Sensacionais as quatro partidas disputadas no sábado (26/6) e domingo (27/6) pelas oitavas de final da Copa 2010. Muito superiores ao que assistimos até o final da primeira fase. Finalmente vimos futebol de qualidade em toda a sua dimensão, não aquela coisa modorrenta, chata e sem sal. As oito equipes envolvidas mostraram técnica, aplicação tática, disposição e a habilidade de seus principais jogadores.

Muita gente pode argumentar que se trata de uma fase decisiva, onde quem perde sai fora. Tudo bem, mas o fato é que ficaram as seleções que tinham condições de brigar de verdade pelas primeiras posições. As outras 16 eram só para manter a politicagem intercontinental da Fifa.

Luis Soares e Diego Forlan comandaram a vitória uruguaia frente à aplicada seleção coreana, que deu trabalho. Boateng,  Gian e Aiew, de Gana, deram um baile na prorrogação contra os EUA, segurando a bola com maestria, diante da perplexidade dos norte-americanos, cuja seleção também demonstrou qualidade.

Com seu toque de bola envolvente, contra-ataques fulminantes e penetrações ofensivas pelas pontas a Alemanha arrasou a Inglaterra, que ainda assim jogou sua melhor partida na competição. A Argentina, com o toque refinado de seus craques, engoliu a seleção mexicana, que de boba não tem nada e representou um salto de qualidade do futebol do México.

Lamentáveis os erros grosseiros dos árbitros nos jogos de domingo. Não acredito que eles fossem alterar o resultado das partidas, mas demonstraram o quão caquético é o sistema de arbitragem da Fifa. Com toda a tecnologia e as tais 32 câmeras que mostram o jogo em todos os detalhes, uma bola entrou mais de 30 centímetros dentro da baliza e o juiz não deu gol. No outro caso um impedimento clamoroso de Tevez não foi anotado.

No caso da Alemanha e Inglaterra de 2010 o que houve foi apenas a reparação histórica do grosseiro erro que deu a vitória do English Team na decisão de 1966. Talvez por isso os britânicos não tenham tanto do que reclamar, ficaram no lucro. Mas no caso de Argentina e México…

Ora bolas!? Então pra que tanta tecnologia? Só para encher de raiva os prejudicados pelos erros ou para condenar os árbitros à geladeira? Espero que as outras quatro partidas desta segunda e terça estejam pelo menos no mesmo nível das demais destas oitavas de final. E que, finalmente, depois desta Copa, os caras da Fifa decidam utilizar a tecnologia existente para dirimir os lances mais polêmicos no futebol.

PS: Lamentavelmente as outras partidas das oitavas não confirmaram as previsões de grandes jogos.

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Finalmente chega ao fim a primeira fase da Copa. Quarenta e oito jogos dos quais, quando muito, deu pra ver uma meia dúzia, assim mesmo por serem decisivos para a classificação para a próxima etapa. O que podem pretender Nova Zelândia, Coréia do Norte, Austrália, Camarões, Eslovênia, Nigéria, Argélia, Honduras e a própria África do Sul numa Copa do Mundo?

Essa barangada futebolística da primeira fase, com 32 seleções, só serve para garantir a eleição do candidato do Joseph Blatter à sucessão do comando da Fifa. E piorar ainda mais o péssimo futebol apresentado até aqui pelas demais seleções. Exceções para Argentina, Alemanha e Brasil (vá lá…).

O destaque tem sido para as não sei quantas câmeras que pegam até a cárie dos dentes dos jogadores e os treinadores, por suas declarações, posturas e vestuário. Domenech, Dunga e o cara da Eslováquia são malas pesadas. Fora aqueles holandeses que se acham estrategistas e fizeram do futebol africano uma chatice sem fim. Será que eles têm convênio para levar jogadores africanos para jogar na Europa?

Sem o Messi, qual seria o craque da Copa até aqui? Como o baixinho hermano – ao contrário do Maradona – não é de muita conversa, pouco se pode falar a respeito de grandes nomes dentro de campo.

Pirlo, Henri, Etoo e Drogba já voltaram para as suas respectivas residências. Kaká e outros menos cotados continuam devendo. Talvez se possa destacar o Forlan (Uruguai) e o Ozil (Alemanha), mas sem grande entusiasmo.

Além da safra não ser das melhores, a maioria dos bons jogadores vem de fim de temporada em seus clubes, na Europa. Alguns se arrastam em campo ou ainda sofrem para se recuperar de contusões.

Resumindo: muito oba-oba, propaganda pesada, vuvuzelas e pouco futebol. Vamos torcer para que a jabulani apanhe menos na próxima fase…

Coincidências…

23/06/2010

As concessionárias Supervia (trens) e Metrô Rio, que têm contrato com o Governo do Estado do Rio para prestar serviços de transportes, são clientes do escritório de advocacia da esposa do Governador.

O responsável por licitações da Secretaria de Saúde – aquele do escândalo da Toesa, que faz manutenção de carro a preço mais caro que o próprio veículo – é primo da esposa do senhor secretário de saúde do Estado.

De acordo com o MEC o Governo do Estado do Rio de Janeiro deixou de repassar para a Educação Fundamental cerca de R$ 29 milhões do Fundeb, só em 2009. No entanto, são gastos R$ 300 milhões só com a “climatização” das escolas, com aparelhos de ar condicionado alugados!?

Luiz Fernando Pezão (Vice-governador) e Eduardo Paes (Prefeito) não só compareceram ao enterro como elogiaram o desempenho do vereador Claudinho da Academia, investigado pelo Ministério Público por ligações com o tráfico de drogas na Rocinha.

Hans Dohmann, secretário municipal de Saúde, consta da lista de inelegíveis do Rio, enviada pelo Tribunal de Contas da União ao TSE. Acusação: irregularidades em contas da UniRio.

Qual será a próxima coincidência?

A morte de José Saramago trouxe à baila novamente a polêmica sobre o humor do escritor lusitano, um dos maiores da língua portuguesa. Saramago, em que pese seu ceticismo confesso quanto ao mundo globalizado e a bestialização das relações humanas dele decorrentes, não parecia “pessimista”.

Tão pouco se poderia afirmar que Saramago era um otimista, porquanto seus textos e entrevistas vinham carregados de constatações nuas e cruas sobre a dura realidade contemporânea.

Nem pessimista nem otimista, Saramago parecia mesmo um realista, destes inconformados com as injustiças e o obscurantismo da cultura do consumo, subprodutos da sociedade do Deus mercado (em que até Deus serve aos propósitos do mercado).

Saramago era um marxista que não abandonou sua convicção nem depois da queda do Muro de Berlim e o fim da URSS. Nos últimos tempos fez inclusive críticas ao regime cubano pela forma como lida com dissidentes.

Depois de interromper sua carreira de escritor e cronista na juventude, Saramago voltou com toda força depois dos 50 anos de vida. Talvez seja mesmo preciso esperar até uma certa idade para colocar no papel palavras que materializam idéias e experiências concretas de vida.

Até os 75 ou 80 sua carreira rendeu honrarias para as quais nunca deu muita bola, a não ser pelo fato de que elas lhe abriam portas e janelas para falar o que pensava da boçalidade capitalista.

Crítico mordaz da religiosidade tacanha – aquela que subordina os homens à ignorância dogmática da fé – Saramago sempre combateu o obscurantismo, procurando jogar luz sobre as trevas.

Depois dos 80 acho que se transformou mais num filósofo, no sentido abrangente da palavra, despreocupado em agradar a gregos e troianos. E ainda nos brindou com observações interessantíssimas sobre a vida contemporânea. Abaixo reproduzo um pequeno trecho para ilustrar este breve comentário:

Resulta muito mais fácil educar os povos para a guerra do que para a paz. Para educar no espírito bélico basta apelar aos mais baixos instintos. Educar para a paz implica ensinar a reconhecer o outro, a escutar os seus argumentos, a entender as suas limitações, a negociar com ele, a chegar a acordos. Essa dificuldade explica que os pacifistas nunca contem com a força suficiente para ganhar… as guerras.” (Madri, 2002)

Nos tempos do Barão de Coubertin o importante mesmo era competir. Foi com esse espírito que se retomou na Era moderna a idéia das Olimpíadas, jogos que se realizavam na antiguidade visando congregar as diversas cidades da Grécia.

Com o passar dos anos o sistema capitalista mundializado se apropriou da Copa do Mundo e das Olimpíadas, transformando os jogos em megaeventos, subordinados a grandes negócios.

As Olimpíadas de Atenas (2004) foram por imposição da Coca-Cola, maior patrocinadora e beneficiária do evento. Hoje, seis anos depois, a Grécia atravessa uma de suas piores crises econômicas e uma das causas desta crise é justamente o endividamento do Estado, baseado, em parte, nos gastos com a construção de estádios e outras obras faraônicas bancadas com dinheiro do contribuinte grego.

A Copa do Mundo da África do Sul, além de representar uma jogada política da Fifa e suas cúpula dirigente parta agradar os africanos, é um festival de absurdos. Toda essa loucura com dinheiro do povo da África do Sul, algo em torno de R$ 5 bilhões. Não foram poucas as greves e manifestações de operários da construção civil durante as obras da Copa. Protestaram contra baixos salários e péssimas condições de trabalho.

Pior que isso foi a transferência de cerca de 30 mil pessoas das cercanias dos novos estádios construídos nas cidades da África do Sul. É o caso do assentamento de um assentamento na Cidade do Cabo, para onde 3 mil africanos foram transferidos na marra dando lugar à construção de um Estádio. Hoje, três anos depois, eles vivem em barracos, passando frio e calor, longe do Centro da cidade e sob toque de recolher a partir das 20h.

Outro aspecto do negócio chamado Esporte são as multinacionais de material esportivo, verdadeiras máquinas de dinheiro que usam e abusam da paixão do torcedor. A CBF, por exemplo, fatura 98 bilhões por ano de dez grandes patrocinadores, desfilando a seleção brasileira em amistosos inúteis contra equipes sem a menor expressão.

A matriz deste negócio está nos clubes europeus, principal mercado do futebol mundial. São os grandes clubes-empresas espanhóis, ingleses, alemães e italianos, os que mais cedem jogadores para as seleções de todo o Mundo. Enquanto isso, os clubes brasileiros cederam 6 jogadores (três para a Brasileira e três para as demais) e os argentinos 8.

Dunga cai como uma luva para comandar a seleção brasileira futebol-negócio, da CBF de Ricardo Teixeira. Os convocados seguem o padrão do futebol força, defensivo, sempre preocupado em garantir o resultado a qualquer custo. Daí a mediocridade de Josué, Gilberto Silva, Felipe Melo, Julio Batista e outros menos cotados “cabeças de área”, que com suas botinadas e chutões se livram da bola e do adversário.

Do velho e bom futebol o que restou foi a paixão do torcedor e a genialidade de um ou outro craque, coisa cada vez mais rara de se ver nos clubes e seleções.

PELADIOS EM SANTIOS

07/06/2010

Nos dias 5 e 6 de junho foi realizado o Congresso da Classe Trabalhadora (Conclat), em Santos, São Paulo. Cerca de 3.500 delegados eleitos nas mais diversas categorias profissionais e nos acampamentos de movimentos populares (sem-terra e sem-teto) se deslocaram para lá, com o intuito de fundar uma Nova Central de trabalhadores e do povo pobre.

Era bom demais para ser verdade, foi um balde de água gelada. Infelizmente, mais uma vez setores da esquerda demonstraram sua incapacidade de conviver com diferenças e valorizar o que há de acordos entre si. Prevaleceu a vontade de grupos acima do interesse da classe trabalhadora e do povo pobre do campo e da cidade.

A começar pela idéia infeliz de realizar um congresso com algumas polêmicas de fundo em dois dias, com 4 mil pessoas (delegados e observadores). O evento deveria ser o coroar de uma caminhada, não o culminar de uma luta interna. Mas os organizadores não foram capazes de perceber isso a tempo e promoveram uma batalha acirrada, cujo desfecho foi a saída de 40% dos delegados do Plenário.

A maioria (PSTU e seus coligados) se manteve irredutível e aprovou até a participação de estudantes (5%) no projeto de direção da Nova Central, algo inédito na história do movimento dos trabalhadores no Brasil e, quiçá, no mundo. Não satisfeita, tentou impor o nome (Conlutas-Intersindical), que não era aceito pelo restante dos presentes. O clima ficou pesado, alguns oradores foram vaiados, a mesa diretora da Plenária não conseguiu mais ser respeitada e a sensação de derrota levou grande parte dos delegados a se retirar do Congresso.

A insensibilidade dos que ficaram no Plenário foi tamanha que ainda assim insistiram em lançar a Nova Central elegendo, inclusive, uma Coordenação Nacional Provisória. Por sua vez os “derrotados” pagaram pelo erro de terem aceitado ou apostado num congresso em que pontos tão polêmicos e outros seriam decididos no voto. Embora haja maior responsabilidade de uns os outros não estão isentos do que se produziu no Conclat.

É risível o argumento de que “democracia operária” se limita e se decide no voto. A burguesia também apela ao voto da maioria para se legitimar e desfraldar a bandeira da “democracia” e nem por isso o resultado das eleições faz justiça para a própria maioria do eleitorado.

Quando se sabe que é preciso construir uma ferramenta de unidade a partir da diversidade, vale muito mais a capacidade de encontrar saídas que valorizem o que há de unitário para os trabalhadores do que o levantar de braços. E isso pode e deve ser feito publicamente, desde que haja disposição das partes.

Resta agora seguir trabalhando pela unidade dos trabalhadores e do povo pobre, cada um no seu quadrado, até que se consiga recompor os cacos para a construção de uma Nova Central Sindical e Popular, ferramenta de unidade e de luta que só pode sobreviver e crescer admitindo a contradição como algo saudável e não como algo a ser negado ou suprimido através da aferição de maiorias e minorias.

Como se vê os setores da esquerda socialista ficaram mesmo peladios em Santios…

1 – É aquele desconfia e persegue os cidadãos que professam religiões que não a reconhecida oficialmente.

2 – É aquele que impede a liberdade de organização partidária dos cidadãos que não defendam a política oficial.

3 – É aquele que prende, tortura e mantém cidadãos incomunicáveis, partindo do pressuposto que pertencem a outro grupo étnico.

4 – É aquele que censura e controla os meios de comunicação quando se trata de assuntos considerados estratégicos.

5 – É aquele que cerca por terra e mar, levanta barreiras instransponíveis e mantém em guetos cidadãos de outra etnia ou religião.

6 – É aquele que toma as terras e casas de cidadãos de outra etnia ou religião para entregá-las a cidadãos que professam a religião oficial.

7 – É aquele que invade militarmente territórios de outros povos fronteiriços, incentiva a construção de colônias de fanáticos religiosos em terras invadidas.

8 – É aquele que bombardeia civis indefesos, usando armamento pesado, inclusive bombas de fósforo.

9 – É aquele que seqüestra e mata opositores fora de seu país, a partir da atuação ilegal e terrorista de seu serviço secreto.

10 – É aquele que impede e filtra toda e qualquer ajuda humanitária para a população dos territórios que ocupa militarmente.

Você sabe que Estado é esse?