Prévias 2018: construir uma plataforma a partir das necessidades concretas do povo e da sua experiência de luta

14/11/2016

Tomei conhecimento pelas redes sociais da existência de um movimento por prévias eleitorais para o lançamento de uma candidatura unitária das esquerdas em 2018. Como sou um entusiasta da necessidade da unidade popular para o a construção de uma nova esquerda marxista, livre dos dogmas e de regrinhas que jamais existiram, mas foram cultuadas como fórmulas mágicas para se alcançar o socialismo, procurei me informar a respeito do queroprevias2018.

Ao contrário de algumas críticas que li a respeito, entendi que o propósito deste movimento, lançado por intelectuais de diversas matizes da esquerda brasileira, é justamente impulsionar o debate sobre uma plataforma que unifique a esquerda, para dar vazão às demandas reprimidas dos anseios populares e dos movimentos sociais organizados em todo o país, visando as eleições de 2018.

Alguns podem objetar que se trata de um movimento única e exclusivamente preocupado com as eleições ou pela via eleitoral. Certamente entre os signatários do manifesto do movimento existem pessoas que entendem que a disputa política no próximo período deve se concentrar no processo eleitoral presidencial de 2018.

No entanto, ainda que parcela dos que estão aderindo e propagandeando este movimento tenham esta visão, o mais importante é assegurar que os debates sobre programa serão amplos (em forma e conteúdo) e que, caso haja a possibilidade de lançamento de uma candidatura única de esquerda em 2018, esta candidatura se paute por uma plataforma popular, amplamente debatida em todo o país.

Isso está expressamente dito no Manifesto e nas “perguntas e respostas” que constam do portal do movimento queroprevias2018. O mais importante é que este tipo de iniciativa esteja livre das amarras partidárias e de vícios como os “acertos políticos prévios”, que delimitem o raio de participação popular e, ao mesmo tempo, prendam os participantes a um compromisso político eleitoral, caso discordem de seu resultado final. Tão importante quanto isso é incentivar o surgimento de fóruns gerais e específicos de debate sobre diversos temas fundamentais para a sociedade brasileira.

Chegamos ao fundo do poço da luta política, não só no Brasil, mas em todo o mundo. Isso se dá porque as instituições democrático-burguesas (governos, partidos, parlamentos, etc) estão subordinados ao poder econômico internacional, que dita regras de funcionamento dos governos e a distribuição dos orçamentos dos países, financia campanhas e promove golpes, como verificamos recentemente no Brasil.

Mas, ao contrário do que se imagina, é evidente que a saída é a política. Política num novo patamar, política sem amarras e sem compromissos que atrelem os atores, as ações de classe ou subordinem as lutas sociais a um limite “suportável” pelas instituições do Estado e os grandes grupos empresariais.

É evidente que será preciso incluir os partidos da esquerda neste debate, se eles assim o desejarem. No entanto, é importante que os partidos, suas correntes internas, parlamentares, governantes e lideranças estejam cientes de que o debate das prévias não poderá ser determinado por uma lógica meramente eleitoral, ou seja, pelo velho modelo de medir forças nas urnas. Até porque, mais importante que o voto dos que aderirem a este movimento, é o compromisso de todos com a tentativa de forjar uma plataforma unificada, com propostas gerais para o país e específicas em cada frente de luta e debate.

Ainda que defenda uma plataforma socialista, claramente discutida e construída em debates, necessitamos de uma plataforma popular, um programa mínimo imediato, que faça avançar a sociedade brasileira para as reivindicações mais sentidas pela maioria de nosso povo, a partir das conquistas que acumulamos na luta pela redemocratização do país.

Não se pode aceitar retrocessos, ao contrário, trata-se de avançar e colocar na mesa, às claras para todo o país, as medidas que precisam ser adotadas para que 80% da população brasileira sejam alvo e parte das profundas transformações que estamos devendo desde 1964, quando o golpe civil e militar interrompeu o início da implantação das reformas de base, protagonizadas pelo governo João Goulart.

Aliás, como já defendi em matérias anteriores, as Reformas de Base do governo Jango podem ser o fio da meada que precisamos retomar neste debate para as prévias.

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