Três semanas da República Jeca do “mercado”

06/06/2016

Desde 21 de maio o Brasil vive aos sobressaltos, aguardando qual será o novo ministro, secretário ou presidente de órgão público nomeado envolvido em falcatrua. Três semanas de temporada do circo dos horrores do desgoverno Temer.

Na primeira semana foi a vez de Romero Jucá ser abatido pela gravação de conversa com Sérgio Machado. Perdeu o cargo no Planejamento, mas não perdeu a pose para defender o governo Temer no Senado.

Logo depois apareceram as conversas de Machado com seu padrinho e Presidente do Senado, Renam Calheiros.  E logo em seguida foi a vez do senador José Sarney, todos pegos com a boca na botija, num quebra-cabeça que pode ser montado por qualquer criança para explicar a construção do golpe que apeou a ex-presidente do governo.

Sem Ministério da Cultura, Temer tentou achar uma mulher de expressão na sociedade que topasse dirigir a nova secretaria. Ninguém topou e Temer teve que chamar o secretário de cultura de Eduardo Paes. A pressão foi tanta que o usurpador foi obrigado a recriar o Ministério, mas a crise continua.

O ministro da Educação, um fazendeiro do nordeste, recebe Alexandre Frota e outras assumidades do Revoltados Online, para debater propostas de sua pasta. A mais importante delas: Escola sem partido.

Aliás, em seu ministério de corruptos, empresários e homens do “mercado”, ainda falta a representação feminina, dos negros e das chamadas “minorias”. Para não pegar mal Temer deu logo um jeito: chamou a privatizadora de carteirinha, Maria Silvia, para tomar conta do cofre do BNDES. E para completar o time feminino levou uma ex-deputada do PMDB/AP, que é contra o aborto mesmo em caso de estupro, também envolvida em escândalo em sua campanha eleitoral.

Mal os caras assumem e começa o Febeapá (Festival de Besteiras que Assola o País, do falecido Stanislaw Ponte Preta, o Sérgio Porto). O Ministro da Transparência foi pego em outra gravação, dando conselhos a Renan Calheiros de como driblar a investigação do Ministério Público. Rodou e ainda deixou Renan numa podre.

A resistência aos indicados por Temer é quase unanimidade. Não apenas por se tratar de um governo ilegítimo, que não saiu das urnas, mas também pelas figuras escolhidas para preencher ministérios, secretarias e órgãos públicos. É os casos do Ipea e do IBGE, em que um chicago boy do “mercado” foi indicado.

Nas relações internacionais o sinistro José Serra não emplaca uma. Por onde passa é manifestação de repúdio ao desgoverno Temer. Para completar nenhum chefe de governo da América Latina ou de outros países demonstrou entusiasmo até aqui com suas visitas.

Agora, Temer aprova um pacote de reajustes de servidores, que de resto já estava acertado com o governo que saiu. Só que no meio foram colocados alguns penduricalhos, como 14 mil novos cargos comissionados e um reajuste bacana para os magistrados. Uma evidente contradição com o discurso de “austeridade” e moralidade que o levaram a usurpar a cadeira de Dilma.

No meio deste circo dos horrores, os grupos empresariais de mídia procuram disputar a opinião pública. A Globo expressa sua posição de apoio a Temer, justificado no artigo de Eliane Cantanhede: “Ruim com ele, pior sem ele”. A Globo não pode esconder o que a concorrência mostra e sua tática consiste em tentar “tucanizar” o máximo possível a equipe de Temer. A Band, que também apostou suas fichas no desgoverno Temer, já começa a questionar as decisões, ainda mais agora do cinismo do “pacote de bondades” que aumentou os salários de juízes e criou 14 mil novos cargos.

Já a Folha SP abre suas páginas para mostrar as contradições da turminha da moralidade, publicando farto material que incrimina ministros, secretários e até Temer. A Folha não esconde que defende uma solução institucional para a crise, com eleições diretas para Presidente.

No Judiciário as coisas continuam andando a toque de cágado. Os senhores togados não se movem, fazendo vistas grossas para a enxurrada de processos que envolvem ministros e secretários de Temer, ao contrário da pressa que tiveram para impedir que Lula fosse empossado no ministério de Dilma. O desgoverno interno faz um agrado, liberando reajustes de salários e benefícios à cúpula do Judiciário.

No Senado Temer começa a enfrentar problemas, porque ainda há indecisos sobre a condenação de Dilma, o que pode melar suas pretensões golpistas de reinar até o final de 2018. Como cada dia é um susto, com novas gravações e novos nomes de ministros e secretários implicados em delações premiadas, o PMDB e seus aliados querem apressar a votação do Impeachment.

A banda dos representantes do “mercado” no governo jeca começa a ensaiar seu pacote de maldades. Privatizações, liberação do pré-sal, liberdade irrestrita para as Agências reguladoras, reforma da Previdência, desvinculação do reajuste das aposentadorias em relação ao salário mínimo. E vai por aí… Mas até eles sabem que precisam de apoio da opinião pública ou pelo menos de calmaria para aplicar seu receituário sobre o corpo doente do país.

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Uma resposta to “Três semanas da República Jeca do “mercado””

  1. O Estado brasileiro apodreceu, mas parece que não há nada de novo no horizonte, triste momento, onde alternativa a isso é pequena.

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