Vamos debater uma plataforma popular para o Brasil?

21/01/2018

Séculos de colonialismo, escravidão, oligarquias e regimes autoritários nos legaram um país marcado por graves diferenças sociais, preconceitos, injustiças, violência e privilégios para uma minoria. Em pleno século XXI há pedaços inteiros do território nacional que vivem como se estivéssemos no século XIX. Há um enorme abismo entre os avanços que a humanidade produziu e o que se verifica no cotidiano dos 206 milhões de brasileiros.

O principal entrave ao desenvolvimento das enormes potencialidades do Brasil são os nós históricos que precisamos desatar. Acertar contas com esse passado não significa, necessariamente, bradar por vingança contra ninguém, mas encontrar caminhos simples e efetivos para a libertação de todo este potencial, que pode dar vazão à força criativa de nosso povo.

Em 2018 teremos mais um processo eleitoral, nova oportunidade para debater os problemas do país e apontar soluções, ainda que se saiba que não serão as eleições de presidente, governadores e parlamentares que vão nos redimir de nosso passado de injustiças.

Há quem queira reduzir o debate a candidaturas. Ainda que elas sejam a materialização de projetos em sua maioria personalistas e oportunistas, mais importante que a pantomima demagógica que desfila pela TV é a discussão de propostas concretas que respondam às angustias do povo brasileiro.

Não se pode mais aceitar a apresentação de candidaturas, sem que elas digam com clareza o que pretendem sobre a Infância e a Velhice, a Dívida Pública e as Taxas de Juros, Gestão das Estatais e dos Serviços Públicos, Funcionamento dos Poderes, Educação, Saneamento e Saúde, Empregos e Salários, Previdência Social, Transportes, Segurança, Cultura, Comunicação de Massas, etc. Enfim, o que queremos para as futuras gerações.

Assistimos a um festival de acusações – muitas das quais com fundamento – sobre os desmandos cometidos por políticos. A corrupção (corruptos e corruptores) é parte do debate nacional, não é o todo e nem a síntese de todos os nossos problemas, e não pode ser transformada numa cruzada moralista, que fica na superficialidade.

Corremos o risco de reduzir o debate sobre se Lula pode ou não se candidatar, a partir de uma provável condenação na Lei da Ficha Limpa (que ele mesmo ajudou a aprovar). É evidente que o processo contra Lula é conduzido de forma acelerada, visando condenar o ex-presidente, em primeiro lugar em todas as pesquisas eleitorais.

No entanto, a forma como o debate vem sendo conduzido leva a uma disputa que foge do racional, resvala para o vitimismo e a martirização, tanto pelos que se apegam à liderança de Lula quanto pelos que querem sua condenação a qualquer preço. Não precisamos de heróis ou vilões, mas de um movimento popular que empurre o país para reformas urgentes.

Por isso, não se trata agora de discutir candidaturas, ainda que o debate vá afunilar para isso também. Trata-se de debater pontos básicos, que podem ser consensuais entre a maioria das pessoas, inclusive entre gente que tenha preferencia por candidatos diferentes, mas ainda não encontraram a objetividade num programa mínimo de prioridades para o país.

Chamo a isso de uma PLATAFORMA POPULAR PARA O BRASIL, mas o nome é o que menos importa. É o que pretendo estimular nas redes sociais até o final do ano. A ideia é lançar pontos fundamentais sobre cada aspecto da vida nacional, deixando o espaço livre para um debate, que ao final será transformado numa plataforma de ponto de partida para reformas sociais, econômicas e políticas. Conto com a ajuda de antigos companheiros, amigos e simplesmente todos que queiram se somar nesse esforço coletivo e sincero.

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