Gato por lebre

25/05/2016

Os primeiros dias do governo jeca de Michel Temer dão a pista do tipo de administração se apoderou do país. Em aliança com representantes do “mercado”, uma chusma de desqualificados abrigados no maior partido político do Ocidente (PMDB) dá o tom das trapalhadas.

As gravações de conversas de Sergio Machado com Romero Jucá e Renan Calheiros, publicadas pela Folha SP, demonstram que o rei está nu. E que tudo foi acertado com o pessoal do Supremo Tribunal Federal, talvez excetuando alguns ministros, além do comando das Forças Armadas, que estaria “monitorando o MST”. Agora só falta a conversa de Machado com Sarney.

Ou seja, o golpe institucional-parlamentar que apeou a Presidente do poder teve por objetivo frear a “sangria desatada” das delações premiadas e dar uma “delimitada” na Operação Lava Jato. Afinal, ia sobrar para todo mundo, inclusive o PSDB. E, pelo jeito, todos conhecem o “esquema do Aécio”, menos o sinistro Gilmar Mendes.

O que queriam essas figuras deploráveis dos altos poderes da República? Paralisar as investigações da Operação Lava Jato. E tiraram Dilma da Presidência porque seu governo não tinha força ou disposição para evitar que a apuração chegasse aos caciques do PMDB e do PSDB.

Portanto, quem acreditou que Michel Temer encarnaria um novo tempo, embarcou num conto do vigário. Em verdade trata-se de uma aliança esdrúxula entre corruptos da pior espécie, representantes das oligarquias regionais abrigadas no PMDB que queriam salvar suas respectivas peles, e o mercado financeiro, interessado em impor sua agenda econômica neoliberal até a medula.

O fiador deste pacto é o senhor Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco Central nos governos Lula, o que prova que o mercado financeiro também participou ativamente dos governos petistas. Só que agora Meirelles dá todas as cartas, apresentando um pacote de medidas que ataca o setor público, esquece de taxar as elites e mantêm em dia o pagamento de juros/amortizações da famigerada dívida pública (externa/interna) brasileira.

Vem aí a redução dos gastos obrigatórios com Saúde e Educação – como se estivéssemos nadando em recursos nessas duas áreas -, uma nova reforma da Previdência para penalizar ainda mais os trabalhadores e a redução da participação da Petrobras na exploração do petróleo da camada do Pré-Sal. Isso, só para começar.

O problema para o pessoal do “mercado” é que Temer e sua equipe ministerial de desqualificados atrapalha mais do que ajuda. Esses jecas, acostumados a rapinagem mais rasteira dos cofres públicos, não têm a menor noção do ridículo. A mais recente piada saiu do gabinete do sinistro da Educação, Mendonça Filho, que recebeu o grupo Revoltados Online e Alexandre Frota para debater sugestões para o setor.

Essa combinação explosiva de velhos oligarcas espertalhões e yuppies do “mercado” produz um governo esdrúxulo, sem apoio popular e sob a desconfiança até do mais empedernido direitista, que vestiu camisa da CBF e foi às ruas gritar pelo impeachment de Dilma. Isso dá mais munição à imprensa estrangeira e coloca o desgoverno Temer sob maior desconfiança internacional.

O grande vilão dessa turma passou a ser a delação premiada. O ex-senador Delcidio do Amaral foi o primeiro do meio político a bater com a língua nos dentes. Agora aparece Sergio Machado, que antes de ser presidente da Transpetro foi senador e conhece bem como a banda toca em Brasília. Por isso, é fundamental conter o ímpeto de vingança de Eduardo Cunha, que continua forte nos bastidores.

Nem a 30ª fase da Lava Jato, que expôs novos negócios sujos envolvendo o nome de Zé Dirceu, conseguiu aplacar o efeito bombástico das conversas de Machado e Jucá, a ponto de Romero pedir o boné do ministério. Agora as afirmações de Calheiros pairam no ar, como um fantasma a assombrar o governo Temer. O que virá com as conversas entre Machado e Sarney?

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Uma resposta to “Gato por lebre”

  1. Republicou isso em PLUTO PRESSe comentado:
    Reflexo do grampo. A trama vista de dentro. Jucá, Sarney, Renan…O pior do PMDB, um grupo de meliantes abraçados a uma sigla que representa o que há de pior na política brasileira dos últimos 50 anos. O papel da imprensa no golpe.

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