Franceses e gregos vão às urnas no domingo, 7 de maio. São duas eleições determinantes para o panorama europeu, apesar de ocorrerem em países de importância tão diferente. A eleição francesa pode alterar o rumo da economia adotada nos últimos meses, com o pacto Merkozy, receituário criado para atender aos interesses do sistema financeiro.

Já o eleitor grego pode abrir uma fenda na política européia, se as pesquisas se confirmarem. Cansados da alternância café-com-leite entre conservadores (Nova Democracia) e sociais democratas (Pasok), que nada resolvem e adotam o arrocho do Banco Central, FMI e União Européia, os gregos podem pulverizar seu voto entre partidos de esquerda e de direita.

Se François Hollande confirmar o favoritismo nas urnas deve haver um ajuste na política econômica ortodoxa imposta por França e Alemanha à União Européia. Esta política consiste em cortar drasticamente os investimentos públicos, privatizar empresas, demitir servidores públicos, privatizar empresas estatais e cortar salários e aposentadorias em toda a Zona do Euro.

Não se deve esperar mudanças profundas caso Hollande vença, mas a construção de um novo acordo com a Alemanha em que sejam feitas concessões para estimular o crescimento econômico, o emprego e o consumo. O candidato social-democrata também fala em retirar as tropas francesas do Afeganistão até o final de 2012.

Toda a Europa está atenta a essas duas eleições. Na França está em jogo a continuidade ou não da política de arrocho salarial, desemprego e cortes de investimentos públicos. Se Sarkozy vencer a Europa deve amargar mais alguns anos desta política. Já se Hollande for o vencedor terá a oportunidade de alterar o rumo dessa prosa.

Na Grécia o que está em jogo é algo muito mais dramático. Seu governo foi arrancado de Atenas e passou a ser controlado diretamente por figuras ligadas ao capital financeiro, dono da dívida do país. A falência do pequeno e médio empresariado e as medidas adotadas pelo governo dos banqueiros resultou em elevadas taxas de desemprego e desesperança.

O leite já derramou e agora os gregos procuram uma saída fora dos partidos tradicionais, que apenas se alternaram no governo e nada fizeram para evitar o caos. A votação deve ser pulverizada entre cinco ou seis partidos, sendo eles dois da esquerda socialista, um da extrema direita, um da esquerda democrática, a Nova Democracia e o Pasok. Difícil imaginar uma composição de forças para formar um governo capaz de implementar as medidas que os gregos desejam. Boa parte do eleitorado já não aceita a continuidade do país sob as rédeas da União Européia.

A eleição grega pode ser um recado para o restante da Europa. Se conservadores e sociais-democratas insistirem em pagar a conta da dívida que provocaram para salvar os banqueiros entregando as conquistas sociais e econômicas de seus povos, a reação nas ruas e nas urnas pode ser de radicalização.

*De Barcelona

Polícia por toda a Praça da Catalunha, no Centro de Barcelona. Trânsito desviado e helicópteros no céu. Para qualquer desavisado poderia ser apenas a perseguição a um grupo de ladrões que acabara de assaltar uma loja ou um banco. Não, trata-se do cerco de proteção aos presidentes dos bancos centrais da Europa, que infelizmente escolheram Barcelona para uma de suas reuniões e esgrimir seus argumentos conservadores patéticos.

Todos os dias existem manifestações de rua para lembrar aqueles senhores que as pessoas precisam de um mundo melhor e mais justo, e não de cortes nos serviços públicos, nos salários e nos empregos daqui e de lá.

Independente dos protestos a vida segue seu curso em Barcelona. O Metrô (público) tem horário estampado em letreiro que avisa a chegada da próxima composição, em 2 minutos e meio. É isso mesmo, em 2 minutos e meio. Por isso, nunca está lotado, nem no horário do rush. Qualquer um pode adquirir um bilhete com desconto para dez passagens numa máquina e, se o Metrô não o levar ao destino final, o passageiro ainda tem o direito a uma integração com micro-ônibus até o seu bairro.

