Especulações sobre a luta política institucional até 2018

23/08/2016

Algumas especulações rondam o cenário político atual até 2018. As medidas anunciadas pelo governo golpista, muito mais pela pressão do empresariado, do mercado financeiro e dos credores da dívida pública, são nitidamente antipopulares. O porta-voz mais fiel dessa política privatista no cenário partidário é o PSDB, que ocupa postos estratégicos no governo Temer.

Os tucanos estão no Ministério da Fazenda, no BNDES, nas relações exteriores e pressionam para que Temer adote integralmente o receituário neoliberal nos próximos dois anos. Daí algumas manifestações de descontentamento e reuniões de bastidores entre o tucanato e os demais setores do governo.

No entanto, o partido majoritário na composição do governo, o PMDB, é uma federação de grupos políticos das oligarquias regionais, num país de dimensões continentais. Um partido com tantas diferenças internas nunca teve e não tem a vocação para impor medidas econômicas e sociais desgastantes, tendo em vista que sua sobrevivência depende do jogo eleitoral.

Por outro lado, algumas das medidas que estão sendo anunciadas pelo governo golpista têm origem no próprio governo Dilma e contavam com o apoio da maioria da cúpula do PT, como a PEC 257. A cada dia que passa, com os resultados dos indicadores econômicos e sociais sombrios já sob o governo Temer, fica mais evidente que será muito difícil enfrentar e debelar a crise – cujas raízes são muito mais graves – com a intensificação da política recessiva, a mesma adotada pelo ex-ministro Joaquim Levy, agora aditivada com a privatização escancarada da economia.

O governo Temer e seus aliados mais próximos já definiram sua estratégia para os próximos meses: 1) acelerar o Impeachment de Dilma e sacramentar Temer como presidente de fato e de direito; 2) empurrar a cassação de Eduardo Cunha para depois das eleições de outubro, evitando uma possível delação premiada que influenciasse o resultado eleitoral deste ano.

O que virá depois disso ainda está no campo da especulação política. O PMDB estará disposto a pagar o preço político em 2018 pelas medidas duras exigidas pelo “mercado” ou tentará um acordo que garanta um meio termo desta política? O PSDB seguirá no governo Temer até o fim ou pulará fora antes por descontentamento ou também para evitar o desgaste político das medidas impopulares?

Para o PT será positivo ou negativo estender a mão ao governo Temer, mesmo depois de consumado o golpe político-institucional, visando isolar os tucanos e tentar uma solução mais branda nas medidas que este governo se comprometeu a adotar? Ao que parece a Direção do PT rejeita até mesmo qualquer proposta que represente uma mudança do calendário eleitoral, como a antecipação das eleições presidenciais, levantada por Dilma.

No campo institucional que variáveis estão postas no jogo político para 2018? Com um possível desgaste do governo Temer em curto prazo pode prosperar a Ação de Impugnação de Mandato Eletivo (AIME), que corre no TSE, visando a impugnação da chapa Dilma-Temer? Até que ponto uma delação premiada de Eduardo Cunha pode inviabilizar o governo Temer e atingir seus aliados? Com o avanço das investigações da Operação Lava Jato será possível acelerar os trâmites judiciais e tornar Lula inelegível em 2018? Haverá acúmulo e unidade das forças populares para apresentar uma alternativa política consistente e viável nos próximos dois anos?

Essas e outras questões estão postas no tabuleiro de xadrez da crise econômica e política brasileira para o próximo período.

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