2018: vamos falar sério?

22/03/2017

Faz tempo que apesar de depositar meu voto na urna em candidatos majoritários do PT (muito mais por falta de alternativas), tenho alertado para as posições conciliadoras desse partido e, sobretudo, de suas lideranças nacionais. Não faço isso para defender qualquer outra legenda, porque não estou ligado a nenhuma delas.

A ruptura institucional que levou Temer e caterva ao comando do Planalto serviu para deixar claras as intenções das classes dominantes e seus porta-vozes. Não há projeto de país, não há propósito de oferecer uma alternativa sólida para as futuras gerações, integrar os que estão à margem ou reduzir a distância entre os mais ricos e os mais pobres.

Ao contrário, a cada dia que passa o governo jeca de “mercado”, fruto de uma aliança do grande capital com as oligarquias regionais/baixo clero, empurra a sociedade brasileira para o abismo. Isso não parece novidade para ninguém e até os analistas mais conservadores já perceberam o desastre que este governo representa.

O que salta aos olhos dos mais atentos é a postura da cúpula do Partido dos Trabalhadores. Diante do escândalo da Petrobras, da corrupção deslavada das grandes empreiteiras e das práticas hediondas dos grandes frigoríficos, como responde o grupo dirigente deste partido?

Na tentativa de justificar a política que implantou nos 13 anos de seus governos, a direção do PT (com Lula na cabeça) sai em defesa dos “campeões nacionais” e dos “players internacionais”, representados por esses grupos econômicos.

O que se pode concluir da política que o PT faz hoje, para combater o governo Temer? No momento em que o partido teria que apresentar uma crítica e uma autocrítica de sua conduta, pelo menos para retomar o leme da luta popular, se presta ao papel de defensor do que há de mais nefasto do grande capital.

Isso tem consequências sérias na luta política. É sabido que Lula se prepara para concorrer à Presidência em 2018, o que é legítimo. O que se pergunta é: que política o PT e Lula pretendem para um próximo governo? A mesma dos governos anteriores? Seremos obrigados a ouvir a desculpa de que “não se governa sem alianças”, quando o problema não são as alianças, mas quais alianças, em torno do que e com quem? Vamos ver mais uma vez ministérios e empresas estatais dirigidas por velhas raposas, por indicação de corruptos?

Ora, em vez de Reforma Agrária vamos voltar a distribuir cestas básicas nos acampamentos de sem-terra e prestigiar o Agronegócio? Em vez de casas populares em regime de mutirão, com apoio material e técnico do governo, vamos retomar a construção de blocos de apartamentos do “Minha Casa Minha Vida” nas periferias, para agradar as grandes empreiteiras? Em vez de transparência na gestão da Petrobras, com a participação ativa dos petroleiros, vamos manter os cargos em confiança, indicados pelos partidos da “base aliada”? Em vez de debater um programa e metas a partir das organizações populares vamos centrar a luta política na figura de um candidato?

Não sejamos ingênuos. O Partido dos Trabalhadores nunca se propôs a ser um partido de ruptura com a ordem estabelecida, a não ser pequenos grupos em seu interior sem qualquer expressão popular.

Hoje, após 13 anos de governos, é possível afirmar que se trata de um partido social-democrata, portanto, uma agremiação política disposta apenas a pequenas reformas dentro do capitalismo, um partido de centro.

Não escrevo isso para ofender ou desmerecer quem quer que seja. A política não se faz pela cor das bandeiras, por discursos, pelos gritos de guerra ou palavras de ordem, mas pela prática, pelas medidas que se toma, pelas propostas que se apresenta e pelas alianças que se faz.

Portanto, cabe aos setores organizados, à juventude, os intelectuais e lideranças populares de esquerda se preparar para o embate político de 2018. Não que isso seja a prioridade do momento, até porque a esquerda socialista terá que trabalhar nas ruas e nas lutas contra o governo Temer, em aliança com o PT. Mas isso significa, desde já, levantar propostas concretas, dentro do possível num processo eleitoral.

Uma delas é exigir, seja qual for o candidato e o governo que saia das urnas de 2018, o compromisso de anular as medidas promovidas pelo governo Temer. Outra é retomar o debate das propostas populares para os grandes problemas nacionais: Reforma Agrária, Reforma Urbana, Reforma Tributária, Reforma do Ensino, Reforma das Telecomunicações.

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3 Respostas to “2018: vamos falar sério?”

  1. luis fernando. said

    o brasil precisa ser reinventado.

  2. peter tosh said

    Recordo-me de uma vez quando o senador Lindberg ligou para o programa boca livre, anos atrás, e bradou pra ti:” vc está fazendo o papel da direta, quando me ataca desta maneira. ”
    Reflita nesta frase que ele te disse.
    Não sei se vc se lembra desse dia, mas foi uma surra bem dada que o cara aplicou em vc.

    • blogdoacker said

      Amigo, quem não conhece o Lindberg compra. Eu não levo à sério gente que pula de partido como quem troca de cuecas. Quem fez o papel da direita foram os que fizeram alianças com o PMDB para governar e hoje estão mais sujos do que pau de galinheiro. Eu não tenho nenhum processo nas costas, mas ele tem.

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