A “solução Lula”

15/03/2016

Tudo indica que Lula pode mesmo virar ministro do governo Dilma. É uma cartada desesperada do PT e da cúpula palaciana para livrar o ex-presidente do processo da Operação Lava Jato, na Justiça do Paraná e, ao mesmo tempo, criar expectativas numa hipotética nova fase do governo.

Com Lula no ministério tudo que diga respeito a ele na Operação Lava Jato sobe para o STF, que deverá instaurar nova investigação, o que torna o caso mais moroso. Para quem pretende ser candidato à presidência, em 2018, não convém ficar sob fogo cerrado da Justiça e da mídia nos próximos anos.

Ao mesmo tempo, Lula daria um novo fôlego ao governo Dilma, que está mais perdido do que cego em tiroteio. Um governo que não tem feitos a mostrar, que ajudou a piorar a situação econômica, que cortou despesas nas áreas sociais, com o desemprego em alta, um custo de vida elevado e enfrentando grandes manifestações de rua.

Fala-se que o retorno de Lula ao Planalto imporia uma nova pauta para os rumos da economia, incluindo a revisão do corte dos gastos públicos e da reforma da previdência, promessa de Dilma para acalmar o “mercado”.

A essa altura do campeonato a “solução Lula” pode não surtir o efeito que o PT imagina. A não ser que haja uma virada radical na política econômica e social, que permita ao governo se reaproximar dos movimentos sociais e da população mais pobre.

Isso exigiria uma agenda com reforma agrária e reforma urbana, manutenção do poder de compra do salário mínimo e das aposentadorias, reforma fiscal que atinja os mais ricos e alivie a situação da classe média, retomada do crescimento e do emprego, dentre outras. É pouco provável que Lula e Dilma estejam dispostos a contrariar o “mercado” e as elites.

Tudo isso leva tempo e o que este governo não tem mais é tempo. A primeira medida que caberá a Lula como ministro será rearticular a chamada “base aliada”. Para isso terá que oferecer ministérios aos partidos mais fiéis e costurar um novo acordo político com o PMDB, o que não é tarefa fácil neste momento.

Na melhor das hipóteses para o PT, Lula conseguiria evitar o impeachment de Dilma e retomar uma política econômica, visando à retomada do crescimento. Ocorre que o cenário econômico mundial não é favorável e o governo não tem tanto tempo para que uma possível mudança em sua política econômica apresente resultados.

O governo poderia até adiar ou até estancar o impedimento de Dilma, mas não vai recuperar a popularidade perdida, mesmo com Lula no ministério agindo como presidente de fato.

De qualquer forma o tiro pode sair pela culatra. A “solução Lula” pode não evitar o afastamento de Dilma e ainda antecipar a derrota eleitoral de Lula em 2018, porque ele estaria inevitavelmente ligado a um governo impopular.

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