Nem vida nem pop: Agronegócio é concentração da terra, veneno e corrupção

20/03/2017

Interessante a polêmica gerada a partir da Operação Carne Fraca, deflagrada pela Polícia Federal, que levantou fraudes na fiscalização do Ministério da Agricultura na fiscalização de 21 grandes frigoríficos brasileiros. De início provocou indignação generalizada na sociedade, por força das manchetes espalhafatosas da mídia e pelo fato de se tratar de um alimento de primeira necessidade.

Logo veio a reação do setor do agronegócio, que acionou seus porta-vozes no governo Temer para colocar panos quentes, como o próprio ministro da Agricultura, Blairo Maggi. E agora a reação dos mercados consumidores, como a Coréia do Sul, China e a União Europeia, que anunciam a suspensão da compra de carne dos frigoríficos envolvidos.

Uma ramificação do escândalo atinge, em cheio, o novo ministro da Justiça do governo Temer, Osmar Serraglio (PMDB/PR), que teria ligação direta com o chefe da fiscalização no seu estado, um dos implicados no esquema, e andou pedindo favores para aliviar a situação de um frigorífico local. Serraglio é um dos beneficiários de doação de campanha eleitoral da JBS, em 2014 (R$ 200 mil).

Há detalhes que precisam ser esclarecidos por especialistas, como as substâncias que teriam sido utilizadas pelos frigoríficos denunciados para disfarçar o prazo de validade da carne. Nem eu, nem qualquer leigo e nem a Polícia Federal temos a obrigação de conhecer detalhes técnicos a respeito. Mas o que deve ser destacado é que a operação vem sendo preparada há dois anos, a partir de denúncias feitas por servidores do próprio Ministério da Agricultura.

Os arautos da política dos “grandes campeões nacionais”, muito em voga durante o governo Lula, se mostram preocupados. Não sem razão, porque a disputa por mercados internacionais é parte fundamental da briga entre grandes grupos econômicos. É evidente que o escândalo da Carne Fraca abala a imagem dessas empresas, que exportam para inúmeros países.

No entanto, é possível afirmar que os produtos brasileiros exportados para mercados mais exigentes sofrem uma fiscalização mais efetiva quando chegam a outros países. Na verdade, a carne que está sob suspeita atinge em maior proporção o mercado interno e vai para a mesa do brasileiro.

No rastro do escândalo da Carne Fraca deveria aparecer uma série de problemas envolvendo os grandes frigoríficos no Brasil. Um deles é a forma como subordinam os pequenos produtores a regras de intensa exploração, outro é o uso de hormônios na produção de animais, além dos preços rebaixados que pagam pelo produto e tudo mais que se soma nesta cadeia de horrores.

O nacionalismo travestido de esquerda gerou deformações no movimento dos trabalhadores, como a tal “burguesia nacional” que teria contradições com o capital internacional (antigo PCB). Esta tese se comprovou falsa, quando a burguesia brasileira aceitou ser sócia minoritária do grande capital, na aliança que gerou a ditadura militar.

O governo Lula apostou em grandes grupos econômicos, que formam oligopólios no Brasil, para disputar os mercados internacionais. Não estava errado, em se tratando de um projeto que jamais pretendeu questionar a estrutura desigual e oligopolizada da economia brasileira.

Mas foi só a crise econômica internacional impor dificuldades aos negócios desta gente para ela mandar o PT às favas. Afinal, grandes empreiteiras e frigoríficos sempre doaram para os caixas 1 e 2 de campanhas eleitorais do PT, PMDB, PSDB, DEM, PP, indistintamente. Essa gente só tem interesse em seus negócios, nunca teve pátria ou preocupação social alguma.

Em vez de se incomodar com as consequências da Operação Carne Fraca para os “campeões nacionais” e a economia capitalista no Brasil, parte da esquerda brasileira deveria estar atenta à necessidade de quebrar a oligopolização do setor, que impõe uma produção a custo baixíssimo, de produtos de qualidade questionável e um processo que só pode ser avalizado por uma burocracia corrupta, subordinada a grupos políticos atrasados, como os que mandam no Brasil de Michel Temer.

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