A indignação de Dirceu, Genoíno e outros mensaleiros com suas condenações não confere com o resultado do julgamento. Os juízes do Supremo Tribunal Federal deram penas brandas para a maioria deles. Mesmo quem vai pegar xilindró não vai nem esquentar a cama da cela.

Quem se ferrou mesmo – se é que se pode dizer assim – foram os réus dos chamados núcleos publicitário e financeiro do esquema. Marcos Valério pegou 40 anos e deve cumprir pena de seis anos e meio em regime fechado. Seus ex-sócios, Cristiano Paz e Ramon Hollerbach, vão ver o sol nascer quadrado por quatro e meio a cinco anos. Simone Vasconcelos (ex-funcionária de Valério) vai amargar dois anos na cadeia.

Kátia Rabello e José Roberto Salgado (Banco Rural) vão pegar uma caninha de dois anos e nove meses. O ex-diretor do Banco do Brasil, Henrique Pizzolato, também deve encarar dois anos de cadeia.

Já do chamado “núcleo político”, que arquitetou e executou toda a trama do Mensalão, só José Dirceu, Delúbio Soares, João Paulo Cunha e Pedro Correa vão passar um tempo (que não chega a dois anos) vendo o sol nascer quadrado. José Genoíno, Pedro Henry, Valdemar Costa Neto, Roberto Jefferson e outros mensaleiros pegaram penas em regime semi-aberto, ou seja, vão ter que passar a noite em albergues.

Todos vão pagar multas. Mas para essa turma pagar multa é a mesma coisa que nada. Afinal, eles sempre tiveram quem pagasse as contas por eles. E o pior é que os juízes concluíram que houve desvio de dinheiro público, empréstimos fraudulentos, crimes financeiros e compra de votos. Alguns ainda podem perder seus mandatos, o que será apenas um favor que o STF pode fazer à sociedade.

Tudo isso pode ocorrer se os inúmeros recursos forem rejeitados e ainda se houver lugar nas cadeias e albergues para abrigar gente tão ilustre. Afinal, eles não podem se misturar com ladrões de galinha, que apodrecem nas penitenciárias brasileiras por falta de influência ou porque a Justiça é lenta para julgar seus casos. Que o diga o ministro da Justiça, que confessou preferir a morte a cumprir pena nas cadeias do país. Vamos conferir…

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Interessante a polêmica que ronda a disputa pelos royalties do petróleo. Lembra uma alegoria muito citada pelo falecido e saudoso Leonel Brizola. As raposas brigam para saber quem vai tomar conta do galinheiro. Enquanto isso, as empresas multinacionais de petróleo estão de olho mesmo é na galinha dos ovos de ouro, os leilões do pré-sal, que ficou de fora de todo esse conversê .

É certo que os atuais royalties pertencem aos estados produtores e não devem ser tocados. Até porque são contratos já firmados e com a modificação das regras pode haver inconstitucionalidade na matéria. Já os royalties da camada do pré-sal, que é a grande reserva de petróleo do país, até podem passar por um novo critério, a partir de nova legislação aprovada pelo Congresso Nacional.

No fundo isso é briga de cachorro grande. O tema divide o próprio PMDB, governadores e prefeitos, cuja grande ambição é colocar a mão na grana para aplicar em qualquer coisa, menos em benefício da população. Por isso, os palanques de Cabral e do governador do Espírito Santo são inflados de passeatas embaladas por ponto-facultativo para o funcionalismo, que contam até mesmo com transporte gratuito nos dias das manifestações chapa-branca.

Nenhum dos atuais governantes do Rio, Espírito Santo e prefeitos das cidades agraciadas com a grana dos royalties veio a público informar com clareza e transparência o destino que dão aos bilhões do petróleo em seus estados e municípios. No Rio o governo estadual alega que corre o risco de paralisar hospitais, obras de preservação ambiental, as aposentadorias e pensões e até as obras da Copa de 2014.

Essa chantagem é a demonstração mais cabal de que qualquer coisa está em disputa neste jogo, menos o interesse público. Se o Governo do Estado do Rio precisa de dinheiro dos royalties para despoluir a Baía de Guanabara – obra que nunca saiu do papel de verdade – e para pagar aposentadorias e pensões dos nossos velhinhos, que contribuíram a vida toda para terem direito às suas mixarias, alguma coisa está errada.

Enquanto as raposas patéticas da política rebaixada brigam pelo galinheiro dos royalties, as grandes companhias multinacionais do petróleo estão de olho na galinha dos ovos de ouro. Elas querem mesmo é que o Governo Dilma confirme as datas dos leilões da camada do pré-sal. Ali repousam as maiores reservas do país, que deverão ser entregues de mão beijada à iniciativa privada. E as raposas não estão nem aí para isso…

Ironia da História: há 70 anos um governo de extrema direita nazi-fascita, financiado por grandes grupos empresariais alemães, executou a política de escravização e extermínio dos judeus na Europa; hoje um governo de extrema direita de Israel, financiado pelo lobbie sionista-norte-americano, executa a política de extermínio do povo palestino no Oriente Médio.

O Estado de Israel se tornou um instrumento dos interesses da política externa dos EUA na Região. Sua existência está umbilicalmente ligada ao ódio que dissemina contra os povos árabes. O lobbie financeiro sionista* trata de alimentar toda uma campanha para identificar os muçulmanos com o que há de mais perverso, atrasado e cruel na face da Terra, a ponto de espalhar uma onda de discriminação contra a comunidade árabe internacional. Qualquer muçulmano hoje é temido como “terrorista”.

Tudo isso faz parte de um grande jogo sórdido de interesses do capital internacional. Senão, vejamos:

. Ao final da II Guerra o problema judaico na Europa pairava como algo sem solução. Os EUA, pressionados pelo lobbie sionista, patrocinaram a proposta de entregar uma faixa do território da Palestina aos judeus europeus que quisessem reconstruir a vida naquela região. A URSS aceitou a idéia e milhares de judeus foram embarcados para o Oriente Médio. Algumas experiências interessantes, como os kibutzen (colônias comunistas), foram implantadas pelos judeus de esquerda. Hoje essas experiências foram extintas pela direita sionista.

. Ocorre que naquelas terras já viviam os palestinos, que conviviam em paz com católicos e judeus. As novas levas de judeus europeus foram alimentadas pelo sonho sionista de retomada da “terra prometida”. Rapidamente as primeiras provocações e invasões de terras de palestinos aconteceram, criando os primeiros conflitos armados que opuseram palestinos e judeus na região.

. Em 1947 uma primeira guerra mostrou o poderio militar dos sionistas e redundou na decisão unilateral dos colonos judeus de fundar o Estado de Israel na Palestina. De lá para cá as terras palestinas foram sendo invadidas e transformadas em colônias de judeus ortodoxos e suas alucinações fascistóides. Tudo isso, é claro, alimentado pelos planos de expansão do Estado de Israel.

. Por outro lado, é sabido que a família Bush, ligada ao ramo do petróleo, sempre teve ótimas relações com os sheiks da família real da Arábia Saudita, com quem teve bons negócios. Aquele país é dos mais fechados e ditatoriais entre as nações árabes, criadas arbitrariamente pelos britânicos, cujo lema era dividir os inimigos para reinar.

. Osama Bin Laden e os talibãs, outrora aliados dos EUA contra a invasão soviética do Afeganistão na década de 80, foram financiados com dinheiro e armas pelo governo norte-americano. Ocorre que decidiram fazer carreira solo e se afastaram da influência dos EUA assim que expulsaram os soviéticos do país. A partir dali, se tornaram perigosos terroristas do “reino do mal”.

. Com o fim da União Soviética e a ampliação do poderio militar norte-americano Israel se viu livre para ampliar a política de avanço sobre as terras dos palestinos. Todos os líderes palestinos que tentaram negociar a paz na região foram assassinados pelo Estado de Israel. Paira, inclusive, a suspeita de que Iasser Arafat teria sido envenenado pelo serviço secreto daquele país, o Mossad.

. Para combater o Al Fatah e dividir os palestinos o Estado de Israel apoiou durante um bom tempo o Hamas, que até então era um movimento muçulmano que realizava um amplo serviço de proteção social nos territórios palestinos. Hoje, depois que o Hamas se tornou um movimento político influente e conquistou autoridade entre parte dos palestinos, o Estado de Israel se recusa a negociar ou a reconhecer o governo da Faixa de Gaza, cuja população vive um dos mais infames cercos político, militar e econômico.

