Deu zika na microcefalia neoliberal?

21/02/2016

Intrigante esta história da zika no Brasil. Os governos da Colômbia, El Salvador e Venezuela já confirmaram a incidência da doença em escala preocupante em seus territórios, mas praticamente nenhum caso de microcefalia relacionado à zika.
Agora anuncia-se uma epidemia em Cabo Verde, pequeno país insulano da África, com mais de sete mil casos, mas nenhuma das 130 grávidas que contraíram a doença tiveram bebes com microcefalia.

No Brasil o governo confirma mais de 3 mil e 500 casos da doença e cerca de 400 recém nascidos com microcefalia. Ora, se é verdade que não se pode descartar a relação da zika com a deformidade nos cérebros de bebes, tampouco se pode afirmar que exista tal relação.

Dos 421 casos de microcefalia registrados em 2015 apenas 41 têm relação confirmada com a zika. Há outros 3.852 casos da doença que aguardam confirmação. Dois estudos realizados por pesquisadores no Nordeste e publicados pela Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que a incidência da microcefalia seria de cerca de seis mil casos por ano, contrariando os dados do governo.

Uma entidade médica argentina que acompanha o uso de agrotóxicos em larga escala e suas consequências para a saúde, denuncia a pulverização de lavouras e reservatórios de água do larvicida pyriproxifen (de uma empresa da Monsanto), como causadora da maior parte dos casos de microcefalia no Nordeste brasileiro.

A mesma preocupação é apontada pela Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco). Em entrevista à Agência Brasil, o coordenador Marcelo Firpo afirmou que “as populações mais atingidas são justamente as mais pobres, com problemas estruturais de saneamento básico, de acesso à água potável. Consideramos um contrassenso sanitário, um absurdo a colocação de veneno larvicida na água potável, e consideramos também um absurdo o uso de uma substância considerada cancerígena pelo Iarc [Agência Internacional de Pesquisa para o Câncer, na sigla em inglês], da OMS [Organização Mundial da Saúde] – o Malathion – nos fumacês pelo país.”

Segundo pesquisadores do Sydney Ayurveda Center, na Austrália, a aplicação das vacinas dTpa e DTA, que é parte de uma campanha do Ministério da Saúde e foi feita em caráter “obrigatório” sem ter sido testada e aprovada para gestantes, seria a causa da incidência de tantos casos de microcefalia em bebês.

Assim como não se pode afirmar que a zika esteja relacionada a todos os casos de microcefalia no Brasil, não há provas de que um larvicida ou uma vacinação imprópria sejam as causas de tantos casos da má formação cerebral em crianças recém-nascidas.

Pode haver uma mutação genética do vírus da zika que se concentra no Brasil? Em tese sim, mas é no mínimo intrigante que em outros países com a incidência de grande quantidade de casos da mesma enfermidade não se registre microcefalia em bebês.

Este caso apenas ilustra a confusão em que estamos metidos no Brasil, com estatísticas no mínimo questionáveis e sem um trabalho preventivo para enfrentar situações emergenciais de saúde pública. Aos que pregam a redução do Estado, vai aí um exemplo concreto do estrago que a política neoliberal pode causar.

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