Nova eleição pode ser a saída para a crise

17/03/2016

A manobra política que conduziu o ex-presidente Lula de novo ao governo, desta vez como ministro da Casa Civil, pode representar o suspiro do moribundo. Ainda que seja um excelente articulador político e que tenha sua liderança reconhecida, Lula e o governo Dilma estão no olho do furacão de uma crise de legitimidade.

Além do que, Lula e Dilma não têm o que oferecer aos demais partidos para recompor a base do governo. No plano econômico a situação também é grave, visto que os estragos causados pelo “ajuste fiscal” de Joaquim Levy deixaram um rastro de juros altos, inflação, desemprego e queda do poder de compra dos salários.

O milagre das commodities ficou ara trás, já que os preços desses produtos no mercado internacional só fazem despencar. A Petrobras e as grandes empreiteiras, que poderiam representar uma esperança de retomada de crescimento, estão sem credibilidade.

O governo não tem maioria no Congresso Nacional e não pode contar sequer com os partidos da chamada “base aliada”. É quase certo que não tenha nem os 172 deputados necessários para barrar o pedido de impeachment no Plenário da Câmara.

Nas ruas o governo não tem apoio. Ao contrário, cresce a insatisfação da classe média, que faz barulho pela renúncia de Dilma, embalada pela sensação de atingir Lula. O eleitorado de Dilma não encontra motivos para defendê-la, traído que se sente pelas medidas adotadas desde que ela assumiu o segundo mandato.

A crise de legitimidade deste governo é tamanha que sequer Michel Temer e Renam Calheiros compareceram à cerimônia de posse de Lula. Isso é um indicador claro do que representou a decisão do congresso do PMDB, que deu prazo de um mês para decidir sobre sua permanência ou não no governo.

Por sua vez, a oposição conservadora não consegue angariar a simpatia da população, visto que muitos de seus representantes – Aécio Neves entre eles – estão metidos em falcatruas e agem de forma oportunista, procurando surfar na onda de condenação da corrupção da Operação Lava Jato.

Todos os representantes da linha sucessória de Dilma (o vice Michel Temer e o Presidente da Câmara, Eduardo Cunha) estão citados nas denúncias de corrupção, envolvendo as grandes empreiteiras. A sensação que fica é que não há ninguém com capacidade e legitimidade para conduzir um processo de negociação para encontrar um acordo político que aponte uma saída para esta crise.

O impeachment de Dilma conduziria Temer à Presidência, o que só é bom para o PMDB. Mas Temer está entre os denunciados da Lava jato e pode perder o mandato, caso o TSE considere a chapa Dilma/Temer inelegível.

O semipresidencialismo, com um parlamento desmoralizado como está, representará um governo de crise permanente. A cassação da chapa Dilma/Temer conduziria Cunha à Presidência. Ou seja, não há nenhuma saída dentro do que preveem as normas constitucionais que consiga aplacar a crise política.

Em casos como este, de extrema gravidade, é preciso encontrar uma solução. A única que parece plausível no horizonte é a convocação de novas eleições gerais, de presidente, senadores e deputados, pelo Supremo Tribunal Federal, como apresenta o ex-petista Vladimir Palmeira.

É evidente que uma nova eleição não tem o poder de resolver os problemas do país, mas pode sinalizar uma composição de forças políticas capaz de ter, ao menos, legitimidade para tocar o país.

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