Marinadas à direita

11/04/2016

Tenho amigos e conhecidos que respeito no projeto da Rede Sustentabilidade. Mas, para além das questões ambientais que afligem a todos e que são fruto da irracionalidade da exploração do Planeta pelo sistema capitalista, o Brasil não sofre apenas os ataques ao meio ambiente.

Esses companheiros, originários da esquerda socialista e que muito corretamente dela se afastaram criticando seu sectarismo e inconsequência, amadureceram uma série de idéias interessantes em direção a uma nova sociedade.

Ocorre que nos últimos anos, mesmo antes de obter seu registro oficial como agremiação partidária, a Rede já passou por um teste decisivo na sua afirmação enquanto projeto político. No segundo turno das eleições presidenciais de 2014, Marina Silva decidiu apoiar publicamente a candidatura do tucano Aécio Neves.

Agora, às vésperas da votação do pedido de Impeachment da presidente Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados, a Rede enfrenta um novo teste. E Marina declara que recomendou a seus correligionários o voto a favor do impedimento, ainda que o partido tenha liberado seus parlamentares para votar de acordo com sua consciência.

Tudo bem que o governo Dilma representa um estelionato eleitoral, que fez justamente o contrário do que dizia na campanha eleitoral e que, caso se livre do Impeachment, será um governo ainda mais refém do jogo sujo dos bastidores da política das elites.

Tudo bem que o melhor será que a chapa Dilma e Temer seja cassada pelo TSE, se comprovado o uso de recursos desviados da Petrobras para sua campanha, coisa que é até evidente, embora os petistas aleguem que os recursos foram registrados como doações legais de campanha.

Mas na vida pública é preciso ser coerente. Não é porque sua candidatura aparece na frente das enquetes eleitorais que uma liderança nacional deve propor que seus correligionários votem a favor do Impeachment, sem qualquer base legal. Fica parecendo que Marina está fazendo média com parcela do eleitorado de classe média que vai às ruas para babar seu ódio anticomunista.

Posso concordar em muitas coisas com alguns companheiros de luta quando criticam a postura inconsequente dos micropartidos de esquerda, quando se negam a conciliar com a posição cínica dos que ainda identificam o PT com esquerda. Mas não posso aceitar que todas essas criticas contundentes resultem em posições indefensáveis, quando elas atravessam o limite da barreira de classes.

Se é verdade que Brasília virou um balcão de negócios, envolvendo a compra e venda de votos de parlamentares em troca de cargos e verbas no governo Dilma e num hipotético governo Temer, então é evidente que tanto os projetos quanto os métodos da política do PT e da oposição conservadora se assemelham.

Caberia, sim, à ex-senadora Marina Silva vir a público e fazer autocrítica de seu apoio ao candidato Aécio Neves no segundo turno das eleições passadas. Ou será que ao não fazê-lo Marina já sonha com o apoio dos tucanos à sua candidatura em 2018?

Coerência teria Marina se, mesmo consciente do que representa o desgoverno Dilma, fosse a público atacar o processo de Impeachment como um expediente golpista, usado como fórmula de ocasião pela oposição conservadora para galgar o poder.

Mas parece que a grandeza política que se cobra dos outros não é a mesma na hora de adotar posições firmes e coerentes.

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