O que está em jogo na Ucrânia

17/03/2014

Curiosa a noção de democracia dos países ricos, notadamente dos EUA e da União Européia. Para seus porta-vozes a democracia está ameaçada na Criméia, região que faz fronteira com a Rússia. Mesmo depois de 96% dos habitantes votarem, em plebiscito, pela reincorporação de seu território aquele país. Para separar a região do Kosovo da antiga Iugoslávia o plesbiscito foi um recurso democrático, mas no caso da Criméia ele fere a democracia.

Em contrapartida, reconhecem como legítimo o governo que tomou o poder recentemente na Ucrânia, formado por ultranacionalistas e até neonazistas, passando por cima de um acordo que consagrara uma nova eleição no final de 2014.

O desmonte da URSS deixou como legado uma série de questões mal resolvidas, mas até então administradas, ainda que sob pressão, pela burocracia do PCUS. Um deles e talvez dos mais graves era o das nacionalidades. É sabido que para acomodar interesses regionais e controlar conflitos internos as cúpulas dos Partidos Comunistas tomaram diversas medidas.

No caso da Ucrânia, segunda maior república soviética em importância econômica e política da ex-URSS, foi concedida a região da Criméia, ainda sob o período de Nikita Krushov. O que importava e sempre importou à Moscou é o controle do Mar Negro, única porta de acesso da marinha russa ao Mar Mediterrâneo.

O Mediterrâneo, como se sabe, também é a ligação com o sul da Europa Ocidental e com o Norte da África, além de permitir a passagem para o Oceano Atlântico. Putin quer duas coisas: a garantia ao acesso ao Mediterrâneo e as armas da OTAN longe de suas fronteiras. Está na cara que com um governo hostil à Moscou, nem um nem outro objetivo será assegurado.

Alemanha e Estados Unidos podem gritar, estrilar e rebolar, mas Moscou não vai abrir mão do que quer. E tem toda a legitimidade histórica para suas exigências. Se não tivesse ainda lhe restaria um argumento bastante convincente, quando se trata de briga de cachorro grande na política internacional: é uma potência militar e nuclear.

Assim, Ângela Merkel e Obama vão apenas protestar, mas pouco terão a fazer para impedir as medidas de defesa adotadas pelo governo Putin. E elas ainda podem se estender a outras áreas do Leste da Ucrânia.

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Uma resposta to “O que está em jogo na Ucrânia”

  1. luis fernando said

    vladimir putin jamais vai temer o ocidente ele tem suas armas e é´um homem inteligente,para desgraça da mídia global putin irá vencer.

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