Delcídio no ventilador

16/03/2016

Delcídio do Amaral é uma dessas figuras representativas da burocracia do PT, que cresceu muito depois que o partido chegou ao poder. Durante o governo Itamar foi diretor da Eletrosul e ministro das Minas e Energia. No governo FHC foi diretor da Petrobras, até 2001, ano em que se aproximou do PT, partido pelo qual se elegeu senador do Mato Grosso do Sul em 2002.

A carreira política de Delcídio nada tem a ver com qualquer movimento popular ou sindical, muito menos com a esquerda que resistiu à ditadura militar. Ele cresceu na hierarquia petista graças à sua habilidade em transitar nos bastidores de Brasília. Virou quadro de primeira linha do partido, presidindo a CPI dos Correios, e acabou como líder do governo Dilma no Senado.

Pego com a boca na botija em conversa gravada pelo filho de Nestor Cerveró, quando disse que teria conversado com ministros do STF para aliviar a situação de seu ex-colega de Petrobras, Delcídio foi preso, acusado de tentar obstruir a Operação Lava Jato. O batom na cueca era tão forte que nem o PT nem o governo foram em sua defesa.

Acuado e isolado, não demorou para Delcídio ir para o ventilador, vomitar toda a porcariada que sabe dos bastidores da política nacional. Trinta e nove figuras de diversos partidos, além de empresários, articuladores políticos e lobistas foram denunciados pelo senador. Até mesmo Aloízio Mercadante, que prometeu ajuda-lo, teve seu nome exposto.

O mais importante é que a lama fedorenta espalhada por Delcídio atingiu todos os principais atores do atual tabuleiro da política nacional e, de quebra, seus partidos políticos. No PT Delcídio acusa Lula, Dilma, Mercadante, Pallocci, Erenice Guerra, entre outros.

No PMDB foram para fogueira Michel Temer, Eduardo Cunha, Renan Calheiros e outros menos cotados. A lama também respingou no ninho dos tucanos, com denúncias sobre atuação e o favorecimento de empresas a Aécio Neves e FHC. Ou seja, se tudo que Delcídio contou for verdade, não há nos três principais partidos brasileiros credibilidade para ir às ruas atacar ou defender ninguém. E muito menos para formar um novo governo com alguma credibibilidade.

Ainda que existam exageros, análises subjetivas e parciais que incriminem mais a uns que a outros, a verdade é que sem o apoio do governo – de quem era líder no Senado – e de seu partido, restou a Delcídio fazer o acordo de delação premiada e jogar tudo no ventilador.

Depois da revelação do conteúdo dos depoimentos do senador, fica evidente que o jogo político jogado no Brasil nada mais é que um toma lá dá cá generalizado, envolvendo partidos, governantes, parlamentares, grandes empresas, lobistas, em que uma mão suja a outra em defesas de seus interesses, e que a moeda de troca preferida é dinheiro público, além de cargos na máquina de governo.

Portanto, o problema não é apenas de troca de governo, mas de sistema de representação política da sociedade. Daí a necessidade cada vez mais urgente de uma nova Assembléia Nacional Constituinte, eleita por fora do jogo viciado das classes dominantes, na qual se discuta que país a maioria do povo brasileiro quer e como ele deve funcionar.

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