, o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (que mais parece o conde drácula), aparece na lista dos que recebiam mensalmente contribuições em dólares da construtora Camargo Correa. Recentemente confessou ter usado o esquema de passagens da Câmara para viajar com parentes.

Já o senhor Índio da Costa, relator do projeto Ficha Limpa, sujou seu nome quando era secretário municipal de César Maia, no episódio da CPI da Merenda Escolar. A licitação promovida por sua secretaria favoreceu a empresa Milano, que acabou abocanhando 99% do fornecimento de merenda às escolas da Capital fluminense. Isso tudo relatado e confirmado pela vereadora Andréa Gouveia Vieira, do PSDB.

Como se vê, a escolha de um vice do PMDB ou do DEM não parece tarefa das mais fáceis. O problema não é apenas agradar e acomodar a todos os setores dos partidos e coligações, mas também achar alguém de ficha limpa. Vai que um desses dois assume… Vixe Maria!