. Os palestinos resistem como podem e reivindicam apenas seu reconhecimento como nação à ONU, o que é bloqueado pelo governo dos EUA, com o apoio do lobbie sionista.

. Nos últimos meses, por conta da crise internacional e de uma situação econômica nada confortável, houve grandes manifestações de rua de descontentamento nas principais cidades de Israel. Há um mês das eleições parlamentares em Israel o atual governo do Likud (conservador/direita) ganhou a adesão de um partido de extrema direita. Vale lembrar que o Estado de Israel recebe ajuda de U$ 3 bilhões por ano do governo dos EUA. É isso que patrocina a máquina de guerra de Israel.

. Por sua vez, no último período o Hamas se aproximou do novo governo do Egito, comandado pela Irmandade Muçulmana (grupo moderado) e da Turquia, que são aliados dos EUA, mas ajudam a encontrar uma saída negociada para o conflito. Um dos negociadores era justamente o chefe militar do Hamas, assassinado agora pelo exército de Israel.

Este retrospecto histórico resumido é importante para chegarmos até os nossos dias. Talvez ele ajude a explicar o que está por trás desta nova ofensiva militar e da carnificina contra os palestinos, promovida pelo governo de extrema direita de Benjamin Netanyhau.

Como bem ressaltou o escritor judeu norte-americano Norman Finkelstein, num plenário em que foi desafiado por sionistas, não se deve usar o holocausto judeu como chantagem para justificar a brutalidade do Estado de Israel contra os palestinos.

* Sionismo – movimento formado por judeus ortodoxos que patrocinou a formação do Estado de Israel em território palestino.

— Infelizmente, os presídios no Brasil ainda são medievais. E as condições dentro dos presídios brasileiros ainda precisam ser muito melhoradas. Entre passar anos num presídio do Brasil e perder a vida, talvez eu preferisse perder a vida, porque não há nada mais degradante para um ser humano do que ser violado em seus direitos humanos.

A declaração do ministro da Justiça dá a dimensão do que é o sistema prisional brasileiro e vem justamente no momento em que existe uma guerra declarada entre a bandidagem do PCC e a PM de São Paulo. A guerra é entre eles, mas quem paga a conta do terror é a população paulista, que anda apavorada e não se sente segura.

Essa guerra começou quando as autoridades de segurança do Estado de São Paulo colocaram a Polícia Civil de lado nas investigações e combate à facção criminosa mais poderosa dos pés rapados no Brasil. Em maio deste ano seis criminosos ligados ao PCC (de acordo com a PM) foram alvos de um cerco e eliminados pela ROTA, próximo a uma favela da Zona Leste da Capital. O conflito tomou maior proporção quando nove criminosos ligados ao PCC foram executados em outro cerco policial a uma casa, em Várzea Paulista, em setembro passado. De lá para cá são centenas de mortos e feridos.

O PCC não tem concorrentes em São Paulo e nasceu de forma semelhante ao Comando Vermelho, no Rio, no início dos anos 70. A idéia era criar um sistema de proteção aos presos e seus familiares. Afinal, como reconhece o próprio ministro da Justiça, o sistema carcerário continua a ser degradante e não recupera ninguém.

Um episódio marcante deste conflito particular entre PM e PCC nas ruas de São Paulo foi a execução de um trabalhador por uma patrulha da PM. Para azar dos assassinos a ação foi filmada. Com carta branca para agir grande parte dos policiais, despreparados, resolvem liberar seus instintos de “justiceiros”, descontando seu descontrole em cima de inocentes.

Agora um policial da Corregedoria da PM de São Paulo é executado. O que isso sinaliza para a sociedade? Longe de ser um problema superdimensionado pela mídia, como chegou a afirmar o secretário de insegurança de SP, o fato é que a situação está fora de controle. Os números provam que a ação violenta do Estado não intimida a bandidagem, gera insegurança até mesmo entre policiais e medo na população.

As execuções e as carceragens “medievais” só ampliam as condições para que o crime organizado se fortaleça, numa sociedade em que a desigualdade é patente. Será preciso limpar as polícias de assassinos e corruptos, além de reorientar todo o sistema prisional brasileiro, para que se encontre uma saída civilizada para o caldeirão da criminalidade.

O Senado aprovou e o Planalto resolveu pegar carona no PL que altera o pagamento de royalties do Petróleo para uma fórmula mais equilibrada entre todos os entes da Federação. No meio do caminho entre o Senado e Câmara dos Deputados o ministro Aloísio Mercadante foi chamado para propor que os recursos dos royalties do Petróleo fossem carimbados para aplicações exclusivas na Educação.

Foi para inglês ver. Na verdade o Governo Dilma se sente cada vez mais acuado com a campanha nacional pelos 10% do PIB para a Educação e decidiu jogar para a platéia. O Governo sabia que os parlamentares predadores jamais carimbariam a verba dos royalties, justamente porque será um recurso precioso para usos diversos, entre eles as obras em seus estados, que andam escassas com o enxugamento das emendas orçamentárias.

Dizendo-se “surpreendida” com o resultado da votação, que referendou o Projeto aprovado no Senado, a cúpula do PT agora espera a poeira baixar para estudar possíveis compensações aos estados produtores de Petróleo, como são os casos do Rio e Espírito Santo, os que perdem mais nesta redistribuição dos royalties. Difícil contentar a tantos gregos e goianos dessa “base aliada” gulosa…

Mal a matéria foi aprovada na Câmara o governador do Rio partiu para sua tradicional linha de ataques: taxou o projeto de inconstitucional (porque fere contratos já existentes) e disse ter convicção de que Dilma vai vetar a matéria. Para fazer chantagem Cabral não hesitou em dizer que o Rio vai parar, que não vai ter dinheiro para os servidores e aposentados e que a Copa e as Olimpíadas estão ameaçadas.

Com uma linha de argumentação semelhante estão todas as raposas velhas e novas da política fluminense. De Dornelles a Lindberg, de Cabral a Garotinho, todos sabem que os royalties do Petróleo representam muita grana nos cofres das prefeituras e do governo estadual.

É evidente que os royalties – que formam uma compensação aos estragos ambientais produzidos na prospecção do Petróleo – devem ser destinados em boa parte justamente para os estados e municípios produtores, que sofrem as conseqüências de possíveis problemas. Desde os anos 90 que essa grana entra nos cofres de estados e municípios produtores, mas a verdade é que ninguém vê a cor do dinheiro e nem sabe para onde ele vai. Antes de cobrar coerência dos outros, seria de bom tom que os que defendem a maior parte dos royalties para estados e municípios produtores prestassem contas de seu uso.

Mais importante que disputar as migalhas dos royalties, é fundamental que estes mesmos governantes indignados de todos os matizes condenem e façam uma campanha contra os leilões de privatização das enormes reservas de Petróleo da costa marítima brasileira. Ali está o grosso dos recursos que o Petróleo pode gerar para solucionar os problemas básicos na Educação, Saúde e em todas as áreas públicas essenciais. Isso nenhum deles quer fazer.

Mais uma vez a tarefa de defender nossas reservas caberá ao povo brasileiro ou a mais ninguém. Se dependermos dos governantes nosso petróleo será mesmo das grandes petrolíferas internacionais.

Eleição nos Estados Unidos da América do Norte é chata pacas, mas interessa a todo mundo. Foi por isso que eu tive a pachorra de ficar até às três da madrugada de 7 de novembro na frente da TV, aguardando para ver o bicho que ia dar: burro (democratas) ou elefante (republicanos).

Foi doído agüentar os comentários do trio da Globonews direto dos EUA (Caio Blinder, Lucas Mendes e aquele Diogo Mainardi). Cada um mais senhor de si, verdadeiros sabichões. E daqui do Brasil o Demétrio Magnoli, com sua tradicional empáfia, que se limitava a repetir argumentos. Tudo muito chato, mas era a única forma de acompanhar a apuração dos votos.

As análises não saíram muito do senso comum e do que interessa informar aos telespectadores. Muita vaidade e pouco conteúdo. Quase nada sobre política e as conseqüências da eleição para o mundo e a América Latina.

Nada sobre o que está por trás das eleições e da aparente oposição entre democratas e republicanos. Dizem os jornalistas investigativos que se há algo importante a descobrir é preciso ir atrás do dinheiro. Foi o que fiz e descobri canais que revelam os financiadores das campanhas de Obama e Romney. Não precisei nem entrar no portal do TSE de lá ou sofrer em caminhos tortuosos para encontrar os dados.

