Judas, a ponte para o passado e o futuro que nos espera

18/04/2016

Uma geração inteira de brasileiros não conhece e não viveu a época dos governos conservadores, que começou com Sarney e se encerrou em 2002, com FHC. Em todos eles, é bom que se diga, o PMDB esteve presente, ora com maior expressão ora como ator coadjuvante.

Esses governos (Sarney, Collor, Itamar Franco e FHC) foram abertamente representantes do grande capital. O que mais se destacou foi o de FHC, que por dois mandatos colecionou uma série de medidas saudadas como indispensáveis ao projeto neoliberal.

O governo que preparou o caminho do arrasa quarteirão foi o de Collor de Mello, quando tratou os servidores públicos como marajás e as empresas estatais como elefantes da economia brasileira. Foi Collor que, em seu breve mandato, abriu o mercado nacional à concorrência desleal com mercadorias estrangeiras de todo tipo, chamando os veículos aqui produzidos de “carroças”.

Mas foi FHC que atacou de morte a infraestrutura do país, ao privatizar o setor de mineração, as siderúrgicas, o sistema elétrico e de telefonia, além de acabar com o transporte ferroviário.

E o que propõe o senhor Temer, com sua “ponte para o futuro”? Justamente a continuidade daquela política cem por cento privatizante.  O documento apresentado por Judas é, na verdade, um arrazoado de medidas neoliberais, defendidas pelo grande capital, redigido numa linguagem típica dos yuppies do “mercado”.

Pouco importa se Temer está ou não preparado, o cinismo de sua cartinha queixosa para Dilma, seu envolvimento nos escândalos da Lava-Jato e tantos outros. O que importa é que ele está disposto a comandar o barco, tendo como seu ajudante de ordens no Congresso o “caranguejo” Cunha.

Agora, mais importante que lamentar a política reformista/conservadora do PT, é preservar o pouco que ainda resta da vida democrática, já tão castigada pelas emendas constitucionais que desfiguraram por completo a limitada Constituição de 1988.

O PT que lamba suas feridas e procure sua penitência. Quem teve 13 anos para fazer avançar a frágil democracia que conquistamos e não deu conta sequer de atacar o monopólio da mídia, que se lasque. Tão pouco importa o que anunciam os bravateiros da esquerda sectária, porque suas receitas não foram suficientes sequer para conquistar o respeito da maioria de nosso povo. Eles que se lixem com seus dogmas e seu discurso pré-fabricado.

Trata-se de retomar a organização popular por todo o país, a partir dos locais de trabalho, escolas e de moradia, na defesa dos interesses do nosso povo. Trata-se de retomar as experiências de comunicação alternativas, de construção de fóruns de luta e de debate entre os movimentos sindical, popular e da juventude, com o apoio da intelectualidade marxista.

O tempo das ilusões com a conciliação de classes acabou. O pau vai cantar na casa de Noca. A burguesia jogou o bagaço do PT no lixo. Agora é tempo de aprender com os erros e construir um novo projeto, baseado na luta e na construção original de uma consciência de classe, que abra caminho para uma nova sociedade.

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