Nau sem rumo

17/07/2016

A eleição de Rodrigo Maia à Presidência da Câmara não significou apenas uma vitória do governo interino de Michel Temer no parlamento. Maia recebeu votos de todos os partidos com alguma solidez programática, do PSDB ao PT, passando pelo PSB, DEM, PPS e outros menores.

Não por acaso, o novo Presidente da Câmara fez questão de se reunir com Aécio Neves, ao mesmo tempo ressaltar que não seria eleito sem os votos da “esquerda”, ou seja, o PT, o PCdoB e o PDT. Mas o que teria movido todas essas legendas com tantos conflitos a apoiar um candidato do DEM (int)

O PT não assumiu qualquer protagonismo neste processo e tampouco aderiu a uma candidatura de esquerda no primeiro turno da votação, como a de Luíza Erundina. Ao PT bastava conter o ímpeto do Centrão de Eduardo Cunha. O que se sabe é que Lula em pessoa ajudou na costura do apoio a Maia, participando de encontros e reuniões que precederam a eleição do candidato do DEM.

O acordo era em torno da necessidade de derrotar o candidato de Eduardo Cunha e recolocar o Centrão no seu devido lugar, ou seja, a reboque dos partidos tradicionais. Assim, seria possível destravar o parlamento e recompor uma vida regular dentro da Câmara, a partir de uma agenda essencialmente política, sob a batuta dos partidos tradicionais.

Ao mesmo tempo, esse acordão em torno de Maia, deixa claro que o PT de Lula jogou a toalha e já se conformou com a transformação do governo golpista e interino em governo definitivo até 2018. Na cabeça de Lula resta torcer por uma desastrosa administração Temer, que abra a possibilidade do retorno do PT à Presidência.

Tão grave quanto essa capitulação é a postura do lulismo em relação a candidaturas que surgem à esquerda nas eleições municipais deste ano. No Rio, S. Paulo e P. Alegre, Belém, Natal e outras capitais os pré-candidatos de esquerda, abrigados sob a legenda do PSOL, aparecem com boas chances de chegar ao segundo turno e mesmo vencer as eleições.

A recusa do PT até aqui em fortalecer ou sequer oferecer apoio a essas candidaturas não tem outro objetivo senão conter o avanço de uma alternativa que lhe roube o eleitorado de esquerda. Daí porque o PT prefere apoiar candidatos de partidos conservadores ou aliados, mesmo sem chances, como o PCdoB, do que apostar numa saída pela esquerda.

Não que os partidos de esquerda ofereçam alternativas sólidas aos trabalhadores e ao povo. Estão longe disso, mas neste momento qualquer proposta política que fuja do bloco hegemônico de poder e da receita neoliberal, deve ser apoiada e reforçada.

O mais lamentável é que a argumentação usada para isso é que os candidatos de esquerda dividem a “esquerda”. Na verdade o PT sequer fez autocrítica de seus equívocos grosseiros nos últimos anos e ainda presta mais um desserviço.

As práticas que levaram a adoção de posturas moralmente condenáveis, nada mais são do que o subproduto de uma política de administração do Estado como sócio e financiador dos negócios de grandes empresas, de subordinação ao sistema financeiro e das alianças que o PT definiu para governar.

Daqui até 2018 muita água vai rolar por debaixo da ponte. E Temer, que não tem nenhum projeto político para o futuro, já anuncia reformas draconianas, logo após a confirmação do Impeachment de Dilma, em agosto.

Essas reformas vão no sentido de desmontar o que sobrou do Estado brasileiro, com mais privatizações, limitação de investimentos sociais, aumento da idade para aposentadoria, além de reforma trabalhista e fiscal que beneficiem o grande capital.

Portanto, esperar 2018 é baixar a guarda, porque até lá os estragos poderão ser irreversíveis. Cabe aos movimentos populares do campo e da cidade e, sobretudo à juventude, persistir na resistência ao governo golpista, nas ruas e nas urnas, forjando novas formas de organização e luta neste processo.

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