O portal http://www.opensecrets.org (menu Politicians & Elections) traz um levantamento interessante sobre as fontes de financiamento das campanhas dos dois candidatos. Os dados vão desde os setores da economia que investiram até os estados que mais contribuíram, além das empresas de maior expressão nas doações às campanhas de republicanos e democratas. Através dessas informações pode-se compreender porque os governantes que elegemos hoje nada mais são do que gestores dos interesses do grande capital junto ao Estado.

Entre os maiores doadores de campanha para Obama estão a Microsoft e a Google (setor de comunicações), além de grupos ligados a grandes lobistas e juristas, financeiras e seguradoras. Já Romney teve entre seus maiores doadores quatros bancos norte-americanos e o Credit Suisse. Outros segmentos que financiaram Obama também colaboraram fortemente com a sustentação de Romney, para ficar de bem com qualquer um que vencesse.

No frigir dos ovos a grande diferença entre democratas e republicanos nos EUA é apenas e tão somente de “estilo”. Enquanto os democratas fazem um tipo mais suave e palatável na política internacional os republicanos aparecem com a faca entre os dentes. Mas na hora que o bicho pega, salve-se quem puder. É mais ou menos igual àquela dupla de policiais que patrulham as cidades à noite: um pega pesado e outro amacia. O objetivo é sempre achacar a humanidade.

Dia desses constatei a justeza dos aumentos das passagens dos ônibus e dos valores do IPTU. Impossível ficar alheio ao progresso que tomou conta da nossa Cidade Maravilhosa nos últimos anos.

Afinal, nossos problemas básicos já estão solucionados. O cidadão carioca acorda, sai de casa para o trabalho ou para a escola, pega um transporte confortável (com ar-condicionado) e barato, chega ao seu destino sem enfrentar poeira ou empurra-empurra, salta num ponto sem precisar “pular” até a calçada, que está nivelada e bem cuidada.

No pequeno trajeto que faz do ponto até seu destino o carioca pode até fechar os olhos, porque não enfrentará nenhum desnível, obstáculo na calçada, lixo ou carro estacionado pela frente. Isso para não falar de nossos hospitais e escolas, sempre bem cuidados, com profissionais bem pagos e toda a estrutura para receber pacientes e alunos.

Para constatar isso basta que você, cidadão carioca de qualquer bairro da Cidade Maravilhosa, abra a janela de sua casa ou apartamento e observe a sua rua. Certamente a iluminação está perfeita, não existem bueiros entupidos ou buracos, a sinalização é clara, as galerias subterrâneas absorvem a água da chuva normalmente e as pessoas passeiam tranquilamente pela calçada.

Se, por um acaso, você se deparar com a calçada ocupada por obstáculos, bueiros da Light ou da CEG voando por cima de sua cabeça, ônibus em velocidade acima do permitido e tropeçar num buraco, certamente não estará no Rio de Janeiro.

Hospitais lotados e com gente em macas pelos corredores ou escolas sem equipamentos ou aulas por falta de professores é coisa do passado longínquo. Nosso bonde de Santa Teresa trafega com tranqüilidade e segurança, atendendo bem a moradores e visitantes. Agora o Maraca é nosso! Desde a Copa de 2014 os ingressos baixaram a preços populares e os cambistas desapareceram.

Enchentes e engarrafamentos prolongados só se for em álbuns de fotos do Rio de antes. Tudo isso ficou para trás, agora temos BRT e metrô de primeiro mundo, o Porto está uma maravilha e as praias limpas e despoluídas. Quem apostou contra o progresso e o legado da Copa e das Olimpíadas perdeu feio!

A última medida da nossa Prefeitura foi fechar todos os estabelecimentos comerciais e industriais que estejam sem licença e processar seus proprietários. Isso depois de anos fiscalizando e multando os infratores. Por isso mesmo todo cidadão consciente desta cidade tem orgulho de pagar em dia o seu IPTU, em valor compatível com os serviços bem prestados que recebe.

De repente, no meio da minha deliciosa curtição da cidade, alguém me interrompe bruscamente: “ACORDA!”

Hummm… Tava tão bom… É a patroa me chamando. Não se pode nem sonhar.

