O PMDB com a faca e o queijo

14/03/2016

Por coisas muito menores Fernando Collor de Mello teve o seu impedimento aprovado pela Câmara dos Deputados. E esse parece o caminho a ser seguido pelo parlamento na condução da crise política atual, envolvendo o governo Dilma.

Não é difícil convencer grande parte (talvez a maioria) do PMDB de que Dilma não deve continuar a frente do Planalto. Ainda mais porque o vice, Michel Temer, é presidente daquele partido.

Sem todos os votos do PMDB, é quase impossível ao governo derrotar o pedido de impeachment de Dilma, já que seriam necessários 172 votos contra, do total de 513 deputados federais. Mesmo aqueles parlamentares que tenham seus tentáculos na máquina do governo sabem que não podem arriscar seu futuro político defendendo um governo impopular.

Derrotado na Câmara restaria ao governo a trincheira do Senado, onde suas chances são menores ainda. Nem um esforço de Renan Calheiros, também acuado pelas denúncias da Lava Jato, seria suficiente para assegurar os votos do PMDB a favor de Dilma.

A única força que poderia contrabalançar o avanço do processo de impeachment no Congresso Nacional seria a das ruas. Mas nas ruas este governo também está levando de goleada. A classe média comprou o discurso contra a corrupção e já escolheu seus vilões e heróis. O povo não tem o que comemorar a partir da política deste governo.

Enganaram-se redondamente os que concluíram – apressadamente – que as manifestações da direita estavam em decadência. Ao contrário, o cerco à Lula, que também pode chegar a Dilma em breve, jogou mais lenha na fogueira. Daí a expressão das manifestações de 13 de março.

Por sua vez, a “base social” do governo não encontra ânimo e nem razões para defendê-lo, em meio a uma crise econômica que, se não é obra apenas do governo Dilma, contou com sua forte colaboração, ao entregar os rumos do país ao “ajuste fiscal” do senhor Levy e companhia.

A única saída para Dilma dar a volta por cima seria anunciar uma série de medidas populares, apoiando-se na estrutura do Estado, para reconquistar a confiança dos setores mais pobres. No entanto, nem Dilma e nem os caciques do PT acreditam ou apostam nisso.

O impedimento de Dilma não será um “golpe”, como afirmam os petistas. Assim como não foi golpe o impedimento de Collor, causado por uma crise de diversos contornos que explodiu em insatisfação nas ruas.

Se confirmado, o impeachment de Dilma será produto da política deste governo, que se abraçou ao PMDB, que passou a aceitar, conviver e a usufruir de velhas práticas corruptas de parasitismo de grandes grupos privados com o Estado brasileiro e abandonou qualquer compromisso de mudança para a grande massa do nosso povo.

A classe média, que mais uma vez aparece de bucha, jogando suas expectativas num moralismo tosco, e até muita gente bem intencionada que embarcou nos protestos de rua contra o governo, também vai pagar o pato da crise.

Basta ler as propostas dos planos Temer I e II para entender que o que se propõe é o escancaramento da economia aos grupos privados e a entrega do que restou do Estado brasileiro ao grande capital.

Apesar das pressões de todos os lados – ameaça de impeachment, cassação da chapa Dilma/Temer pelo TSE – a Presidente não dá sinais de que pretenda renunciar. Fala-se num semipresidencialismo, ou no retorno do parlamentarismo, mas isso exigiria uma engenharia política muito complicada.

Ao PT talvez o melhor tivesse sido a renúncia de Dilma mais cedo, ainda em 2015. Assim, teria uma chance de estancar os estragos da Lava Jato e recompor suas forças para 2018, com Lula na cabeça. Agora, quanto mais Dilma esticar sua permanência no Planalto pior para as pretensões do PT e de Lula.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: