A ética do mercado

20/03/2012

Dados sobre doações de campanha da empresa Locanty, com base em informações do TRE-RJ e publicados na coluna do jornalista Fernando Molica (O Dia – 20/3/2012), comprovam a sustentação política das práticas de corrupção de grande monta no Estado do Rio.

De acordo com Molica, só a Locanty teria doado R$ 3,3 milhões nas eleições de 2010 para campanhas eleitorais no Rio de Janeiro. Os agraciados foram: PMDB = R$ 1,7 milhão; PT = R$ 800 mil; PSB = R$ 350 mil; PSC = 250 mil; PCdoB = 120 mil; PPS = 50 mil; PSDB nacional = R$ 50 mil.

Levantamento do Jornal Extra também dá conta que as quatro empresas cujos representantes apareceram nas imagens da reportagem do Fantástico – Locanty, Bella Vista, Toesa e Rufolo – faturaram R$ 345 milhões nos últimos quatro anos, em contratos com o Ministério da Saúde, a Prefeitura e o Governo do Estado.

Trata-se de prática mafiosa, de organizações criminosas que se locupletam de recursos públicos para seus negócios. Para isso, obviamente contam com o beneplácito de governantes que ajudam a eleger.

Novidade? Nenhuma, só que agora existem provas mais do que cabais do esquema das licitações fraudulentas, sobretudo em situações “emergenciais”. Uma das figuras filmadas na reportagem define a propina como a “ética do mercado”.

A reportagem do Fantástico é a ponta do iceberg. Estes mesmos esquemas certamente são utilizados nos outros estados e em outras instituições federais. Tudo isso cresceu muito depois que surgiu o recurso da terceirização de serviços, que originalmente eram de competência dos próprios órgãos públicos.

Órgãos públicos gastam muito mais recursos do que desembolsariam se tivessem servidores para as funções desempenhadas por empresas terceirizadas e, em geral, os funcionários dessas empresas recebem salários miseráveis. Segundo estudos do mercado de trabalho brasileiro, os terceirizados já representam ¼ de toda a mão–de-obra em atividade em todo o país.

Corrupção não é um fenômeno genuinamente brasileiro, mas no Brasil é parte fundamental das receitas de grandes empresas. Não por acaso o perfil da nova classe dominante brasileira é o dos emergentes da Barra, gente com muito dinheiro e sem qualquer formação ética e cultural, disposta a tudo, tudo mesmo, para defender seus interesses.

Anúncios

3 Respostas to “A ética do mercado”

  1. Henrique, bom dia!

    Rapaz a lúcio Hipólito na rádio que toca notícia do seu interesse, disse que a senhora que apareceu na reportagem do fantástico, aquela cheia de tecido adiposo falou que era a ética do mercado, ela disse, a Lulu que não…
    Segundo a noticiarista exite uma ética do mercado que não tem nada haver com que aquela senhora falou, eu não sei mas acho que temos uma nova ética do mercado, e a ética do acredite se quizer.

    Marcos Tavares

  2. Glauro said

    E a mercedes do Thor… foi comprada da LOCANTY

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: