O choque de ordem do Prefeito Guerra não merece mesmo qualquer credibilidade. A Prefeitura fez o maior alarde em relação aos mijões durante o Carnaval, mas o número de banheiros químicos instalados pela cidade durante as atividades momescas não chegou a 3 mil, o que não deu nem pra saída.

Outra idéia brilhante do alcaide e sua equipe foi a dos fraldões holandeses no calçadão das praias da Zona Sul, verdadeira roleta russa do xixi. Além do treco ser machista (exclusivo para homens), quem se arriscou a usar o “equipamento” no mínimo carregou o cheiro por onde pisou. Isso pra não falar dos banheiros de rua, instalados por uma empresa privada, e que nunca funcionaram.

E os nossos pontos de ônibus? No Rio são cerca de 20 mil, dos quais apenas pouco mais de dez por cento possuem cobertura e assento. Uma calamidade para quem costuma esperar os lotações pela cidade debaixo daquela temperatura agradável de… 40 graus no verão. Todos esses equipamentos são alugados ou explorados por empresas privadas que mamam nas tetas do munícipe, que rala para pagar seus impostos.

Por falar de ônibus que tal a situação caótica do calçamento das ruas e avenidas da cidade? Com raras exceções o que se vê são buracos, crateras, ondulações, quebra-molas formados por tampas de bueiros rebaixadas no asfalto. Uma verdadeira aventura para motoristas, inclusive os taxistas, que volta e meia têm que levar o carro para fazer alinhamento e balanceamento de pneus, além de dar uma guaribada na suspensão.

A iluminação pública é algo que só é perceptível em algumas vias da Zona Sul e da Barra da Tijuca. De resto a reclamação é generalizada. Vale lembrar que uma boa iluminação das ruas pode ajudar a inibir a ação da bandidagem. Para solucionar o problema o prefeito Guerra instituiu a taxa de iluminação pública, evidente bi-tributação do contribuinte, que já paga IPTU.

Em vez de prender mijões e encher o saco do cidadão carioca com tanta prirotecnia e outras babaquices, o alcaide deveria dar o exemplo e começar a moralizar as relações promíscuas entre Prefeitura e empresas que se beneficiam de serviços mal prestados. Quem sabe assim sobre algum trocado para melhorar os serviços para que o poder público passe a exigir comportamento de primeiro mundo de uma população que é tratada com desleixo e desrespeito.

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DEM é uma sigla que não se encaixa muito bem com os componentes daquele partido e vice-versa. Ronaldo Caiado, Kátia Abreu, Demóstenes Torres, Antonio Carlos Magalhães Neto são figuras que pouco ou nada têm de democratas. Afinal onde estavam essas pessoas quando o Brasil tanto precisava de DEMocracia? Todos ou quase todos vinculados à ditadura militar e aos setores mais reacionários da sociedade brasileira.

Agora o ex-PFL, ex-PDS, ex-Arena está se especializando no ramo dos mega escândalos políticos, ajudando a aumentar o mar-de-lama que cobre a vida política nacional.

O meialão de Brasília levou José Roberto Arruda a passar o Carnaval no xilindró e não se sabe se depois dessa voltará à vida política. Seu sucessor direto, Paulo Otávio (o homem das construtoras), também está na marca do pênalti e nem os deputados distritais – ameaçados de perderem seus mandatos caso haja intervenção em Brasília – e a cúpula do partido querem segurar a onda do sujeito.

Já o prefeito da maior cidade da América Latina, Gilberto Kassab, teve seu mandato cassado pela Justiça por receber a bolada de R$ 10 milhões em doações ilegais de campanha de empreiteiras, do mercado imobiliário e do Banco Itaú. Junto com ele a vice-prefeita e mais de 20 vereadores.

A lei eleitoral proíbe doações de empresas que sejam concessionárias do estado ou município para candidatos, mas não impede que os empresários destas empresas o façam. Dá pra entender? Essa foi a brecha para não pegarem Lula e outros candidatos, o que também serviu de argumento para aliviar Kassab e sua vice.

No caso de Arruda, sempre pego com a mão na massa, as imagens não deixam dúvidas. É muito maço de dinheiro para tão pouco panetone… Quanto à Kassab o DEM prepara toda uma linha de defesa técnica e política, mesmo diante das provas reunidas pelo MP e das acusações acatadas pela Justiça.

Caso o escândalo do financiamento ilegal de campanha de Kassab tome proporções maiores, o DEM corre o risco de sofrer um duro revés em ano eleitoral. Afinal quem vai querer andar com esse “rabo preso” por aí? Nem mesmo os tucanos suportariam esse peso. Talvez reste aos idealizadores da ARENA-PDS-PFL-DEM a sugestão para uma nova sigla: CORRUPTOS (Coordenação dos Ratos e Roedores Unidos Para Tramóias e Outros Serviços).

Dia desses compareci a um debate entre os pré-candidatos do PSOL à Presidência da República, Plínio de Arruda Sampaio, o ex-deputado Babá e Martiniano Cavalcante. Saí de lá convencido de que o PSOL vai lançar uma candidatura para marcar posição e que o melhor que esse partido tem a fazer em 2010 é eleger Heloísa Helena senadora por Alagoas.

O professor e economista Plínio de Arruda Sampaio, respeitado intelectual, transita bem pela academia e entre lideranças de movimentos populares, como o MST e setores da Igreja Católica. Íntegro, sereno, mas ainda um pouco preso ao seu passado petista, seria um bom nome para concorrer a uma cadeira de deputado federal por São Paulo.

Já Babá é uma figura muito combativa. No entanto, a política de sua corrente o leva a exagerar nas análises, a repetir e propor velhos chavões da esquerda trotskista. Teria muito mais a acrescentar se tivesse permanecido no Pará, seu estado de origem onde construiu raízes de luta e é respeitado.

O engenheiro Martiniano Cavalcante é um homem brilhante, inquieto, sempre a frente de seu tempo no que diz respeito às análises que faz da sociedade. No entanto, atropela a realidade objetiva dos homens de carne e osso, o que muitas vezes faz de sua política um delírio que não se aplica à vida concreta das pessoas.

Posso estar redondamente enganado, mas não vejo em nenhum dos três fôlego para ultrapassar a barreira dos 2% ou 3% de votos. Menos mal se o candidato conseguir dialogar com a grande massa do eleitorado e deixar uma pulga atrás da orelha do povão quanto à falsa polarização entre PT e PSDB.

Para o PSOL creio que restam duas tarefas importantes este ano: lançar uma candidatura equilibrada, que demonstre a semelhança da política do PT e do PSDB, apresentando um programa de medidas concretas entre as necessidades do povo e os limites de um processo eleitoral. Talvez um ponto de partida seja a retomada da idéia das reformas de base, de Jango (reforma agrária, urbana, universitária). A outra é eleger Heloísa Helena senadora, para que o povo e os movimentos populares tenham uma porta-voz firme e combativa no Congresso.

Penso que a maior tarefa do PSOL e de toda a esquerda socialista no Brasil é se impregnar de povo por todos os lados. Deixar de cuspir chavões raivosos, sair de suas estruturas viciadas e dialogar, ouvir de verdade o que pensam os trabalhadores, as donas de casa, os estudantes, os sem-terra, o povo das periferias das cidades.

Um novo projeto socialista exige um novo método de ação, de interação, democrático, construído par e passo com os verdadeiros atores da transformação deste país. Caso contrário, este ou outro partido qualquer da esquerda seguirão se auto-proclamando porta-vozes do proletariado, enquanto o povo passa à distância das salas de debates e convenções.

Com a divulgação dos resultados da pesquisa mais recente encomendada pela CNT (em que Dilma fica a apenas 7 pontos de Serra), fica evidente o fenômeno que muita gente se negava a enxergar meses atrás: a brutal transferência de votos de Lula para a sua candidata. Dizia isso a dois antigos companheiros de luta há uma ano atrás, em Belém, que insistiam na tese de que Serra seria o vencedor.

Longe de ser profeta ou de ter bola de cristal, me fiei somente em aspectos que considero determinantes para analisar o que se passa. A resposta está no bolso e na geladeira do brasileiro. O governo Lula, depois de um primeiro mandato marcado pelo Mensalão, decidiu agradar a gregos e goianos.

De um lado reforçou a distribuição do Bolsa Família, que hoje atinge direta e indiretamente cerca de 50 milhões de pessoas, e incorporou mais 20 milhões ao mercado de consumo com o crediário de massas nas Casas Bahia. De outro fez uma das maiores transferências de renda do Estado para o grande Capital, contentando as oligarquias regionais e a grande burguesia. Só os bancos tiveram em média crescimento de 24% em seus lucros em 2009.

Assim, Lula fechou as duas tenazes do caranguejo, satisfazendo a maior parte do eleitorado popular, que retribuirá esta política com votos em massa, e os financiadores de campanha, que vão querer continuar mamando nas tetas das obras faraônicas do PAC, através dos empréstimos generosos do BNDES, das gigantescas isenções fiscais, dos velhos xavecos das licitações viciadas e dos aditivos contratuais.

Por isso, mesmo sem carisma, antipática e durona, dona Dilma deve emplacar a sucessão de Lula, que vai correr o país com sua candidata a tira-colo. Com ele ficam o PMDB e os partidos satélites do PT (PDT, PSB, PcdoB, etc). Com Ciro Gomes neutralizado e fora da disputa, a oposição conservadora (PSDB e DEM) vai mesmo de Serra, mas sem o apoio entusiástico de Aécio Neves, que näo quer se confrontar com Lula.

Serra e seu partido estäo sem bandeira, a não ser que se agarrem a mais um escândalo para atingir a própria Dilma, porque sabem que não adianta mesmo bater em Lula. Sem bandeira, a oposição conservadora pode ter seu balão esvaziado ainda no primeiro turno e sair derrotada até mesmo sem necessidade de uma segunda rodada eleitoral.

Resta no páreo a ex-ministra Marina Silva, que deve angariar parcela do eleitorado que votou em Heloísa Helena em 2006. Se conseguir empolgar setores da classe média e alargar seu eleitorado, Marina pode ser o fiel da balança num segundo turno.

Dilma não é nenhuma maravilha. Faz política de bastidores, não tem jogo de cintura e pode até escorregar nos debates. Mas quem vê debate é uma ínfima minoria, que ainda se preocupa em ouvir idéias num processo eleitoral totalmente determinado pelo poder da mídia e da publicidade eleitoral. Justamente por suas evidentes limitações, Dilma é tudo que Lula quer para retornar triunfal nos braços do povo em 2014.

Depois de atravessar duas décadas xôxo, caído e quase morto, o Carnaval de rua do Rio voltou a figurar como uma das maiores manifestações culturais populares do país, nos primeiros anos da década de 90. Oficialmente mais de 400 blocos pediram licença para desfilar em 2010, fora aqueles que saem como podem, seguindo a tradição de espontaneidade do carioca.

Do final dos anos setenta até o início dos 90 o Carnaval do Rio parecia coisa do passado, dos antigos corsos, maracatus e batalhas de confete ou dos blocos tradicionais, como o Bafo da Onça, Cacique de Ramos e tantos outros que cruzavam as principais ruas do Centro até os anos setenta, arrastando multidões.

Naquela época a Globo ainda não apitava tanto, aliás, nem se importava com o Carnaval, coisa de “gente mundana e desocupados”. Hoje esta mesma emissora mais uma vez vai à reboque dos acontecimentos e se vê obrigada a incluir os blocos em sua grade de programação do Carnaval, que passou a ser tratado como “o maior espetáculo da Terra”.