Nos pontos dos ônibus existe horário e o roteiro das linhas afixados para quem quiser ver. Eles pertencem à municipalidade e chegam e saem na hora informada. Também existe um serviço de trens urbanos funcional, tudo integrado de maneira a trazer e levar quem precisa ao trabalho e às escolas.

O lixo seletivo se impõe em todas as ruas e bairros da cidade, sempre com três enormes caçambas, uma ao lado da outra. A prefeitura se faz presente, entre outras coisas com o serviço de limpeza que recolhe o lixo em todo canto sempre. Os jornais da região têm duas edições: em espanhol e em catalão.

O serviço de bicing, as bicicletas alugadas em qualquer ponto da cidade, se faz sentir em toda a cidade. Motos, muitas motos e lambretas modernas. Tantas que as ruas têm grandes espaços reservados para que os motoqueiros e lambreteiros estacionem seus veículos. Elas convivem com ônibus de todos os tipos e tamanhos, todos usando gás fenol como combustível.

Só tive notícia de um shopping, que fica no bairro das mansões. O comércio é formado de algumas grandes lojas de departamentos e, sobretudo, pelas lojas de rua. Os espaços urbanos públicos não são aviltados pela ganância do poder econômico. Tudo segue um planejamento, uma certa harmonia entre arquitetura arrojada e respeito ao cidadão. Não surpreende que em todas as calçadas e cruzamentos existam rampas amplas para os cadeirantes. Os catalães cuidam bem das calçadas e postes de Barcelona.

Aqui se pode dizer que a cidade herdou algum legado útil das Olimpíadas. É evidente que eram outros tempos e outra cultura. Se houve roubo e desvio de verbas não duvido, mas o princípio não era o de construir obras faraônicas e irracionais para beneficiar empreiteiras e seus representantes no Executivo e no Legislativo.

A Espanha é a quarta economia da Europa e metade de sua juventude está sem emprego e sem perspectiva de futuro. A crise ainda não abalou Barcelona em cheio, mas chegará. No entanto, o povo daqui saiu da miséria de 50 anos de franquismo – na época chegaram a existir aglomerados urbanos semelhantes a favelas brasileiras – para uns 30 anos de prosperidade e, certamente, não vai querer abrir mão da sua qualidade de vida.

Pode ser apenas uma primeira impressão, mas depois dos 50 não costumamos nos permitir errar tanto em nossas avaliações. Barcelona é fantástica! Mil anos antes de Cristo já havia gente em suas terras e seu porto. Com o passar do tempo, povoados foram se formando ao redor e mais recentemente deram origem à Grande Barcelona.

Durante os 50 anos de franquismo toda a Catalunha e seu nacionalismo foram discriminados pelos fascistas. Com o fim da ditadura, no final dos anos 70, uma nova Espanha se ergueu e Barcelona floriu, com sua arquitetura arrojada, suas ruas e avenidas arborizadas, seus prédios desconcertantes. Pelo jeito, apesar dos pesares, as Olimpíadas fizeram muito bem à cidade.

A Catalunha do grande maestro Pablo Casals, do pintor e escultor Juan Miró e do inconfundível e surpreendente arquiteto Galdi é um show de cultura. Por onde se passa em Barcelona se sente a presença de um espírito diferente, que alimenta o orgulho catalão. Em muitos prédios a bandeira amarela e vermelha está pendurada nas sacadas de apartamentos.

Museus, palácios, parques, bibliotecas, igrejas ou simples edifícios são obras de arte antigas ou modernas, trabalhadas em detalhes, convivendo em harmonia e sempre bem conservadas. É claro que por aqui também se contraiu uma das mais velhas doenças do ser humano, a corrupção, mas ela parece menor diante da grandeza de um povo que conserva seu idioma e sua forma particular de encarar o mundo.

Na Rambla, rua de pedestres que liga o Centro à praia (lembra vagamente a nossa Rua Uruguaiana), há barracas de tudo, inclusive para a exposição de telas e trabalhos de pintores e retratistas. As lojas vendem souvenirs e às vezes se sente o aroma de essência de baunilha que vem das confeitarias e padarias, com seus doces gostosos e muito bem apresentados. Cafés, sorveterias, bares, restaurantes, tudo pequeno e aconchegante. O mercado municipal vende frutas já descascadas e cortadas para consumo na hora, além de carnes e pescado de todo o tipo. Gente do mundo inteiro vem conhecer Barcelona.

Talvez possa se dizer que Barcelona está para a Espanha como o Rio está para o Brasil. Poderíamos muito bem viver sem o Brasil, mas o Brasil não poderia existir sem o Rio. O que me alivia é o reconhecimento de nossa cidade por cidadãos da própria Barcelona, dizendo que não existe coisa igual no mundo. Pena que ela esteja tão mal tratada pelos piratas da modernidade. Ao menos ainda nos restam as suas belezas naturais.

12:15h pelo horário local, pousamos em Schiphol, o aeroporto de Amsterdã. Da janela do avião que se preparava para descer pude entender o que se chama de Países Baixos. O Porto de Roterdã e a própria capital são entrecortados por ruas e canais, construídos artificialmente abaixo do nível do mar, para domar a força do Mar do Norte. Como se pode erguer um país tão pequeno e tão ousado¿ Durante séculos suas embarcações cruzaram os oceanos do Planeta, disputando espaço com as maiores potências de então.

Acerto os ponteiros do relógio do celular para mais 5 horas. É apenas uma escala para Barcelona, mas só pela porta de entrada já se pode ter uma pequena idéia da organização e limpeza da cidade. O aeroporto é um brinco, tudo limpo, gente limpando tudo a todo momento. Tem biblioteca com as principais obras dos escritores holandeses, uma extensão do Rijksmuseum com algumas telas de pintores antigos, espaço para crianças com som de mata, carrinho para transportar os idosos e deficientes, caixinhas para depósito de dinheiro (cheias) para ajudar crianças de países mais pobres, lojas, muitas lojas.

Comprei uns souvenirs para trocar dinheiro e levar de lembrança para amigos e parentes. Parece que só existe um clube de futebol: Ajax, fundado em 1900 e grande campeão nacional, em vias de conquistar mais um título. Num espaço reservado ao descanso encontrei uma grande mesa e diversos sofás. A TV mostra o noticiário da CNN (o destaque é que os EUA já gastaram U$ 372 bilhões na guerra do Afeganistão). Estão mais preocupados com os gastos de guerra do que propriamente com os resultados e consequências dela. É o mercado.

Os holandeses falam fluentemente dois idiomas: holandês (uma espécie de alemão piorado, carregado) e o inglês, justamente porque seu idioma é incompreensível. Qualquer cidadão no aeroporto fala inglês, donde se conclui que todo mundo fala ou entende essa espécie de segunda lingua. Aqui as piratas tupiniquins, Gol e TAM, não têm nem stand. Isso num aeroporto que tem vôos para os quatro cantos do mundo. Bons tempos aqueles da Varig…

Com meu inglês limitado não me atrevi a perguntar a nenhum holandês sobre política local, a renúncia do primeiro-ministro de direita e a formação de um novo gabinete de esquerda. Aparentemente o governo conservador tentou aplicar o modelito FMI e se deu mal. A decepção e o repúdio foram tamanhos que não conseguiu maioria no parlamento e o governo caiu com dois meses de existência.

