Era uma vez na Antártida…

29/02/2012

As estórias da carochinha que nossos antepassados contavam para as crianças dormirem, sempre começavam com a mesma introdução: “Era uma vez…”. Elas nos remetiam a cenários e personagens fantasiosos, mágicos. Via de regra, com sua leveza, nos conduziam ao inevitável labirinto do sono, nos lançando aos braços de Morfeu.

Essa também parece ser a estorinha que assistimos desde o dia em que foi anunciado o incêndio que destruiu 70% da Base brasileira na Antártida, com a morte de dois militares que cumpriam missão naquele local.

Os militares que morreram combatendo as chamas são tratados como heróis, seus corpos recebidos com emoção por ministros e com honras militares, além de receberem promoções póstumas. Já o Governo trata de apagar o incêndio, anunciando que reconstruirá o mais breve possível a Base.

Dizem os cientistas que a pesquisa é a base para a produção de conhecimento, mas pesquisa no Brasil nunca foi artigo de primeira, como se sabe. O próprio Ministério da Ciência e Tecnologia é tratado como cargo de menor importância. Nos últimos anos o orçamento para o MCT é minguado, assim como os recursos reservados aos estudos empreendidos na Base da Antártida.

Um oficial da Marinha, Antônio Sepúlveda, alertou há seis anos que era urgente uma reforma completa e estrutural da Estação. Em seu artigo “Tudo pela pátria”, Sepúlveda dava detalhes da situação alarmante das instalações da Base.

Agora, em pleno corte de 55 bilhões de reais do Orçamento da União para 2012, sempre visando economizar para pagar os famigerados juros e amortizações da dívida pública (interna e externa), somos obrigados a assistir dona Dilma anunciar – com aquela falsa emoção que lhe caracteriza – a liberação de recursos de emergência para a reconstrução da Estação na Antártida.

Essa é mais uma estorinha como a que nossos pais nos contavam, só que com final trágico e revelador. O que causou a destruição da Base, a perda de duas vidas e de diversas pesquisas, não foi o fogo, foi a política do governo de Dilma-mãos-de-tesoura, com seus cortes implacáveis sobre os investimentos (que teimam em chamar de gastos) públicos.

Piada de última hora: o pastor Marcello Crivella é o novo ministro da Pesca. Ninguém merece…

Anúncios

2 Respostas to “Era uma vez na Antártida…”

  1. Irineu said

    Isso é Brasil meu prezado amigo Henrique !!

  2. Marcos Henrique de oliveira Tavares said

    Olá Henrique!

    Rapaz dizem que o fogo começou nos geradores, eu conheço um pouco de gerador, e penso que a falta de manutenção, ou seja, nos chaveamentos área esta que estabelece um fenômeno chamado arco voltáico, a intensidade deste arco depende da amperagem (corrente) que o equipamento gera no caso do gerador que abastece aquele centro de pesquisa deveria ser de uns 300kVa para lá, combina-se a isso estes geradores precisam de tanque de abastecimento que são em média de 500 litros de combustível ou mais…

    Agora a chance de um arco voltáico de alta intensidade entrando em contato com combustível com a propagação do fogo é bastante razoável.

    Outra coisa no Brasil não tem uma cultura de prevenção, e quando a merda está feita aí que vão tratar de resolver ao seu modo, e em muitos casos dizem que é o destino, pô cara para um gerador pega fogo ele tem que ficar muito tempo sem manutenção, em geral estes equipamentos hoje em dia tem sistemas de proteção que fazem deles seguros à beça, mas como você escreveu a falta de manutenção, o descaso por muito tempo pode ter gerado esta tragédia ainda que seja de pequena proporção, mais que ceifou vidas

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: