O patinho feio

06/05/2016

O Cunha de hoje cumpre função semelhante ao Sarney de ontem. Quando o todo poderoso ex-presidente agia nos bastidores de Brasília, como presidente do Senado, ninguém queria o escritor do Maranhão na mesma foto. Era uma espécie de Geni, na qual todos gostavam de tacar pedra.

Hoje, depois de ter cumprido a nefasta missão de comandar sua bancada no processo de impedimento de Dilma, Cunha deixou de ser útil a tucanos, ppsistas e até peemedebistas. Ele é tratado como uma espécie de patinho feio, estranho à sua coletividade, alguém que só tinha vocação para ser líder do baixo clero.

Agora que os estrategistas da elite conservadora triunfaram, não pega bem manter Cunha a frente da Câmara, como segundo homem na cadeia sucessória do país. Ele não tem verniz para permanecer em posto de tamanha importância. Não por acaso o senhor Teori Zsavascki relatou e empurrou em tempo recorde seu parecer pelo afastamento de Cunha de suas funções, recebendo o apoio unânime de seus pares no STF.

Com isso, parte significativa do baixo clero na Câmara fica órfã, abrindo caminho para a afirmação de novas lideranças, sobretudo as que comandem aquela Casa para referendar o projeto que virá com o governo Temer.

Resta saber se Cunha se resignará com o “exílio” a que será relegado. Afinal, ele acreditou que seria preservado caso emprestasse seu capital político ao impedimento de Dilma e ao futuro governo Temer. Talvez isso aconteça, caso Temer e sua turma confirmem o que já se diz nos bastidores, abafando os escândalos abertos com a Operação Lava Jato, inclusive os que têm em Cunha como personagem.

Em sua agonia vai espernear, jurando que é vítima de uma perseguição dos petistas, porque decidiu assumir a brava missão de defenestrar a Presidente da República. O discurso serve para mantê-lo próximo dos que ainda acreditam nele e em seus nobres propósitos.

Eduardo Cunha não age como as velhas raposas felpudas da política nacional. Seu universo é outro, pragmático, rasteiro, vingativo, da escola dos desqualificados que não pensam em projeto estratégico. Criou-se na política com a equipe que montou a farsa do Governo Collor, na base da chantagem e da roubalheira explícita.

Por isso, ninguém deve se surpreender se, acuado e ameaçado de prisão, Cunha crescer e decidir voar como o cisne. Assim, poderia vingar-se de seus irmãozinhos patos que o toleravam, mas o rejeitavam. Se Cunha gostar de voar pode despejar a maior delação premiada que o país já viu sobre as cabeças da República. É esperar para ver.

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