Ah! Só para registrar: tudo bem que era um vôo internacional, de cerca de 11 horas de duração, mas o serviço de bordo da KLM é impecável, inclusive nos detalhes. A lamentar somente a distância entre as poltronas na classe econômica, fenômeno que se generalizou com a gula das companhias aéreas nas últimas décadas. Mais uma vez é a força do mercado…

Dezoito e trinta e três do dia 1 de maio. Aguardo no saguão do Aeroporto Tom Jobim o horário de embarque para Amsterdã. Quem dera ficar por lá uns dias, mas é só a conexão para chegar a Barcelona. Será que os espanhóis vão me deixar entrar? Achei até a interrogação do teclado…

Será uma viagem a passeio, conhecer rapidamente algumas cidades européias e também de informação. Espero conseguir repassar o que ver por lá aos leitores do meu blog e aos ouvintes do Programa Boca Livre. Talvez este seja o presente deles pela fidelidade aos 16 anos do Programa.

Seria bom conhecer um pouco os sistemas de transportes, educacional e de saúde da Espanha, Portugal, Inglaterra e França. Pelo menos até que os cardeais da troika (União Européia, FMI e Banco Central Europeu) deixem o que é básico funcionar.

O resto pode ser festa. A beleza arquitetônica de Barcelona, o bacalhau e o fado de Lisboa, um pub londrino, o vinho e as belezas da Cidade-luz. Será verdade que os franceses não são mesmo muito chegados em banho? Talvez quando chegar a Paris já exista um novo governo em formação. Como serão os jornais, a TV, as rádios européias?

Vamos conferir…

O envolvimento de deputados e governadores das mais diversas legendas com o empresário Carlinhos Cachoeira se tornou apenas a ponta do iceberg de um esquema que não é novo nos bastidores da vida política nacional. O fincanciamento irregular de campanhas eleitorais, que sacramenta o toma-lá-dá-cá. Neste caso a empresa usada na lavanderia de recursos parece ser a Delta Construções.

Nesta esculhambação que se chama Brasil mesmo qualquer leigo no assunto pode desconfiar do crescimento vertiginoso da Delta. As obras mal feitas e inacabadas dos conjuntos Nova Sepetiba I e II são o cartão-de-visita da empresa, contratada durante o governo Garotinho (talvez seja por isso que Anthony Matheus esteja tão quieto). Entre seguir com Garotinho e abraçar Cabralzinho, a cúpula da Delta não teve dúvidas e pulou no colo do novo governador. Até porque o partido é o mesmo e pertence à base aliada ao governo Lula.

De 2006 para cá inúmeras são as obras em que Delta aparece, ora sozinha ora em consórcio com outras empreiteiras. O portfólio da Delta inclui obras de vulto, como o Engenhão, abandonado no meio do caminho. Mas a empresa continuou vencendo licitações no Rio, no Estado e na capital. Foi preciso uma tragédia envolvendo familiares e amigos de Fernando Cavendish para que a opinião pública tomasse conhecimento do grau de intimidade entre o presidente da Delta e o governador Cabral.

Carlinhos Cachoeira já havia sido personagem de outro escândalo em 2004, quando Waldomiro Diniz (ex-presidente da Loterj no governo Garotinho e então lotado na Casa Civil de José Dirceu) e Cachoeira apareceram em gravação num diálogo profícuo, negociando propina num dos contratos da Loterj. Ambos foram condenados a anos de cadeia, recorreram e seus crimes permanecem impunes.

Mas por que uma empresa que sequer pertence ao clube seleto das seis maiores empreiteiras do país é a maior beneficiária nas obras do PAC? Talvez para não chamar tanta atenção, caso as obras caíssem em maioria no colo das grandes. Digno de menção é a afirmação – não desmentida – de que José Dirceu teria sido consultor da Delta por dois anos. Coincidência ou não, Dirceu quase nem menciona o tema em seu blog, que tem diversos artigos postados diariamente.

Cachoeira, homem forte da economia Goiás, aparece agora como íntimo do grupo que comanda a Delta na Região Centro-Oeste do país. O senador Demóstenes (doutor), o governador Perillo e os deputados envolvidos só revelam o quanto Cachoeira determinava a política naquele estado e na Região. Seus tentáculos se estendem aos governos do DF e de Tocantins. A Delta tem obras e interesses também nesses estados, aliás, é uma empresa que só realiza obras públicas.

