Dilma cede os dedos para não perder os anéis

29/01/2016

O segundo mandato de Dilma mostra-se inteiramente inócuo do ponto de vista dos interesses populares. Envolto em uma crise econômica internacional, que afeta a cesta de produtos exportados pelo país, o governo produz uma política econômica ineficaz para a burguesia e absolutamente injusta para a maioria dos brasileiros.

Desvaloriza a moeda para fortalecer a posição dos exportadores, aceita conviver com a inflação, corta investimentos públicos em áreas essenciais, mantém uma das maiores taxas de juros do mundo e não move uma palha para reduzir o abismo econômico e social entre a burguesia e povão.

O país assiste ao esforço de gerações ser jogado fora, com a crise e desmantelamento da Petrobras. Enquanto analistas se mostram mais preocupados com o futuro das empreiteiras, a Petrobras, responsável por um terço da economia brasileira, é desmontada e retaliada.

Em mais uma pantomima com script previsível, Dilma reuniu o chamado “Conselhão” para anunciar sua disposição em insistir no imposto sobre o cheque e uma nova linha de crédito de R$ 83 bilhões para aquecer a construção civil e outros setores da economia. Na verdade, mais transferência de recursos públicos para grandes grupos parasitários.

Na mesma reunião, o senhor Trabuco – nome sugestivo para um banqueiro – afirma que todos perdemos com a recessão. Todos!? Certamente os bancos e banqueiros não estão entre os “todos”. Tão pouco os donos de empresas que vivem das tetas do Estado brasileiro em todas as suas instâncias, como o agronegócio, as Organizações Sociais e outras terceirizadoras de tudo.

Será que neste tal de Conselhão não existe uma viva alma para levantar e dizer que a arrecadação de impostos só vai crescer e ser mais justa se as grandes fortunas, os lucros e dividendos em operações financeiras e as heranças forem finalmente taxadas? Não tem ninguém para dizer que as taxas de juros estão na estratosfera, arrebentando com o crédito? Ninguém com coragem suficiente para defender uma auditoria da dívida pública, que consome quase a metade do Orçamento da União todos os anos? Não tem ninguém para defender a educação e a saúde pública de qualidade? Afinal, para que serve essa bodega?

As medidas anunciadas por Dilma e seus ministros são inócuas porque não contam com o apoio da maioria no Congresso, não empolgam o apetite voraz dos tubarões do capital – que não veem representatividade neste governo – e muito menos representam avanços para as condições de vida da maioria da população.

Como pouco ou nada fizeram até hoje para destravar o monopólio da comunicação, os governos do PT construíram seu próprio cárcere. Bombardeados por um noticiário de baixo nível e sem nada a oferecer para as classes populares, o governo Dilma II vai se esvaindo em descrédito. E o cidadão comum que ainda deu um crédito de confiança neste governo, pensando que poderia evitar o pior, está cada vez mais descrente.

Por sua vez os movimentos cheira-bunda do PT, como CUT, MST e UNE, continuam no rabo de Dilma, para ver se conseguem sentir o aroma de “esquerda” que um dia sairia do Planalto, mas não se cansam de respirar o perfume desagradável que exala deste governo. Se ainda tivessem um mínimo de representatividade, já teriam mudado o disco e passariam a cobrar medidas concretas a favor da população. Mas para que? É melhor culpar os adversários do que perder as benesses oficiais, não é mesmo?

Já a esquerda ortodoxa não consegue produzir nada de novo, como aliás não seria de se esperar mesmo. Perdida entre seus dogmas e as intermináveis e pequenas disputas internas, não tem fôlego para entrar numa luta política de cachorro grande.

Daí porque as previsões para 2016 são mesmo sombrias. A continuar do jeito que vamos, e parece que vamos, teremos eleições mais desinteressantes ainda, com o risco do avanço significativo da oposição conservadora e até de candidatos de extrema direita, com exceções que só justificarão a regra.

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2 Respostas to “Dilma cede os dedos para não perder os anéis”

  1. luis fernando. said

    os banqueiros sempre choramingando,você entra em qualquer agência bancária e percebe que a cada dia que passa o número de funcionários vai diminuindo.

  2. luis fernando. said

    dona dilma roussef é patética,não sabe o que faz.

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