O senhor José Genoíno (ex-presidente do PT), outrora guerrilheiro, hoje posa de bom moço e se diz indignado com a “perseguição” que estaria sofrendo. Deveria ter pensado no seu passado antes de assinar cheques, junto com Delúbio Soares (ex-tesoureiro do PT) para as negociatas do mensalão. Agora tira da manga a possibilidade de assumir o mandato de deputado federal, mais uma tentativa de postergar o cumprimento da pena a que foi condenado.

Outro que se diz “perseguido” é José Dirceu. O ex-líder estudantil combativo dos primeiros anos da ditadura militar, preso e deportado, é hoje “consultor” de grandes empresas. A JD Assessoria e Consultoria funciona numa mansão de R$ 3 milhões, próximo ao Parque do Ibirapuera, em São Paulo. Dirceu, que não fala abertamente sobre suas atividades empresariais iniciadas em 2007, chegou a dar uma mãozinha até para a Delta Construtora.

O senhor Antonio Pallocci, “vítima de escândalos armados e da mídia maliciosa”, é tão somente o proprietário de outra empresa de consultoria, a Projeto, que assessora bancos, montadoras e industrias, entre elas a empresa de saúde privada Amil e as construtoras Norberto Odebrecht e WTorre. Entre 2006 e 2010 Pallocci multiplicou seu patrimônio em vinte vezes, de acordo com informação apurada pela Folha de São Paulo. Outro que também transita neste ramo de “consultorias” é o ministro Fernando Pimentel.

Mais do que interesses subjetivos, movidos por qualquer ideologia, para preservar postos no governo, essas figuras têm interesses objetivos: são motivos de classe. Eles são os novos ricos do PT. Outras figuras petistas, como assessores e administradores de fundos de pensão de bancos públicos e empresas estatais, também se tornaram sócios do sistema capitalista e usufruem de suas benesses.

É certo que interessa à grande mídia usar o escândalo do Mensalão para desgastar o PT, para dar fôlego ao velho, moribundo e tradicional esquema tucano. Esse é o papel das grandes empresas de comunicação, que também têm seus interesses neste jogo. Cabe lembrar que sete dos atuais dez ministros do STF foram indicados pelos governos Lula e Dilma.

Mas ninguém deve se iludir com as carinhas de anjos injustiçados dos mensaleiros petistas. Eles são apenas aprendizes de feiticeiros no jogo de interesses que rondam as grandes corporações privadas e as estruturas de governo no Brasil. Se fossem mais profissionais teriam agido sem deixar rastro.

Ao deixar seus aliados serem execrados pela opinião pública, a cúpula petista acaba por amargar revezes cada vez maiores. Foi assim no caso do Mensalão, quando abandonaram Roberto Jefferson com seu esquema nos Correios. E pode ser assim agora, quando tudo se encaminha para que Marcos Valério vá para a degola. Se resolver falar detalhes de tudo o que sabe do esquema do Mensalão, Valério pode criar mais problemas. Como se vê, a cúpula petista parece que ainda está aprendendo…

Foi essa a expressão usada pelo gestor da Rede de supermercados Multi Market para definir a explosão causada por gás na unidade de Irajá, inaugurada há apenas dez meses. Instalado no térreo de um prédio misto (comercial e residencial), o mercado não possui autorização para funcionar no local, já que não cumpriu as exigências obrigatórias de segurança contra incêndio e pânico.

Sete pessoas ficaram feridas, quatro em estado grave com queimaduras pelo corpo. Vizinhos e moradores do prédio já haviam notado o forte cheiro de gás há meses e pedido providências ao gerente do mercado. Mas, como sempre, prevaleceu o menor esforço e a velha tradição de subestimar os problemas. Planejamento, prevenção e manutenção zero.

A esposa de um açougueiro que está entre os feridos confirmou a informação dos vizinhos. “Ele reclamou que estava sentindo forte cheiro de gás”, disse à reportagem do Jornal Extra. O mesmo jornal ouviu o gestor da rede Multi Market, André Portes, que negou o problema. “Estive um dia antes e não havia cheiro de gás. Foi uma explosão espontânea”.

Nestes casos quem deve ser acionado judicialmente? No meu entender a própria Rede Multi Market, que inaugura um mercado sem licença para funcionamento, e o Estado, que não cumpriu com sua obrigação de fiscalização. Casos como este têm que ser tratados com rigor e a devida responsabilização criminal e financeira dos implicados, sob pena de assistirmos a novas “explosões espontâneas” como as que mataram pessoas na Praça Tiradentes.