Direita reciclada

08/04/2016

Uma plêiade de porta-vozes da direita, disfarçados de bons moços, passou a surfar na onda moralista que tomou conta do país a partir da Operação Lava-Jato e das manifestações conservadoras que pedem o fim do governo Dilma. Entre eles, figuras já conhecidas como Rodrigo Constantino, Diogo Mainardi, Luiz Felipe Pondé e Reynaldo Azevedo.

Não que o governo Dilma seja defensável, longe disso. Ocorre que na falta de quem dê sustentação teórica aos raivosos opositores ao governo petista, algumas figuras surgem e ocupam espaços para reafirmar velhas teorias e preconceitos, agora sob uma nova roupagem.

Em geral são cabeças de pouco brilho na Academia, mas muito vaidosos, que encontram brechas na mídia empresarial, carente de “debatedores” capazes de desfiar o rosário de impropérios que muitos analistas e jornalistas conservadores gostariam de expressar.

Os mais notáveis deste grupo são Kim Kataguiri (atualmente colunista da Folha de SP), o historiador Marco Antonio Villa (Joven Pan e TV Cultura) e Janaína Paschoal, a advogada do Impeachment.

Kataguiri é membro do Movimento Brasil Livre e tido como uma de suas cabeças pensantes e lideranças jovens. O MBL usa a internet e as redes sociais para fazer convocações e dar seus recados, quase sempre ataques à esquerda, ao governo, ao PT e a todos que considera  adversários.

Uma das vítimas das calúnias do site Folha Política, o jornalista Leonardo Sakamoto, foi acusado de receber dinheiro do governo para sustentar seu blog e sofreu calúnias que foram reproduzidas em rede. Agora se sabe que Kataguiri, o colunista da Folha SP, é um dos responsáveis pelo portal Folha Política.

Em sua participação semanal no Jornal da Cultura, Marco Antonio Villa não tem papas na língua e desfere os maiores impropérios contra Lula, Dilma e todos que participam ou defendem o governo. Lula já foi xingado de ladrão, vagabundo e tudo o mais, ao vivo, mas os editores e responsáveis pelas emissoras parecem considerar normal o comportamento deste cidadão.

Já a advogada Janaína Paschoal se notabilizou pela iniciativa de pedir o Impeachment de Dilma. Deu entrevistas no Roda-Viva (TV Cultura), jornais e revistas e foi convocada pela Comissão da Câmara que analisa o pedido, como testemunha de acusação.

Até então, mesmo com as limitações óbvias dos que argumentam a favor do Impeachment, todos pensavam que se tratava de uma jurista respeitável. No entanto, no dia 3 de abril Janaína perdeu a linha de vez e numa verdadeira sessão de descarrego, fez um discurso (ou será uma pregação?) deplorável na USP, soltando cobras e lagartos.

Mas não são apenas essas figuras esdrúxulas que dão sustentação à nova direta brasileira. O jornalista Leandro Narloch se especializou em enxovalhar a história do Brasil e da América Latina, a partir de uma série de livretos, intitulados “guia politicamente incorreto”.

Seus textos simplórios procuram destituir os principais fatos históricos de conexões com a luta de classes ao longo do tempo e do espaço, resumindo-os a folhetins grotescos, eivados de piadinhas tolas e preconceitos.  Na versão de Narloch, as principais lideranças populares são reduzidas a personagens caricatas, movidas por frustrações e ambições pessoais.

Pois bem, essas publicações fáceis de serem digeridas e destituídas de qualquer rigor científico, passaram a figurar como os livros mais vendidos do país durante meses.

E ainda há os menos badalados, mas igualmente pretensiosos, com um tal Cassiano Tirapani, que se apresenta como professor de História e exibe suas teses em vídeos no Youtube. Num deles, Tirapani apresenta teses espantosas para explicar que o anarquismo seria uma ideologia de direita e que o nacional-socialismo alemão seria de esquerda.

A direita tradicional estava um tanto esquecida e desgastada, devido a sua associação ao golpe de 1964 e aos governos do regime militar. Precisava dar uma reciclada e buscar uma nova embalagem.

Encontrou nessas figuras grotescas, desprovidas de princípios e de equilíbrio, porta-vozes “modernosos”, capazes de dizer o que os setores mais conservadores da sociedade brasileira pensam para recolocar na ordem do dia seus preconceitos e sua visão tacanha do país e do mundo.

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