O esquema conhecido é tão simplesmente de lavagem de dinheiro e financiamento de campanhas. A grana sai dos cofres públicos, ou seja, dos impostos que pagamos. A arrecadação é feita por uma empresa, favorecida em contratos bilionários de execução de obras para governos em todo o país, repassada e lavada pela contravenção comandada pelo senhor Cachoeira, que distribui os recursos para a eleição e a manutenção da vida boa de políticos no Legislativo e Executivo em todas as esferas. Uma roda-viva onde uma mão suja a outra.

O afastamento de Fernando Cavendish, até que a apuração das denúncias seja concluída, é apenas uma jogada de marketing. Estranho mesmo é como uma empresa do porte da Delta se retira do consórcio que executa as obras milionárias do Maracanã e da Transcarioca. Qual o motivo para essa decisão? Aguardemos os próximos capítulos.

De 2 a 21 de maio estarei na Europa para uma visita a passeio. Espero conhecer lugares e pessoas interessantes por onde passar. Aproveitarei para fazer o que sei: escrever e retratar aqui o que se passa no velho continente, hoje mergulhado numa crise. Aos que gostam deste espaço será uma boa oportunidade de acompanhar as impressões de um jornalista brasileiro sobre algumas capitais européias. Também pretendo enviar flashes para o Programa BOCA LIVRE (2ª a 6ª feira, das 13h às 14h, na Rádio Tropical 830AM) enquanto estiver viajando. Você também pode ouvir o BOCA LIVRE, ao vivo, pelo portal www.tropical830am.com.br .

De florestal não tem nada, ao contrário, se examinado por qualquer leigo o Novo Código é um troféu para o latifúndio e o agro-negócio. Aprovado na Câmara dos Deputados com mudanças do que passou no Senado Federal, que já não era grande coisa, o tal Código Florestal é uma afronta ao meio-ambiente.

Os desmatadores agora não vão precisar reflorestar as margens dos rios com mais de 10 metros de largura. Não há qualquer exigência de tornar públicos – via internet – os dados da propriedade rural inscrita no Cadastro Ambiental Rural (CAR). Está liberada a criação de camarão em áreas próximas a manguezais, que também não são considerados áreas de preservação ambiental.

O plantio e a criação de gado estão liberados e mantidos nas encostas de propriedades onde essa prática já existe. Depois de cinco anos os bancos também poderão financiar os donos de propriedades rurais que não estiverem inscritas no CAR. Pelos levantamentos do próprio governo federal as medidas vão representar um avanço preocupante do desmatamento em todo o país.

Aprovado por folgada maioria na Câmara, inclusive com os votos de grande parte do PMDB e de parte das bancadas de partidos do governo Dilma, o Novo Código (do desmatamento) Florestal é um retrato do atraso das classes dominantes brasileiras.

São elas, as velhas oligarquias, que continuam mandando no Congresso Nacional, expressando todo o deboche com que tratam assuntos da maior gravidade para o país e o Planeta. Pensam o mundo sem qualquer preocupação de médio e longo prazo. Vivem do imediatismo de sua arrogância.

Diante da decisão da Câmara a única saída que cabe em defesa do bom senso é o veto deste Projeto pela Presidente da República. E mais: se faz urgente que a Presidência encaminhe ao Congresso um Projeto que garanta a preservação do meio-ambiente para as futuras gerações. Isso passa, necessariamente, por uma Reforma Agrária que retire das mãos dessa gente o poder que ela tem: as terras griladas e roubadas da Nação.

