Tragédia da Chapecoense: chegou a hora de colocar o dedo na ferida

04/12/2016

O que é pior: a demagogia apelativa da Rede Globo, transmitindo velório direto de Chapecó com direito a narração de Galvão Bueno, ou Michel Temer com medo de vaias, solicitando encontro com parentes das vítimas no Aeroporto da cidade?

Some-se a isso a forma frouxa como os meios de comunicação no Brasil acompanham as investigações da maior tragédia do esporte nacional. Ora, um acidente que deixou 71 mortos tem repercussão mundial e precisa ser devidamente esclarecido.

O que se sabe até agora é que a empresa LaMia (que opera com uma aeronave)seria de um grupo de militares bolivianos, que o piloto era genro do ex-senador que fugiu para o Brasil e que, para economizar uma graninha, deixou de colocar combustível suficiente, como determinam as regras internacionais de aviação.

Mas muitas outras coisas ainda estão sem respostas: por que a Conmebol recomendava a LaMia aos clubes e federações de futebol? Existe alguma relação entre Conmebol ou algum de seus dirigentes com essa empresa? Essa empresa tinha estrutura para operar voos internacionais com um avião daquelas especificações? O que dizem os profissionais do ramo?

O que mais intriga é porque a nossa imprensa esportiva não vai atrás dessas evidências e, quando muito, publica coisas óbvias que já se sabe sobre o acidente. Não é por falta de bons profissionais. Dá a nítida impressão de que não se quer mexer em casa de maribondo.

Afinal, para os grandes grupos empresariais é mais importante montar um grande aparato para fazer cobertura ao vivo do velório (audiência é tudo) do que ir atrás dos fatos. Por trás de todo grave acidente existe um acúmulo de erros, que têm conexão uns com os outros. Não é tão difícil investigar o que houve.

Com a morte da delegação de atletas, dirigentes e comissão técnica da Chapecoense e de 22 jornalistas, a imprensa esportiva brasileira tem a obrigação e compromisso de honrar a perda de tantos colegas e comandar uma cobertura detalhada dos acontecimentos que envolvem essa tragédia. É o mínimo que se espera de solidariedade aos colegas mortos e seus familiares.

Correto seria se, em situações extremas como essas, as empresas de comunicação agissem em cooperação. Mas se isso não é possível num mundo em que o dinheiro e a concorrência falam mais alto, pelo menos que se faça um pacto para que se apure tudo, doa a quem doer, até que os fatos sejam elucidados. Ou será que vamos ter que aguardar as notícias pelos sites de notícias estrangeiros?

 

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2 Respostas to “Tragédia da Chapecoense: chegou a hora de colocar o dedo na ferida”

  1. Paulo Cesar de Figueiredo said

    A Globo fez o que qualquer tv poderia ter feito. A Band, também, transmitiu a chegada dos corpos, as solenidades, etc.. Se a Band transmitiu parte, isso é com ela. Mas NÃO DEIXOU DE TRANSMITIR, as 12 horas, O PROGRAMA DO MALAFAIA. Que vergonha BAND !!

  2. Yolanda said

    Henrique Acker, parabéns pelo comentário sempre lúcido, vc está fazendo falta no rádio, saudades do “Boca Livre” e de vcs.

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