Um 2017 tenebroso

24/12/2017

O ano de 2017 chega ao fim e com ele um dos piores períodos para a sociedade brasileira. Os números da economia são arrasadores, e o que resta é pífio. A inflação média só não cresce mais porque o consumo desabou. Já o crescimento do PIB não chega a 0,5/.

Do ponto de vista social o que se vê é a piora considerável da qualidade de vida, sobretudo para os que sempre viveram no limiar da miséria. O desemprego oscilou entre 12 e 14/ . Os números do IBGE em todas as áreas são desalentadores.

Houve um ensaio de reação popular, com a greve geral de 28 de abril, mas o governo golpista seguiu em sua missão avassaladora de desmontar o Estado brasileiro, reduzindo-o à função de apêndice do grande capital. No entanto, as centrais sindicais e movimentos populares se mostraram divididos e incapazes de dar seguimento a uma forte mobilização de massas para enfrentar o governo e seus planos.

Entre outras medidas foi realizado o leilão de campos de exploração do pré-sal com favorecimento a companhias estrangeiras, a isenção de impostos para as multinacionais do petróleo, o congelamento de recursos para investimentos do Estado por 20 anos (PEC 95), e a Reforma Trabalhista.

Só não foi aprovada a Reforma da Previdência porque a República jeca do mercado, comandada por Temer e Meirelles, foi incapaz de convencer aos deputados que poderão sair ilesos em suas pretensões eleitorais em 2018, caso votem a favor do projeto.

O Judiciário segue com certo protagonismo, seja pelos paladinos de Curitiba, com sua ideia fixa de condenar Lula, seja pela missão de Gilmar Mendes de libertar ricos e delinquentes de colarinho branco, a partir de um STF acovardado e subordinado a acordos políticos (“Com o Supremo, com tudo…”).

A cruzada moralista teve lances bizarros, como a tentativa de grupos ultrarreacionários de proibir exposições e de insuflar instrumentos repressivos contra a liberdade de expressão e organização, até mesmo nas escolas e universidades.

A política recessiva, que desestimula o crescimento econômico e o mercado interno, atingiu em cheio as contas públicas, reduzindo drasticamente a arrecadação de estados e municípios, levando ao não pagamento de salários de servidores. Via de regra, quando ainda há recursos, os governantes optam por pagar aos fornecedores.

Para fechar o ano de 2017, Temer concedeu indulto de Natal, afrouxando o critério de libertação a 1/5 da pena do agraciado, sem ressarcimento aos cofres públicos, no caso dos corruptos. Já o embaixador brasileiro foi convidado a se retirar da Venezuela, acusado de colaborar ativamente com a oposição reacionária daquele país.

Quem sabe os ares de resistência que sopraram da Argentina neste final de 2017 deem algum fôlego ao povo brasileiro, para evitar que 2018 seja pior que o ano que chega ao fim.

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