Delta é sinônimo de Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e PAC é sinônimo de obras de grande vulto país a fora, realizadas pelos governos Lula e Dilma. Muitas destas obras ainda estão inacabadas e já sob suspeição do Tribunal de Contas da União. A Delta Construções surgiu pequena, lá pelos idos de 1960, em Pernambuco. Nos anos 70 sofreu uma reformulação. Em 1999 chegou ao Rio pelas mãos do então governador, Anthony Garotinho. De repente, num passe de mágica, cresceu e se multiplicou de maneira assustadora no Governo Lula.

O nome Delta aparece em todos os cantos e canteiros de obras do país. São oito anos prestando serviços aos governos do PT, com 300 contratos em 23 estados, dando um salto de 1.417% de crescimento nos recursos que amealhou junto aos cofres da União. Só em 2011 foram R$ 884 milhões. A empresa vem diversificando suas atividades, como acontece no Distrito Federal, onde tem 70% dos contratos da coleta de lixo.

Mas a Delta também não dispensa uma obra nos governos do PMDB. No Estado do Rio de Janeiro a Delta cresceu 533% só no governo Sérgio Cabral. Em 2007 abocanhou R$67 milhões, número que pulou para R$555 milhões em 2010. Em 2011 a mesma Delta levou R$358 milhões da administração estadual e em 2012 já tem R$138 milhões empenhados pelo Estado, sem contar as obras do Maracanã. Cerca de 20% desses ganhos são em obras sem licitação.

A Prefeitura do Rio também é generosa com a Delta. Entre 2008 e 2011 foram R$420 milhões em obras, sendo R$182 milhões somente na gestão Eduardo Paes.

Agora fica cada vez mais evidente que o grupo de Carlos Cachoeira tem ligações íntimas com a Delta na Região Centro-Oeste. Não por acaso as doações de campanha registrados em 2010 indicam que a empresa foi generosa tanto com o PT quanto com o PMDB, para os quais doou R$ 2,3 milhões.

Como se vê, o consórcio Delta/PT/PMDB é uma sociedade sólida, com ramificações em todo o país. Seu capital é constituído por verbas públicas e os dividendos da empresa são distribuídos aos seus sócios no poder público, na União e nos estados. Daí a preocupação da Presidente Dilma com a CPI do Cachoeira. A lama pode respingar em muita gente…

Em março deste ano tomei um susto quando abri a conta de luz de casa: R$ 96,00 para alguém que mora sozinho!? Até setembro do ano passado a conta não superava os R$ 20,00. De lá pra cá só fez aumentar.

Como? Será que estou gastando tanto assim? Será conseqüência da instalação do ar-condicionado? Será que está havendo alguma fuga ou perda de energia na residência? Fiz a reclamação e a Light enviou um técnico para conferir a medição do mês. O sujeito apareceu e, dias depois, recebi um comunicado confirmando a medição.

Tornei a ligar para a empresa para buscar mais esclarecimentos e só então recebi a informação de que a partir de setembro de 2011 passou a vigorar uma alteração na Lei que rege a Tarifa Social. Até então os clientes de qualquer classe que consumissem até 80 kWh/mês estavam enquadrados na chamada Tarifa Social, que oferecia descontos para os mais econômicos.

O carioca paga 40% a mais no preço da energia que consome do que um morador de Nova Iorque e três vezes mais do que um cidadão de Montreal, no Canadá. Isso considerando que 80% da energia elétrica no Brasil vêm de hidrelétricas, a fonte mais barata de produção.

Antes da mudança na legislação cerca de 600 mil consumidores eram beneficiados com a tarifa social no Rio. Hoje, este número caiu para menos da metade. Na verdade a energia elétrica no Brasil não é cara porque a produção é baixa, mas porque o sistema foi privatizado.

Mas não venderam a idéia de que a privatização traria mais eficiência, preços e tarifas mais baratas? O que fazem essas empresas concessionárias de energia elétrica? Nada a não ser conduzir a energia produzida pelas hidrelétricas estatais até as ruas e residências de seus consumidores. Um negócio da China? Não, do Brasil!

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