Rio 2016: cidade violentada e privatizada

25/07/2016

A proximidade dos Jogos Olímpicos vai fazendo com que os cariocas se deem conta de que sua cidade foi sequestrada e violentada. As mudanças executadas pela Prefeitura, atropelando regras de zoneamento urbano, em acordo com o governo estadual e com apoio do governo federal são tamanhas que não se reconhece mais a Cidade Maravilhosa.

Os tapumes de vidro da Linha Vermelha, ocultando os milhares de barracos da Favela da Maré, são apenas um cartão de visitas para quem chega de avião ao Aeroporto do Galeão. Ao desembocar na Avenida Brasil, o sujeito é surpreendido pelas obras do BRT, que provocaram um estreitamento da pista para os ônibus articulados desfilarem.

No Centro ninguém entende mais que ônibus pode pegar e aonde ele vai te deixar. São os tais troncais, ainda desconhecidos da maioria. Não há mais ônibus ponto a ponto da cidade. Tudo certo e racional se o passageiro não fosse obrigado a fazer baldeação (gastando mais tempo e dinheiro) e se deslocar por um trecho maior.

A novidade é o Metrô da Linha 4, que consumiu R$ 9 bi, mas que originalmente custaria R$ 300 milhões. Pelo custo superfaturado da obra certamente daria para atravessar o Rio de um lado a outro, mas o monstrengo, que vai ser aberto ao uso da população depois das olimpíadas, tem só cinco estações. É o custo mais caro por quilômetro no mundo: R$ 900 mi/km!

No Centro, toda a área da antiga Zona Portuária foi entregue a um consórcio formado pela Odebrecht e outras empresas, o tal Porto Novo. O grupo vai administrar tudo na região (Porto Maravilha), que vai valorizar horrores com a retirada do viaduto da Perimetral e a abertura da vista para a Baía de Guanabara. As construtoras envolvidas já levantam os primeiros Edifícios para escritórios, com gabarito de construção gentilmente liberado pelos senhores vereadores.

O bonde do VLT, que saiu pela bagatela de mais de R$ 1 bi e trafegará por apenas 26 quilômetros quando estiver concluído, é outro veículo de apoio, porque não tem capacidade para ser transporte de massa.

A Barra e o Recreio estão completamente mudados. A Transolímpica corta a Zona Oeste toda, mas naquele mesmo esquema do BRT. O que era para ser um transporte de apoio virou transporte/fim, com as mesmas empresas de ônibus de sempre, agora aglomeradas em consórcios junto com as empreiteiras que constroem as vias.

A Vila Olímpica, erguida sobre o antigo Autódromo de Jacarepaguá, e o campo de golfe – plantado sobre uma área de proteção ambiental – são o filé do negócio olímpico. Construídos em terrenos altamente valorizados, serão empreendimentos privados das construtoras que fizeram o serviço das Olimpíadas assim que os jogos terminares. Vão render muita grana à Carvalho Hosken e a Cyrela e servir aos milionários.

Foram cerca de 150 mil pessoas despejadas e transferidas na marra de suas casas/barracos para bancar o negócio Olímpico. Em torno de R$ 34 bilhões foram queimados em investimentos. Em sua maioria esses recursos foram bancados com dinheiro público, para uma verdadeira “farra-do-boi”, promovida pelos governantes e apropriada por grandes grupos privados.

Disso tudo que chamam de “legado” ficará uma fatura alta. As dívidas do Estado e do Município vão crescer enormemente para que nós, cariocas e fluminenses, paguemos por elas. Além de uma conta salgada, restará aos cidadãos uma cidade mais confusa, mais cara, estressante e privatizada.

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