Eleições 2018: plebiscito para revogar todas as medidas do governo Temer

24/12/2017

O ano de 2017 chega ao fim e 2018 se anuncia como um período de disputas políticas. No parlamento o governo Temer manobra para angariar os votos que ainda faltam para a aprovação da Reforma da Previdência.  Quanto mais a votação da reforma estiver próxima da eleição, mais valorizado será o voto de cada deputado.

No plano institucional muita expectativa para o julgamento de Lula no TRF 4, de Porto Alegre. Se condenado, o ex-presidente pode se tornar inelegível, alterando por completo o quadro eleitoral.

Há no PT quem creia ser possível recorrer da condenação e registrar a candidatura de Lula, alegando que o julgamento final seria depois das eleições. Para isso conta, inclusive, com uma parceria com setores do velho PMDB, incluindo Renan Calheiros e outros que desembarcaram da aventura golpista de Temer e companhia.

E é justamente no processo político eleitoral que se depositam as esperanças de frear a ofensiva avassaladora do grande capital, cuja missão é desmontar o que restava de social no Estado brasileiro.

Passados quase três anos das primeiras iniciativas da cruzada moralista que empolgou parte da classe média mais reacionária e redundou no golpe parlamentar de maio de 2016, qual o quadro político que se apresenta?

Todas as pesquisas eleitorais indicam Lula como candidato vencedor nas mais diversas variáveis, contra qualquer adversário. A impopularidade de políticos ligados ao governo Temer, do PMDB ao PSDB, leva pânico aos partidos conservadores, o que abre espaço para o crescimento de fenômenos como Jair Bolsonaro.

A burguesia sabe que precisa de um governo com um mínimo de credibilidade, capaz de assegurar sua parceria generosa com o Estado e tranquilidade aos seus negócios. Vários balões de ensaio já foram lançados, mas não responderam como esperado. Foram os casos de João Dória e de Luciano Hulk, dois “outsiders” que não vingaram. Não está dado que outros nomes apareçam e sejam testados até o meio do ano.

Fala-se numa mudança constitucional, que transformaria o sistema político brasileiro num parlamentarismo misto, preservando a figura do Presidente, com menos poderes. Além de complicada do ponto de vista político, esta medida requer tempo suficiente para ser aprovada, o que não é o caso.

Do PSDB restou a aposta em Geraldo Alckmin, mas sua figura eminentemente conservadora não toca os corações do eleitorado mais pobre, sobretudo do Norte, Nordeste e das periferias das grandes cidades.

No terreno dos candidatos que podem ser identificados com o centro o nome que mais sobressai é o de Ciro Gomes. No entanto, em seus arroubos demagógicos, Ciro continua totalmente neutralizado por Lula, enquanto o petista estiver na disputa.

A única opção confiável que resta ao grande capital seria Marina Silva, que não fede e nem cheira. O problema é que Marina perdeu credibilidade junto ao eleitorado progressista, depois que apoiou Aécio Neves em 2014, e não passa confiança aos conservadores por ser egressa do PT.

No campo da esquerda não há candidatura viável do ponto de vista eleitoral. O nome mais indicado para a disputa seria o de Guilherme Boulos, dirigente do MTST e da Frente Povo Sem Medo. Inteligente, astuto e bem preparado, Boulos poderia fazer um belo papel num primeiro turno, mas sofre o mesmo problema de Ciro Gomes, ofuscado pela candidatura Lula.

Seja como for, uma única questão se torna decisiva nas eleições de 2018, do ponto de vista dos interesses populares: 1) Uma candidatura viável eleitoralmente, que proponha um plebiscito para revogar todas as medidas aprovadas durante o governo golpista de Michel Temer. Tudo mais é secundário, num momento em que o grande capital avança sobre o pouco que restou de social no Estado brasileiro.

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