Vamos?

20/08/2017

Recebi de um amigo simpatizante do PT o texto de Zé Dirceu, intitulado “Lula-2018 não resolve tudo! Dialogar com os jovens!”, publicado em 15/8/2017. Confesso que fiquei surpreso com a leitura. Dirceu nem parece aquele sujeito arrogante, que anos atrás mandava e desmandava lá do Palácio do Planalto, como principal dirigente do PT e do governo Lula.

Pode ser que os anos de xilindró, devido ao Mensalão e à condenação pela Lava-Jato, tenham feito a velha raposa refletir sobre os caminhos que a esquerda brasileira terá que percorrer, principalmente depois do golpe de 2016. O texto levanta mais dúvidas e interrogações do que certezas, apesar de não ser um documento de autocrítica e de crítica aos graves equívocos dos 13 anos de governos petistas.

Talvez o afastamento do centro de comando do PT tenha feito bem a Dirceu, que sempre pensou e agiu como um estrategista. De certa forma, o texto de Dirceu deixa crer que o próprio advento do golpe de 2016 colocou a nu os objetivos das velhas oligarquias, dissipando qualquer ilusão de que seria possível insistir na tese de uma aliança estrategica com a burguesia para realizar transformacoes, ainda que parciais e pontuais.

Dirceu também chama a atenção para a resistência ao golpe e as limitações e fraquezas no campo popular e de esquerda no Brasil. A título de conclusão, Dirceu aponta que “devemos ter consciência que nossa vitória depende do crescimento de um amplo movimento de oposição pluralista, com total liberdade de iniciativas, mas com um centro e uma direção orgânica, para a luta e o combate, com um sentimento e um impulso de dialogar e debater…”

Ao final, Dirceu conclui que nossa maior vitória é que o golpe que conduziu Temer ao governo durou pouco tempo e que “mais de 95% da população exige eleições diretas e o fim das contra reformas”. Ao mesmo tempo, alerta: “Mas atenção: não significa apoio a nós ou às nossas propostas”, referindo-se claramente ao PT e a todos os setores e organizações que o cercam.

Muitos dos questionamentos que Dirceu apresenta são válidos e necessários. Pessoalmente não creio que as estruturas do PT, do sindicalismo cutista e da UNE sejam capazes de absorver, de braços abertos, o diálogo proposto. Não que estejam impossibilitados de participar destes debates, mas não podem impulsioná-lo, assim como os partidos da esquerda tradicional e as correntes políticas que se apresentam como revolucionárias. Sua forma de agir e pensar os impede de serem flexíveis o suficiente para participar (sem centralizar seus militantes) do debate, ter paciência e devolver as ideias em formas e conteúdos democráticos.

Hoje quem apresenta essa possibilidade é a Frente Povo Sem Medo (FPSM). Surgida de um movimento social, o MTST, a FPSM deu o pontapé inicial para arregimentar o que resta da esquerda, dos setores progressistas, da intelectualidade independente, para tratar dos assuntos relevantes que a realidade impõe ao nosso povo. E esses temas devem ser tratados à luz do dia, nas praças, nas ruas, nas escolas, faculdades, pelas redes sociais, com as donas de casa, os trabalhadores, os desempregados, os sem-teto, os sem-terra e os estudantes.

Essa é a proposta da série de debates que se inicia com o lançamento da plataforma “Vamos!”, idealizada pela Mídia Ninja e apresentada pela FPSM.

 

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Uma resposta to “Vamos?”

  1. Pra mim, esse movimento deveria convocar a presença do Ciro Gomes, negociar alguns compromissos caso seja eleito (nem serão negociações assim tão difíceis, tendo em vista as recentes afirmações do presidenciável mais no espectro progressista do que muita gente de esquerda) e assim apoiá-lo em 2018.
    Devemos ser realistas, não existe absolutamente nenhum nome para a esquerda lançar com chances ano que vem. O Ciro é que tem.

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