O moralismo esvazia a política

23/02/2016

Uma legião de imbecis, alguns até de certa notoriedade, sentencia governos e governantes pelas redes sociais. Carlos Vereza, Dr Rey, Lobão, Roger e outros menos cotados exprimem toda a sua ignorância quando o assunto é política, carregando suas convicções de preconceitos.

A frase que mais se repete é “a casa caiu”. Infelizmente para estes boçais, a casa que eles pensavam que teria caído continua de pé. Eles se alimentam e alimentam o senso comum, que joga a todos na mesma vala, sejam os filhos de Lula, o próprio Lula, o marqueteiro do Lula, etc, incentivando o Festival de Besteiras que Assola o País versão século XXI.

A premissa da qual este pessoal parte só revela ignorância. Para todos eles o PT é de esquerda e estamos vivendo à beira de um regime “comunista”. Se assim fosse não só eu como tantos outros descontentes estariam defendendo este governo com unhas e dentes, que certamente já teria tomado algumas medidas básicas para dar um freio à desigualdade que impera neste país.

Os ídolos dessa gente são o juiz Sérgio Moro, o deputado Bolsonaro e o japonês da Polícia Federal, um meganha já condenado em processo por corrupção. Por sua vez, os governistas de carteirinha teimam em negar o óbvio: a direita mais reacionária está na ofensiva porque seu governo e suas lideranças aceitaram participar do jogo político das elites, acreditando que sua aposta quebraria a banca. Ledo engano, a banca continua dando as cartas…

Os petistas e seus simpatizantes procuram argumentos semelhantes aos de seus detratores, para defender seus líderes e seu governo. Atacam Sérgio Moro com insinuações, incentivam a rede de intrigas contra FHC e sua ex-amante, pedem investigação da mansão dos Marinho, além de esculhambarem a figura tosca de Aécio Neves.

Enquanto a grande mídia alimenta sua campanha antipetista com muita suposição e pouco fato, seja com matérias pouco fundamentadas ou por comentários eivados de preconceitos, o cidadão comum enfrenta um dos piores momentos da vida política contemporânea, com serviços públicos que não funcionam, cidades jogadas às traças e a roubalheira desenfreada nas três esferas de governo.

Essa situação estimula entre a população um sentimento de que nada vai mudar e que o melhor mesmo é cada um tratar de si. Mas nem isso garante conforto, a não ser uma falsa sensação de viver melhor à classe média, pagando por serviços que deveriam ser garantidos pelos impostos.

Se os hospitais públicos e postos de saúde estão quebrados, os planos de saúde também não garantem os serviços que vendem. A polícia segue com sua habitual corrupção e truculência nas comunidades e favelas, mas também não garante a segurança da classe média. As escolas públicas caem aos pedaços, com professores mal remunerados e salas lotadas, o que também se verifica em grande parte das escolas particulares. O trânsito nas grandes cidades é um caos para quem tem que pegar trem, metrô ou ônibus, mas também está insuportável para quem tem seu carrinho particular. O desemprego que primeiro atinge aos que ganham salário mínimo, também já atinge os que têm nível superior.

É por estes motivos que as manifestações da direita e pró-governo não seduzem a grande massa. Esta falsa polarização não expressa projetos de governo diferentes, métodos de ação distintos ou propostas de mudanças efetivas para o país e sua população. Eles se limitam a disputar quem é mais ou menos corrupto, num campeonato de moralismo piegas que está longe de resolver os problemas do cotidiano. E olha que eles são muitos…

O moralismo esvazia a política, desqualifica lideranças e desvia o debate de projetos e objetivos para o campo da subjetividade, dividindo o mundo entre “bons” e “maus”. Ao comprar o debate neste campo, parte da esquerda cai na vala comum e inevitavelmente dá ao inimigo de classe o que ele quer: o perigoso terreno para uma solução reacionária e até golpista.

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2 Respostas to “O moralismo esvazia a política”

  1. luis fernando. said

    e o Eduardo paes tentando emplacar o serviçal que gosta debater em mulher.

  2. luis fernando. said

    corrigindo: gosta de agredir mulher.

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