Cidade olímpica loteada

12/08/2016

Dia desses, durante os jogos do Rio, assisti a uma reportagem na TV sobre os desafios enfrentados pelos espectadores nas arenas olímpicas. Na Barra, no Engenhão, no Maracanãzinho ou na Vila Militar os mesmos problemas: falta de condução suficiente depois da meia-noite.

Estrangeiros e turistas brasileiros tiveram que encarar a Via Crucis que os cariocas enfrentam todos os dias. Longas filas no BRT para tentar chegar ao Metrô, só que depois da uma da manhã não havia mais Metrô circulando. O jeito era seguir nos ônibus, apinhados de gente. Teve gente chegando de madrugada em casa.

A desculpa da empresa que administra o Metrô, repetida pelo secretário de transportes, é que a madrugada é usada para fazer a manutenção das composições. No caso dos trens a Supervia deu uma maquiada, colocando trens com melhores condições na linha que atende ao Engenhão. O resto, a sucata, foi empurrada para as outras linhas. Afinal, quem quer saber do povão da Baixada e da Zona Oeste?

Já no VLT que circula pelo Centro a jogada é faturar na compra do bilhete. A máquina para aquisição da passagem não dá troco, de maneira que a empresa embolsa pelo menos R$ 0,20 de cada passageiro.

Disso tudo decorrem duas questões:

1) Por que a maior parte das competições mais importantes são disputadas a partir das 22 horas de Brasília? Simples: para comprar os direitos de imagem dos jogos a cadeia de TV norte-americana NBC impôs a realização de competições nos horários que melhor convém aos seus interesses comerciais para o horário dos EUA. O resultado disso foi a loucura de provas de natação, atletismo, jogos de futebol, vôlei e basquete sendo realizados em horários impróprios para os próprios atletas e para o público.

2) Como a estrutura de transportes da cidade não estava preparada para atender aos torcedores? Outra resposta que não tem mágica: Metrô, Trem, Barcas e Ônibus do Rio estão nas mãos de empresas e consórcios privados, que não dialogam entre si e não seguem qualquer planejamento organizado pela Prefeitura. Ou seja, fazem o que lhes convém, apesar dos inúmeros subsídios que recebem, a começar pela administração do Rio card.

O Rio é lindo, mas a realidade dos cariocas não é nada maravilhosa. Como se vê, o carioca enfrenta verdadeiras maratonas todos os dias.

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