Um governo moribundo

28/03/2016

A maioria do PMDB, comandada pelo senhor Michel Temer, já sinalizou que pretende desembarcar do governo Dilma no encontro do partido, dia 29 de março. Os ministros peemedebistas ainda resistem, mas nada que uma boa conversa não resolva. Por exemplo: um acordo pode garantir suas pastas no futuro governo PMDB/PSDB, que já se ensaia nos bastidores.

Com a saída do PMDB outras siglas fisiológicas da “base aliada”, como o PP, o PTB e o PRB, devem confirmar a debandada, para não amargar prejuízos políticos caso queiram se manter fiéis a um governo impopular e moribundo. Dessa forma, provavelmente o governo Dilma não terá sequer os 171 votos necessários para barrar o Impeachment na Câmara. A esperança do Planalto está no Senado, mas se a Câmara dos Deputados aprovar o pedido de impedimento de Dilma não serão os senadores que vão barrar o processo.

Assim, dificilmente o segundo governo Dilma chegará ao seu final, encerrando melancolicamente e abandonado pela sua “base aliada”, formada por gangues travestidas de partidos políticos, que sempre se moveram e continuarão se movendo por cargos e verbas públicas.

Assumirá em seu lugar o senhor Temer, apoiado pelo PSDB, devendo formar um ministério de todos que queiram cargos e estejam dispostos a montar a operação abafa Lava-Jato. Para isso contarão com o apoio de Eduardo Cunha e sua bancada, além do beneplácito do sinistro do TST, Gilmar Mendes, que em breve assumirá a presidência do Tribunal Superior Eleitoral, evitando a cassação da chapa Dilma/Temer.

É bom que se diga que o Impeachment, em si, não é golpe. Ele está previsto legalmente, desde que haja justificativas sólidas para que se instaure o processo. Não é o caso atual, porque nem as chamadas “pedaladas fiscais” e nem caixa dois de campanha são motivos para tal.

Um governo formado pelo PMDB nestas condições e apoiado pelo PSDB constitui, ainda que provisório, de fato, um golpe. Mas para o sistema financeiro e a elite empresarial brasileira não importam os meios para que seus fins estejam garantidos. Desde que os compromissos com o pagamento dos juros e amortizações da dívida pública forem assegurados, não importa quem vai ocupar o Palácio do Planalto.

O governo Dilma, mesmo moribundo, ainda acena para o capital financeiro, falando em ajuste fiscal, corte de investimentos públicos, demissões voluntárias do funcionalismo e fim do reajuste do salário mínimo acima da inflação, como promete o ministro Nelson Barbosa com seu novo pacote econômico. Isso afasta ainda mais o governo do seu próprio eleitorado e deixa o movimento sindical e popular de mãos atadas para defende-lo.

A posse de Lula na Casa Civil, outra manobra abortada no STF, surtiu efeito contrário, dando a impressão de que seria apenas uma forma de dificultar as investigações da Lava-Jato. O tiro saiu pela culatra, porque nem mesmo Lula consegue segurar o PMDB e outros partidos da base do governo. Em mais uma manobra desesperada, o governo começa a distribuir cargos para parlamentares avulsos, que se disponham a votar contra o Impeachment.

Restará à esquerda e a todos os democratas, no dia 31 de março, lembrar ao país o que foram os 21 anos de ditadura militar, apoiada justamente pelo setor da classe média mais atrasada, que novamente foi às ruas e serve de base de apoio para o Impeachment de Dilma.

De resto sobram motivos para um período de ressaca e avaliação do que foi o período do PT no governo, seus acertos e seus muitos equívocos, que redundaram na atual crise e em sua possível interrupção.

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