Polícia para quem precisa…

14/02/2011

A Operação Guilhotina, desencadeada pela Polícia Federal, prendeu algumas dezenas de policiais civis e militares, inclusive o ex-braço direito do chefe da Polícia Civil do Rio, Allan Turnowski. A Guilhotina passou justamente quando o pedido de CPI das Armas foi aprovado na Assembléia Legislativa. Coincidência?

O fato é que a Polícia do Rio é um ninho de cobras. Isso não acontece por acaso. Os salários dos policiais são baixos, o treinamento é uma ficção, a exigência de formação para ingresso é de segundo grau e os descaminhos acumulados nas últimas décadas são notórios.

Para evitar uma debandada ou uma rebelião, os governantes liberam o “bico”, atividades extras que garantem um acréscimo ao orçamento mensal do policial. Os mais gulosos se aproveitam da carta branca que têm para fazer girar a máquina do “arrego”, extorquindo marginais ou vendendo armas apreendidas, como indicam as gravações interceptadas no Morro do Alemão. Rambo e outros “heróis” da mídia, na verdade eram apenas quadrilheiros disfarçados.

Encontramos policiais ligados ao jogo do bicho, fazendo segurança de contraventores, em grupos de extermínio, vendendo armas a traficantes, trabalhando como jagunços e matadores profissionais, organizando milícias, ou seja, em tudo que deveriam combater.

A reação de Turnowski é típica do duelista que cai atirando. Sabe que pode morrer, mas quer levar o outro consigo. Por isso decretou intervenção na Draco, órgão conduzido por Cláudio Ferraz, que goza de boa reputação e que foi peça chave na prisão de centenas de denunciados na CPI das Milícias. Ferraz não nega que tenha colaborado com a Polícia Federal nas investigações da Operação Guilhotina.

Há uma relação promíscua entre governantes e policiais. Os governos usam politicamente a polícia para operações que dão ibope na mídia, em troca fazem vista grossa para todo tipo de desmando cometido por policiais, inclusive o abuso de autoridade, a prática da tortura e o assassinato de inocentes.

Por isso, a limpeza da polícia está longe do fim. Deve começar pelo afastamento dos corruptos e assassinos. Não se sabe se vai sobrar muita gente… Mais adiante a exigência de formação superior e de salários dignos poderá ajudar na formação de uma polícia estritamente técnica, capaz de desvendar crimes, em vez de acobertá-los ou colaborar com eles.

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