UPP pela culatra

24/03/2014

Um dos pilares de qualquer política de segurança pública é a tal “sensação de segurança”. Essa expressão, utilizada pelos especialistas da matéria, nada mais é do que a impressão que a sociedade colhe ao se movimentar pelas ruas e praças, nos transportes públicos, na ida e vinda do trabalho e da escola, nos locais de grande concentração de pessoas e eventos.

Depois de inaugurar no final de 2010 a política de implantação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPP) nas favelas mais próximas dos locais aonde ocorrerão os grandes eventos (Copa do Mundo e Olimpíadas), o governo estadual acreditou que conseguiria conter os conflitos armados no perímetro urbano do Rio.

Mas o próprio secretário de segurança alertava que não bastaria implantar as UPP e que aquele seria apenas um primeiro passo. Beltrame dizia claramente que o papel da polícia é limitado para as demandas das grandes comunidades de favelas. Três anos depois, com 38 UPP em funcionamento, o caldo começa a entornar.

Para dar conta da prioridade de contenção, visando a Copa e as Olimpíadas, o governo estadual teve que destacar grande parte do efetivo policial para as UPP, desguarnecendo as demais áreas da cidade. A sensação que fica para a classe média é de abandono.

Desalojado de suas áreas, parte do crime varejista migrou para Niterói, Baixada e interior do Estado, aumentando a criminalidade naquelas regiões e expandindo seus domínios. No entanto, o negócio da venda de drogas segue a todo vapor dentro das favelas, inclusive as “pacificadas”.

A falta de políticas públicas fez da PM a única representante legal do Estado nas favelas “pacificadas”, expondo policiais mal pagos e mal preparados no trato com a população. Ali, no dia a dia, o PM tem que ser juiz, testemunha, professor, médico e, inclusive, soldado. O resultado é o aumento das denúncias de abusos de autoridade, sequestros e mortes, que lembram a velha PM. Em resposta crescem os conflitos, nos quais a população das favelas coloca para fora sua revolta com a falta de condições dignas de vida, os desmandos e a repressão policial.

O que menos importa neste caso é se os traficantes apóiam ou não os confrontos entre moradores e a polícia. Nem precisariam, tal o tamanho das trapalhadas de uma polícia militarizada, formada para combate e não para o diálogo.

O fracasso da política de segurança pensada pelo governo Cabral é tamanho que, às vésperas da Copa do Mundo, temendo que algo pior aconteça e exponha o país a um vexame completo, governos estadual e federal planejam reforçar o policiamento da cidade com tropas das Forças Armadas e da Força Nacional.

A ocupação militar da cidade também causa prejuízos à imagem da cidade e do país. A imprensa internacional certamente estranhará a presença de efetivos militares numa cidade que receberá jogos da Copa do Mundo e será sede das Olimpíadas em 2016. Afinal, uma cidade ocupada por tropas não pode ser uma cidade “pacificada”.

Mais uma vez o improviso e a “esperteza” de políticos, interessados apenas em suas próprias carreiras e negócios, dá sinais de esgotamento. E num tempo cada vez mais breve.

Só quem não enxerga isso é quem acredita na propaganda com o ator Diogo Vilela, que se presta ao papel de garoto propaganda do governo Cabral. Ninguém sabe se aquilo é propaganda de verdade ou é uma nova edição do velho TV Pirata, programa de humor do qual ele participava nos idos dos anos 80. Não tem a menor graça…

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