Com a centralização do Carnaval nos desfiles das escolas de samba no Sambódromo e o carioca barrado no baile da Sapucahy, o jeito foi fazer as malas e sair do Rio, freqüentando as praias das cidades do litoral Fluminense. Ocorre que isso também ficou impraticável no final dos anos 80, até porque a maioria das cidades não dispõe de infraestrutura para acolher tanta gente.

No entanto, como tudo que passa na Globo, o Carnaval também virou mercadoria. As escolas de samba apresentam todos os anos uma verdadeira ópera bufa na Marquês de Sapucahy, um espetáculo repetitivo e sonolento (com raras exceções), animado na telinha por comentaristas chatos de plantão. “Quanta emoção!”

Agora a dona Globo inventou o folião higiênico. Trata-se de uma cara bacana, comportado, consciente de seus direitos e deveres, que não mija fora do penico, ou melhor, fora do banheiro químico. Muita gente boa anda morrendo de medo de receber ordem de prisão em flagrante do guardinha municipal por estar urinando em via pública.

O problema é que escolheram para patrocinar o Carnaval dos blocos uma determinada fabricante de cerveja, justamente aquela bebida preferida por 11 de cada 10 foliões. Já o número de banheiros químicos colocados nas ruas pela Prefeitura – mesmo que bem maior do que em anos anteriores – não é capaz nem de longe de servir para aliviar o ímpeto da rapazeada.

Ou seja, dão o veneno, mas não dão o antídoto. Das duas uma: ou inventam uma cerveja que não seja diurética ou constroem mijódromos pelo Rio. Melhor mesmo seria que a Globo parasse com suas campanhas falso-moralistas e deixasse o folião em paz.

Difícil admitir, mas ela está aí, acometendo milhões de pessoas. A solidão dos dias atuais leva muita gente boa a apelar para os chamados sites de relacionamento. É claro que existem pessoas legais ali também, mas o que leva tanta gente (inclusive casados ou enamorados) a usar dessa ferramenta?

O site de relacionamento permite ao próprio sujeito criar uma personagem que ele gostaria de representar ou que acha que representa na vida real, mas que por mil razões não consegue. É o sujeito imaginando a si próprio e traçando perfis de quem gostaria de encontrar.

A internet, por contraditório que pareça, ao abrir imenso leque de possibilidades de contatos entre seres humanos, permite também que se crie uma fantasia, um jogo que vicia. O objeto dos sites de relacionamento é estimular essa fantasia, essa doença, viver dela (muitos chegam a pagar e passam horas a fio no computador por este motivo), porque a maior parte do que se escreve ali não corresponde à realidade.

Importa muito menos ao jogador conquistar alguém ou mais pessoas no mundo real. Na maioria das vezes em que isso acontece só produz relações fugazes, curtas e temporárias mesmo. O que importa é parecer, é fazer parte do jogo, mesmo que jamais o virtual consiga produzir relações reais (quando isso acontece é ínfima minoria mesmo).

Me dei conta disso por experiência própria. Agora estou na iminência de perder uma relação do mundo real porque me viciei na doença internética, que pode atingir a qualquer um, sobretudo os mais debilitados emocionalmente. Me esforço diariamente para buscar a cura, porque tenho que enfrentar a tela do PC diariamente em meu trabalho.

A loucura chega a um grau tamanho que a partir daí se desenrolam episódios pesados de ciúmes na vida real, com base em imagens e coisas escritas aqui ou acolá, que podem levar as pessoas deste mundo a serem afetadas por situações fantasiosas do virtual.

Mesmo não tendo levado ao cabo nenhuma relação concreta a partir deste jogo, acabei por abalar a confiança de alguém muito mais importante que todos os contatos fortuitos que fiz naquele mundo virtual. E o mais estranho é que fui um das pouquíssimas exceções nesta regra, por ter encontrado alguém por lá que vale realmente à pena. Espero que ela entenda e me aceite como um doente em recuperação.

* Para a minha Linda e todos que lutam pra sair dessa