Máfia comanda o Rio de Janeiro

02/11/2017

Não se sabe se o ministro da Justiça resistirá à crise que provocou com suas declarações. Torquato Jardim só disse o que alguns sabem e o que muita gente pensa no Rio de Janeiro. Há conivência e parceria entre a cúpula da segurança pública e a bandidagem.

Como explicar que o tráfico varejista de drogas continue agindo nas barbas da polícia, mesmo nas favelas em que existem UPP? Como explicar que nas áreas controladas por milícias – comandadas por policiais, bombeiros e ex-policiais – não haja uma UPP?

Alguém bota fé – a não ser a grande mídia empresarial, que virou papagaio das fontes oficiais – na versão de que o comandante do batalhão da PM do Meier foi vítima de um arrastão? E o “deputado” ao qual o ministro se referiu, que faz parte do acerto para comandar a polícia: quem seria essa personagem?

Existe alguém mais bem informado sobre a segurança pública neste país do que o ministro da Justiça? O que levou Jardim a chutar o balde dos senhores Pezão e Roberto Sá? Que razão têm os comandantes da PM para se indignar, diante das declarações do ministro?

A impressão que qualquer leigo tem é que o governo estadual perdeu o controle sobre a segurança pública no Rio. Temos a polícia que mais mata e a que mais morre em todo o país, em números absolutos. Ainda assim, o tráfico varejista de drogas continua a todo vapor, abastecido de mercadoria e de armas. Sinal de que esta política não resolve e que alguém está se beneficiando dela.

Vira e mexe a mídia empresarial pede a presença de tropas das Forças Armadas nas comunidades, para ajudar na velha e surrada política de contenção social. O Exército vem, as coisas “esfriam” e quando as tropas saem tudo volta ao normal: tiroteios, assassinatos e a tradicional violência de traficantes e policiais, que coloca grande parte da população do Rio sob Estado de Sítio. Jardim já deve estar de saco cheio de enxugar gelo.

Mais da metade das chamadas áreas conflagradas, que nada mais são do que regiões abandonadas pelo Estado, estão sob o controle de milícias, formadas por policiais e ex-policiais. Nessas áreas a PM faz vistas grossas e não coloca os pés.

A segurança pública, quando feita para defender e garantir a liberdade dos cidadãos, é sempre bem vinda e não precisa ostentar armas. O seu oposto é a segurança imposta, na base da extorsão, que explora justamente a ausência do Estado e serviços básicos. Nesses casos, ela rende muito dinheiro aos “justiceiros” de plantão e a quem está por trás deles.

Torquato Jardim só colocou o dedo na ferida exposta. Ou a sociedade fluminense e brasileira exige uma mudança na estrutura da segurança pública, com o fim da PM e a formação de uma polícia civil técnica, ou vamos continuar alimentando o monstro que gera lucros a corruptos, justiceiros de araque e graves prejuízos à população, sobretudo ao povo pobre das favelas e periferias.

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